Mandela, Passos Coelho e ignorância crassa

Não bastava a vergonha do texto das condolências de Cavaco e eis que o de Passos Coelho prima por uma daquelas calinadas que não o deixaria passar em qualquer prova inventada por Nuno Crato para aceder ao que quer que fosse:

Não saberá o primeiro-ministro de Portugal, ou algum dos seus colaboradores mais próximos, que Mandela defendeu a luta armada contra o apartheid desde de 21 de Março de 1960, data em que ocorreu o Massacre de Sharpeville, e que em 1961 passou a comandante do braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA) até ser preso?

Em Junho de 1980, Mandela enviou ao CNA, da prisão onde se encontrava, a seguinte mensagem: «Unam-se! Mobilizem-se! Lutem! Entre a bigorna que é a ação da massa unida e o martelo que é a luta armada devemos esmagar o apartheid!».

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20 Responses to Mandela, Passos Coelho e ignorância crassa

  1. Argala says:

    Se por um lado a burguesia procura esconder a luta armada, e as posições que ela própria tomou contra Mandela; da nossa parte, procura-se esconder o outro período de Mandela, de conciliação com as injustiças e a segregação social. Li poucos textos com esta ideia.

    Não faço questão de disputar a figura. Tenho gente suficiente no rosário das figuras que me inspiram, gente que lutou toda a vida sem nunca vacilar contra o opressor, gente que morreu no campo de batalha.

    Por isso, ó durões barrosos, passos coelhos e bibis deste mundo: fiquem lá com o triciclo e deixem-me em paz, que eu não quero cá confusões. Fiquem lá com o triciclo porque pelo mundo inteiro os povos levantam-se em armas para derrubar o opressor. E se era isso que queriam ignorar na história de Mandela, pois foi precisamente isso que ficou.

  2. Cavaco e Passos Coelho ainda vão a tempo de combater o apartheid que oprime o povo português. Força, “meus” herois!

  3. JgMenos says:

    Não raro a guerra foi missão de paz.
    O que ensandece os escandalizados com ‘Mandela figura de paz’, é que a guerra que quereriam fazer a imaginam para além da vitória das armas como uma guerra permanente, conformando os espíritos e as acções dos homens à sua ideologia, na totalitária missão de construir a sociedade sem classes que mais não significa que a sociedade em que se vêem como classe dominante.
    Como nunguém lhes compra o projecto, se bem explicitado, ‘colam-se’ a tudo a que vagamente o possam associar com proveito, desde o histriónico Chavez ao homem superior que foi Mandela!

    • António M P says:

      O que distinguia Chavez de Caprilles não era o volume da voz, era o volume de generosidade. Que os seus herois lhe façam bom proveito, sr. JgMenos (?).

    • De says:

      “Não raro a guerra foi missão de paz?
      Eis uma frase que denuncia um estilo e um esgar.
      Por um lado perante os factos Menos é obrigado a reconhecer que o seu líder o cavaco esteve à altura das piores coisas vistas nos últimos 100 anos ao votar contra a libertação de Mandela .Juntou-se cavaco a reagan e a thatcher e os três comportaram-se como autênticos escarros na arena política mundial.
      Ora perante os factos que são maus demais para serem desmentidos o que faz Menos?
      Socorre-se duma frase já atrás citadas (“a guerra como missão de paz”) e usa-a desta forma eufemística. Deixa cair um dos ídolos,( cavaco) porque lhe interessa agora outra coisa.Quer retirar à figura de Mandela tudo o que esta possa ter tido de de revolucionária.Quer “esquecer” que este comandou a luta armada.E socorre-se destas frases pífias que deitam ainda mais por terra o silva da presidência.
      A guerra missão de paz?
      Alguém diga aí a Menos que a derrota do apartheid foi muito mais do que o estabelecimento de uma “paz”. Foi o estiolar dum projecto iníquo à face da terra que tinha entre os colonialistas portugueses a maior das admirações.E que o seu definitivo enterro deve continuar até que não seja mais do que um monte de cinzas apodrecidas.
      E perante a canalha colonial não é a paz que se deve exigir.É muito mais do que isso.
      Daí os porfiados esforços de Menos e os seus discursos bolorentos sobre a paz e sobre a sociedade sem classes.O tipo pugna por esta sociedade podre ,corrupta e desigual e cada vez que lhe falam em acabar com os exploradores sofre se sezões e de tiques como os acima descritos.

