Um partido de gritos

Está em marcha a organização em partido dos sectores mais capitulacionistas do reformismo prostrado. Por outras palavras, as pessoas que gostam do PS, militariam no PS, concordam no essencial com o PS, estariam dispostas a empunhar para todo o lado a bandeirinha do PS se isso não lhes tirasse a aura de gente cool de esquerda, decidiram-se a inventar um partido que cheira a PS, sabe a PS, soa a PS, tem aspecto de PS, mas que não é o PS, de modo a preservar a dita aura de esquerda cool.

O nome do partido é LIVRE. Assim mesmo, com todas as letras em maiúsculas, a fazer fé no site respectivo. Dá a impressão que o nome do partido em questão é para ser exclamado, bramado, berrado de cada vez que é proferido. Vejo Rui Tavares dizer, em entrevistas à Judite de Sousa que «a posição do LIVRE será discutida nos órgãos próprios do LIVRE porque dentro do LIVRE há opiniões diferentes mas a opinião oficial do LIVRE é definida no LIVRE pelos órgãos próprios do LIVRE e não pelo líder do LIVRE», esticando o pescoço, contraíndo a testa, esganiçando o altissonante brado do nome da coisa de cada vez que se refere à coisa com tal nome. O sonho de fazer um partido de gritos é tão grande que, ainda a agremiação não foi parturejada por inteiro, já se lhe define como orientação central que nasce disposta ao berreiro.

Fique claro que pouca coisa me chateia menos que gente que fala alto. Eu falo bastante alto, e com sotaque do Porto, o que torna a experiência de conversar comigo insuportavelmente arruaceira, e ainda bem. O mal do LIVRE não é falar alto, que é a forma: é berrar sem lá ter nada dentro, de conteúdo. Ou pelo menos de conteúdo que se possa reclamar vagamente transformador da sociedade, atendo-se à invocação, em vão, da esquerda e até (ao que chega a lata de alguns…) do socialismo. E de que socialismo nos falam? Um socialismo de «recusa da mercantilização das pessoas» (houve um tempo em que os capitulacionistas pelo menos fingiam ter uma perspectiva de classe: agora reduzem-se ao personalismo, não sei se cristão se outro, sem máscara posta, não vá o capital duvidar da sua fidelidade) e no qual será «crucial na criação de uma economia mista, em geral com três setores (privado, público e associativo/cooperativo)». Aos delírios de António José Seguro de um capitalismo ético responde Rui Tavares com o delírio de um socialismo capitalista. O Zé Mário Branco bem dizia que as palavras já não querem dizer nada, são só bolinhas de sabão: mas uma destas nem a ele lhe ocorreria.

Outra coisa que caracteriza este partido e que mostra com propriedade o brocardo francês de que «le mort saisit le vif»: tradicionalmente, na democracia portuguesa, os partidos chamam-se partidos. Há o Partido Comunista Português, o Partido Socialista, o Partido Social-Democrata, e até o CDS se tornou, nos tempos de Manuel Monteiro, o Partido Popular. No final do milénio, a coisa começou a mudar com o aparecimento de um «Bloco»: mas mesmo esse era «de Esquerda», conservando uma definição formal do tipo de organização que era, e uma definição material, do propósito político que tinha. O LIVRE é um adjectivo sem substantivo, é a qualidade de coisa nenhuma. Adjectivo em termos morfológicos, será também adjectivo, no sentido jurídico do termo, para alguém que bem sabemos. Rui Tavares, na recente publicação do seu livro «A Tragédia Europeia» foi fotografado, sorridente, com Mário Soares de um lado e Carvalho da Silva do outro. É um homem livre, o chefe do LIVRE: e os homens livres, sabemos, deitam-se com quem quiserem. E fazem-nos a cama, a todos, por vezes.

O LIVRE vende-se-nos ainda com uma mentira histórica e com uma ironia histórica. Mente quando assevera «a Europa arrisca-se a falhar na sua promessa de prosperidade partilhada, democracia e direitos fundamentais para todos». A «Europa» nunca prometeu semelhante coisa. A CEE ou a UE – que parecendo que não são coisa distinta… – poderão tê-lo feito, mas ninguém em seu perfeito juízo alguma vez acreditou na propaganda que lhe foi vendida pelo invasor. Muito menos quem, sendo historiador de formação, se debruça sobre uma organização transnacional buscando encontrar-lhe as raizes: quem considerar que a CEE (e então a UE…) nasce com vista ao cumprimento de uma «promessa» de «prosperidade partilhada», está louco. Quem julga que uma organização com a arquitectura institucional antidemocrática, blindada e irreformável da UE «promete» desde o nascimento «democracia», só pode usar de má fé. Quem encontra nos promotores do livre-comércio, da abolição de fronteiras, da circulação de bens capitais e mercadorias sem entrave um promotor sério de «direitos fundamentais para todos» e não do esmagamento do trabalho pelo capital, dos pequenos produtores pelos grandes conglomerados, e se espanta que seja decorrente desta infra-estrutura uma superestrutura excludente dos «inadaptados», dos «fracos», dos «incapazes», não tem a noção mais ténue do que a história é de que dinâmicas tem.

Mas pior do que a mentira histórica é a ironia do símbolo, a papoila, tida por «símbolo de paz» pelo LIVRE. Com efeito, a papoila é um símbolo ligado ao 11 de Novembro de 1918, data da subscrição do armistício entre Alemanha e França. Mas a sua origem não favorece o novo partido: as papoilas tornaram-se então símbolos de paz porquanto foi observado que, na Flandres, por força do aquecimento do solo e da temperatura ambiente decorrente das barragens de artilharia, tinham surgido condições propícias ao nascimento de papoilas, que proliferavam pelo território. O símbolo do Rui, portanto,  a ser de paz, é da paz dos cemitérios. Da paz que sai de um bombardeamento. Paz bonita e perfumada, admito, e paz que faz um belo bouquet com as rosas do outro. Mas uma paz sob a qual estão, descansando em paz, os corpos de todos nós.

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105 Responses to Um partido de gritos

  1. Nuno Cardoso da Silva says:

    O João Vilela perdeu tempo demais para escrever apenas um chorrilho de disparates inspirado na alta consideração que tem pelo seu próprio intelecto, como se verborreia fosse sinónimo de reflexão.

    O João não sabe nada do Livre, mas apetecia-lhe que fosse a caricatura que desenhou. Sempre era mais fácil de atacar. O que o Livre vai ser nem nós que lá estamos sabemos. Para já cada um de nós saberá aquilo que gostaria que fosse, e cada um vai tentar que ele seja tão próximo quanto possível do ideal de cada um. Mas isso vai depender do trabalho de todos. O João diria, da vontade do colectivo… Nos meses que se seguem viremos a ter uma ideia do que isso vai significar.

    Mas para já há uma certeza: o valor central é o da liberdade. Uma liberdade associada à igualdade e à solidariedade, tal como foi proposto pela revolução francesa, e acompanhada do socialismo, da ecologia e da democracia. E liberdade significa ausência de coacção. E isso já chega para incomodar o João, cuja prática política está ideologicamente associada à coacção, na ditadura do proletariado e no centralismo pseudo-democrático que nada mais é do que a imposição da vontade da vanguarda auto-assumida. Pois é. Nós queremos construir o socialismo em liberdade, coisa que o João não sabe nem o que é nem como se faz. É evidente que na luta contra a oligarquia capitalista a liberdade do opressor será suplantada pela liberdade do oprimido. A vontade da maioria oprimida manifestar-se-á na alteração das regras que permitem a exploração por parte da minoria. Mas isso far-se-á sem ditaduras – do proletariado ou outras -, sem Gulags, sem Tchekas, sem fuzilamentos. Apenas pela vontade democrática de um povo consciente dos seus direitos.

