O que se passa na Ucrânia – fascismo contra fascismo? (várias perspectivas e fontes)

Uma guerra fria ou até guerra real entre Rússia e União Europeia / Estados Unidos da América estão iminentes?

A escolha que se coloca aos ucranianos é entre fascistas pró-Rússia e fascistas pró-UE/EUA?

Protestos que começaram genuinamente estão a ser aproveitados pelas grandes potencias para instaurar um regime autoritário piloto na Ucrânia, que possa ser replicado na União Europeia?

Já começou a guerra civil ? Quem está a apoiar as milícias fascistas? São genuínas as novas milícias comunistas?

Aqui deixo algumas perspectivas, fazendo a ressalva de que já estamos a viver uma guerra de propaganda e, por isso, não me responsabilizo nem subscrevo nenhuma das fontes abaixo citadas. Tirem as vossas conclusões como eu estou a tentar tirar as minhas. E, se quiserem, deixem nos comentários outras fontes.

A versão não-legendada deste filme tem mais de 3 milhões de visualizações:

InfoWars desmistifica o vídeo anterior:

Aconselho a ler todo o blogue pessoal do José Milhazes, correspondente RTP, mas sugiro este post, para começar:

Potências Ocidentais Apoiam Golpe Neonazi na Ucrânia (blogue pessoal de José Milhazes, darussia.blogspot.com)

“Nações ocidentais, lideradas pela União Europeia e pela Administração Obama, estão a apoiar um golpe abertamente neonazi com vista a uma mudança de regime na Ucrânia. Se o esforço for bem sucedido, as consequências irão estender-se muito para além das fronteiras da Ucrânia e dos seus estados vizinhos. Para a Rússia, tal golpe constituiria um casus belli, vindo como vem no contexto da expansão da defesa antimíssil da OTAN para a Europa Central e da evolução de uma doutrina EUA-OTAN de “Ataque Global Rápido”, que presume que os Estados Unidos podem lançar um primeiro ataque preventivo contra a Rússia e a China e sobreviver à retaliação” (ler mais)

Fascistas participantes en las revueltas prohíben el Partido Comunista en dos regiones de Ucrania (larepublica.es)

El pasado sábado, el Consejo regional de Ivano-Frankivsk decidió prohibir en la región las actividades y el uso de símbolos del gobernante “Partido de las Regiones” y del “Partido Comunista” por ser “contrarios a los intereses nacionales y violar los derechos y libertades de los ciudadanos de Ucrania”. (ler mais)

A Ucrânia e o renascimento do fascismo na Europa (resistir.info)

“A violência nas ruas da Ucrânia é muito mais do que uma manifestação da ira popular contra um governo. É, ao invés, simplesmente o exemplo mais recente da ascensão da mais insidiosa forma de fascismo que a Europa já viu desde a queda do Terceiro Reich.” (ler mais)

Los comunistas ucranianos crean milicias populares para luchar contra el fascismo (cprf.ru)

Los comités locales del Partido Comunista de Ucrania (PCU) han creado, en las regiones del este del país, milicias populares para luchar contra los neonazis apoyados por la Union Europea, el conocido como Euromaidan. Después de Odessa, Stakhanov, Simferopol y Dnipropetrovsk, el PCU ha organizado milicias en Louhansk y Zaporizhia. (ler mais)

Presidente e oposição não cedem e a Ucrânia afunda-se cada vez mais na violência (publico.pt)

“As horas vão passando e arrastam a Ucrânia para um campo de batalha sem fim à vista, após três meses de protestos relativamente pacíficos. Desde a manhã de terça-feira já morreram 26 pessoas, de acordo com as actualizações permanentes do Ministério do Interior. O Presidente do país, Viktor Ianukovich, acusa os líderes da oposição de terem incitado uma insurreição e garante que todos eles vão prestar contas perante a Justiça.” (ler mais)

Na Ucrânia, fascistas, oligarcas e a expansão ocidental estão no coração da crise (tradução do artigo de Seumas Milne no Guardian, no folha.uol.com.br)

“Já estivemos aqui antes. Nos últimos meses os protestos de rua na Ucrânia foram descritos na mídia ocidental de acordo com um script bem ensaiado. Manifestantes pró-democracia batalham contra um governo autoritário. Os manifestantes exigem o direito de participar da União Europeia. Mas o presidente russo Vladimir Putin vetou a oportunidade deles terem liberdade e prosperidade.

É uma história que ouvimos de uma forma ou de outra, de novo e de novo — por exemplo na revolução Laranja da Ucrânia, uma década atrás. Mas essa história tem uma relação muito tênue com a realidade.”