      • Jgmenos says:

        DE, na composição da minha pouco importante figura, evita pôr-,me como tendo Cavaco por líder! Põe lá o salazar ou outro figurão qualquer mas não o Cavaco.
        É um burguês tão teu vizinho, tão pouco aristocrático, tão previsível, que me incomoda essa parte da tua tão irrelevante análise.
        PS: ainda assim o voto foi a favor da libertação de Mandela, segundo um qualquer incontdicionado jornalista.

      • De says:

        Salazar pois então
        🙂
        Mas o estilo de linguagem de Menos é tão burguês, tão pouco aristocrático,tão previsível, tão boçal que se assemelha mesmo à personagem cavacal.Talvez banhado pelo hálito desagradável dos ébrios desaustinados

        Quanto à votação na ONU…os dados estão aí registados.Reagan ,Thatcher e Cavaco.Os três unicos a votar contra.
        Por mais que o incondicional salazarista menor o queira abafar

      • Nuno Cardoso da Silva says:

        Parece-me a mim – mas posso estar enganado – que Mandela defendia o uso da força como último recurso. E quando a força deixou de ser necessária, Mandela foi conciliador e um homem de paz. O que o De – e outros – defendem, é o uso da força por princípio e como meio de intimidação para com a componente mais pacífica – normalmente maioritária – da sociedade. A força não é para derrotar o inimigo, é para restringir a liberdade dos “amigos”. Por isso é que eu – socialista libertário – nunca colaborarei com esses predadores sempre prontos a escravizar os trabalhadores em nome do proletariado… Vistam eles as peles de cordeiro que quiserem!…

      • De says:

        Cardoso da silva.
        O que lhe parece é um assunto só seu.
        A realidade é diferente.“Nelson Mandela não descartou nenhuma forma de luta, tendo sido com naturalidade que foi escolhido em 1961 para 1º Comandante da Lança da Nação, organização militar do ANC.
        Preso no final de 1962 foi condenado em Outubro de 1963 a prisão perpétua, acusado com mais sete companheiros de ter participado em mais de 150 acções de luta armada. Cumpriu 28 anos de prisão, a maior parte dos quais em regime de trabalhos forçados”

        “Em Junho de 1980, Mandela enviou ao CNA, da prisão onde se encontrava, a seguinte mensagem: «Unam-se! Mobilizem-se! Lutem! Entre a bigorna que é a ação da massa unida e o martelo que é a luta armada devemos esmagar o apartheid!».

        Quanto ao que eu defendo Cardoso da silva (qie tem responsabilidades acrescidas por ter estado na África do Sul) está de novo a dar uma de peralvilho encartado.Com uma agravante . a de estar a mentir de forma desbragada.Ele, que agora parece estar a a dar as mãos ao salazarista Menos 🙂
        Escravizar é talvez o metier de Silva mais o dos seus amigos travestidos de socialistas qualquer coisa.Mas que deixe esse babar continuo sobre quem não lhe apara os golpes nem as manhas.

  4. Carlos Carapeto says:

    Não fosse o desmoronar do coloniasmo Português, o derrube do regime racista Rodesiano e o grande contributo do Exercito Cubano na derrota das SADF e da UNITA no sul de Angola, “factores que alentaram a revolta dos negros no na Africa do Sul” que hoje talvez estivessem a chorar Mandela em qualquer prisão do regime do apartheid.

    O maior contributo para queda do regime racista Sul Africano foi dado por os países Socialistas.
    Países que um “senhor” aí atrás entre a bruma da idolatria ao fascismo rotula de totalitários.

    • JgMenos says:

      SE…Se….se….
      Se …não fosse cair o muro ainda hoje haveria duas Alemanhas e uma União Soviética!

      • Carlos Carapeto says:

        Se se se o quê? Se a sua avó não se tivesse colocado a jeito não tinha que aturar hoje as suas paloncices.
        Também seeeeeeee não existisse a ganância do lucro financeiro, de certeza que não morriam mais de 5 milhões de crianças anualmente vitimas da fome, “Jean Ziegler Relator Especial para o Direito à Alimentação da ONU entre 2000/2008, Membro do Comité Assessor do Conselho dos Direitos Humanos da ONU entre 2008/2012.

        Eu pergunto. Quantos famintos alimentou a queda do muro de Berlim?
        Quantas pessoas sairam da miseria com a extinção da URSS?
        Todas essas condições que nos deviam envergonhar como seres pensantes, aumentaram exponencialmente depois desses dois acontecimentos de grande glória para o capitalismo.
        Além de não terem conseguido resolver nenhum dos problemas que diziam existir , criaram outros novos.