    Acha o João que para ser socialista o Livre teria de assumir uma lógica de classe. Mas o que é classe, hoje em dia? Quando olho para a nossa sociedade vejo opressores e oprimidos, mas estes são tão diversos que querer reduzi-los a um conceito de classe, tipo proletariado, é ridículo. Os oprimidos não constituem uma classe, constituem uma categoria de cidadãos com um único objectivo comum, que é acabar com a opressão e a exploração. Metê-los todos numa única carroça é uma típica ideia marxista-leninista que se destina apenas a mais facilmente os controlarem. Mas substituída a exploração capitalista pela produção em auto-gestão, em que os trabalhadores – e não o estado – são proprietários e gestores dos meios de produção, cada um se organizará como bem entender, livres de serem uma ou mais classes, ou não. O papel do estado é o de destruir os mecanismos da opressão e da exploração, não é o de dirigir tudo o que acontece. Eliminados esses mecanismos, compete ao estado impedir a sua reconstituição, e deixar aos cidadãos a liberdade de viverem e produzirem como bem entenderem. Em liberdade. Num sistema democrático que respeite a vontade e a participação livre dos cidadãos.

    Tu nunca perceberás isto, pelo que nunca poderás perceber o que o Livre pretende construir. Tudo o que disseres e escreveres a este respeito não pode, nunca, ser mais do que um chorrilho de asneiras.

    • João Vilela says:

      Eu adoro gente que começa os textos a criticar a «alta consideração pelo seu intelecto» de um autor e termina dizendo que determinada coisa é algo que ele «nunca poderá perceber», ao contrário do acusador. Eu entrego-te o elogio de seres moderado e modesto. Vai em paz.

    • Nuno
      Pela descrição que faz, fica-se com a certeza que não era preciso criar o “Livre”.Afinal o PS não dirá diferente!

      • João Vilela says:

        O PS não diz diferente, mas não tem a patine do LIVRE.

      • Nuno Cardoso da Silva says:

        Não só diz diferente como faz muito diferente. Nem nos melhores tempos o PS se aproximava do que o Livre pretende, sobretudo na organização da economia.

      • João Vilela says:

        Eu adoro quando uma coisa teve uma única reunião e já fala do que faz, sem nunca ter feito nada… :p

      • Nuno Cardoso da Silva says:

        Não é do que faz, é do que procura fazer… E sobretudo do que nunca fará…

      • João Vilela says:

        Quem escreveu «não só diz diferente como faz muito diferente». Afinal faz ou procura fazer? Quanto aos nuncas, eu tinha moderação de garganta.

      • Nuno Cardoso da Silva says:

        Mas isso referia-se ao PS, não ao Livre. Estava a responder à afirmação do Adelino Ferreira de que “Afinal o PS não dirá diferente!” É preciso saber ler…

      • João Vilela says:

        Reitero: o LIVRE ainda não fez coisa alguma. Quando fizer seja o que for, logo vemos se dista do PS.

      • Rocha says:

        Olha que não Vilela! Olha que não! Se o líder espiritual, pai-fundador do LIVRE é o Rui Tavares, o LIVRE já fez muita coisa ao se deixar liderar por este personagem. Não sendo eu apoiante do Bloco de Esquerda ou coisa parecida, deixa-me te dizer que a jogada do Rui Tavares de sair em ruptura com o BE para o grupo parlamentar europeu verde de Cohn-Bendit é uma jogada de quem abraça directamente o capitalismo. Quem abraça um grupo parlamentar como esse do Cohn Bendit (um bendito “con” como dirão os nossos emigrantes) já disse tudo o que tinha a dizer sobre a submissão total ao capitalimo. E desafio quem quer seja a demonstrar-me que o partido verde alemão e todo esse grupo verde europeu em geral não é reaccionário!

      • Victor Nogueira says:

        O Copérnico e Galileu disseram, O Descartes disse. O Durkheim disse. O Montesquieu disse. O Rousseau disse. O Thomas ayne disseO Gobineau disse. Herbert Spencer disse. Uma lista infinita de “disses”, anteriores e posteriores ao Sermão da Montanha. Reparerm que não falo nessas “aberrações” do pensamento que seriam Marx. Engels, Gramsci e toda essa “seita”. Nem em teorias do conhecimento!

        Eureka, diria Arquimedes, Livre de toda a canga obsoleta

        Ah! Bi-Eureka – Naquele tempo e trafulhamente, – verificou-se posteriormente – o PS Soares, depois de correr com a ala de Manuel Serra, ainda defendia, isto é, queria fazer acreditar aos incautos – o socialismo, as nacionalizações, o controle operário, a reforma agrária ..

        Mas Soares veio depois a esclarecer que o fazia por não ser LIVRE, não tinha Liberdade e então teve de mentir para angariar votos e encerradas as urnas arrumou o socialoismo numa gaveta e ficou apenas o capitalismo de rosto humano, o da Doutrina Social da Igreja e das 3ªas vias.

        Sobre tudo isto não é preciso ler “A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril, de Cunhal. Basta ir à fonte em liberdade livre – , os abundantes e volumosos escritos de soares.

    • Victor Nogueira says:

      Pois é, a Revolução Francesa e das Declarações dos Direitos do Homem e do Cidadão, foi tudo menos pacífica e passados os “excessos” da populaça e dos sans culottes e das jacqueries acomodou-se numa restrição da liberdade, da igualdade e da fraternidade, a tal ponto que esmagou impiedosamente a efémera Comuna de Paris e desde então as organizações e associações operárias. Os sans culottes e os os escravos, os descamisados e os proletários fizeram outras revoluções. em S. Domingos e no Haiti, no México, na Rússia, na China, todas elas violentas pk quem o tem não abdica voluntariamente do seu “poder” económico, e até se pode citar uma “pacífica” que acabou graças a Pinochet, no Chile. Há mais, mas estas chegam embora quem pretenda “mudar” a sociedade seja LIVRE de ignorá-las. Cada um tira do processo histórico o que mais lhe convém. É a liberdade em todo o seu esplendor, a mesma Liberdade e o mesmo Socialismo em Liberdade que fraudulentamente o Partido Socialista desde Mário Soares defende (ou dizia defender, antes de se render às 3ªs vias e às delícias do Livre mercado e da Livre circulação de Capitais) ?

      A social democracia tal como a Doutrina Social da Igreja defendem 3*as vias, o que já dá 4, como os três Mosqueteiros de Dumas eram afinal 4 (Porthos, Athos, Aramis e D’Artagnan), embora a realidade fosse mais complexa pois os Mosqueteiros eram naturalmente muitos mais, uns obedecendo a Luís XIII ,outros ao “inimigo” ou adversário Cardeal Richelieu.

      • Nuno Cardoso da Silva says:

        Uma via que certamente não nos interessa é aquela em que para libertar os “trabalhadores” é preciso coagi-los, impor-lhes à força um modelo teórico baseado na clarividência de uma minoria de intelectuais que, nunca tendo trabalhado, se arrogam o direito de se armarem em vanguarda de um proletariado cheio de legitimidade para exercer o poder mas demasiado ignorante para o saber fazer.

      • João Vilela says:

        Isto são simplesmente frases feitas que encerram uma ignorância crassa sobre o conceito de vanguarda – o Jerónimo de Sousa, basta olhar para ele, nunca trabalhou… – e reproduzem o preconceito anticomunista no que tem de mais intelectualmente preguiçoso. Enfim, são o costume no NCS.

      • Victor Nogueira says:

        oh Nuno ! Liberdade ? Coacção?

