Não há pessoas imprescindíveis mas há projectos que fazem muita falta – LONGA VIDA AO 5DIAS!

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Fica por aqui a minha colaboração no 5dias. Foram cinco anos de intensa actividade, a maior parte deles a escrever todos os dias. Umas vezes melhor outras pior, claro, todas eles me deram imenso gozo e, não raras vezes, com os escritos a ter impacto concreto na realidade e significado na luta política. Agradeço ao Nuno Ramos de Almeida o convite e desejo que este espaço continue capaz de se reinventar, com novos autores e novas ideias.

Com o tempo o 5dias tem vindo a transformar-se num espaço onde poucos arriscam uma crítica forte com receio da reacção de outrem, a provocação inteligente passou a ser vista como um acto canalha e o grande derrotado é o debate plural e desassombrado. O amor à polémica, que me apaixonava e entusiasmava nesta tasca, deu lugar a uma espécie de medo, de resto, o mesmo medo que mantém praticamente toda a esquerda agarrada aos navios que tem, ainda que em pleno naufrágio. Há quem diga, com propriedade, que “gostava que a esquerda fundasse novos jornais à mesma velocidade que a direita e que a direita fundasse novos partidos à mesma velocidade que a esquerda”, mas lamentavelmente pouco fez para renovar espaços como o 5dias. Somos, aqui como na rua, o espelho de uma esquerda à deriva.

Já basta o capitalismo para nos castrar a fantasia. Do meu ponto de vista chegou-se ao fim da dialéctica, contudo espero que outros a consigam recuperar. Ao longo do tempo em que ajudei a construir o 5dias sempre me bati pela polissemia e pelo desassombro, critérios que apliquei a todas as pessoas que sugeri que se convidassem para alargar o colectivo. Acho que é sobretudo assim que valerá a pena continuar.

Não tive sempre razão, naturalmente, mas sem falsa modéstia sei que foram maiores os acertos do que os erros. Nem sempre acrescentei, mas também sei que foram muito mais os contributos. Passei aqui muitas horas e daqui levarei a memória da maioria dos debates. Boa parte deles valeram a pena, mesmo aqueles que tiveram o preço da amizade. Espero que quem fica seja capaz de dar nova vida ao 5dias e que amplifique e aproveite o seu potencial na rede, não abrindo mão da ampla diversidade, de ideias e registos, que lhe dá sentido e o transforma numa ferramenta importante no campo da resistência.

Continuarei a escrever com regularidade no Obéissance Est Morte, na Revista Rubra e, até ver, no facebook

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