        Já que tem tanta apetencia por muros também se devia ter lembrado do muro que separa os EUA do México, onde morrem mais pessoas num ano que em toda a história do muro de Berlim.
        Do muro do Sahara, do muro da Palestina, do muro entre as duas Coerais, dos muros que separam os condominios de luxo dos bairros miseráveis

        Já sei; o muro de Berlim era de uma arquitetura inestetica, cores aberrantes e depois era pequeno demais, por isso o deitaram abaixo para construir outros maiores.

      • JgMenos says:

        Porque falar em lucro financeiro e não tão só em lucro? Começamos a fraquejar, e há lucro bom e lucro mau?
        Qual a novidade de haver fome em Estados fracassados? Qual a novidade de haver fome na desordem, na guerra, na corrupção?
        Contribui menos para a desordem os Estados limitarem-se às suas funções básicas do que aventurarem-se nas áreas em que se corrompem e tudo põem em causa.
        O Estado é sempre o problema maior, e maior Estado não é seguramente a solução.
        Cada muro tem a sua história, sempre escrita por estados de mau Estado.

      • De says:

        Gosto.
        Os EUA como estado fracassado.Como parece que Portugal se está a tornar.
        E a criticar os pulhas que promovem a guerra , a fome a corrupção, a mando dessa enorme máquina de opressão que é o imperialsimo norte-americano.
        É o capitalismo estúpido
        Menos a tornar-se clarividente numas coisas,enquanto noutras continua o mesmo obtuso personagem: “começamos a fraquejar”? Será que ele percebe o que se escreve 🙂

        Quanto à defesa do menos estado por parte de Menos (está explicado o menos do Menos?) parece que Menos está a construir muros em volta do seu próprio passado e da sua própria ideologia,
        Um admirador salazarista, de um salazar em que o estado era tudo, e em que dominava o capitalismo monopolista de estado a criticar o estado?
        O estado fascista claro mas o estado ao serviço dos monopólios.Com este estado se está a tornar

      • carlos Carapeto says:

        “Porque falar em lucro financeiro e não tão só em lucro? Começamos a fraquejar, e há lucro bom e lucro mau?”
        Não diga baboseiras, há lucro e há prejuizos nada mais! E no sistema capitalista quem alanca sempre com os prejuizos são os trabalhadores e os contribuintes.

        Menos; sabe porque não se deve, nem se pode abordar a questão dessa forma simplista como a perspetiva? Porque essas coisas se fossem programadas e decididas à medida da sua ignorância estava tudo pior com que está, era o caos e guerra permanente. Sabe porquê?
        Porque sempre houve pessoas com capacidade de pensar que não aceitam a humilhação. Ou julga que os outros são todos uns acéfalos da sua estatura?

        A compreenção que tem da sociedade e das relações entre as pessoas são estupidamente empiricas. Retira as ideias do seu imaginário e julga que tem que ser assim mesmo, e não pode ser de outra forma.
        Onde foi retirar essas ideias que anda por aqui a espalhar? Smith? Ricardo? Friedman? Keynes não porque pensava de forma mais suave.

        Ou aprendeu com o seu paizinho quando explorava e roubava os Africanos à fartazana?

        Eu podia esclarece-lo de onde provém o lucro e a forma justa da sua repartição. Mas como sei que não tem cachimónia para encaixar essas “palermices” nem me vou dar a esse trabalho.

        E quando é que o Estado é considerado bom para intervir na economia?

        Para injetar somas astronómicas de dinheiros publicos em BPNs espalhados por esse mundo fora , industria automóvel, e outras empresas falidas de forma fraudolenta?

        Quer mais maus exemplos do desastre do capitalismo que aquilo que aconteceu e está acontecer na Europa de Leste?

        Informe-se como viviam antes quando o Estado controlava a economia e como vivem hoje depois de colocarem as riquezas desses países na mangedoura do capitalismo.

        Agora acabou-se a solidariedade para os milhões de pessoas que mergulharam na mais abjecta miséria?

        Deviam ser julgados por os crimes que estão a cometer contra aqueles povos.

      • Nuno Cardoso da Silva says:

        O interessante do muro de Berlim é que ele se destinava a impedir que os trabalhadores da Alemanha Oriental fugissem do sistema que os protegia para ir para um sistema que os oprimia… Porque os trabalhadores, mesmo alemães, não percebiam que estavam melhor no socialismo real do que no capitalismo. Ora expliquem porque é que isso acontecia… E digam se vale a pena “salvar” os trabalhadores contra a sua vontade e se isso é “socialismo”. É que para mim o socialismo tem de ser construido em liberdade e com a adesão espontânea dos trabalhadores. Se isso não for possível, então há algo que não está a funcionar bem. Provavelmente o socialismo de modelo soviético era tudo menos socialismo…

      • carlos Carapeto says:

        Lá vem o NCS mais uma vez com as suas estroinices.