        Não leve a mal que lhe lembre As Carvoeiras

        Liberdade, Liberdade / Quem a tem chama-lhe sua / Eu não tenho Liberdade / Nem de por o pé na rua ”

        Qual é a liberdade de quem – em todo o Mundo, incluindo Portugal – não tem trabalho, de quem não tem dinheiro nem sequer para as necessidades básicas,- comida, tecto saúde – de quem depende da formatação e da informação veiculada pelos ´órgãos de comunicação de massas ou nos bancos da escola e da Universidade ?

        Mas em que mundo é que o Nuno vide ? Que mandato lhe outorgaram os coagidos e sem liberdade para por eles falar?

      • Nuno Cardoso da Silva says:

        Se é verdade que não pode haver liberdade onde há desemprego, fome, falta de uma casa, ausência de cuidados de saúde, etc., também é verdade que não chega ter trabalho, ter de comer, ter casa e cuidados de saúde para se ser livre. As duas coisas têm de ser combinadas, mas os camaradas cá do sítio acham que subsistir, ter acesso à educação e aos cuidados de saúde já chega e que não é preciso preocuparmo-nos com coisas como liberdade de escolha dos governantes e liberdade de expressão – consideradas liberdades burguesas…

      • Jacquerie says:

        Ói?!?!

      • Victor Nogueira says:

        «liberdade de escolha dos governantes e liberdade de expressão – consideradas liberdades burguesas»

        Liberdades burquesas ? Consideradas como tal ? Por que forças e organizações político partidárias e movimentos sociais? Pressupõe-se que o Nuno quer dizer as que se situam à esquerda do que o Livre se considera “o meio”, a 3ª “veia” ? Concretamente o PCP e os comunistas, sem menosprezo por outras forças à esquerda do “meio” que o LIVRE se propões situar? Liberdade de Expressão ? Liberdade de escolha dos Governantes ? Ah! a tal liberdade “política” que certos dirigentes nacionais actuais do PS na esteira de soares [o tal da Liberdade e do Socialismo em Liberdade] reclamam e de que acusam os comunistas e o Bloco de serem negacionistas ?

        Na esteira do idealismo bem pés na terra da burguesia durante e post Revoluções Francesa e Americana,e das outras que se seguiram por essa Europa no século XIX, que proclamavam a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, associadas ao inalienável direito de propriedade privada (e à sua “justa” remuneração), mas direitos “irreais” para a maioria, incluindo o direito de propriedade privada dos não detentores dos meios de produção ao valor mercantil da sua força de trabalho (manual e intelectual), à sua habitação, p. ex., penhorada pela Banca em caso de incumprimento,ao seu pópó, penhorado se não pagar as dívidas mesmo que esteja o devedor no no desemprego, para não falar noutras minudências como o direito à informação à saúde, à educação, ao lazer, a uma velhice com dignidade, à informação plural (por alguma razão o PCP não tem comentadores nas Televisões ou nos Jornais de reverência),

        Bem há tempos Francisco Assis no Público nas suas semanais catilinárias arrevezadas se preocupava com a falta a falta dma força política ao centro-direita que o “representasse, o que segundo Assis deveria ser uma preocupação do PS para organizá-la.

        “há uma realidade (que) precisa urgentemente de ser politicamente organizada” e que é “o desafio do PS e de vastos sectores do centro e do centro-direita portugueses” – Francisco Assis, in PACTO RECENTE ENTRE O PCP E BE APONTA PARA UM INIMIGO – O PS.- Público 04/10/2012

        Bem se sabe que para o PS, este é a esquerda bem comportada e respeitável e que o PCP e o Bloco são a extrema esquerda sem pragmatismo realista, que não quer pagar dívidas e sem sentido de espaço. Relendo isto, fica o LIVRE entalado entre o realismo pragmático algures entre o PS e o irrealismo sem sentido de estado do PCP e do Bloco ?

        Nas suas formulações abstractas, na sua exaltação da Liberdade e do Eleitoralismo, como verdades absolutas sem condicionantes nem constrangimentos, arredados duma penada e dum sopro pelos homens e mulheres Livres, que pretende de facto e o que significa o ser LIVRE?

      • Victor Nogueira says:

        rectificação – onde se le “sem sentido de espaço” deve ler-se “sem sentido de estado”

    • Já dei para este peditório says:

      Já tou a ver xor nuno .c silva. É assim como uma sociedade livre como na líbia(já não dá pra escrever em letra grande , por motivos óbvios!),n’é xor?Ou comó iraque,ou comá Síria…Tendo o BE falido,eis q a propaganda social vem com mais um chamariz- o do tal rui tavares, um gajo, assim a puxar para o asqueroso convencido.Já se sabe que vai parar ao PSucialista-já vimos isso demasiadas vezes a começar pela chorona,os gajos do 13º Mês,com ratos vindos do PCP ou o rapaz da Bata….

      • João Vilela says:

        O que mais me surpreende é a forma como a malta da esquerda anticomunista (isto é, dos que votariam em qualquer coisa «de esquerda», por mais aberrante que fosse, desde que não fosse o PCP) vai saltitando entre estas experiências e experimentações políticas sem nunca entender a triste figurinha que anda a fazer.

    • João Vilela says:

      Já agora, e ainda a propósito disto, esta explicação faria algum sentido se o LIVRE se reclamasse um partido defensor dos oprimidos. Diz-se contudo defensor «das pessoas» (ideia onde cabe o Belmiro de Azevedo, uma pessoa, o George Soros, outra pessoa, e ainda os sem-abrigo da Rua Gonçalo Cristóvão, também eles… pessoas). Não perceber o oceano que separa os dois conceitos é cegueira, e da do pior tipo, a dos cegos que o são por não quererem ver.

      • Que rua é essa? E o que é que essa gente tem?

      • João Vilela says:

        Fica no Porto. Quis com isso significar que quer os mendigos de rua quer os grandes capitalistas nacionais e estrangeiros são «pessoas». Pelo que um partido que, como o LIVRE, se propõe defender «as pessoas», não delimita, nem sequer grosseiramente, quem representa. E eu acredito muito pouco em gente cândida.

      • Obrigado pela explicação.

      • Surprese says:

        Pelo que entendo baseia a sua ideologia em argumentos ad hominem, e defende uma invejocracia.

        Quer isto dizer que o sem-abrigo poderá ser um violador assassino, mas por ser da “classe escolhida” terá direito ao festim que o seu partido fará com os bens que “expropriarão” a Belmiro de Azevedo.

        Se como refere é do Porto, deveria saber que a opinião da população local em relação essa “pessoa” é positiva, mesmo de quem é um seu “oprimido”.

        Por aqui ninguém o julga por ser um “capitalista”, julgam-no por ser boa ou má pessoa.

        Agora que fiquei a saber como o PCP pensa, prefiro os que pensam em “pessoas”.

      • Caxineiro says:

        cuidado! Então esses cegos são menos que os outros?
        Você está a ver mal o filme
        Eles não querem formar um partido, querem fundar uma religião onde seremos todos livres e felizes, os carrascos e as vítimas
        Em vez dum pastor podem usar uma miss como porta-voz

    • Joaquim Amado Lopes says:

      “liberdade associada à igualdade”
      Só que o conceito de “igualdade” que a esquerda defende vem sempre agarrado à limitação da liberdade.

      “a liberdade do opressor será suplantada pela liberdade do oprimido”
      O maior opressor é o Estado, que a esquerda quer sempre cada vez maior e mais opressor.
      O “Livre” (ou é “LIVRE”?) pretende, ao contrário da esquerda a que afirma pertencer, que a liberdade dos indivíduos suplante a liberdade do Estado com, p.e., menos regulamentos e menos impostos? (pergunta retórica porque o Nuno, nos parágrafos seguintes, responde a esta questão de forma bastante enfática)

      “A vontade da maioria oprimida manifestar-se-á na alteração das regras que permitem a exploração por parte da minoria. Mas isso far-se-á sem ditaduras – do proletariado ou outras -, sem Gulags, sem Tchekas, sem fuzilamentos. Apenas pela vontade democrática de um povo consciente dos seus direitos.”
      Em eleições livres e democráticas, sem gritaria na rua nem as minorias a “exigirem” a demissão dos eleitos por maioria. Certo?

