Propinas – Há 22 anos a estragar a sociedade

Faz esta semana 20 anos que alguns de nós levaram a maior carga de pancada das suas vidas. E isto porque defendiam o preceito de que o financiamento da educação deve ser assumido pelo estado em todos os graus de ensino.

O mandante da carga policial, de nome dias loureiro, umas semanas antes tinha dado uma entrevista ao Expresso em que defendia o lento mas firme desmantelamento do estado social, e as propinas e o ensino superior iriam ser apenas a primeira etapa. Sabe-se hoje o que esse senhor realmente queria e, mais do que isso, sabe-se também o que andou a fazer nos empregos por onde passou. E o estado, todos nós, a pagar a factura de “ter vivido acima das nossas possibilidades”.

É importante relembrar hoje esse episódio que, apesar de provavelmente não ter sido nem o mais combativo, nem o mais dramático, foi aquele que teve maior cobertura mediática.

E é importante porque houve hoje uma manifestação dos estudantes do Ensino Superior em frente ao Parlamento. É importante porque, hoje mesmo, os reitores e o CRUP cortaram relações com o governo, porque se recusam ver o seu financiamento cortado sem aviso e sem sentido. E é importante, acima de tudo, porque se deve partilhar que o que defendíamos e dizíamos há 20 anos continua actual e manifesta-se hoje em trágicas consequências.

A cada dia que passa mais estudantes são obrigados a interromper ou a nem sequer iniciar os seus estudos superiores dado ao estrangulamento que as propinas provocam. A Universidade pública perde a um ritmo diário força e vigor enquanto construtora da sociedade de amanhã. A cada dia que passa uma geração perde os seus sonhos, o seu futuro. A cada dia que passa o país empobrece.

A questão das propinas é sobretudo ideológica e, num momento em que os trolls repetem ad nauseaum que as ideologias não servem para nada, torna-se necessário explicar os princípios de forma a desmontar a demagogia que se quer impor.

Pretende-se que a população de uma dada sociedade adquira através do estudo um conjunto de valências teóricas e técnicas que serão úteis à evolução da mesma. Então coloca-se a questão óbvia: quem deve financiar este estudo, essa evolução? A própria sociedade, garantindo desta forma um acesso mais equitativo aos conhecimentos? Ou cabe a cada pessoa suportar o custo da aquisição desses conhecimentos?

A resposta está impregnada da visão que construímos da sociedade em que queremos viver: uma ideologia.

Por um lado, estarão os liberais a advogar que quem quer educação tem de a pagar do seu bolso porque é um benefício pessoal. Dirão mesmo, entrando pela demagogia barata, que os “privilegiados” devem pagar, pois são os principais interessados.

Por outro lado, será bom de ver que quem beneficia com a escolaridade mais elevada não é apenas quem frequentou os níveis superiores. O que seria uma sociedade sem médicos, sem historiadores, sem cientistas, sem engenheiros, sem professores?…

E, sendo quase unânime que o caminho para o desenvolvimento da sociedade passa pelo trabalho especializado e não pela competição com (e por) “mão-de-obra barata”, torna-se evidente que os liberais apenas tentam atirar areia para os olhos, procurando encobrir a visão estratégica que defendem para essa sociedade.

Ora, onde fica o argumento da qualificação, da produção, da produtividade, quando se estrangula o acesso ao ensino a cada vez mais camadas da população?

O estrangulamento e a razia não afectam de forma igual as diferentes pessoas que pretendem aumentar o seu conhecimento. Será sempre a camada social com menos recursos que será deixada para trás. Por muitas promessas de Acção Social que apareçam para atenuar a desigualdade, a realidade demonstra que esse apoio é progressivamente mais escasso e que há pessoas que não podem, mesmo com esse apoio, continuar os seus estudos.

É nos momentos de crise que a sociedade tem de fazer escolhas. Escolher cortar na Educação, escolher cortar no Ensino Superior, é hipotecar o futuro da sociedade. E é hipotecar para sempre o futuro de muitas pessoas.

(Falta falar de outras componentes de injustiça dum sistema não gratuito de ensino superior que deixarei para outro momento)

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76 Responses to Propinas – Há 22 anos a estragar a sociedade

  1. Dezperado says:

    Sabe quando custa um curso superior de um aluno ao Estado? E quanto esse mesmo aluno paga em propinas totais durante a licenciatura?

    • Nuno Bio says:

      Sei. E sei que varia consoante o curso. E varia muito.
      Sabe quanto custa tratar doenças?
      Sabe quanto custa ter tribunais a funcionar?
      Sabe quanto custam todas as funções sociais do estado?
      Acho que é explicito que eu defendo que é exactamente para isso que serve o estado. Para criar, manter e custear as funções sociais do estado (onde incluo obviamente o Ensino Superior). E os nossos impostos devem servir para isso mesmo.
      Aquilo que eu não sei é quanto custaram e custam efectivamente os BPNs, os submarinos, as Parvalorem…
      Começamos a saber quanto custam ao estado (aos nossos impostos) as escolas secundárias privadas que destroem a rede pública de ensino.

      • Rafael Ortega says:

        Antes disso tudo o Estado serve para garantir segurança interna, defesa e aplicação da justiça.

        Se nem isso faz direito não devia preocupar-se com outras coisas enquanto não fizer bem a sua função.

      • proletkult says:

        Falso. O Estado serve, ou deveria, para proporcionar o máximo bem-estar aos cidadãos, assim como o máximo de igualdade e, porque não, de liberdade cívica e política. A aplicação da “segurança interna” vai contra estas duas premissas. Porque não só ela limita o exercício das liberdades como essa “segurança interna” tende a ser aplicada com mais “eficácia” em períodos de acentuamento das desigualdades e de destruição do bem-estar. E, não por acaso nem coincidência, precisamente sobre aqueles que são atingidos (ou que contra isso lutam) pelo agravamento das desigualdades e pela destruição do bem-estar.

      • Rafael Ortega says:

        Não.
        O Estado serve para fazer aquilo que só o Estado pode fazer:
        segurança interna, defesa, justiça.

        Nos locais onde o Estado não garante isto as pessoas dormem com uma Kalashnikov debaixo da cama.

        Estados existem há muito tempo. Proporcionarem bem-estar há pouco. Logo o objectivo do Estado não é proporcionar bem-estar. Se o fosse o Estado só teria começado a existir nos anos 50.

      • De says:

        Não? Mas como não?
        Mas desde quando é que as funções do estado são definidas pela camarilha que se apropria do estado sempre ao serviço do poder dominante? O neoliberalismo a cerrar fileiras nas funções do estado que servem para reprimir, julgar e punir quem lhes afronta os crimes e os horrores

        A “segurança interna” já foi abordada pelo Proletkult.
        A defesa dos estados vai até ao limite aonde o imperialismo o permite.Quando não do seu agrado sai um Iraque, uma Líbia, ou uma Síria para amostra.
        A justiça serve para servir a classe que domina a justiça. Veja-se o número de crimes de colarinho branco julgados.

        A pena de morte foi estabelecida há muito tempo.Pela ordem de razões de Ortega, a abolição da pena de morte não teria sentido, porque não faria sentido abolir uma coisa que parece que funcionava há tanto tempo.
        (Tratava-se do bem estar claro. Sobretudo dos condenados à morte)
        E não ,não vale a pena rebater o disparate sobre o início do estado a partir dos anos 50, de acordo com o espantoso critério de Ortega.Ele que saia da sua zona de conforto e que vá aprender um pouco de História

        Mas aproveitemos o tema trazido a debate pelo Nuno e juntemos-lhe esta inconfidência de Ortega sobre as ditas funções do estado:
        “Apesar das reduções orçamentais que forçam prisões a libertarem os seus prisioneiros, há mais presos nos Estados Unidos do que engenheiros ou professores do secundário.

