Bananos Fedorentos

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Primeiro, os Gato Fedorento não se venderam; alugaram uns sketches que foram travestidos em reclamos, com logótipos colados a cuspo às piadas e pronto. O dispositivo era cómodo e até prémios de criatividade rendeu (pasme-se).

Mas o lado negro tem a sua força, sedosa, sedutora. Uma vez emigrados para a galáxia hiperestilizada e feérica dos spots publicitários, com as suas paradas de maquilhadoras solícitas, criativos aduladores e filmagens no estrangeiro, como escapar do mundo MEO? Regressando aos esquálidos dias dos adereços da loja do chinês e dos cenários lá nos fundos da SIC?

Não. Dando novo passo em frente, abismo adentro. Assim nasce aquela coisa em que o Steven Seagal consegue parecer, face aos coadjuvantes, um excelente actor. E onde Rodrigo Guedes de Carvalho passou de compère de Sousa Tavares a alvo de todas as virgens ofendidas.

Foi muito mau, e não só pela falta de pilhéria. Chamar “gatunos” aos nossos governantes não deve ser coisa dita em tom de chiste, mas sim a sério. Indivíduos como Passos Coelho e Paulo Portas não podem ser “corridos” a “bananos” de fantasia. Têm de ser mesmo corridos do Estado que parasitam, e o mais depressa possível.

Mas fazer humor com a ânsia de acção radical que já alastra é bom para a ordem pública. É válvula de escape que acalma e domestica, ao remeter para o reino do lúdico qualquer desejo de violência. Esta rábula fez mais pela segurança da cáfila que nos governa do que um pelotão de gorilas da PSP.

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6 Responses to Bananos Fedorentos

  1. pppp says:

    Não gosto muito deste sketch novo dos Gato Fedorento, mas porque realmente não tem muita piada.
    Tanto tempo sem fazer nada que não venho a cavalo de meo e merdas (que, segundo me constou, nem é escrito por eles), e lançam uma rábula que pouco condiz com o glorioso passado humorístico dos gajos.
    Agora, esperar que sejam eles a falar a sério dos gatunos do governo, e promovam a luta do povo contra o capital que esmaga, parece-me pouco razoável (pra não dizer descabido), porque nunca foi o seu modos operandi.
    Quando meteram os outdoors no marquês de pombal a gozar com os fachos, na minha opinião tiveram muita piada, e foi óptimo porque encheram bem os cornos aos pnr’s (com o conhecido prejuízo pra eles, em especial o RAP). Infelizmente este já não teve tanta, e como tal não vai encher o juízo convenientemente aos neo-fachos do poder.
    Pior que isso, e era só o que faltava, se afinal acabar por lixar o juízo aos da esquerda.
    Daqueles fulanos só conto com humor de altíssima qualidade, com o aquele piscar o olho à esquerda que tem sido seu apanágio.
    Pró resto conto comigo e contigo, e mais os milhares que já têm dado o corpo ao manifesto, pra trazer a contestação onde ela mais precisa – na parte que me toca sinto que tenho saído à rua demasiado à hora marcada, e questiono-me muito sobre o que mais fazer. Acho este tempo mais útil, do que gasto a falar mal do que os GF fazem com a capacidade financeira e mobilizadora que têm hoje em dia – até porque, deles, pouco ou nunca os vi a fazer pela luta anti-austeridade.

    Depois, fui a ver, e és publicitário – automaticamente pensei que o que aqui falou foi mais a tua ânsia radical de querer ter uma conta como a da meo.

    De certeza que estou errado, bem como os gato fedorento.

    • Ou outra coisa algo parecida mas diferente: não esperava que eles animasem a “luta do povo contra o capital”; apenas que não gozassem com ela, fazendo da indignação e do desespero com a cambada tema de galhofa. Mas enfim.

      • pppp says:

        Parece-me claro que a função do humorista é gozar com a realidade que o rodeia – foi assim no sketch a gozar com o marcelo rebelo de sousa (o desespero da questão do aborto não é brincadeira), ou com o sketch do telefonema da operadora do INEM para os bombeiros (a indignação perante os erros mortais da emergência médica não são pra rir) – e estes são os que me lembrei assim de repente, há muitos mais.

        O único problema deste novo sketch é mesmo não ter muita piada.

  2. JgMenos says:

    Depois do culto da idiotia revelado nas campanhas da meo, não era de esperar mais!

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