      Oops. Por um momento não reparei no detalhe “povo consciente dos seus direitos”. Essa “consciência” será sempre determinada por quanto cada um concorda com as posições do “Livre”. Quem não concordar será “inconsciente”/”ignorante”/”vendido ao capital”/”neoliberal”/”opressor” e não deve participar nas decisões democráticas (que o Governo “Livre” decidirá e comunicará ao povo instruído e “livre”).

      “Quando olho para a nossa sociedade vejo opressores e oprimidos, mas estes são tão diversos que querer reduzi-los a um conceito de classe, tipo proletariado, é ridículo.”
      E, no entanto, foi precisamente isso que fez, quando referiu (no parágrafo anterior) que a “luta” será “contra a oligarquia capitalista”.

      “Mas substituída a exploração capitalista pela produção em auto-gestão, em que os trabalhadores – e não o estado – são proprietários e gestores dos meios de produção, cada um se organizará como bem entender, livres de serem uma ou mais classes, ou não.”
      Cada um se organizará como bem entender, desde que não seja com um ou mais a avançarem com o capital para formar a empresa, assumirem a responsabilidade pelo pagamento das contas e decidirem como a empresa funcionará e os outros a contribuirem com o seu trabalho a troco de um pagamento regular, tenha a empresa lucro ou prejuízo. Liberdade sim mas não exageremos.

      “Eliminados esses mecanismos, compete ao estado impedir a sua reconstituição, e deixar aos cidadãos a liberdade de viverem e produzirem como bem entenderem.”
      Como partido de esquerda, o “Livre” acha que todos são livres de se organizarem como quiserem desde que queiram organizar-se segundo uma forma aprovada pelo “Livre”.

      Não sei o que o “Livre” irá ou não fazer mas de uma coisa não tenho dúvidas: vai ser hilariante. Aliás, já está a ser.

      • Miguel Cabrita says:

        Rejeito que resuma a esquerda a posições estatistas. Ser de esquerda é realmente uma posição de classe ou dela derivada, o estatismo é uma posição perante a autoridade e a democracia, não é por si de esquerda como qualquer Marxista gosta de fazer crer. Muito boa gente de esquerda quer fazer crer que as soluções para a actual revolução neoliberal está num estado que socializa tudo e limita objectivos individuais legítimos, outros acham que a função do estado é apenas a de amputar as raizes da desigualdade em democracia (de preferência directa). Acho que sabe disso pelo que só por má fé escreve algumas das coisas que estão acima escritas. É por estas e por outras que o Governo, agradado com a etiqueta de liberal (que gostaria assim da democracia) se sente livre para exigir a mais pura obediência do povo à ferramenta que históricamenetsempre ofendeu os interesses do povo seja no capitalismo ou nos regimes comunistas; – o estado.

    • h says:

      Deus nos LIVRE!

  2. João Pedro says:

    Brilhante, simplesmente, João.
    Chega-lhges…

    João Pedro

  3. JgMenos says:

    Cruzes, canhoto!
    Que exorcismo mais canhestro!

  4. Tima says:

    Mais um da casa a atacar partidos de esquerda com a originalidade de o partido “dimar” cá do sítio ainda nem sequer ter nascisdo e já está a levar pau desde o tripeiro Vilela ao tripado Renato. Uma beleza este 5 dias! A puta da política de austeridade destrói Portugal mas estes baluartes da esquerda pura e cristalina serão demasiado cobardes para a luta e resta-lhes apenas o lugar dos fracos que é o de cuspir na Esquerda que não a deles?!!

    • João Vilela says:

      Eu cá luto. E lutar é não só contra a burguesia como contra os agentes dela na esquerda.

      • Miguel Cabrita says:

        Belissima peça do típico facciosismo que se vai alimentando à esquerda. Em Português corrente diz-se “Ou estás comigo ou estás contra mim”. Verdadeiramente brilhante.

      • João Vilela says:

        Contraponham ao facciosismo argumentação que desmonte o que afirmei. Não há-de ser assim tão difícil.

      • Miguel Cabrita says:

        Suponho que seja perda de tempo. O problema em si não é o da validade dos argumentos. É a incapacidade de a partir de pontos de vista opostos, e de posições diferentes chegar a um acordo sobre príncipios e sobre formas de acção que sejam consequentes. E Isso vê-se por exemplo no circo que os média montam à volta de manifestações quer da cgtp ou do que se lixe a troika para as desvalorizar, sem que entretanto não haja vontade de unir esforços superando diferenças ideológicas.

        De resto os exemplos abundam neste blog (tristemente) e o LIVRE é apenas mais um exemplo da forma como a necessária unidade de esquerda vai cada vez mais sendo uma miragem. Parece a história do Consenso da direita que o Passos Coelho queria em torno do memorando. Dizia ele assim: – O consenso é este. Aceitem-no! Negociar ou conceder em alguns pontos o que o PS pedia; Ah não isso não pode ser. Pois bem, é assim mesmo estas discussões.

      • João Vilela says:

        A unidade é possível em torno de princípios. Unidade com quem considera a UE uma promessa de prosperidade partilhada e de democracia transnacional, com quem acha que o socialismo é a economia mista com sector privado, com quem, em suma, quer mitigar os abusos do capitalismo e do imperialismo sem os liquidar, poderá ser conjunturalmente possível para pequeníssimos passos e etapas no processo de transformação da sociedade. A menos que essa gente nasça, como aparenta nascer, voltada para o PS e desejosa de se abraçar a ele.

      • Miguel Cabrita says:

        A mudança é necessária e poderá ocorrer ou bruscamente ou através de pequenos passos. Considerar a UE uma promessa, é também considerá-la não cumprida. A mudança passaria então por fazer cumprir a tal promessa, mesmo contra os príncipios economicistas que a presidem e presidiram a sua constituição. De facto não há nem vai haver instituição que não seja reformável, nem que seja pela sua dissolução. Esse é um passo pequeno ou grande dependente da perspetiva.

        Quanto a alianças futuras deste “partido” com o PS perfiro esperar para ver, pois no PS não há verdeiramente alguém interessado em qualquer tipo de mudança social ou de inversão na revolução neoliberal, ou mesmo mudança da UE, algo que como projecto é perfeitamente defensável. Se é essa a objecção e se assim for não há que temer algo que possam vir a fazer, na certeza de que serão engolidos num trago pelo PS (ou não, pode ser indegesto).

  5. O que aqui anda de boas intenções… E de entusiasmo… A ver no que isto dá…
    Mas eu teria algum cuidado com a análise «sociológica» que se queira fazer sobre a «não existência de classes sociais»… Pode haver muitos médicos, cientistas e engenheiros e quadros que não saibam que são proletários, mas que os há, lá isso há… E sobretudo cada vez mais vai havendo mais «excluídos» do sistema, para alimentar o velhinho «lumpen proletariat»…

    • Nuno Cardoso da Silva says:

      Tenham-se as dúvidas que se quiser. Mas ficar servilmente amarrado a análises – por muito geniais que tivessem sido à época – desenvolvidas há 150 anos atrás, ou mesmo só há quase 100, demonstra pelo menos falta de imaginação e de espírito crítico. O Marx, disse, o Engels disse, o Lenine disse (e é melhor ficar por aqui…), e logo estamos conversados! E não passa pela cabeça dos fiéis desta igreja marxista-leninista que os decretos dos seus ícones possam não ser aplicáveis à letra nos nossos dias. Para não dizer que não podem de todo ser aplicados nos nossos dias, mesmo quando as análises que lhes deram origem possam continuar a ser válidas. Mas fazer a distinção entre crítica e proposta é coisa que esses fiéis não sabem fazer. A crítica é válida logo a proposta também o é. Por isso assistimos diariamente à tentativa grotesca de alguns manterem fidelidade a uma linguagem e a propostas que já não servem para nada. Porque de facto nada percebem e nada aprenderam, neste último século e meio…

      • João Vilela says:

        Claro, claro. Quão melhor é abandonar a expressão «proletariado» e adoptar a designação «pessoas» para significar quem representamos. O rigor que não se ganha…

      • A.Silva says:

        Mas há alguém que tenha discurso mais velho que ruis tavares e danieis oliveiras, que mais não fazem do que defender o capital, pintalgando o seu discurso com bonitas palavras que não colam com o que defendem???