        Percebe-se o motivo pelo qual “eles” querem a segurança interna, a justiça e a defesa

      • Rafael Ortega says:

        O Estado serve e sempre serviu para garantir a segurança interna, defesa e aplicação de justiça.
        Se o De não concorda com este ponto nem sequer vale a pena continuar a falar.
        Bom dia e até à próxima.

      • De says:

        (Nem bom dia nem até à próxima)

        A questão já foi apontada pelo Antónimo.A evolução tem destas coisas.Permanece de quando em quanto enquistada nalguns “pormenores” que teimam em passar por hodiernos.
        Entretanto a “segurança interna” focada aqui por Ortega revela-se, para desgraça do dito cujo, em toda a sua pujança no famigerado sistema norte-americano de espionagem à escala universal.
        A segurança interna “deles”, que dinamita qualquer veleidade de segurança interna nossa e de qualquer “defesa” credível.
        O “negócio” é mesmo interno.Para conter a contestação a crescer.
        O resto é o paleio neoliberal adequado à mise-en-scene do presente ,ouvida em qualquer esquina por um qualquer terrorista social que nos governa

      • Antónimo says:

        Conversa de quem tem do Estado uma visão setecentista. Esta gente nada evoluiu desde o Homo politicus do século XVIII.

      • João Pacheco says:

        @Rafael Ortega, das duas uma ou não sabe o que está a dizer (e quando eu digo não sabe, é mesmo não fazer ponta de ideia do que se está a dizer) ou é um “riquinho” ignorante capitalista…
        e como não podia deixar passar deixo-lhe uma dica: leia sobre democracia, estado de direito, sobre a constituição portuguesa… pode ser que ajuda seja qual for a sua patologia

      • Dezperado says:

        Nuno

        Apenas fiz uma pergunta, mas pelos vistos, ha muitos autores deste blog que parece terem algumas dificuldades, quando as perguntas saem do “normal”.

        Eu percebo que voces nao gostem muito de falar de numeros, mas se sabe quanto custa (eu nao sei, daí a pergunta) gostava que me dissesse, um valor aproximado.

      • Permita-me meter a colherada neste «fio argumentativo» a propósito de quanto pode custar – ao Estado – um aluno de um curso superior.
        Lembrou-me – assim de repente – uma frase que um antigo colega de trabalho tinha afixada em letras «garrafais» numa das paredes do seu gabinete.
        «If you think education is expensive, try ignorance»…
        Cumprimentos.

      • Dezperado says:

        Fonseca

        Acho que ninguem em Portugal tem prazer em pagar do seu proprio bolso a educação, saude, transportes.

        A questão aqui será outra do meu ponto de vista, será que os impostos arrecadados dará para isto tudo, gratuito para todos? Eu acho que não.

        Dai defender que quem tem maiores rendimentos poderá pagar, para os que tem rendimentos inferiores usufruirem gratuitamente.

      • Nuno Bio says:

        Não tenho alergia nenhuma a números e acho uma pergunta completamente legítima, mas permita que lhe diga que a forma como a coloca não é do meu agrado. “Quanto custa ao estado”um curso superior é o mesmo que perguntar “quanto custa ao estado” tratar uma doença. É que o estado não é uma empresa, bem sei que hoje em dia parece, e não tem de necessariamente dar lucro.
        Mas até por aí podemos ir. Quanto custa ao estado o desinvestimento na educação? Quanto custa ao estado não ter profissionais qualificados? Quais os custos em termos de produção? Quais os custos em termos de produtividade? Quais os custos em termos de desigualdade? Quais os custos em termos de exclusão social e de bem estar dos seus cidadãos? Quanto custa em termos de modelo económico? E como é que estrategicamente se combate o modelo da “mão-de-obra barata” e se assume que não pode ser o futuro e ao mesmo tempo se defendem políticas de desinvestimento na qualificação superior?

        Voltando aos números, os custos dos cursos variam imenso. Basta pensar num curso de medicina ou uma engenharia versus um curso de direito ou de antropologia. Pelo que não há um valor “real” a não ser que entremos em detalhe. Ou se vamos por um valor médio acabamos por ter um número pouo “real”. Do que andamos à procura e com que intuito?

      • Antónimo says:

        Da última vez que olhei para os números da OCDE custava substancialmente mais aos estudantes portugueses que aos alunos da maior parte dos países do grupo que ainda por cima têm agregados familiares mais ricos.

        O valor simbólico do guterres já há muito que trepou para valores absolutamente incomportáveis para uma grande mole de famílias. Como o desqualificado laranjal sempre quis fazer dos portugueses um bando inqualificado de mã-de-obra barata…

    • CausasPerdidas says:

      O que eu imagino é quanto custa à SOCIEDADE cada aluno que deixa de o ser porque os seus pais não lhe podem pagar a Educação e depois engrossam o tal número de um cada três que não trabalham nem estudam – eu sei, podiam ir concorrer com o salário dos romenos do Alentejo, mas ainda não vi nenhum daqueles que o recomendam dar o exemplo, por isso parto do princípio que não será coisa boa.
      E, esta sei bem, que no caso do Ensino Superior não são apenas as propinas (essa de atirar com os valores “ridículos” das propinas para a comunicação social é demagogia criminosa. E o resto, a estada em locais longínquos, quando é o caso, as refeições, as fotocópias – ai os direitos de autor!…
      Ao facultar o “Direito ao Ensino ” aos pais e não aos jovens, o Estado transforma o Ensino num negócio cujos “clientes” só têm direito àquilo que podem pagar, não é à toa que enterra no Ensino Privado o dinheiro que faz falta no Ensino Público. É aquilo que nos meus 15 anos chamávamos de “selecção burguesa”.
      Se, pelo contrário, o direito estivesse virado para as crianças deste país, partiria-se do princípio de que estas não têm rendimentos. Assim, o Ensino seria gratuito, um investimento da República em cada jovem e uma dívida que este teria para com a Sociedade que lhe pagou os estudos. A cada consulta o médico lembrar-se-ia que não foram apenas os seus pais quem lhe pagou os estudos, não seria motivo de orgulho apenas para os seus mas também um sinal de sucesso da Sociedade. O que se constrói hoje é um sistema em que ninguém tem dívidas para com a Sociedade, a quebra total da Solidariedade. Pois é, “Utopias”.
      Se cada vez que vou ao médico, pago, e sou atendido por um médico “low cost” que evita pedir meios de diagnósticos, se pago pelos estudos dos meus filhos em escolas onde faltam professores e pessoal auxiliar, se pago e reduzem o apoio a quem está pior que eu… se pago tudo depois de já ter pago na imensa carga fiscal que esmaga o meu salário, percebo bem o que querem dizer com “Estado Social”: A sociedade paga e eles lucram. Até quando vamos deixar que os lucros deles valham mais que as nossa vidas?

      • JP says:

        CausasPerdidas, o que refere neste seu comentário é mutissimo acertado e é uma abordagem muito interessante.
        De facto, se for o estado a suportar (através dos nossos impostos) isso criará em quem é apoiado (independentemente da sua condição de base) uma necessidade de retribuição implícita. Um devolver o que se recebeu.
        E isso pode fazer mais pelo país, pela nossa identidade, esforço colectivo e mobilização do que o valor que efetivamente é dispendido.

        É um argumento refrescante que me parece relevante.

        Cumps
        JP

      • Causasperdidas says:

        Obrigado. Apesar dos erros gramaticais (como “partiria-se” ao invés de “partir-se-ia”), fiz-me perceber. Tal como o texto, há muitos parêntesis por fechar.

      • Rafael Ortega says:

        “De facto, se for o estado a suportar (através dos nossos impostos) isso criará em quem é apoiado (independentemente da sua condição de base) uma necessidade de retribuição implícita.”

        Não necessariamente.

        Um indivíduo tem dois pais que trabalham e que pagam um balúrdio de impostos.

        Na hora de estudar e se formar a pessoa preocupa-se se são os pais a pagar, ou se é o Estado a pagar (depois de ter retirado o dinheiro aos pais)?