“Você nunca saberia pela maioria das reportagens que nacionalistas de extrema-direita e fascistas estão no coração dos protestos e dos ataques aos prédios públicos da Ucrânia. Um dos três principais partidos de oposição liderando a campanha é o partido direitista antissemita Svoboda, cujo líder Oleh Tyahnybok alega que uma “máfia judaica de Moscou” controla a Ucrânia. Mas o senador dos Estados Unidos John McCain estava feliz ao dividir um palanque com ele no mês passado em Kiev.” (ler mais)

John McCain, Chris Murphy, Oleh Tyahnybok

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Cada vez melhores os tempos de antena do PCP

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Porta(s)-aviões de baixos salários

O consumo está em queda livre mas a Televisão abre com a notícia de Paulo Portas a dizer que as exportações, entre elas as alimentares, são o “porta-aviões da economia”. Eu traduzo: os portugueses comem pão, leite e porco e frango de aviário, porque os salários estão em queda livre. Mas as empresas portuguesas, com o trabalho barato dos portugueses, conseguem competir no mercado internacional porque pagam menos e exportam por isso mais. Exportam vinho, peixe fresco, azeite, amêndoas, frutas e legumes. A dieta mediterrânea foi elevada a património imaterial da humanidade mas os que a produzem não a comem. Estamos a tornar-nos competitivos nos baixos salários, só isso.

Como cereja no bolo o Estado actua fiscalmente para criar ainda mais má alimentação – aumentando o IVA nos restaurantes, asfixiando fiscalmente os pequenos agricultores, subsidiando as explorações intensivas para exportação, etc.

Lembro-me hoje de Josué de Castro, fundador da FAO, chamado um dia no nordeste do Brasil para tratar os trabalhadores de uma fábrica. Observou e ao fim de algum tempo foi ter com o patrão. “- Eu não posso fazer nada. O problema dos seus trabalhadores é fome e isso tem o senhor que resolver, eu só sou médico…”. Uma das lutas que Josué de Castro levou pela vida fora nos seus livros magníficos foi que se pode ser gordo, não ter fome calórica, e ter fome específica, ou seja, fome de nutrientes. E ser por isso doente ou estar por isso diminuído nas suas capacidades físicas e mentais.

O que Portas anunciou não foi o “porta-aviões da economia”, foi um submarino de má alimentação, obesidade e doenças.

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Vídeo da Conferência de Imprensa do Sindicato dos Estivadores

Publicado também no blogue O Estivador. 

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Por minha culpa, minha tão grande culpa

Não gosto de fazer o que critico, acusando todxs xs portuguesxs de serem totós. Mas, neste caso, uma grande parte mordeu o isco: que totós!

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Dias antes do Protesto da Geração à Rasca, em 2011, uma pessoa escreveu um texto contra as razões que levaram milhares à rua a 12 de Março: “Geração à Rasca, Nossa Culpa”. Este continua hoje a ser republicado e reencaminhado por email, assinado por Mia Couto – autoria que ele desmente.

Talvez a pessoa que o escreveu nunca tenha lido Marx mas basta estar atentx para perceber que esta crise foi assumidamente inventada pelo 1% das pessoas que detêm a maioria da riqueza mundial, para escravizar na precariedade as restantes 99%.

Rolos de tinta foram gastos com crónicas e horas a fio de rádio e televisão, com vendilhões da teoria de que todxs temos que ser empreendedorxs e, por isso, empresárixs de sucesso (como se fosse possível), a lucrar milhões com a pobreza dxs outrxs (percebem a contradição?). E, se não somos, a culpa é toda nossa! E dos nossos pais. E avós. Dos banqueiros do BPN e Lehman Brothers ou dos governos que os sustêm? “Ah, isso agora é muito complexo. Talvez sim, talvez coiso.”

Não! Não temos de ser todxs empresárixs. Nem a culpa da crise é dos pais e avós, cujos salários e reformas reais não aumentam desde os anos 90, mas a quem a banca ligava perguntando: “tem sonhos para realizar? Temos um crédito pré-aprovado!” E que legitimamente quiseram dar uma vida melhor axs filhxs. Nem é dxs filhxs que aproveitaram aquilo que no norte da Europa já existia há muito: não agonizar como servos medievais, ser da classe média e poder viver remediado, usufruindo de uns poucos dias de férias, descansando uma vez por semana, tendo direito a lazer, num cinema, num restaurante ou numa piscina de hotel na Madeira ou no Algarve ou no estrangeiro (quem o tem não é mais produtivo?). Se forem alemãxs, francesxs, inglesxs, tudo bem. Se são portuguesxs: o horror dos horrores, gente que só quer boa vida.

