Por minha culpa, minha tão grande culpa

Não gosto de fazer o que critico, acusando todxs xs portuguesxs de serem totós. Mas, neste caso, uma grande parte mordeu o isco: que totós!

pupguilt

Dias antes do Protesto da Geração à Rasca, em 2011, uma pessoa escreveu um texto contra as razões que levaram milhares à rua a 12 de Março: “Geração à Rasca, Nossa Culpa”. Este continua hoje a ser republicado e reencaminhado por email, assinado por Mia Couto – autoria que ele desmente.

Talvez a pessoa que o escreveu nunca tenha lido Marx mas basta estar atentx para perceber que esta crise foi assumidamente inventada pelo 1% das pessoas que detêm a maioria da riqueza mundial, para escravizar na precariedade as restantes 99%.

Rolos de tinta foram gastos com crónicas e horas a fio de rádio e televisão, com vendilhões da teoria de que todxs temos que ser empreendedorxs e, por isso, empresárixs de sucesso (como se fosse possível), a lucrar milhões com a pobreza dxs outrxs (percebem a contradição?). E, se não somos, a culpa é toda nossa! E dos nossos pais. E avós. Dos banqueiros do BPN e Lehman Brothers ou dos governos que os sustêm? “Ah, isso agora é muito complexo. Talvez sim, talvez coiso.”

Não! Não temos de ser todxs empresárixs. Nem a culpa da crise é dos pais e avós, cujos salários e reformas reais não aumentam desde os anos 90, mas a quem a banca ligava perguntando: “tem sonhos para realizar? Temos um crédito pré-aprovado!” E que legitimamente quiseram dar uma vida melhor axs filhxs. Nem é dxs filhxs que aproveitaram aquilo que no norte da Europa já existia há muito: não agonizar como servos medievais, ser da classe média e poder viver remediado, usufruindo de uns poucos dias de férias, descansando uma vez por semana, tendo direito a lazer, num cinema, num restaurante ou numa piscina de hotel na Madeira ou no Algarve ou no estrangeiro (quem o tem não é mais produtivo?). Se forem alemãxs, francesxs, inglesxs, tudo bem. Se são portuguesxs: o horror dos horrores, gente que só quer boa vida.

A propaganda do 1% foi-nos sendo emprenhada de mansinho. Agora é à grande – desde que o PSD se instalou no governo, o seu maior feito não foi a implementação das políticas de empobrecimento e roubo de salários e pensões. Foi o extraordinário golpe de propaganda que nos faz acreditar que o merecemos. E, no entanto, na Alemanha diminuíram a idade da reforma há poucos dias. Elxs são mais produtivos, dir-me-ão? Experimentem dar em Portugal as mesmas condições, horários e salários da Alemanha e aí falaremos de produtividades comparadas, com todo o gosto!

Todos os dias, pessoas da minha idade continuam a reencaminhar esse email, seniores numa qualquer sala de espera de um Centro de Saúde a abarrotar balbuciam, dormentes, a conversa do patrão, do 1%, em vez de se defenderem como empregados que são ou pequenos empresários ou prestadores de serviços, todxs pertencentes aos mais pobres 99%. Ouço-xs contra as greves, contra quem se manifesta, contra os direitos dxs outrxs. Até lhes irem ao bolso. E aí, indignam-se muito, às vezes ainda contra os seus pares ou contra imigrantes ou contra uma qualquer minoria (normalmente quem mais sofre com a austeridade). Caíram na conversa do bandido. De quem divide para reinar.

Não gosto de fazer o que critico, acusando todxs xs portuguesxs de serem totós. Mas, neste caso, uma grande parte mordeu o isco: que totós! Fizemo-lo porque fomos educadxs para servir e calar. Mas ainda (e sempre) é tempo de arrancar o anzol – no entanto, quanto mais tempo passar, maior será a ferida. Por isso façam-no ainda hoje, pelas vossas mãos. Não esperem por líderes de partidos, organizadores de manifs nem pelx vizinhx.