    • luis.graca says:

      dezperado,
      Esqueci-me de três referências importantes.
      — tese de doutoramento de Belmiro Cabrito [http://www.ie.ul.pt/portal/page?_pageid=406,1300126&_dad=portal&_schema=PORTAL]
      – O Financiamento do Ensino Superior, 2002.

      — tese de doutoramento de Luísa Cerdeira [http://www.ie.ul.pt/portal/page?_pageid=406,1300437&_dad=portal&_schema=PORTAL]
      – pdf: http://repositorio.ul.pt/handle/10451/973
      – livro: http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=8947

      — projecto CESTES (“The students costs in Portuguese Higher Education”)
      http://www.ie.ul.pt/portal/page?_pageid=406,1363849&_dad=portal&_schema=PORTAL

      Espero que não sejam demasiados números…

    • luis.graca says:

      Acho que encontrei os números que o dezperado procurava…

      — “despesa pública por aluno suportada pelo governo português: 4.151 euros (incluindo o valor da despesa das universidades, institutos politécnicos e serviços de acção social)”;
      — “custo total suportado pelos estudantes do ensino público: 5.310 euros (incluindo custos de educação e custos de vida).
      Ou seja, a comparticipação pública (governo/contribuintes) foi inferior (44%) àquela que os estudantes tiveram de suportar (estudantes/famílias, 56%).”

      “No caso dos institutos politécnicos, o esforço público (3.501 euros) é acentuadamente inferior ao esforço privado constituído pelos custos dos estudantes (5.052 euros), representando cerca de 41% do custo total. Esta repartição dos custos atinge negativamente os estudantes do ensino politécnico público que são os que evidenciam provir, em maior percentagem, de estratos socioeconómicos e habilitacionais mais desfavorecidos. Nas universidades, a despesa pública por aluno representou 45% do custo total (custo público de 4.439 euros e custo privado de 5.505 euros).”

      “A capacidade dos estudantes portugueses do ensino superior para pagar a sua formação (affordability/ability to pay) no contexto internacional é desfavorável, ao mesmo tempo que é baixo o nível de apoios sociais versus os custos dos estudantes.”

      [http://repositorio.ul.pt/handle/10451/973, pp. 561ss]

  2. Gostei e permito-me acrescentar algumas reflexões avulsas.
    É evidente – para quem queira ver, claro – que os dirigentes de uma sociedade que se queira evoluída e progressiva terão (ou devereiam ter) o bom senso de não desperdiçar uma só capacidade de «capital humano». Nunca se sabe qual o grau de inteligência que está em cada criança… “Ergo” o ensino deverá ser gratuito.
    No que respeita ao «esforço financeiro» e «prémio» que daí venha a resultar, se é verdade que o Estado deva «gastar recursos» com o ensino para toda a gente, também verdade que o mérido individual será sempre reconhecido na medida em que uns estudam mais e melhor do que outros. Por isso é pura demagogia – como assinala Nuno Bio – vir com a estória (digo eu) de «quem quer ter uma formação tecnica muito avançada que a pague»…
    Deveria também ser evidente que os dirigentes de qualquer sociedade que se queira progressiva, devem ter o bom senso de «olhar longe» (no tempo e no espaço) e estarem sempre atentos à evolução ciêntífica e tecnológica assim como às diversas necessidades de «valência» ou «competências técnicas» em expansão e/ou em retracção.
    Nesse contexto é capaz de ser uma enorme perda de recursos estar a «formar» centenas de «licenciados em relações internacionais» e não se formarem técnicos (de TODOS os graus) em «pescas», «gestãode recursos marítimos», «geologia e minas», «agricultura e florestas»…
    Até ao estudo/ensino de «procedimentos administrativos»…
    Acabar com o antigo «ensino técnico comercial» foi um dos (infelizes) erros crassos do PREC.
    (digo isto com toda a tranquilidade pois foi lá que eu comecei…)
    Nesse aspecto a Alemanha e países nórdicos, estão décadas à frente de Portugal…
    Por lá é perfeitamente normal haver «licenciados», «mestres» e «doutores» em coisas como carpintaria, soldadura ou serralharia…
    Um outro erro crasso – mas esse tem causas culturais e sociais mais profundas – é o da «equivalência» social que se estabeleceu entre «diploma de ensino superior» e «bom emprego»…
    Fico-me por aqui.
    Cumprimentos.

    • Oops… Não era «ensino técnico comercial»…
      Era ««ENSINO TÉCNICO PROFISSIONAL»…

    • JgMenos says:

      O seu post aproxima-se perigosamente de um sacrílego ‘tratar o problema’.
      Ora isso é inaceitável, pois basta anular o problema negando-o!
      ‘Tudo a todos’ é o extintor universal de problemas, e é de toda a evidência que o capitalismo é o único obstáculo para a plena felicidade na Terra.
      Concordará que assim fica muito mais simples…

  3. atentorix@clix.pt says:

    Pois… tanto sacrifício !
    Agora, fui promovido a “exportador de mão-de-obra qualificada” !

  4. Vasco says:

    Dezperado, para si a pergunta é outra: para quê pagar impostos se depois teríamos que pagar a educação, a saúde, a justiça, etc. etc. etc.? Só se for para os sacrossantos juros da dívida que, só em 2014, chegarão aos 7300 milhões de euros, sim SETE MIL E TREZENTOS MILHÕES DE EUROS.

    • Dezperado says:

      Vasco….tem razão, são muitos milhoes só em divida de juros…..Mas sabe como se chega a esse numero e porque é tão grande?

      Se calhar porque ha 35 anos que andamos a viver com o dinheiro externo. Lembra-se de em algum ano, nao termos deficit nas contas? Sabe que deficit é sinonimo de andar a viver com o dinheiro dos outros certo?

      • De says:

        O capital a governar dá nisto.
        É altura de apresentar a conta aos que vivem da exploração alheia, aos que enriqueceram à custa de rendas e aos serventuários do poder económico

      • JgMenos says:

        Criaste emprego? Paga!
        Poupaste? Paga!
        Herdaste? Paga!
        Não fizeste nada disso? Estende a mão e reclama os teus direitos!
        Tão simples, tão evidente, tão universal…disparate!

      • De says:

        Infelizmente para a doutrina ideológica de Menos quem trabalha é quem merece ser recompensado. Não é quem vive da exploração do trabalho alheio.

        Uma boa trapalhada este canto de defesa dos desgovernantes em exercício.
        Que como se sabe não criaram emprego, antes o destruíram.Que como se sabe saquearam os trabalhadores, reformados e pensionistas para enriquecerem ainda mais a meia dúzia se oligarcas.

        Quanto às heranças de que fala Menos serão as heranças em que está envolvido esse notável governante cavaquista, dirigente de topo do partido laranla, de seu nome Duarte Lima?

        E quanto às poupanças,serão as poupanças que permitiram ao cavaco e à filha duplicarem o seu pé-de-meia graças ao seu abnegado oliveira e costa?

        Tão simples,tão evidente,tão universal: É altura de apresentar a conta aos que vivem da exploração alheia, aos que enriqueceram à custa de rendas e aos serventuários do poder económico

      • JgMenos says:

        Quando uma ideia, para se afirmar, não prescinde de se socorrer – a contrario – do que é desviante ou até pura delinquência ou crime, atingiu o seu ponto de não retorno em credibilidade ou eficácia!

      • Antónimo says:

        Trabalhaste? PAGA.

      • De says:

        Exemplar.
        Repare-se: quando é o roubo dos salários,pensões, férias, feriados, saúde,educação, trata-se de necessidades imperiosas pela falência do estado.
        Quando se fala em fazer pagar os exploradores da mão de obra alheia, os serventuários do poder, os que vivem das rendas..aí a questão é “desviante ou é pura delinquência ou crime”.
        Simplesmente exemplar

    • Samuel B says:

      Os juros de que fala são precisamente o resultado de termos o estado a pagar isso. Não produzindo, e não falo de produção de produtos mas sim de dinheiro, capital, temos que pedir emprestado e pagamos juros por isso, obviamente.
      Bem sei que haverá quem fale nos submarinos e outros que tanto (e não, não incluo o BPN porque isso é caso de policia e poderia ter acontecido em qualquer lugar. Sim, poderia!) mas isso é apenas uma gota no oceano. Valerá a pena comparar o que arrecadamos com os impostos diretos e comparar com o orçamento da saude ou da educação. Pode acrescentar os indiretos e comparar outra vez.