      • Só para esclrecer (a mim mesmo claro… «assentar ideias»).
        Nos «factores de produção» temos Capital (a terra trabalhada já é Capital) e temos Trabalho. Estes dois factores interagem com a ´mãe» Natureza (para já transformando e exaurindo recursos, mas isso é outra estória…).
        Depois há uns «agentes sociais» que são donos de Capital (recursos herdados da acumulação anteriormente feita) e outros «agentes sociais» que são donos de «força-de trabalho». E há também uns grupos de agentes que estão encavalitados entre os dois tipos fundamentais; e que às vezes caem para um lado e outras vezes caem para o outro.
        São aqueles – hoje como há 150 anos atrás – as duas classes fundamentais que, à escala de todo o planeta, vão funcionando como «polos de atracção» dos grupos intermédios.
        Confesso que não estou a ver como é que a análise de São Karl de Trier e de São Frederick de Barmen estejam desactualizadas…
        A menos que me expliquem que foi o facto de haver aviões – e outros «mais pesados do que o ar» que não caem – aquilo que desactualizou a teoria gravitacional de Newton…
        A única coisa que se alterou (e nao é pouca coisa…) foi a População (hoje somos 7.000 milhões) e a Geografia (já não há mais «fronteiras» para desbravar…).
        O sistema capitalista está hoje no seu apogeu e esplendor. Não é por se ter modificado a sua aparência externa que se alterou a sua lógica interna (de crescimento e expansão geográfica em busca de novos mercados).
        Como não se antevê «colonização das estrelas (pode ser… pode ser…) é chegada a altura de os nossos revolucionários «perderem algum tempo» a estudar a lógica profunda de funcionamento do sistema…

      • João Vilela says:

        Fonseca-Statter, gastas cera com ruins defuntos… 😉

      • proletkult says:

        É escusado, esta gente da “esquerda moderna” não quer ter nada a ver com isso. As expressões “capital” e “trabalho” são proibidas no léxico da “esuerda libertária”, porque assim deixam ser bonitos, limpos e europeus.

  6. Oh camarada, estás-te a esquecer que o MDM tem como a papoila o seu símbolo.

  7. xatoo says:

    o velhinho lúmpen-proletariado que Marx tanto criticava, excluído das corporações profissionais, indigente, preguiçoso e politicamente ignaro e inactivo, foi promovido pelos lucros no saque imperialista, transfigurou-se e hoje a burguesia chama–lhe “classe média”

  8. proletkult says:

    O cabeça de cartaz vai ser o Ricardo Araújo Pereira, com o Daniel Oliveira e outros figurões da “esquerda moderna”.

    Mais um partido (?) limpinho e bonitinho, com calções, laçarote e sapatos envernizados para receber a primeira comunhão da burguesia. Com o vazio criado pelos media depois do esvaziamento do BE e do pudor em relação ao outro partido do governo, este partido (?) arrisca-se a ter um colo invejável. O objectivo estratégico é bastante claro: o PS tem plena consciência de que vai perder votos para a sua esquerda, nomeadamente para a CDU, que se apresta a ultrapassar finalmente os dois dígitos. Depois de perder a batalha do BE para a facção UDP da coisa, tem que criar, o mais depressa possível, um travão ao crescimento eleitoral da CDU (e quiçá do MRPP, que acredito que irá correr até ao photo-finish em Lisboa), que é a esquerda que não consegue controlar. De permeio ainda envia mais uma corôa para as exéquias do BE. Um partido (?) fantoche, composto por marionetas e feito para bonecos.

    Já agora, o Rui Tavares não se dizia “anarquista”?

    • Augusto says:

      O Bloco de Esquerda , não tem nada a ver com a COISA, nem a COISA, faz parte das preocupações do Bloco de Esquerda.

      A Esquerda , precisa e rapidamente apresentar um programa de alternativa ás politicas de direita, um programa que seja claro, e que seja uma mobilizador de todos daqueles que querem travar a destruição do estado social.

      Neste momento ambições pessoais, pois é disso que se trata, ou tentativas de criar pseudo-alternativas de esquerda , assentes em pura gelatina, terão como resultado irem dar com os burrinhos na lama.

      A comunicação social pode dar grande realce á COISA, mas para a COISA ser qualquer coisa, precisa de trabalho militante, o que é uma xatisse para os aderentes da COISA.

      PS O ÚNICO projecto politico novo que poderia ter alguma viabilidade , era um Partido de Defesa dos Reformados, pois por este andar, serão a maioria dos portugueses que cá vivem.

    • Rocha says:

      Sim, sim ele dizia-se anarquista. Diz mais que descobriu que era anarquista/libertário numa biblioteca. Daí que me pareça que este partido decorre de uma simples associação de palavras:

      LIVRO-LIVRE-LIVRA

      O LIVRA é para ter o A de anarquista. Votar no Rui Tavares? LIVRA!

  9. Antónimo says:

    Pela prosa matutina, a Ana Sá Lopes 8que até aprecio) já aderiu. A jornalista anda há muito em busca de um sítio onde se ancore, ela mais a Vanessa.

    Assim a coisa soa a agremiação para nós inteligentes, bem intencionados, livres e melhores que os outros nos refugiarmos longe do mundo.

  10. Bento says:

    Estou a ver …. É assim um “socialismo” fofinho….
    Nao lhes dou um ano…..
    Paz à sua alma

    • João Vilela says:

      «Os burgueses socialistas querem as condições de vida da sociedade moderna sem as lutas e perigos delas necessariamente decorrentes. Querem a sociedade existente deduzidos os elementos que a revolucionam e dissolvem. Querem a burguesia sem o proletariado. A burguesia, naturalmente, representa-se o mundo em que domina como o melhor dos mundos. O socialismo burguês elabora, a partir desta representação consoladora, um meio sistema ou um sistema completo. Quando exorta o proletariado a realizar estes sistemas e a entrar na nova Jerusalém, no fundo só lhe pede que fique na sociedade actual, mas que se desfaça das odiosas representações que faz dela.

      Uma segunda forma, menos sistemática mas mais prática, [deste] socialismo procurou tirar à classe operária o gosto por todos os movimentos revolucionários, mostrando-lhe que só lhe poderia ser útil, não esta ou aquela alteração política, mas uma alteração nas relações materiais de vida, nas relações económicas. Por alteração das relações materiais de vida este socialismo não entende, de modo nenhum, a abolição das relações de produção burguesas, só possível pela via revolucionária, mas melhoramentos administrativos que se processem sobre o terreno destas relações de produção, portanto que nada alterem na relação de capital e trabalho assalariado, mas que no melhor dos casos reduzam à burguesia os custos da sua dominação e lhe simplifiquem o orçamento de Estado.

      O socialismo burguês só alcança a sua expressão correspondente quando passa a ser mera figura de retórica.