Juntai-vos e Acordai!

* Este artigo foi escrito utilizando o Acordo Queerográfico

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31 Responses to Por minha culpa, minha tão grande culpa

  1. José António Jardim says:

    Excelente post do João..infelizmente a realidade descrita com muita lucidez.
    Parabéns.

  2. Carlos Carapeto says:

    Fico melhor informado e preparado para esclarecer os que não estão.

    Obrigado

  3. Joao Pereira says:

    Não sou empresário, não sou rico, trabalho por conta de outrem e vivo com o meu ordenado, sem heranças ou rendimentos de capital. Concordo com a política seguida por este governo, tal como aparentemente uma grande parte da população portuguesa (vide resultado das eleições legislativas, autárquicas etc). A minha opinião e dos meus pares conta ou somos perigosos fascistas que ambicionamos explorar o nosso semelhante?

    • João Labrincha says:

      “Um escravo feliz é o maior inimigo da liberdade” – popular

      • Mário says:

        mais popular ainda :

        Uma mãe vê o seu filho a marchar.
        Ele marcha ao contrário dos outros todos.
        Comentário da mãe : O meu filho é o único que vai bem.

        Mário

      • Joao Pereira says:

        Esclarecido. Sou um escravo, juntamente com os 7 milhões e 200 mil portugueses que votaram no arco central nas ultimas eleições. 7 milhões e 800 mil se juntarmos CDS/PP. São número muitíssimo difíceis de contrariar e chamar “escravo” ou “avençado” como o iluminado infra. Existem mesmo pessoas pagas para andar a escrever em caixas e comentários de blogs? Parece-me um dinheiro estupidamente mal gasto …

      • João Labrincha says:

        É muito desonesto usar os dados das eleições autárquicas para justificar políticas do governo central. Mas ainda mais desonesto é mentir nos números.
        Nas últimas autárquicas, o total de votos no PS, PSD e PP perfaz 3.414.719. Sem PS à mistura, os votos nos partidos de governo PSD e PP foram apenas 1.602.690. A Comissão Nacional de Eleições não mente. Já do João Pereira não se pode dizer o mesmo….
        http://www.eleicoes.mj.pt/legislativas2011/

    • pppp says:

      A sua opinião conta, pois pertence à minoria que elegeu este governo – já olhou bem para os resultados das eleições legislativas ou autárquicas?… não é só os dos queijinhos ou barrinhas com percentagens que indicam o partido mais votado, ele há cálculos da percentagem da população que votou, e esse tipo de miudezas (eu sei, preciosismos anti-liberais)

      Quanto ao sado-masoquismo e autoflagelação de que disfruta, concordo que o possa fazer, num princípio de liberdade individual – porém, na minha opinião, deve restringir-se à sua intimidade, e/ou daqueles com quem partilha essa paixão

      Querer obrigar tamanhas práticas à população geral, é de facto um bocadinho fascista, e sem dúvida querer explorar o seu semelhante – e olhe que até acho que BDSM (http://pt.wikipedia.org/wiki/BDSM) tem coisas interessantes, mas deve estar fora do espectro politico-economico-social

      Vai um referendo acerca da austeridade, ovelha Pereira?

      • Joao Pereira says:

        Não percebi. Minoria? São quase 8 milhões de portugueses a votarem nos partidos que defendem o pagamento da dívida, a manutenção do capital na mão dos privados e a redução da despesa pública. Parece-me extremamente fascista achar que estes 8 milhões e a sua vontade são a minoria. “escravo”; “ovelha”; “avençado” and counting ..

      • João Labrincha says:

        Isso não é verdade.
        Como é possível ver no site da Comissão Nacional de Eleições, apenas votaram 2.159.742 de pessoas no PSD (sendo que este afirmava na campanha não querer mais austeridade nem vir a aumentar impostos – votaram numa mentira – como se pode ver no discurso do Passos Coelho que está linkado neste artigo, nas palavras “conversa do bandido”).
        Já no PSD+PS+PP juntos, foram 4.381.897, portanto, menos de metade das pessoas que vivem no nosso país e muito longe dos 8 milhões referidos.
        http://www.eleicoes.mj.pt/legislativas2011/

      • Pedro Manuel says:

        Os menores de 18 anos votavam todos PCP/BE se pudessem, era isso?