      Como colocámos o carro à frente dos bois, ou seja, primeiro criámos os beneficios, os aumentos de ordenado e etc e só depois é que nos preocupámos em como vamos pagar. Isto é, criamos uma rede de solidariedade sem capacidade para a sustentar sem recorrer ao crédito. E depois pagamos juros, claro. Deveriamos ter sido mais comedidos nos gastos e por consequencia no estado social para que mais tarde, como agora em que não nos emprestam a preços sustentáveis, não tivéssemos a passar o que estamos a passar.

      É claro que agora ninguém quer voltar a trás…

      E sim, eu sei que esse estado social permitiu acabar com cenários de pobreza que antes eram comuns. Mas também sei que quisémos ser o que não tinhamos capacidade para assumir. E atenção, os numeros são de tal forma grandes, que não é com motoristas e afins (multiplicados por n vezes) que faria diferença.

      Bem sei que por aqui não se rege por esses principios. São outros. Muito provavelmente mais importantes. Pena é que não possam ser cumpridos sem que os outros também o sejam. É que não dá para viver no país das maravilhas enquanto quisermos. É mais enquanto os outros quiserem…

      • Nuno Bio says:

        E temos a chamada pescadinha de rabo na boca. Pois sem pessoas qualificadas não pagamos o que devemos, né?

        E não estou tão seguro que foi a educação gratuita que levou ao défice. E claro que incluo todos os casos de polícia: BPN, submarinos, Parvalorem…

        Ou esses não fazem parte do défice?

      • Samuel B says:

        Começando pelo fim: fazem parte do défice sim, mas não fazem parte das escolhas politicas ou ideologicas, porque são casos de policia.
        Não é correto estar a fazer conta que a educação é a culpada do défice.
        O problemas não é a educação. É a educação, a saude, os subsidios, as pensões, os ordenados, etc etc.

        O Nuno se tivesse que escolher entre a educação ao mais alto nível e o atual nivel de subsidios e pensões (desemprego, RSI, abonos etc etc) o que é que escolheria?

        Independentemente da sua escolha, haverá sempre alguém que irá apontar o dedo e chamr-lhe de gatuno e de ladrão.

        PS: Bem sei que no mundo da Alice isto dava para tudo… Só que não é esse o mundo em que vivemos.

      • proletkult says:

        “não fazem parte das escolhas politicas ou ideologicas, porque são casos de policia.”

        Quer mesmo entrar por aí? Olhe que eu não vejo lá nenhum arguido que se reclame comunista, anarquista ou sequer socialista (na verdadeira definição do termo). E mais, em que outro regime que não o liberal seria possível acontecer isto? São “casos de polícia” o caralho, são reflexos políticos da ideologia dominante. Até porque o facto de terem acontecido casos semelhantes noutros países, todos sob o mesmo regime liberal, mostra que o problema não será, meramente, criminal. E, se assim for, então você terá que rever o tipo de pessoas com que anda a aprender, pois que aparentemente o hemisfério norte é dominado por criminosos.

      • De says:

        Tretas.
        Metade da comissão directiva do PSD à época e metade do governo de Cavaco são “casos de polícias”?
        Ou dito de outra forma: de como as políticas neoliberais,atreladas à corrupção que orla sempre uma sociedade que vê no lucro e na exploração dos demais o seu alfa e ómega são assim “inocentadas” desta forma quase criminosa.
        Mas a questão vai mais funda.
        Quando alguém diz que os casos de polícia” não fazem parte das escolhas políticas e ideológicas mente e sabe que está a mentir.Está a repetir feito papagaio o debitado pelos media ao serviço dos interesses desses mesmos interesses.
        Os casos de polícia desembocaram em quantas condenações?Em quantas prisões?Em quantos julgamentos?
        A justiça de classe a empurrar para o respectivo canto os tais “casos de polícia” que parece que não têm nem mãe nem pai e são “isentos de ideologia”?
        Todos sabem que o neoliberalismo ( capitalismo para ser mais correcto) tem conduzido a este abismo aonde nos encontramos.A crise dita do sistema financeiro em 2008 teve e tem paternidade.
        E tal tem que ser dito e redito a todos os que procuram esconder o sol com a peneira.
        Há mais.Ficará para depois

      • Ivan Panfilov says:

        Claro Samuel, a culpa é dos Portugueses terem vivido à tripa forra sem produzirem, por isso advoga que se cortem nos apoios aos mais fracos, àqueles que menos têm e mais precisam?
        Em suma aos que em nada contribuiram, nem beneficiaram com o deboche.

        Esquece-se é de assumir que a maior fatia da divida serviu para comprar bens que deixamos de produzir.
        Porque esse bando de malfeitores, trafulhas, ladrões e criminosos de toda a ordem que endividaram o país até à raiz dos cabelos, foram os mesmos que destruiram o setor produtivo nacional.

        Se existisse um código juridico para julgar essa gente, estavam todos na prisão.
        A começar por Mário Soares acabando nesta camarilha que estão hoje a infernizar a vida de milhões de pessoas.

      • De says:

        Alguém insuspeito de simpatias comunistas e de quem não subscrevo tudo
        “Corrupção uma característica da política de direita”:
        http://videos.sapo.pt/kzZH4Ua8qCjuDPNQkL9a

        Depois salivam quais vampiros à volta das ditas funções sociais do estado.

      • Deixe que lhe faça alguns reparos.
        Tem razão quando diz (se bem o entendo, claro…) «Não produzindo, e não falo de produção de produtos mas sim de dinheiro, capital, temos que pedir emprestado e pagamos juros por isso, obviamente».
        Ou seja, como não temos soberania monetária, o Estado Português não pode ordenar ao «Tesouro» que emita dinheiro para pagar os compromissos, assumidos com os seus fornecedores, funcionários e pensionistas.
        Quando diz «Como colocámos o carro à frente dos bois, ou seja, primeiro criámos os beneficios, os aumentos de ordenado e etc e só depois é que nos preocupámos em como vamos pagar» tem alguma razão mas convém ter presente que quando Portugal entrou para a União Europeia, o «grande plano» dos dirigentes europeus era que Portugal estava (ou estaria) vocacionado para ser uma espécie de Florida (ou Califórnia) da Europa. E os nossos (des)governantes cairam alegremente da ratoeira. Os governantes alemães (e outros) esqueceram-se foi de aumentar (a sério) os ordenados dos trabalhadores alemães (e outros) para eles poderem vir gastar à grande em Portugal…
        De resto quanto aos impostos TODOS os países cairam na mesma ratoeira do sistema mundial offshore. Incluindo a Alemanha… Cujo défice orçamental tamém é «ilegal».
        O Der Spiegel explica isso aqui
        http://www.spiegel.de/international/business/teutonic-tricks-germany-becomes-tax-haven-for-firms-and-wealthy-a-646558.html

      • Samuel B says:

        Caro Fonseca-Statter,

        Emitir dinheiro ou pedir emprestado, são consequências de uma mesma causa. Do facto de não acumularmos capital. E não, como diz, por não termos soberania monetária e o estado não poder ordenar o seu Tesouro a emitir dinheiro. Ou seja, se Portugal fosse capaz de acumular capital poderia dispensar a emissão de dinheiro (caso tivesse soberania, como muito bem diz) ou de pedir emprestado.