A propaganda do 1% foi-nos sendo emprenhada de mansinho. Agora é à grande – desde que o PSD se instalou no governo, o seu maior feito não foi a implementação das políticas de empobrecimento e roubo de salários e pensões. Foi o extraordinário golpe de propaganda que nos faz acreditar que o merecemos. E, no entanto, na Alemanha diminuíram a idade da reforma há poucos dias. Elxs são mais produtivos, dir-me-ão? Experimentem dar em Portugal as mesmas condições, horários e salários da Alemanha e aí falaremos de produtividades comparadas, com todo o gosto!

Todos os dias, pessoas da minha idade continuam a reencaminhar esse email, seniores numa qualquer sala de espera de um Centro de Saúde a abarrotar balbuciam, dormentes, a conversa do patrão, do 1%, em vez de se defenderem como empregados que são ou pequenos empresários ou prestadores de serviços, todxs pertencentes aos mais pobres 99%. Ouço-xs contra as greves, contra quem se manifesta, contra os direitos dxs outrxs. Até lhes irem ao bolso. E aí, indignam-se muito, às vezes ainda contra os seus pares ou contra imigrantes ou contra uma qualquer minoria (normalmente quem mais sofre com a austeridade). Caíram na conversa do bandido. De quem divide para reinar.

Não gosto de fazer o que critico, acusando todxs xs portuguesxs de serem totós. Mas, neste caso, uma grande parte mordeu o isco: que totós! Fizemo-lo porque fomos educadxs para servir e calar. Mas ainda (e sempre) é tempo de arrancar o anzol – no entanto, quanto mais tempo passar, maior será a ferida. Por isso façam-no ainda hoje, pelas vossas mãos. Não esperem por líderes de partidos, organizadores de manifs nem pelx vizinhx.

Juntai-vos e Acordai!

* Este artigo foi escrito utilizando o Acordo Queerográfico

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Cinco anos depois…

Acordei para a blogosfera a meio do primeiro governo de José Sócrates. A revolta pelo que via diariamente levou-me aos caminhos do 5 Dias, primeiro como leitor e depois como autor. Passaram entretanto mais de 5 anos e, em todo este tempo, tive o orgulho de pertencer a um colectivo que fez a diferença. Abracei várias causas e fiz várias amizades virtuais, embora, por incrível que pareça, não tenha conhecido uma única pessoa do blogue.
Lentamente, todos aqueles que conheci no 5 Dias e com quem convivi durante tanto tempo foram saindo. Chegou a minha vez. Porque um blogue de muita gente é feito também das afinidades que se criam entre as pessoas e porque essas afinidades, neste momento, já não existem.
Não vou deixar de acompanhar o 5 Dias. Fico contente pelo facto de andar por aqui muita malta nova, com ideias, com energia para criar e força para lutar. São muitos os que querem continuar – isso é bom. O 5 Dias parece um organismo vivo em constante mutação a passar de fase em fase.
Nesta nova fase, já não vou estar. E entre os agradecimentos a todos os que me aturaram, devo destacar o Nuno Ramos de Almeida e o Luis Rainha, que me convidaram, bem como o Zé Nuno, que esteve sempre disponível quando solicitado. Quanto a mim, olhando para estes 5 anos, gostava de não ter escrito algumas coisas, mas na maior parte dos casos revejo-me no que está publicado. Acima de tudo, escrevi sempre o que a minha consciência ditou.
Beijos e abraços para todos.

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COMUNICADO DE IMPRENSA – “UM ACORDO HISTÓRICO PARA O PORTO DE LISBOA”

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A passada sexta-feira, dia 14 de Fevereiro de 2014, ficará marcada como um dia muito importante para a luta dos estivadores portugueses e para que se abra definitivamente o caminho para que, no mais curto espaço de tempo, se possa chegar a soluções equilibradas e duradouras para o conflito que tem dividido os parceiros sociais do sector.

Depois de largos meses de muita luta e com o apoio fundamental dos demais sindicatos de estivadores europeus, com particular destaque para os filiados no IDC – International Dockworkers Council, reuniram-se no Edifício Vasco da Gama, em Lisboa, representantes do nosso Sindicato, do IDC – lnternational Dockworkers Council, das associações patronais AOPL e AOP, tendo em vista discutir as questões que deram origem ao conflito existente e atingir um acordo entre os parceiros sociais. A reunião realizou-se com a mediação do Presidente do Conselho Directivo do IMT – lnstituto da Mobilidade e dos Transportes, l.P..

Nesta reunião chegou-se a um acordo muito significativo relativamente a um conjunto alargado de matérias e que aponta para um roteiro a definir nos próximos dias entre os diferentes parceiros sociais para a calendarização do processo de negociação de um novo contrato colectivo de trabalho, para a reintegração dos 47 trabalhadores despedidos no último ano e para um consenso sobre o modelo de organização de trabalho a solidificar, de forma sustentada, no porto de Lisboa.