    • says:

      Aqui está um avençado, a produzir para o grupo da laranjada…
      Como te pagam de avença ? 3 500/mês x 14 ?

    • Carlos Carapeto says:

      Caro João Pereira.

      Vc não é nada disso. Vc é um IGNORANTE.

    • Catty says:

      Joao Pereira, pode por favor esclarecer-me: em que e que concorda com o nosso governo? Se voce tambem e trabalhador…. O povo tem de se unir… e se muitos sao como o senhor, ja entendi o porque do estado do nosso lindo Portugal.

  4. Amigo João
    Partilho inteiramente a sua posição, não apenas porque sim, por simpatia (que tb existe, claro!) ou por soar bem. Há anos que venho estudando o assunto, embora não seja especialista nem pretenda, e todos os dados concretos que encontro apontam claramente no sentido indicado. Mesmo antes disso, sempre me pareceu que a história estava muito mal contada. E é com certa amargura que constato dentro dos próprios meios da esquerda que se continua a insistir na tecla (mesmo por parte de economistas de renome) segundo a qual a crise é fundamentalmente sistémica. É o próprio sistema que gera as crises de modo quase automático. Há até quem diga que a crise é o sistema e ele é a crise. Um dos problemas desta opção é o facto de se casar muito bem com as teses da direita que postulam a inevitabilidade, ou seja, estamos a aceitar que tivemos azar, que isto tem de ser mesmo assim. Outro problema tem a ver com a desresponsabilização dos fautores da crise que, por essa via, livram a água do capote e ainda acusam as vítimas de serem culpadas e responsáveis por aquilo que lhes acontece( e vai acontecer com maior gravidade ainda). Um terceiro problema reporta-se às medidas indispensáveis para impedir novas jogadas do mesmo teor. Se a culpa é do sistema, então nada há a fazer. Temos de engolir em seco e cara alegre, esperando melhores dias. A questão da regulação financeira que continua em grande parte por fazer continua adiada para as calendas, mantendo assim em aberto todas as possibilidades de os mesmos de sempre voltarem a repetir a “gracinha”. E de cada vez que a repetem, a gravidade das consequências acentua-se exponencialmente. Enquanto isso, a esquerda dorme o sono dos “justos”, preocupada apenas com o umbigo, ou seja, com as tricas do “nós é que somos os bons”.
    Note-se que este panorama é muito característico aqui do rectângulo, mas encontra pouco eco em outros países mais desenvolvidos e menos propensos ao dogmatismo tão adorado por certas elites bem pensantes.
    Não esbanjámos…..Não pagamos!!!!!!
    ZM

  5. O João Pereira afirma apoiar as políticas deste governo e está no seu direito, claro. Só gostaria de lhe perguntar como vai ser paga a dívida que toda a gente sabe ser impagável. Pelos vistos aceita de bom grado a destruição dos serviços públicos, da saúde, educação, assistência social, cultura, etc. Acha normal o desemprego galopante, a venda ao desbarato de todas as empresas públicas rentáveis e das infraestruturas que deveriam ser de todos, enfim, a destruição de um país inteiro e o empobrecimento da população, tudo em nome de uma dívida que não é suscertível de ser paga. Não vê que há aqui algo que não bate certo? Aceita mesmo que TUDO deve ser sacrificado no altar de uma dívida que o povo não contraíu? Vá lá, caro J.P. Vamos cair no real e olhar as coisas de frente. Pode ser????
    ZM

    • Joao Pereira says:

      Caro José Manuel Oliveira,

      Em primeiro lugar, eu entendo que a dívida é legitima e foi contraída por si, por mim, pela minha avó e por todos aqueles que nos últimos 40 anos puseram no poder partidos que lá se mantêm à conta de promessas eleitorais fáceis. A crise existe porque em 40 anos gastamos mais do que aquilo que geramos em receita. Isto é tão simples de perceber que me assusta haver quem o negue. Podemos não querer pagar a quem nos emprestou, mas não nos fizemos rogados quando construímos auto estradas, estradas, escolas de 100 em 100 metros, hospitais de 1km em 1km (Torres Novas, Abrantes, Tomar, Santarém … ufff) Autarquias com as suas pesadissimas estruturas, também umas em cima das outras .. e muito mais. Não se pode querer ter as infraestruturas da Noruega (sinceramente acho que até temos melhores) quando se gera a mesma riqueza que a Republica Checa. A matemática não bate.

      Devemos manter aquilo que é essencial a proteger os que não têm. Um emagrecimento selectivo da oferta pública que garanta o bem estar geral e não mais. Empresas rentáveis são vendidas ao preço que reflecte as suas receitas futuras chama-se a isso “Desconto de Cash Flow Futuro” e é a base para descobrir quanto se pede por uma empresa. Recebemos num momento unico aquilo que iriamos receber em decadas em dividendos.

      Não sei se a divida é pagavel .. nao creio .. é gerivel. É isso que temos de almejar a menos que queiramos tornar-nos num país descredibilizado a quem ninguém empresta um tostão. Eu não quero esse país para os meus filhos.

      • Carlos Carapeto says:

        Afinal o João Pereira não é assim tão ignorante como demonstrou em principio. É outra coisa pior. Um demagogo empedernido.

        Primeiro; Por aquilo que escreve mostra que está contra a construção de infraestruturas sociais para servir as populações ( não me estou a referir às auto estradas, marinas de luxo e outras megalomanias para servir unicamente interesses particulares, foram caprichos do Gauleiter de Boliqueime) mas sim a hospitais, centros de saúde, lares de apoio à terceira idade, infantários etc.

        Talvez preferisse que a maioria da população Portuguesa continuasse a viver como no tempo de Salazar?

        Segundo; falta à verdade quando diz que a divida é legitima e foi contraída para satisfazer os desvarios burgueses de todos nós.
        A divida é ilegítima porque foi contraída com a intenção única de aumentar os lucros do grande capital. E como já tinham destruído o incipiente aparelho produtivo que o país dispunha ( outro acto criminoso) começaram a importar desregradamente aquilo que se deixou de produzir cá dentro.
        E é precisamente isso que estão a exigir que se pague, com um palmo de língua fora.

        Ignora ( dá provas disso) que a produção nacional depois da adesão à C E E caiu em todos os setores? Industria, pescas, agricultura, foi tudo a pique.

        E quem foram os responsáveis por esse descalabro, senão os que governam neste momento , mais aqueles que estão já a acotovelar-se esperando pela hora para lá regressarem?

        Nós não temos que nos comparar a este ou àquele país . Temos que ser capazes de criar condições para que o nosso povo possa viver com dignidade. Temos todas as condições para conseguir-mos isso.
        Se não podemos viver como os Noruegueses, prefere que vivamos como os Haitianos ou os Filipinos?

        Sabe que o Japão depois de ter ficado arrasado por a guerra a primeira preocupação que os governantes tiveram foi produzir bens para satisfazer as necessidades da população, por isso antes de ser a segunda potencia industrial , foi o primeiro produtor mundial de arroz?
        Aconteceu com a Alemanha, França, Inglaterra, União Soviética. Primeiro produzir bens para a população.
        Aqui em Portugal nos ultimo 40 anos fez-se tudo a arrepio desse principio básico da economia.
        Enquanto não se aumentar a produção de bens para consumo interno, continuamos dependentes das importações, isso faz com que a divida e a miséria não parem de subir.