        E não acumula porquê? Porque a sua economia está(va) virada para o consumo. E não é por acaso que um setor como o da restauração tinha até há bem pouco tempo um regime diferenciado (para melhor, claro está) de IVA. Para além disso, a economia que está virada para o exterior (que ainda é bastante pequena em comparação para a que está virada para o mercado interno) vende maioritariamente ou produtos de baixo valor acrescentado (com um grande volume de importações incorporadas), o que liberta pouco capital para ser reinvestido e/ou acumulado, ou então vende produtos de baixa rentabilidade (que igualmente liberta pouco capital para ser reinvestido e/ou acumulado).

        E porque é que Portugal precisa de acumular capital. Para que ele possa ser canalizado para os empresários e investido. A grande diferença para com a situação atual reside no facto de que atualmente precisamos que ele (o capital) venha de fora e por isso estamos dependentes deles. Caso contrário, seriamos nós, por que a divida seria interna, a gerir os timmings de pagamento e/ou de um ajustamento. Veja o caso da Itália, que tem uma divida pública enorme mas que não tem “grandes” problemas com a gestão da mesma. E porquê? Porque a grande maioria dela é divida interna, de poupança interna (acumulação de capital) e por isso os estrangeiros (que são poucos) pouco ou nada mandam porque não têm nada para mandar.

        Por outro lado, estou de acordo consigo quando nas suas afirmações subentende-se que Portugal não soube preparar-se quer para a União Europeia quer para o Euro. Na minha opinião, faltou muita estaleca aos nossos governantes desde 86 até 2005. O que fez com que o inevitável ajustamento tivesse ocorrido (caso não fosse iniciado por nós) à primeira “oportunidade”. Essa ocorreu no influxo dos capitais, que nos “alimentava” precisamente por não conseguirmos acumular capital, numa primeira fase, depois do subprime e, numa segunda fase e com uma força decisiva, depois do caso da Grécia.

        Infelizmente, quando olho para o atual cenário de políticos tenho poucas esperanças que algo mude consistentemente. Continuamos a fazer politica para as televisões, em vez de o fazermos para as populações.

      • De says:

        É preciso “capital canalizado para os empresários” ( mais ainda?sobretudo para os grandes empresários ,não?).
        Todo um programa escondido debaixo desta frase.Todo um programa que torna um pouco patético o desbobinar da conversa fiada sobre o capital etc e tal.

        As pessoas ao serviço da economia.Os roubos nos salários , nas pensões, na saúde, na educação , na segurança social enquanto permanece intocável o dinheiro dos parasitas
        ( grandes empresários pois então,aqueles que Samuel quer presentear ainda com mais, se possível até com a descida do IRC?).
        Intocáveis também os juros da dívida.
        O curvar perante os mercados, que funcionam também de álibi fedorento.Eis o paradigma do samuel B.
        “Mercados são apenas um contrato social, como o casamento. E assim como o movimento rumo à igualdade no casamento agora parece inevitável, a reforma drástica do modo como nos relacionamos com os mercados está a caminho”

        “É o capitalismo estúpido”.
        Os serventuários que nos governam sabem bem o que fazem

      • De says:

        Curiosamente é que todo este patuá, que põe em questão a tal política para as televisões
        ( qual política para as televisões?As televisões encenam,defendem, promovem ,acarinham a política definida pelos políticos governamentais e seus suportes) deriva do mesmo personagem que tenta esconder a podridão ideológica que aparece por trás do caso do BPN. ( 0 tal “caso de polícia”)
        No fundo Samuel B tenta justificar os critérios austeritários (que são exercidos pelos mesmos que são responsáveis pela presente crise.)Não gostará de ver aumentos salariais e descrê do aumento do consumo interno como resposta à dita crise.

        Ora arejemos os ares:
        “Não há crescimento económico nem criação de emprego sem investimento. E o aumento do investimento não tem lugar nem por decreto, nem por desejo do governo, nem por apelos do presidente da República, nem por outra qualquer causa menor como seja a redução do IRC. Uma empresa só investe se tiver possibilidades de vender o que vai produzir. Nenhuma empresa produz para “stock” nem para ser destruído, por mais facilidades que um governo conceda. É um raciocínio económico simples e elementar, mesmo compreendido pelos não-economistas, mas parece que o governo, o presidente da Republica e os seus defensores são incapazes de compreender. Daí o apelo ao investimento ao mesmo tempo que defendem e implementam medidas (cortes nos salários e pensões, aumento brutal de impostos, anuncio de mais um corte de 4,7 mil milhões € na despesa pública) que reduzem o já baixo poder de compra dos portugueses, diminuindo ainda mais a procura interna e, consequentemente, a possibilidade das empresas venderem o que produzem”
        Daqui:
        http://resistir.info/e_rosa/quebra_investimento_01jul13.html

      • De says:

        Mas a demagogia e os voos de alto sobre a realidade têm pernas curtas:
        A Itália?
        A Itália decidiu em 2012 atrasar por um ano a realização de equilíbrio orçamental.

        Mas continuemos a arejar mais os ares:
        “Em termos de economia política podemos dizer que uma lei fundamental, válida para todos os sistemas económicos, é a da correspondência entre as relações de produção e o desenvolvimento das forças produtivas. Esta lei traduz-se em capitalismo pela maximização do lucro e em socialismo pela maximização das necessidades sociais.
        É de facto uma lei fundamental que Marx exprime no prefácio à “Critica da Economia Política”: “Num certo estágio do seu desenvolvimento as forças produtivas entram em choque com as relações de produção existentes ou com as relações de propriedade no seio das quais até aí tinham evoluído. São as contradições geradas neste processo de contradição entre a maximização do lucro e a necessidade de desenvolvimento das forças produtivas que dão origem às crises e à consciência que relações de produção superiores devem substituir as existentes.“

      • De says:

        Mas o que queremos agora referir é uma outra “lei”, que o meu professor de economia (com um certo despeito) enunciou da seguinte forma: “parece que para engenheiros a lei fundamental da economia é: “quem paga?”. Assim mesmo.
        Ora, se um dos princípios da democracia, é que não deve haver “taxação sem representação”, uma pergunta pertinente no exercício da cidadania democrática será muito justamente a que atrás deixamos: quem paga o quê, a quem, como e porquê. E não sendo uma lei não deixa de ser uma questão fundamental a colocar. Aliás questão atualmente obscurecida pela dogmática do mercado dito livre.
        O mercado tornou-se o biombo atrás do qual as pessoas são levadas a acreditar que ninguém nem o Estado podem fazer nada para alterar os seus desígnios. Mas o mercado são pessoas e é o comportamento das pessoas nessas atividades que tem de ser regulado e controlado de acordo com critérios democráticos e sociais.
        Aliás não há “os mercados”, há diversos tipos e modos de funcionamento do mercado, designadamente: o das MPME, o monopolista, o financeiro especulativo. Se a sociedade vive sob uma inquestionável dogmática dos mercados, a democracia, a própria soberania perdem conteúdo real, são meras formalidades, vergadas ao dogma.
        Recordo que uma sra. deputada do CDS, confrontada com os escandalosos rendimentos dos administradores dos grandes grupos económicos face ao congelamento salarial e perda de direitos dos trabalhadores, afirmou que “os “vencimentos” dos administradores são decididos pelos acionistas e os salários dos trabalhadores pelo mercado”. Espantosa metafísica! Os administradores são também acionistas e todos eles (como classe) constituem “os mercados” que promovem a usura e a austeridade. De facto, é como se: houvesse, com os “incentivos” e “riscos sistémicos”: “socialismo para os ricos e mercado para os pobres”. (3)
        O iluminismo do século XVIII veio mostrar que a teologia escolástica era a forma de obscurecer os espíritos, impedir o livre pensamento e a descoberta das leis da natureza. A “ciência económica” atual, integralmente ao serviço da grande capital, tem funções muito semelhantes mostrando-se, por isso mesmo, incapaz de resolver quaisquer problemas criados com a sua prática. Afastados os axiomas do “equilíbrio competitivo dos mercados” e da “eficiência do mercado livre”, tudo se desmorona como baralho de cartas.
        Chamar a atenção para as leis fundamentais dos diferentes sistemas económicos, parece-nos da máxima importância. O que pôs fim às ilusões, maquinações e burlas da alquimia, com a sua pedra filosofal e movimento perpétuo, foram as descobertas das leis da química e da termodinâmica. Também o fim das ilusões, manipulações populistas e burlas do sistema capitalista está ligado à compreensão das suas leis fundamentais.
        Pseudo soluções avulsas ou que remetem para o subjetivismo e voluntarismo, deixando intocáveis as leis de funcionamento do sistema, estão destinadas ao fracasso. São como as operações da alquimia que, embora várias tenham sido aproveitadas pela química, nada podiam fazer, pois contrariavam as leis fundamentais da matéria.
        O PS nas suas propostas, parece não ter consciência desta situação, apenas se propõe gerir melhor o capitalismo, aceite como sistema absoluto, sem ter em conta as suas contradições e vícios, em particular do fundamentalismo neoliberal dominante na UE. Quaisquer que sejam as suas “boas intenções”, não passam de meras ilusões de alquimia política, logo esquecidas perante as pressões do grande capital, como se viu no passado”