        Desculpe ter que lhe dizer. Vc é alguém que emoldura uns discursos muitos vistosos, cheios de floreados mas feitos de trampa que cheiram mal a sete léguas.

        Não estou a discutir os resultados nem os efeitos do muro de Berlim (isso é outra discussão).
        Estou a responder a oportunismos ressabiados saidos das fossas sépticas da extrema direita, fazendo crer que o muro de Berlim foi a mais terrivel calamidade que se abateu sobre a terra.
        Como se os muros construidos por os deles servissem para a salvação da humanidade.

        Depois vem o Nuno todo lampeiro carpir lágrimas de sangue por os coitadinhos dos trabalhadores da Alemanha de Leste, fazendo coro com os nazis de segunda geração.

        Afinal de que lado está?

        Tem a certeza que no muro de Berlim só morreram trabalhadores? Não chegou a meia centena mortos.

        E as mais de quatrocentos vitimas anuais na fronteira do México são milionários que tentam passar com o dinheiro para os EUA?

        Se está realmente interessado falar em nome dos trabalhadores então então comece por denunciar a descida aos infernos das condições de trabalho na ROMÉNIA e na BULGÁRIA, (cito apenas estes dois países).

        Vc mete nojo, devia ter vergonha ao aliar-se com a direita barricado atrás do Anarquismo.

        Falta ao respeito à memória dos ideais dos grandes Libertários, como António Gonçalves Correia essa enorme figura do Anarquismo Português, que tive o grande previlégio de conhecer.

        Se é Anarquista quantas vezes já foi à Comuna da Luz (a primeira Cooperativa Agricola de Portugal e senão da Europa) prestar a sua homenagem a este HOMEM?

        Pois eu são raras as vezes que me desloco de Lisboa para o Algarve ou vice versa que não faça um desvio por o Vale de Santiago para passar por lá.
        Já algum vez foi a S Marcos da Ataboeira visitar a casa onde ele nasceu?
        Já deu algum contributo para ser construido o museu?

        Assuma-se; não se escude atrás daqueles que toda a vida lutaram por o bem dos outros sem nada pedirem em troca.

      • Nuno Cardoso da Silva says:

        Blá, blá, blá!… Eu a falar do muro de Berlim e do facto dele servir para impedir que os trabalhadores alemães fugissem do paraíso marxista-leninista, e o Carlos vem-me com as tretas de quantos trabalhadores terão morrido no muro, ou dos outros muros que existem por esse mundo fora, ou da opressão de que outros trabalhadores são vítimas noutros países, como se alguma dessas coisas pudesse justificar encarcerar trabalhadores atrás de um muro, para evitar que eles fugissem. A questão que eu queria ver respondida é, porque razão queriam os trabalhadores abandonar a Alemanha Democrática para ir para a Alemanha Federal? Porque razão queriam eles trocar a ditadura do proletariado pela exploração capitalista? Que espécie de socialismo era esse de que os trabalhadores queriam fugir? É evidente que não era dos ideais socialistas e de uma sociedade socialista que eles queriam fugir. Era da fraude chamada sistema soviético que de socialista nada tinha. Dessa fraude que vocês gostariam de reconstituir aqui, no nosso país, como forma de monopolizarem o poder e tomarem de refém todo um povo. Quem não vos conhecer que vos compre!…

      • De says:

        Já percebemos que o sr professor ex-candidato a tudo e mais alguma coisa,incluindo esse grande partido do anarquismo em estado puro denominado mrpp.quer a propósito de blá-blá-blá fazer o seu peculiar bla,bla,bla
        Já percebemos que são incómodos os temas levantados por Carlos Carapeto e que cardoso da Silva prefere fazer um flip flop à rectaguarda
        Já percebemos que Cardoso da Silva prefere falar do muro de Berlim e de temas afins do que da áfrica do Suil onde parece que se instalou e até canudou. Terá sido por isso que prefere fazer estas cenas dignas de uma espécie bem retratada por Eça? Sem o mínimo respeito pelo tema faz o seu papel para o lado para onde lhe parece melhor fazer as cenas.
        Enfim,já percebemos mesmo.

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