      Comércio livre! no interesse da classe trabalhadora; protecção alfandegária! no interesse da classe trabalhadora; prisões celulares! no interesse da classe trabalhadora: esta é a última palavra do socialismo burguês, e a única dita a sério. O socialismo da burguesia consiste precisamente na afirmação de que os burgueses são burgueses — no interesse da classe trabalhadora.»

      (in Manifesto do Partido Comunista)

      • Augusto says:

        Meu caro neste momento a base social do seu PCP é exactamente a BURGUESIA.

      • Rocha says:

        Augusto, você é impagável. O seu Manuel Alegre é que é do proletariado, tal como o Sócrates e o PS perante os quais ele manteve uma lealdade a toda a prova.

        O Augusto é pobre (de espírito, de carteira não faço ideia) e mal agradecido. O Rui Tavares está a fazer o enorme favor ao BE de o fazer parecer mais de esquerda e ainda assim o Augusto atira-se ao PCP. Voltando à conversa de outro dia, o Chico Martins Rodrigues atirava-se ao PCP, mas ao menos era coerente (não compactuando com o reformismo parlamentarista), o Augusto nem isso.

      • Miguel Cabrita says:

        Ahahahah

      • proletkult says:

        Publicado em Março de 1848, que é para não deixar dúvidas quanto à idade das ideias e análises de que falava o “libertário” lá mais acima.

    • Oh Bento com dirigente do PS à proa, podes crer que vai durar muito mais. Pois tudo serve para tentar afundar o PCP, e outros movimentos dignos de esquerda.

  11. JP says:

    Boa análise.

    Em boa linguagem “empresarial” este LIVRE não passa de um re-branding do Bloco.
    Primeiro foi a Política XXI e a UDP. Como esses já não davam, criou-se o BE. Agora o BE já é história, crie-se o LIVRE.
    Em qualquer caso, não passa de um “produto de marca branca” do PS.

    Em todo o caso, o “partido” é tão bonzinho, tão assético, tão sem sal que, desconfio, vão distribuir gatinhos na campanha eleitoral…

    Como alguém disse atrás, não passa de um movimento para descansar a consciência de quem se diz de esquerda mas nunca seria capaz de votar no PCP.

    • Augusto says:

      Este LIVRE nada tem a ver com o Bloco de Esquerda, e só que desconhece o per curso do BE e das forças politicas que lhe deram origem pode escrever patacoada como as que escreveu.

      E não é ao Bloco de Esquerda que a COISA irá fazer alguma mossa,a sseus aderentes virão de onde menos se espera.

      E quem é de ESQUERDA e nunca votaria no PCP, é porque tem desacordos de principio com esse partido.

  12. JgMenos says:

    Uns, com os olhos postos no passado,
    Vêem o que não vêem: outros, fitos
    Os mesmos olhos no futuro, vêem
    O que não pode ver-se.

    Porque tão longe ir pôr o que está perto –
    A segurança nossa? Este é o dia,
    Esta é a hora, este o momento, isto
    É quem somos, e é tudo.

    Perene flui a interminável hora
    Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
    Em que vivemos, morreremos. Colhe
    o dia, porque és ele.

    Interlúdio pessoano….para a promoção deste e de cada dia!

  13. xatoo says:

    basta o Nuno Cardoso da Silva estar envolvido na “coisa” para ser um sinal de fracasso completo. Isto é o que se infere de alguém que afirma desconhecer a utilidade da teoria do Valor em Marx para medir o que quer que seja. Finalmente! aparece alguém que vai abolir o Trabalho como medida de valor e como força de transformação da natureza para obter os meios de subsistência necessários ao homem. Como é que o “Livre” o fará? ora, isso agora não interessa nada…

    • João Vilela says:

      Xatoo, não venha para aqui falar dessas velharias com 150 anos! Daqui a nada está a defender que usemos de lógica nos nossos raciocínios, qual Aristóteles, como se vivêssemos há 2500 anos…

  14. Camilo Jeremias says:

    um partido livre… livre de quê?
    ainda se fosse um partido que combatesse qualquer poderoso… ajudar na luta dos de baixo contra os lá de cima… entendia-se que seria livre… mas indo para a cama com todos os poderosos, não passam de uns grandes f…. d p…..!

  15. Miguel says:

    João Vilela — se, como muito bem aponta, eles ainda não fizeram nada, então por que razão não espera por que eles façam alguma coisa para começar a criticá-los?

    • João Vilela says:

      Porque o ser humano é dotado de um conjunto de faculdades de raciocínio, a começar pela indução. Tendo em conta que Rui Tavares vem pedindo há meses uma aproximação «das esquerdas», isto é, do PCP e do BE ao PS, é uma altíssima probabilidade que o seu partido seja uma muleta do PS. Também é faculdade do raciocínio deduzir: e por aí se percebe, num silogismo básico, (1) Para governar é preciso maioria ou parceiro de coligação; (2) O PS irá governar; (3) O PS precisa de maioria ou parceiro de coligação. Somando a indução feita à dedução que lhe segue, extrai-se da pura lógica que o LIVRE ainda não fez nada, mas tem todos os condimentos para vir a fazer. E muito. E muito mal.

      • Miguel says:

        E se essa aproximação ao PS é o cúmulo do mal, qual é a estratégia preferível para fazer frente aos interesses da finança e da banca? Deixar que o próximo governo vá ser uma coligação PS-PSD ou PS-CDS?

      • João Vilela says:

        Denunciar o PS como partido ao serviço da banca e combatê-lo junto com os partidos que estão contra ela. Querer uma aliança com o PS é como uma gazela querer uma aliança com uma leoa.

      • Miguel says:

        É discutível que esteja perdido à partida. Mas, de qualquer modo, o resultado prático da estratégia que propõe será o próximo governo ser PS-PSD.

      • João Vilela says:

        Que me parece a melhor forma de dinamitar o bipartidismo burguês, à imagem e semelhança da Grécia.

      • E qual é a diferença ser um governo PS PSD ou um governo Ps mais muleta???????????? Nenhuma pá! O PS é um partido fascista, e vai continuar a sê-lo. Não o fosse como é que no seu tempo todo de história estivesse ligado ao Cónego Melo, a atentados, ao fmi por três vezes e outras patifarias.

      • Miguel Cabrita says:

        O problema é que esse “partido” não venha a ser nem o que diz de si nem o que dele se espera, mas antes o tal papão anti-política (á moda antiga), popular e populista. O ar enjoado de uns e a superioridade com que outros se apresentam amputa-lhes capacidade para o serem. Esperemos para ver.

      • O PS é de extrema-direita, como se pode juntar ao PCP?!

  16. Bento says:

    “Socialismo, no sentido de recusa da mercantilização das pessoas, do trabalho e da natureza. Embora a ação governativa ou estatal seja crucial na criação de uma economia mista, em geral com três setores (privado, público e associativo/cooperativo), o nosso socialismo não é um estatismo.”

    Esta parágrafo da declaração de princípios do LIVRE quer dizer o quê?
    O nosso socialismo nao é um estatismo. É um liberalismo?
    Recusa da mercantilizacao das pessoas, do trabalho…. Então mas o trabalho nao é uma mercadoria na tal economia mista?

    E as classes sociais antagônicas? continuam neste socialismo “cosy” ?
    OH camaradas mas isto já existe agora ! para que tanto esforço?