Sem querermos invocar as razões que estão por detrás dos atrasos na negociação da contratação colectiva de trabalho para o porto de Lisboa, pensamos que este acordo, a ser respeitado, nos irá permitir durante os próximos meses ter a estabilidade necessária para levar este processo negocial até ao fim, de forma construtiva e ponderada.

A reintegração dos 47 estivadores despedidos ao longo de 2013 era um objectivo prioritário deste Sindicato. Num ano em que se bateram números recordes na movimentação de cargas neste porto era para nós inaceitável que as empresas portuárias de Lisboa tivessem procedido ao afastamento sumário destas dezenas de estivadores com mais de seis anos de experiência nesta actividade altamente especializada, quando demora tantos anos a formar um profissional apto e eficiente, tal como hoje a dinâmica dos portos nos exige. Este acordo permite que estas integrações possam ser uma realidade, a qual fica apenas condicionada à vontade individual dos próprios de voltarem a exercer esta exigente profissão nos termos do acordo que foi estabelecido.

Com estas reintegrações, para além da reconquista de uma situação de emprego sustentado por parte de tantos profissionais da estiva, que já tinham vidas familiares organizadas quando foram confrontados com estes despedimentos abruptos e injustificáveis, se não mesmo ilícitos, conseguimos também contribuir definitivamente para a melhoria da situação financeira da empresa AETPL que emprega a maior parte dos estivadores do porto de Lisboa a qual, através de diversas tácticas empresariais tem vindo, nos últimos meses a, aparentemente, deteriorar o seu equilíbrio financeiro.

Resultou também claro, ser de toda a vantagem para o nosso porto existir um sistema organizacional de trabalho que, dando a resposta adequada aos navios que o demandam em cada vez maior número, o consiga fazer de forma cada dia mais eficiente, alicerçado num colectivo profissional adequada e progressivamente formado em novas valências sem que tal corresponda, porque contraditório e inaceitável pela parte sindical, a uma degradação da qualidade dos seus vínculos contratuais bem como das condições sociais em que a profissão de estivador deve continuar a ser desempenhada em Lisboa, tanto pelas actuais como pelas futuras gerações.

Sabemos que ainda há um longo caminho a percorrer e que este acordo não é um passe de magia para que todos os problemas se resolvam num ápice, mas não podemos deixar de salientar a importância de toda a solidariedade, nacional e internacional, para que fosse possível chegar a este ponto.

Queremos, nesta hora de mudança do paradigma laboral que nos vinha sendo imposto nos últimos tempos, agradecer todas as manifestações de solidariedade que temos tido ao longo dos últimos anos da nossa luta contra a precariedade e tudo o que de negativo ela implica, seja por parte de outras organizações sindicais, movimentos sociais, alguns partidos políticos e milhares de portugueses que nos fizeram chegar as suas mensagens de solidariedade, as quais representaram para nós uma força adicional para resistir no extenso percurso de luta que atravessámos.

Só não vence quem não luta mas também ninguém vence sozinho. Por isso, queremos nesta hora saudar, em particular, os nossos extraordinários companheiros estivadores do porto de Aveiro cuja luta imensa continua a decorrer. São para nós um exemplo e não estão esquecidos.

Por último gostaríamos de deixar aqui um agradecimento muito especial aos nossos companheiros estivadores dos outros portos europeus – tanto das organizações filiadas no IDC – International Dockworkers Council, como é o caso do nosso Sindicato, como dos sindicatos filiados na ETF – European Transport Workers Federation – pelo apoio constante que nos têm dado, não só através de diversas acções concretas de solidariedade, como também pelo acompanhamento constante que têm feito da situação complicada que se vive nos diferentes portos portugueses depois da publicação de uma lei de trabalho portuário iníqua que viola legislação internacional a que o Estado Português está obrigado.

As acções de solidariedade internacional foram decisivas para atingir o acordo a que chegámos. Os estivadores europeus não estão disponíveis para aceitar o modelo de trabalho que se queria impor em Portugal para exportar para os restantes países europeus e exigem que os portos deste continente continuem a ser dos mais eficientes, porque baseados em profissionais altamente preparados e, naturalmente, com condições para o seu desempenho dignas e correspondentes à sua especialização, ao potencial de risco e ao desgaste da profissão de estivador.

Quando das palavras se passar aos actos, e da iniciativa individual à unidade dos colectivos profissionais, a vitória será de todos e também, naturalmente, daqueles que fazem a riqueza do quotidiano do Porto de Lisboa bem como da região e do País que servem.

Conheça a acta da reunião dos Parceiros Sociais do Porto de Lisboa que estabeleceu o acordo.

Publicado também no blogue O Estivador

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