      • Joao Pereira says:

        Desconhece o conceito de política europeira. Não percebe que a industria pesada diminuiu por decisão de Bruxelas e, que em troca, recebemos milhares de milhões de euros que decidimos “estourar” em Auto Estradas e no aumento da máquina estadual. O dinheiro não foi gasto para enriquecer o “grande capital” nem a “burguesia”. Homem, deixe-se desses desvarios. Isso é conversa bafienta sem adaptação à realidade. O dinheiro foi gasto em obra que serve o cidadão comum, mas que o país não tem como pagar. Foi gasto em estradas, hospitais, num parque escolar com ar condicionado – mas que depois não tem dinheiro para pagar à EDP, foi gasto em rotundas e mais rotundas, num metro do Porto que para se pagar era preciso que cada bilhete custasse 5€…. e por aí adiante.

        Eu acho que o dinheiro dos nossos impostos deve ser interiamente canalizado para servir as pessoas. Não acho é que devemos gastar mais do que o que temos.

        João Labrincha, tem toda a razão, faço mea culpa. Os número que vi estavam obviamente errados. O bloco central teve 70% dos votos. Contínuo a achar irresponsável e anti-democrático dizer que a maioria dos portugueses não quer estas políticas. A abstenção pouco ou nada me diz .. se as pessoas não vou votar, assumo que se fossem a distribuição percentual dos votos fosse idêntica.

      • Caro J:P.
        Contráriamente ao que afirma, eu não contraí dívida nenhuma, nem nunca vivi acima das minhas possibilidades tal como a maioria dos portugueses. Logo, qualquer dívida que me queiram impôr é necessáriamente ilegítima. Mas vou mais longe. O que está a pesar sobre todos nós não é em verdade uma dívida. Dívida seria eu pedir-lhe emprestado 1000 euros para um negócio. Aí, eu saberia bem a quem devo, quanto devo, por quanto tempo devo e em que condições. Além disso, usaria o dinheiro que é seu para meu benefício e o João emprestar-me-ia algo que é mesmo seu. Mas se eu pedisse ao banco, manter-se-iam as premissas referidas menos uma. O banco empresta-me dinheiro que não é dele, que não existe, que ele cria do nada ao abrir uma conta. A suposta dívida dita soberana não encaixa em nenhuma destas características. Não sei quanto devemos, a quem devemos, quanto tempo durará a sangria, em que condições teremos de pagar, quem lucrou com esses fundos (eu não fui de certeza). Em suma, eu nada sei sobre ela nem tenho modo de saber. A única certeza é que me obrigam a pagar. Mesmo os bébés que nascerem hoje, levam logo um carimbo na testa a dizer:- Já nasceste? Então já estás a dever não sei quantos mil. Isto não é dívida, é um TRIBUTO! Os tributos é que não têm prazo, nem razão outra que não seja a dominação pura e simples. São devidos pelas nações conquistadas às potencias dominantes em razão da guerra e da rapina pura e simples. É isso que se está a passar e que eu recuso em absoluto.
        ZM

      • Joao Pereira says:

        José,

        Pois. Por não perceber como funciona o mercado financeiro internacional isso não torna o mesmo ilegítimo ou bandido. Quem nos emprestou o dinheiro foram pessoas como o José e como eu. Vários amigos meus têm divida portuguesa, portanto é também a eles que devemos.

        O Estado é feito por representantes do povo. Evidente que não foi o José nem eu nem o João Labrincha que contraímos a dívida, mas sim os nossos representantes, em nosso nome. Evidentemente, temos de responder por ela.

      • Caro JP
        Discordo das suas palavras quando afirma que desconheço o funcionamento dos mercados, tema que venho investigando há anos. Apenas lhe direi o seguinte. Em 1927, um eminente economista russo, chamado Alexander Sack, explicitou pela primeira vez o conceito de dívida odiosa. Tal classificação aplica-se a qualquer dívida contraída sem o conhecimento e sem o consentimento do povo e efectivada para beneficiar interesses contrários aos do respectivo país. Assim sendo, NÃO DEVE SER PAGA. E não se trata de uma questão de honra como pretende a narrativa do poder. Não existe honra nenhuma em pagar aquilo que alguns corruptos negociaram nas costas de uma nação inteira. Ainda mais quando isso implica necessáriamente deixar de honrar outros compromissos, esses sim, directamente contratualizados com os trabalhadores. Não posso admitir que haja contratos que são para cumprir (os bons = dívida) e outros que não são (os maus = reformas, pensões, etc). Se há amigos seus que investiram em títulos de dívida, problema deles. Há sempre quem queira lucrar com a miséria alheia. Desses não tenho pena. Quem vai ao casino já sabe que pode sempr perder.