      • De says:

        “Vamos então à questão fundamental. Quem paga as reduções de IRC? Quem paga os benefícios e privilégios ao grande capital e à finança? Quem paga os prejuízos originados pela fraude e pela má gestão na banca dedutíveis no IRC durante anos? Quem paga os lucros e todas as manobras legais e ilegais para a fuga aos impostos dos grandes grupos económicos? Quem paga as fraudes ou a má gestão no BPN, no BPP, no BANIF, nas PPP? Quem paga os cerca de 3 mil milhões de euros de perdas potenciais dos SWAP?
        Perante tudo isto, a direita e seus comentadores apenas questionam o que o Estado gasta em salários, pensões, prestações sociais.
        Quem paga a livre transferência de capitais (descapitalizando o país)? Os paraísos fiscais e a “concorrência fiscal” na UE? Quem paga os empréstimos do BCE não aos Estados, mas aos especuladores? Quem paga os excedentes comerciais da Alemanha e as taxas de juro negativas (abaixo da inflação) que obtém? Quem paga o euro? Uma moeda imersa em capital fictício, com os bancos europeus a necessitar serem recapitalizados entre 500 e 1000 milhares de milhões de euros.
        Quem paga? Os mais ricos não por certo, pois o dinheiro da oligarquia desaparece sem pagar impostos para os paraísos fiscais. Os propagandistas do sistema explicam: trata-se de “incentivos ao capital para captar investimento”. Falso. Porque eles não investem: especulam com as dívidas.
        Quem paga? A pergunta é ociosa, como se costuma dizer. Se a lei fundamental do sistema se baseia na maximização do lucro e na exploração da força de trabalho, resta alguma dúvida sobre quem recaem, todos os desmandos e contradições de um sistema que além do mais sofre do mal congénito da queda tendencial da taxa de lucro? Sabemos quem paga: são os trabalhadores e também os MPME.
        A economia atual, os “economistas vulgares”, na expressão de Marx, são injustos para com Malthus, envergonham-se de tão má companhia, porém seguem-lhe as pisadas. Malthus para quem ”um salário alto desestimula o trabalhador, o lucro baixo um desalento para os capitalistas” (4)
        Sabemos quem paga, com salários mais baixos, impostos mais altos, prestações sociais (que são salário indireto e forma de redistribuição de riqueza) cada vez menos acessíveis e mais onerosas. Sabemos quem paga transportes mais caros para os utentes e quem lucra com salários reduzidos para os trabalhadores, em empresas que gastam muito mais em juros que em salários.
        São os “sacrifícios para todos” e a “comparticipação solidária”. Mas “solidária” com quem e com quê? A solidariedade não se estabelece com os povos, mas com os “mercados”.
        Os “incentivos” e os “riscos sistémicos”, são a formalização desta “solidariedade”, sem margem para cedências, o capitalismo sem riscos. O “risco sistémico” foi uma invenção da “ciência económica atual”, diga-se que desde logo adotada pelo PS. Riscos sistémicos, fundamentados em coisa nenhuma, com o argumento de porque sim, que foi o que de concreto disseram responsáveis pelas finanças”

      • De says:

        Excertos acima daqui:
        http://www.odiario.info/?p=3042 de Vaz de Carvalho.

        Vale a pena lê-lo todo.

      • «Emitir dinheiro ou pedir emprestado, são consequências de uma mesma causa. Do facto de não acumularmos capital. E não, como diz, por não termos soberania monetária e o estado não poder ordenar o seu Tesouro a emitir dinheiro.»
        Caro Samuel,
        Não fui claro e não me fiz entender…
        Tem razão quando lembra que «não acumulamos capital» (por causa da destruição do tecido produtivo…) – O que eu queria dizer era que se tivéssemos «soberania monetária», os défices orçamentais seriam (como foram muitas vezes e são ainda em muitos países) «pagos com dinheiro “fresco” emitido de novo»…
        Claro que nisso se corre o risco muito real de «desvalorizar» o dinheiro já existente (a malfadada inflação»…) e que essa desvalorização é uma forma (até nem muito) encapotada de tirar poder de compra a quem tem rendimentos fixos…
        Outra coisa que poderia resultar da tal «soberania monetária» era a opção de o governo poder desvalorizar a moeda, embaratecendo as exportações e encarecendo as importações (encorajando talvez, de passagem…) a produção nacional.
        Essa era (e é…) uma «solução» a merecer análise, e sua discussão política e prática.
        De resto estou acordo com a negeralidade do que escreve.
        Cumprimentos.

      • Samuel B says:

        Certo, caro Fonseca-Slatter.

        A desvalorização da moeda e/ou emissão de moeda, podem de facto resolver a questão de falta de capital, que neste momento estamos a viver.

        Como não vejo como possa haver a possibilidade de emissão de moeda sem que haja uma desvalorização da moeda em primeiro lugar, dado que isso implicaria a saida do euro com o retorno ao escudo e a sua cotação seria necessáriamente mais baixa do que o euro, iria apenas dar a minha ideia em relação à desvaloriação da moeda.

        Dada a estrutura das nossas exportações atuais(!), em termos de produtos e serviços, mas essencialmente de produtos, e o nosso posicionamento na cadeia de valor, quer local quer global, os efeitos de uma desvalorização da moeda seriam desastrosos para o tecido empresarial nacional que exporta. Para além de ter um problema: Não resolve o problema estrutural da nossa economia, que é o de uma economia demasiado dependente do setor público, já lá iremos a este ponto, e virada para o mercado interno – o qual tem o enorme problema de ser pequeno e pouco diversificado, logo também o seriam as nossas empresas.
        Como tal, não vejo como isso seria melhor, quer em termos economicos quer em termos sociais.

        Não concordo consigo quando afirma que a acumulação de capital tem sido canalizada para os empresários. Longe disso e antes pelo contrário, se me permite a opinião.
        O capital, nos últimos 30 anos tem sido canalizado na sua esmagadora maioria para os particulares e para o estado (governos). Para os particulares, para o crédito habitação e/ou consumo. E para o estado (governos), no seu financiamento direto (divida público) via bancos e/ou investidores institucionais.
        O resultado disto foi uma pressão enorme sobre o setor da construção (habitações e acessos), no caso dos particulares. e um dominio abrangente sobre os diversos setores da economia, no caso do estado (governos).
        Como tal, e na minha opinião, são os empresários, os agentes económicos que deverão ditar o caminho da economia. Ao estado caberá assegurar os 5 pilares de uma sociedade civilizada e evoluida, a saber: a saude, a justiça, a educação a segurança e a administração do território, na vertente social e económica – aqui como agente regulador da concorrencia. Tudo o resto deveria ser deixado ao sabor do mercado (por esta frase ainda vou…)

        Para finalizar, queria apenas referir que o ajustamento a que nos proposemos, e recordo que o mesmo foi sufragado por mais do que 2/3 dos eleitores que foram votar (se não é esta ordem de grandeza, anda lá perto), terá que ter necessáriamente um periodo recessivo, com tudo o que isso implica em termos de desemprego. A cultura de exigencia, por parte de todos os intervenientes da sociedade e a clarificação dos objetivos e das metas a que nos propomos serão cruciais para que saibamos sair desta bem melhor do que quando entrámos.