  17. João Vasconcelos e Sousa says:

    Deixo aqui o post que fiz ontem na minha página pessoal do Facebook, e que partilha bastantes pontos de vista com este texto. Contudo, aquilo com que acabo por concordar menos é com o primeiro parágrafo. Não simpatizo particularmente com o Rui Tavares e temo que o mesmo venha a acontecer com este LIVRE, mas acredito que as pessoas que o formam tenham por trás algo mais idealista e substancial do que apenas quererem ser cool. Aqui fica, portanto, a minha opinião sobre o tema:

    – o facto de este novo partido entrar na vida política nacional dizendo com galhardia que se vai situar “no meio da esquerda” é significativo. um partido que ainda nem sequer existe e já está a criar subterfúgios e a compartimentar a esquerda está a ser mais audacioso do que o próprio PS – que ainda hoje, apesar de a realidade o desmentir diariamente, diz pertencer à esquerda, sem “meios” nem “centros”. parece haver aqui algum receio da malta do LIVRE (leia-se rui tavares) em ser confundida com a “esquerda-esquerda”

    – é inevitável que se interprete a infeliz expressão “meio da esquerda” como um primeiro piscar de olho ao PS. à semelhança do que acontece na alemanha e em outros países europeus, este partido “verde” pode servir como uma espécie de “CDS da esquerda”, fazendo de muleta a eventuais governos de maioria PS no futuro. nesse sentido, não é descabido concluir que não se poderá contar com o LIVRE para uma oposição afirmativa e sistemática à austeridade e à destruição dos direitos laborais em portugal

    – o LIVRE diz ser socialista, e cito, “no sentido de recusa da mercantilização das pessoas, do trabalho e da natureza, e no sentido de que seja conferida ao estado a garantia de aplicação dos princípios de universalidade, liberdade e igualdade de oportunidades” – fazendo depois a ressalva de que, apesar de reconhecer o papel importante do estado, o socialismo do LIVRE “não é um estatismo” e que defende uma economia mista. ora, da mesma forma que quem solta umas notas no banho não é cantor, ou que quem dá uns toques numa bola com os amigos não é futebolista, também não é apenas por se recusar “a mercantilização das pessoas, do trabalho e da natureza” que se é socialista. quanto muito, é-se um social-democrata com espírito crítico. o LIVRE pode ser o que bem entender, mas que não se sirva nem deturpe ainda mais uma palavra tantas vezes mal interpretada

    – acho curioso que um partido que ainda é pouco mais do que um esboço já esteja a apontar às eleições europeias do próximo ano. é legítimo, mas estranho, que uma nova organização que pretende refrescar o panorama político tome essa atitude. como se não tivéssemos já suficientes partidos eleitoralistas em portugal…

    – a obsessão excessiva com as eleições arrasta frequentemente consigo um certo descuro da realidade e da preocupação com as necessidades da população. daquilo que vi, e mesmo pondo em prática um inusitado contorcionismo entre o PS, o PC e o BE, o LIVRE dificilmente poderá ser um dia um partido de massas – não tem os meios do PS, nem a tradição do PC (que não veio do nada mas sim de anos e anos de lutas, quer se goste ou não) nem tão-pouco um rosto com o brilhantismo semelhante ao do líder que o BE teve até ao ano passado. esta realidade, a juntar ao facto de o LIVRE dificilmente vir a ser um partido com implantação no seio dos trabalhadores (mas sim sobretudo numa elite educada e politizada) faz com que a sua própria razão de ser – servir de apoio aos governos PS – possa rapidamente deixar de fazer sentido

    – por uma questão de princípio só não dou a minha assinatura a partidos fascistas, pelo que, caso encontre alguma banca de recolha de assinaturas, ajudarei sem problemas. contudo, esse muito provavelmente será o meu único contributo para com um partido que para mim não passa do projecto pessoal do rui tavares (e, num futuro próximo, quase que aposto, também do daniel oliveira). qualquer outro ponto de contacto que possamos vir a ter acontecerá nas ruas, isto no caso de o LIVRE estar presente nas manifestações e protestos que são hoje indispensáveis. e, de preferência, que esse contacto entre nós não aconteça apenas enquanto o PSD estiver no poder…

  18. Nuno Cardoso da Silva says:

    Os camaradas fazem a festa, deitam os foguetes e apanham as canas… Todos sabem o que vai ser o Livre, como ele vai atraiçoar os trabalhadores, como irá para a cama com a burguesia, como será o animal de companhia do capitalismo… Confesso que há muito tempo que não me ria tanto!

    Em termos económicos, apenas para esclarecer, a minha visão – minha, por enquanto, e não assumidamente do Livre – é a de um sistema produtivo de tipo cooperativo, em que os meios de produção são detidos por quem os utiliza, pelo que não há nem capitalismo, nem exploração do factor trabalho, nem proletários. Mas há liberdade de investir, de produzir e de consumir, sem intervenção do estado a não ser para protecção da saúde pública e do ambiente. Logo toda a vossa treta de estar ao serviço da burguesia e do capital não passa disso mesmo: de uma enormíssima treta. A chatice é que numa sociedade em que toda a produção seguisse o modelo cooperativo deixava de haver proletários, e sem proletários deixava de haver partido proletário, ditadura do proletariado, e uma vanguarda exploradora do proletariado. E lá acabava a vaca leiteira do PCP…

    E já agora, falar de pessoas em vez de trabalhadores, é porque qualquer comunidade é constituída por pessoas. As quais desempenham as mais variadas funções. O que é preciso é acabar com a exploração do homem (pessoas) pelo homem (pessoas), não é reduzir a condição humana à função produtiva. Eu, na minha vida, sou produtor apenas numa parte do tempo. No resto do tempo sou consumidor, sou criador, sou pensador, ou sou meramente ocioso. O que os marxistas-leninistas querem é reduzir-me à condição de factor de produção, para condicionar toda a minha vida à exploração do meu trabalho pelo partido e pelo estado dominado pelo partido. Pela parte que me toca escusam sequer de tentar…

    • João Vilela says:

      Com certeza. E o desmantelamento dessa sociedade exploradora não será feito por uma classe, consciente de que o é, e empenhada nesse desmantelamento. Será feito pelas «pessoas». O motor da história é a luta de «pessoas». Este texto é digno de um aluno da 3ª «pessoa».

      • Nuno Cardoso da Silva says:

        A consciência de uma comunidade de valores e de interesses não faz uma classe. O desmantelamento da sociedade exploradora será certamente feita por pessoas, embora isso exija também uma organização e uma vontade comum. Mas será uma organização criada de baixo para cima, e não de cima para baixo como vocês gostam.

      • João Vilela says:

        O PCP foi feito de cima para baixo? Imbecil já és, mas mentiroso é demasiado.

      • Nuno Cardoso da Silva says:

        O verniz estala e o verdadeiro João Vilela mostra o que é… Mas vê lá quanto tempo durou a autonomia dos sovietes lá na pátria do verdadeiro comunismo…

      • JP says:

        A realidade segue dentro de momentos…

    • Joaquim Amado Lopes says:

      “Em termos económicos, apenas para esclarecer, a minha visão – minha, por enquanto, e não assumidamente do Livre – é a de um sistema produtivo de tipo cooperativo, em que os meios de produção são detidos por quem os utiliza, pelo que não há nem capitalismo, nem exploração do factor trabalho, nem proletários.”
      Agora já percebo. O Nuno é um troll. Não admira que se esteja a rir, com a atenção que lhe está a ser dada.

      • Nuno Cardoso da Silva says:

        Só para que eu perceba: se for possível instituir um sistema de base cooperativa, em que todas as empresas são detidas e geridas pelos que nela trabalham, há empresas mas não há nem capitalismo nem capitalistas. De certa forma o factor capital e o factor trabalho ficam confundidos, pelo que não pode haver exploração. Eu, cooperante, não me posso explorar a mim próprio. Mas continua a haver liberdade de investir, liberdade de produzir, e as mais valias pertencerão aos que as produzem, e que podem destiná-las como bem entenderem: para uso próprio ou para reinvestir na actividade. Onde está a falha no raciocínio? O que é que não percebes neste sistema?… Será que eu ando a sobrestimar a capacidade de compreensão dos camaradas?…

    • proletkult says:

      Para “atraiçoar os trabalhadores” era preciso que os trabalhadores se aproximassem e confiassem nesse partido (?).

