Referendo da co-adopção: a caminho do 2º resgate

Um referendo indecente para mobilizar o país para um debate que não é central enquanto se pede um 2º resgate. É esse o objectivo. Vem mesmo a calhar para a nova recapitalização da semi falida banca. Enquanto a opus dei mobiliza os media contra o facto de crianças que já vivem com duas mães ou dois pais poderem ser legalmente filhas dos dois. E vai ser fácil com o atraso que por aí grassa fazer deste elementar direito uma nova Casa dos Segredos. Assim se faz politica neste país. Pergunto-me: não pode haver um referendo sobre a suspensão da dívida pública?

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4 Responses to Referendo da co-adopção: a caminho do 2º resgate

  1. José says:

    Muitas coisas se dirão nos próximos tempos sobre o referendo à co-adopção e adopção e cada frase que se disser será uma frase a mais porque servirá o propósito de quem propôs e votou favoravelmente o referendo. Porque como é obvio grande parte do que está aqui em causa é uma estratégia obvia e rasteira de ocupar o espaço mediático com uma “não questão” e assim secundarizar os problemas reais existentes na sociedade portuguesa.
    Porém, nesta como outras matérias sobre aquilo que deveríamos calar torna-se necessário falar. Falar antes de mais sobre a própria natureza do mecanismo do referendo numa sociedade democrática. O referendo ao permitir que as pessoas decidam através do voto sobre uma questão relativa à vida em comum prescinde, na aparência, do defeito representativo das formas democráticas hegemónicas (democracia representativa parlamentar).
    Contudo muitos factores concorrem subverter o que, à partida, seriam as suas virtudes. Antes de mais o referendo corresponde a uma estrutura hierarquizada. De um lado temos os que podem colocar a questão, definindo o que pode ser perguntado, quando e em que moldes. De outro temos os que apenas podem responder e que somente podem faze-lo através do maniqueísmo simplista do “sim” ou do “não”.
    Poderíamos pensar noutras modalidades de referendos que desempenhassem um papel importante na vida politica. Porém, no nosso sistema, embora em algumas ocasiões o referendo pode ser um mal menor, não escapa n ao registo da desigualdade de inteligências que caracteriza a democracia representativa.
    A isto acresce o conteúdo dos referendos, ou seja, aquilo que aqueles que detêm a capacidade de perguntar decidem que deve ser perguntado. As questões fundamentais para a vida em comum são deixadas de parte. Por exemplo nos diversos momentos em que o processo Europeu foi sendo aprofundado com implicações substanciais para o modo como funcionamos em sociedade. Ou, outro exemplo, quando um partido politico subverte na sua acções governativa as propostas e o programa com base no qual foi eleito. Aquilo de que tratam os referendos são principalmente questões relativas a minorias, frequentemente em torno de problemáticas de género permitindo aos representantes partidários buscarem no campo dos “valores” os dividendos políticos que não conseguem obter noutras áreas.
    O presente referendo sobre a co-adopção e a adopção é um exemplo absolutamente caricatural do que referimos. É obvio que não visa uma questão premente. Nenhum português que não esteja directamente envolvido terá, entre as suas 99 preocupações fundamentais esta questão.
    O que visa este referendo é obvio: desacreditar o próprio mecanismo do referendo, desviar as atenções mediáticas da acção governativa, recuperar parte do eleitorado conservador, permitir à direita uma hipótese de vitória eleitoral.
    Continuo a achar que a maioria das pessoas é razoável e que não considera que as capacidades parentais de outrem esteja correlacionada com o uso que faz da genitália. Porém, num regime como o nosso em que tudo depende da utilização do espaço mediático e em que o preconceito é um factor motivacional mais forte do que a sua ausência, o tacticismo político em torno de uma questão como esta é execrável.
    De resto todo o processo é ridículo com o parlamento a por em causa a sua própria legitimidade: se era para existir um referendo porque é que os senhores deputados andaram todos estes meses a gastar o seu tempo e o nosso dinheiro a desenvolverem um processo legislativo sobre a matéria? Se o que os proponentes do referendo pretendem é alargar “democraticamente” o debate para fora do parlamento como é que no interior deste proíbem, através da disciplina de voto, as opiniões divergentes?
    Em última instancia são os interesses eleitorais (reaproximação ao eleitorado conservador e apagamento da crise) que surgem aqui como motivação. E este grau zero da política, quando feito às custas de uma minoria e com prejuízo da democracia, aproximasse da barbárie. Mais baixo não se pode descer.

  2. Nuno Cardoso da Silva says:

    Quem gosta de democracia participativa e de democracia directa, gosta de referendos. Só não gosta de referendos quem acha que os pode perder enquanto poderia ganhar se o voto fosse exclusivo dos deputados na AR. Ou seja, criticar referendos – quaisquer que eles sejam – corresponde a ter medo da democracia.

  3. Pois. says:

    Tal e qual, e não é que mesmo sabendo, quer “Esquerda” quer “direita” jogam o Jogo?!
    Querem que vos diga quem é o vosso PAI comum?!
    DE TODOS?! Sem excepção… HEGEL… Mas são “aprendizes” de feiticeiros, mesmo sabendo caem, a pergunta deixo eu : Quem é o burro aqui?!

  4. M.Almeida says:

    A piada do ano! O argumento sobre o que é urgente discutir ou não discutir durante o período de crise. A esquerda e alguma direita decidem que se suspende a democracia e só se pode discutir economês, resgate, Troika, Juros, Divida, Desemprego, etc. O debate sobre a coadopção ou sobre o referendo não é central. Portanto é central e fulcral discutir-se a lei proposta por uma deputada socialista em tempo de discussão do OE para 2014. Caso a lei tivesse passado aí todos se iriram congratular e apesar de tudo das troikas, dividas, juros, desemprego, aí era fundamental e de elementar bom senso aprovar a lei (sem discussão claro, a opinião pública não interessa!). Não é central nem fulcral discutir um referendo ou propôr a referendo seja o que fôr.
    Sò para recordar à Professora Raquel Varela e aos interessado e denegrir a imagem do deputado que propôs um referendo a um assunto CENTRAL, vejamos o que dizia e o que diz hoje sobre o assunto o querido Paulo Corte Real (ILGA):

    Paulo Corte Real (Presidente da ILGA) em artigo publicado no Jornal Publico quando o importante era um segundo referendo ao aborto…

    “O Referendo é um espaço privilegiado de expressão cívica, que estimula o debate e a difusão de informação sobre questões relevantes, e cuja necessidade é reforçada no caso de não haver, face às questões e referendar, homogeniedade na base social de apoio de cada partido.

    Paulo Corte Real (Presidente da ILGA) em declarações à Antena quando já não interessa referendo.

    “A hipótese de um referendo é completamente absurda e extemporânea. É uma tentativa que seja uma maioria a ditar os direitos de minorias o que é um contra-senso.”

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