        Cumprimentos.

      • oops…
        Deixei de fora uma outra questão…
        A «acumulação de capital» a que se refere não tem necessariament que «ser canalizada para os empresários»…
        Até porque (é da lógica do Capitalismo…) os empresários (estamos a falar de empresas privadas, certo?…) só investem se virem «oportunidade de retorno».
        Assim sendo, e estando nós de há uns trinta anos a esta parte a assistir a um progressivo esgotamento de oportunidades de investimento LUCRATIVO, lá terá que ser o Estado a ter que orientar o investimento.
        Por mim não vejo muitas outras alternativas.

      • De says:

        Mais uma vez as pistas escondidas com o rabo de fora.
        O “consumo que se consome na restauração” deixa samuel à beira de um ataque de nervos.Por isso subscreveu o aumento do IVA da dita.A fome é uma coisa comezinha para Samuel.
        A afã empresarial de Samuel faz com que Samuel atropele os factos:O capital tem sido canalizado para quem?
        Quem o “estado privilegia?O trabalho ou o capital?
        Números:
        Em 1987, o PIB per capita em paridade do poder de compra era no nosso país de 76,1 tomando a UE a 27 como 100. Em 2008, o PIB per capita é inferior ao de 1987. Ficou-se em 75,3. Mas isto é apenas uma média. Vejamos a distribuição desta média, ou seja, a distribuição do Rendimento Nacional.
        Em 1953 esta distribuição era de 55% para o capital e 45% para o trabalho. Entre 1974 e 1976 a distribuição foi de 59,5 para o trabalho e 40,5% para o capital. Em 2005, segundo os últimos números disponibilizados, a distribuição foi de 59,4% para o capital e de 40,6% para o trabalho. Isto é, inverteu-se a situação verificada com o 25 de Abril.
        Se olharmos para os lucros dos principais grupos financeiros (CGD, BCP, Santander TOTTA, BES, BPI) verificamos que o total de lucros acumulados entre 2005 e 2008 ultrapassou os 1 545 milhões de euros. No primeiro semestre do ano passado o total de lucros destes Bancos atingiu os 988 milhões de euros. E tudo isto num quadro de crise e de lengalenga governamental de que todos temos que fazer sacrifícios.
        Por sua vez a variação do salário real da Função Pública entre 2000 e 2009 foi sempre negativa. A excepção foi 2009, ano de eleições e ano em que houve uma previsão errada, favorável aos trabalhadores, da evolução da inflação.
        Entre 2005 e 2009 tivemos um crescimento médio do PIB metade do da zona euro. O que significa que em vez de nos aproximarmos da média nos afastámos. Se olharmos para a estrutura do PIB verificamos que em 1986 a indústria contribuía para o PIB com 28,3% e a agricultura e pescas com 9,9% enquanto às actividades financeiras e imobiliárias correspondia uns 10,1%. Qual foi a evolução? Em 2008 a indústria contribuía apenas com 14,9% e a agricultura e pescas com 2,5%. Paralelamente as actividades financeiras e imobiliárias subiram para 15,3%.
        A financeirização da economia, as privatizações e a liquidação do aparelho produtivo traduziu-se num défice da Balança Corrente e de Capital de 9% do PIB em média entre 2005 e 2008. E num endividamento externo líquido em percentagem do PIB que passou de 10,4% em 1996 para 108,5% em 2009!!!
        E a comprometer o presente e o futuro do país temos a evolução do investimento: segundo as contas nacionais do INE e a previsão do Banco de Portugal para 2010, nesta última década a sua evolução foi de menos 2,5% ao ano. Uma regressão clara que vamos pagar caro nos próximos anos.
        As consequências sociais são também conhecidas designadamente a evolução do desemprego. A taxa de desemprego que era de 3,9% em 2000 atingiu os 9,4% em 2009 e será de 13,1% para 2010, segundo as previsões oficiais. Paralelamente na última década o endividamento das famílias passou de 60% do PIB em 2000, para 96% em 2009, isto é, um aumento de 50%.
        Mas 15 mil milhões de euros foram quanto alguns portugueses investiram em offshores desde 1996. Só em 2009, entre Janeiro e Novembro, esse investimento foi de 2 mil milhões de euros.
        Estes números falam por si e são, na sua frieza, a condenação de uma política e das teorias económicas que a suportaram. Há quem diga que Portugal não está condenado à inevitabilidade de prosseguir as mesmas políticas que conduziram o país ao atraso e à crise. Que Portugal tem alternativas. Mas isso é tema para outra conversa.”

      • De says:

        Quanto à tal cultura de exigência ou os votos como justificação para o roubo institucionalizado… tal argumentário já teve melhores dias.
        Nem os votos justificam crimes, nem os acordos por baixo da mesa se tornam válidos de per si.
        (Hitler também acenou com uma mão cheia de votos para justificar o injustificável)
        E ao que parece o tal ajustamento nem sequer foi sufragado.Tal como o não foi a entrada nem na UE nem no euro
        Portanto é preciso mais cautela quando levado pelo entusiasmo a favor do desemprego se empregam aldrabices.
        Duma coisa podemos estar certos:é que o “ir mais longe do que a própria troika” não se se enquadra de todo no tal sufrágio citado.
        🙂

        Também doutra coisa podemos estar certos
        “. A cultura de exigência, por parte de todos os intervenientes da sociedade “passa obrigatoriamente pelo respeito integral da Constituição ( essa até teve mais de 90% dos votos).
        E há gente que não tem outra qualificação que não de canalha que quer violar a lei fundamental do país.

      • De says:

        Uma correcção dum erro gritante: Não é “a afã”, mas sim “o afã”

        E algumas perguntas não inocentes: Porque motivo têm que ser os cidadãos a pagar os desmandos dos governos?Todos eles acérrimos defensores do capital?
        E porque motivo teremos que aceitar que a dívida privada seja convertida em dívida pública?
        Será que também se “botou” nisto?

      • De says:

        Valerá a pena falar sobre o ainda maior agravamento da situação económica e social deste a tomada de posse deste governo terrorista?
        Mais números? Ainda mais gravosos do que os que resultaram da década de desgoverno neoliberal?

      • De says:

        O atirar contra o dito “estado-social” é o objectivo de fundo dos que nos conduziram até à presente situação e que, a pretexto da troika, das suas políticas criminosas e da vingança contra o Portugal de Abril, querem construir um Portugal feito à imagem e semelhança das teses dum facínora de nome milton Friedman .

        O processo vai muito mais fundo do que as trivialidades de samuel B. Que bem tenta dar a sua bênção ao escândalo do BPN. Que bem tenta esconder a falta de classe do seu governo de classe, com a multiplicação dos seus boys for the jobs, escondidos de motoristas e coisas afins.E que finalmente tenta esconder que tudo isto é fruto de uma política de direita,conduzida por políticos de direita,executores frios e tenazes dum modelo que não nos conduz a lado nenhum: o capitalismo.
        É pois tempo de tentar outras águas.Os defensores do capitalismo já nada mais têm para oferecer que estas tretas das alices e mistificações do género.
        Ora um mundo assim tem que ser atirado borda fora.Ou é a imensa minoria que se apropria e concentra em si a riqueza,ou é a imensa maioria dos que são explorados por estes.

      • De says:

        “Mas os números são de tal forma grandes”
        Referir-se-á Samuel B aos bancos demasiado grandes para se não deixarem cair???