      • Rafael Ortega says:

        “eu não contraí dívida nenhuma”

        Ficamos a saber que o José pagou a pronto o hospital onde vai, a escola que os filhos frequentam, a ETAR onde lhe tratam as águas, e tudo mais aquilo que o Estado pediu dinheiro para investir.

        Eu também recuso em absoluto, entre outras coisas que assumo (talvez erradamente) serem queridas do José, a Segurança Social. Se o José aceitar a minha recusa em contribuir para a SS eu aceito a sua recusa em pagar a dívida.

      • O Rafel considera erradamente que, tal como veicula o poder, o Estado Social está indexado à dívida. Nada mais falso. O E.S. é financiado com os impostos e descontos das pessoas e empresas. Quem precisou de resgate foram os bancos. O que se pretende é transformar a dìvida privada destes em dívida pública para que sejam os povos a pagar o regabofe que grupos de bandidos andaram a organizar. Basta constatar que a Comissão de Inquérito à crise financeira nos EUA, no seu relatório final, utilizou o termo FRAUDE e sinónimos 157 vezes, concliundo que houve quebra sistemática da responsabilidade e da ética. Segundo essa comissão, os sinais de fraude estavam em evidência por toda a parte. E agora querem vir com a “ética” para cima do cidadão???
        Vamos parar de brincar com coisas sérias.
        ZM

      • Carlos Carapeto says:

        Rafael Ortega se gosta viver num país do terceiro mundo sem quaisquer infraestruturas básicas , tem muito por onde escolher.

        E qual a sua opinião dos estádios de futebol que se construiram a torto e a direito sem qualquer utilidade social?
        Das marinas de luxo, para abrigar os iates de quem se abotuou com parte do dinheiro que foi pedido emprestado.
        E das reservas de caça onde se semeava trigo subsidiado para alimentar perdizes e javalis?

        E da construção das milhares de habitações que serviam para esconder fugas ao fisco, hoje parte delas estão devolutas?

        Dos subsidios entregues aos grandes agrários para deixar de produzir bens alimentares que o país carecia.

        Dos outros subsidios oferecidos aos mesmos agrários por os rebanhos de gado que eram contados dez ou vinte vezes conforme as propriedades que possuiam.

        Conhece a história da vaca preta com o corno partido?

        Um agrário mudava a manada de vacas de propriedade em propriedade para receber subsidios, até que um dia o funcionário do ministério da agricultura avisou o maioral. Diga ao seu patrão que quando mudar o gado para outra propriedade para obter mais subsidios não leve aquela vaca preta do corno partido, porque já foi registada mais de uma dúzia de vezes.

        E foi com tramoias destas que “eles” empenharam os Portugueses até à raiz dos cabelos.

      • Quase tudo o que o Carlos aponta são mais algumas das razões para não pagarmos as dívidas que outros contraíram abusivamente em nosso nome. Não me parece que a Islândia seja nenhum exemplo terceiro mundista a que se refere.
        ZM

      • Rafael Ortega says:

        Carlos não quero pagar o VOSSO Estado Social, muito menos a VOSSA Segurança Social.

        Se os senhores não querem pagar a dívida muito bem. Eu também não quero. Mas também não quero pagar a vossa SS.

        Parece-me perfeitamente justo que vocês não paguem aquilo que consideram um roubo se eu também puder deixar de pagar aquilo que considero um roubo.

  6. João Labrincha says:

    Reblogged this on Ar Salgado.

  7. Mats says:

    Que forma de falar tão estranha.

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