        Samuel defende os agiotas.Fala na linguagem acéfala,criminosa e vampiresca dos mercados.Está claríssimo.Tal como Passos coelho faz o papel de representante de merkel em Portugal e ainda tenta ir mais longe que a troika, o que só por si deita por terra o palavreado da “libertação do jugo troikista”, agora na moda por parte dos desgovernantes do presente (um deles o irrevogável portas).

        A crise de 2007-2008 demonstrou sem qualquer dúvida que mercados não se regulam a si próprios. E a Islândia provou que há um outro caminho.
        “A bolha habitacional dos EUA que entrou em colapso representou cerca de US$8 milhões de milhões em riqueza artificial. Isso é mais de 11% do PIB global e sem contar com as bolhas habitacionais que entraram em colapso na Europa e alhures. Isto é um fracasso do mercado numa escala maciça.(alguns dirão que tal é um “caso de polícia”).
        O que habitualmente acontece em tais tempos é que governos adoptam medidas para proteger as elites (habitualmente os banqueiros que realmente provocaram as crises) e comutam o fardo do pagamento dos seus custos para o público em geral. A crise actual é um bom exemplo”.

        E agora vibram,quais veros abutres, em torno das funções sociais do estado

  5. A educação só pode ser gratuita é um direito – como o voto alguém imagina pagar para votar?- inalienável e universal numa sociedade de homens livres e iguais que não pode ser prostituído
    qual mercadoria vulgar ou de luxo no mercado da desigualdade fazendo de cada um predador e vítima em potência do totalitarismo da troca fazendo da democracia uma flor na culpa de cidadadania frustrada por um capitalismo decadente que se parece cada vez mais com um totalitarismo de massas onde emergem já os rebentos de um novo fascismo…é contra este estado de coisas que todos somos estudantes em luta !

    • JgMenos says:

      Esse filme já não está em cartaz!
      O Estado a dar tudo a todos já foi … e faliu totalitáriamente.

      • De says:

        Mais uma vez o engano cego e surdo …
        (ou será que nos querem apenas enganar e fazer de nós uns pobres cegos e surdos??

        O estado a dar tudo a todos?
        Vejamos:
        Quem enriqueceu e enriquece?
        Quem lucrou e continua a lucrar com a crise?
        Quem rouba e quem é roubado?
        Quem vive das rendas e das trapaças?
        Como é possível que as grandes fortunas aumentem em Portugal quando o país está como está?

        Tudo a todos?
        Faliu totalitariamente?
        Cavaco?Belmiro?Dias loureiro?Oliveira costa?Portas?Cristas?

      • Ivan Panfilov says:

        Roubar a quem trabalha e produz é para perpetuar?

        Belmiro e quejandos (os sustentaculos do sistema) podem obter lucros chorudos a produzir miséria. Isso já é legal e moral?
        Num periodo de crise profunda os multimilionários estão a aumentar e as fortunas a crescer, se não é totalitarismo financeiro então o que achas que é?

        JgMiupe, a enfermidade ditatorial burguesa que te afeta é facil tratar. Chegam 50 gramas de aço.

        Cumprimentos desde Volokolamsky.

      • JgMenos says:

        Ai que susto Ivan Panfleto! Tão terrível que que tu me saíste.
        Só que ….se lá chegarmos, podes estar seguro haverá chumbo de volta.

      • Ivan Panfilov says:

        Panfletos recheados de excreções salazarentas é o que por aqui costumas espalhar.

        Não confies demasiado nas tuas previsões. O tempo não pára.

        Houve um que julgava ter tudo na mão, e por fim acabou suicidando-se na compahia da amante e do cão para não ter que ser julgados por os crimes que cometeu.

        Um outro dos teus ídolos já antes tinha sido pendurado de cabeça para baixo numa estação de combustivel.

  6. CausasPerdidas says:

    O problema, na Educação e no resto, é que a classe que dirige o Estado não tem um projecto de país sem ser à medida da acumulação – não é por malvadez, é por sobrevivência, tal como a carraça que se agarra ao cão. O resultado: num país sem recursos naturais significativos são as Pessoas e a sua Vida o alvo do negócio, por isso mercantilizam tudo.
    Como se não bastasse, ainda temos os seus subalternos. Sem fortuna “familiar”, vivem à sombra dos desígnios dos primeiros. Refiro-me aos políticos de primeira e segunda linha, ou candidatos a tal, os emanados dos aparelhos partidários que parasitam a Administração Pública. Estas rémoras imitam na escala do possível a depredação de tudo o que é(ra) Público. Infelizmente, quando se fala de “emagrecer” a Administração Pública não é destes que se fala mas dos outros, os que fazem falta nas escolas, na administração e na saúde.

  7. Sensei says:

    Desculpem a intromissão, já me licenciei, fiz mestrado e doutorei há muito, mas porque será que ninguém, fala da corrupção passiva e activa que conduziu Portugal ao seu actual estado? Empresas e bancos criados apenas com um único fito, o de depauperarem o investimento financeiro da UE a Portugal e para que tal fosse garantido, o ter sido sistemática e meticulosamente destruído todo o aparelho produtivo Português, do sector primário e secundário, porque o terciário, dificilmente sobreviveria sem os 2 primeiros em Portugal, quando um determinado grupo organizado numa força política, se converteu claramente, numa instituição criminosa e assim, subsiste nos dias de hoje, com total impunidade. Se não existe aparelho produtivo qb e consomes numa base diária, a tua única produção. É inevitavelmente MAIS DÍVIDA!
    A isto, diziam os mais velhos: – “É uma pescadinha de rabo na boca”
    Acrescento eu: – ” Será que actualmente a pescadinha não se estará a engolir a si própria?”
    E que tal 14 milhões de euros doados dos fundos públicos a as escolas privadas, enquanto as escolas públicas, vão ficando sem meios e com um “gap” de 10 milhões de euros em 2014?
    Afinal quem tem vivido/vive acima das suas possibilidades?
    Nós a grande maioria do povo, ou ELES uma minoria que se outorga ser a elite Portuguesa, a tal do designado arco da governação, a mando de interesses, que nem em Portugal sediam as suas estruturas financeiras?
    Será que a designação “fomos roubados” se aplica aqui?
    Então também se aplicará:
    – “Agora pagamos o que nos foi roubado, com juros pesados e por tempo indeterminado, a quem nos roubou”.
    Porquê?
    Porque o roubo continua, é rentável e desta forma, enquanto houver 1 cêntimo para colher, este será colhido, dado o sistema implementado, ter descoberto que as dívidas públicas, com os sujeitos certos nos lugares certos, são extremamente lucrativas!… até quando?!… POIS!… A história lembra-nos, que este tipo de situações, por regra e norma, não terminam em nada de bom, não é?
    Aguardemos pois!

  8. renegade says:

    Bio, tão novinhos… O que é feito do Vigário?

  9. Muito obrigado pelo texto. Parabéns. Só tenho uma pergunta porque é que no título fala em 22 anos de propinas, mas depois fala em 20 no corpo do texto?

    • Já não é preciso responder. Comecei a ler um texto, e lá estava explicado.

    • Nuno Bio says:

      A pancadaria foi há 20 anos. A (primeira) lei do aumento de propinas é de 92 pelo que passam 21 anos. A contestação surgiu em 91, depois de uma carga de pancada oferecida pela polícia a uns estudantes que tinham as bolsas em atraso no Porto. É também de 91 o Livro Branco sobre a educação que preconiza as propinas. Daí os 22 anos.
      Daí o título.

      • Muito obrigado. No texto da Mariana que publicou ela diz que viraram heróis, depois de passarem por bestas. O facto é que passaram a heróis porque levaram no lombo e foram vistos pelas tvs, mas de certeza que a maioria não percebeu puto do que estavam a lutar, e porque raio é que não devem os pais e os estudante pagar propinas. E de facto, contínua a mesma história. Faltam desenhos por aí.

      • Nuno Bio says:

        Tentarei desenhar parte do que falta no meu próximo post.

      • Pois, dava jeito que a malta começasse a perceber que ninguém tem nada que pagar duplamente a escola.

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