    • Victor Nogueira says:

      Tudo pessoas, tudo all Goodfellas, todos irmanados e de braços dados, tudo pela Nação, Nada contra a Nação.

      Mas esta malta vive onde ? Esta malta nem ao menos consegue ler para além do que dizem os jornais da burguesia ? E no entanto as notícias estão lá. Basta saber ler e não sofrer de Ileteracia. Qual é a irmandade possível entre a panela de barro e a de ferro, entre a banca e os grandes accionistas da banca e os pequenos depositantes reformados a quem ela cobra despesa de gestão, entre o dono da fábrica e o operário à peça ou o desempregado que trabalha por apenas uma bucha porque a isso é forçado, entre o mineiro do ouro no Congo e os accionistas que os exploram ? Em que lugar e época os poderosos, os efectivos senhores do mundo, no seu conjunto, abdicaram do seu poder pacificamente, sem punir os “invejosos” da arraia miúda que tenham ousado afrontá-los ?

      Mas esta malta ainda não conseguiu perceber a lógica do sistema capitalista ? Esta malta sonha com os falanstérios, qual irredutíveis gauleses face ao Império ?

      A lógica predadora e violenta quando não sanguinária do capitalismo não é acumular, acumular, acumular lucros ? Não é procurar sempre investir não em função das necessidades sociais ou das “pessoas” mas sim onde o lucro for maior, nem que para isso invente necessidades e diminua a qualidade e durabilidade dos produtos ou desencandeie guerras destrutivas para depois lucrar com a reconstrução ? Bolas, já no tempo da outra senhora e nas aulas de economia, na universidade, os professores nos debitavam isso.

    • Surprese says:

      Gostei do esboço de programa. Com um cheirinho de anarco-comunista.

    • Pessoalmente tenho a maior simpatia pelo movimento cooperativista e mutualista.
      Já alguns autores clássicos assinalaram que, entre outras coisas, as cooperativas e mutualidades são – pelo menos – excelentes escolas de gestão para as «classes trabalhadoras»… Só que isso – das cooperativas e mutualidades – funciona mesmo mas é fazendo-as. Não me parece que caiba a partidos políticos promover um qualquer «Estado Mutualista ou Cooperativitsa».
      Por outro lado – e essa é a questão principal – permanece a questão do PODER do Estado.
      As cooperativas e mutualidades são uma bonita ideia, mas quem é que vai de facto assumir o poder político-económico concreto que possa controlar os monopólios industriais e conglomerados financeiros de facto existentes?…
      Já agora não me parece que as «empresas socialistas» tenham necessariamente que ser «do Estado»… Embora se deva assinalar que falhou a experiência de autogestão socialista das empresas na antiga Jugoslávia – por razões que agora não se pode esmiuçar.
      Continuo convicto – é uma questão de fé… (eh eh eh …) – que o caminho está na compreensão da lógica de funcionamento dos mecanismos do sistema capitalista e, como base nesse conhecimento, «actuar na conjuntura, tendo sempre em mente a estrutura do sistema»…

  19. Bento says:

    Não duram um ano. Até as eleições europeias. Não vão ser eleitos que é o que pretendem para manterem as mordomias da burocracia europeia e vai-se acabar num instante a tesão.

  20. JP says:

    Pois eu proponho começar a fazer um apanhado de matérias concretas para sairmos do discurso-redondo das “esquerdas” e da converseta de chacha.

    Ora bem, assim de cabeça, gostava de saber a posição do LIVRE sobre:
    1. Privatizações em curso;
    2. Aumento do salário mínimo;
    3. Aumentos da Função Pública e Pensões;
    4. Austeridade;
    5. Presença no Euro;
    6. Presença na Nato;
    7. Ingerência em países estrangeiros (p.e. Líbia e Síria);
    8. Orçamento de Estado 2014;
    9. Imposto sobre PPP’s;
    10. Orçamento Europeu;
    11. Regra de ouro na Constituição;
    12. Revisão Constitucional.

  21. Rocha says:

    Se a papoila é um modelo de sucesso no Afeganistão porque não pode ser em Portugal? Grande Rui Tavares! É com o Rui Tavares que vamos para o pelotão da frente da moeda única!

  22. Pier Paolo says:

    Não sou portugues, pelo que peço desculpa pelos erros. Não sou comunista.
    Sou simplesmente de esquerda e subscrevo integralemente este post.
    Se havia uma coisa que não fazia falta neste país era mais um partido de “esquerda europeista”.
    Ou seja, na situação actual, um oximoro.
    Mais um partido que não percebe:
    – que o tempo que vai demorar em tentar alcançar o sonho de uma UE diferente (uma união das esquerdas e outras tretas parecidas), vai levar o país para o abismo, tal como aconteceu na Grécia e como está a acontecer em toda a periferia.
    – que o Tratado de Lisboa para alem das genericas declarações de principio sobre os direitos fundamentais é o resultado de um projecto politico “Hayekiano” de submissão dos governos democraticos as forças do mercado a partir do “pilar” da Independencia do Banco Central.
    – que foi o Euro (não o euro forte ou fraco mas sim a propria união monetaria) a causa dos desequilibrios internos da zona euro que determinaram a amplificação e o perdurar da crise gerada pelo crack da Lehman.

    Disse “um partido que não percebe”.
    Mas depois de tantos debates internacionais sobre o assunto, começo a desconfiar que mais do que ignorancia trate-se de má fé…
    Mais um partido de direita disfarçado (inconscientemente ou não) tal como PS,BE e em parte o proprio PCP.
    Boa deflação a todos!

  23. Pingback: La gauche comme il faut | O Insurgente

  24. Dezperado says:

    Sinceramente isto nao se faz.

    Então agora que o PCP aparecia nas projecções com 16%, lembraram-se de criar um novo partido de esquerda????

    Na boca de um comunista, acho que deveria ser proibido criar mais partidos de esquerda, porque só servem para roubar votos ao PCP.

    Alias, isto é tudo uma cabala só com o objectivo de enfraquecer o PCP.

  25. CausasPerdidas says:

    Li na Declaração de Princípios: “LIVRE poderá adotar códigos de ética para os seus representantes e eleitos”. Não consegui deixar de esboçar um sorriso: a tinta do compromisso eleitoral dos candidatos do BE às anteriores eleições europeias secou queimando o papel em que foi escrita?
    No discurso político, uma espécie de PAN mas com pitada social, generalidades bem intencionadas que não exigem compromisso com nada que arrisque ficar “mal visto” pela imprensa. Será um partido político de sucesso para quem não quer saber de política, o voto do protesto de quem não quer protestar.
    Adivinha-se uma espécie de DIMAR à portuguesa (DIMAR: partido grego produto de uma cisão pela Direita do Syriza – cujas sondagens preenchiam os sonhos húmidos de Rui Tavares… as sondagens não se confirmaram mas nem por isso o DIMAR deixou de participar no governo que está a destruir a Grécia).
    Na prática, a forte e feio e desculpem a linguagem: O PP que se cuide, apareceu uma nova puta na rua.

  26. proletkult says:

    “Mas vê lá quanto tempo durou a autonomia dos sovietes lá na pátria do verdadeiro comunismo…”

    Mas você faz ideia do que está a falar? Por acaso ouviu falar em guerra civil, onde os seus amigos mencheviques, aliados a toda a escumalha possível (incluindo os “libertários”) sabotaram, desde a primeira hora, o poder dos sovietes?

    O grande erro dos “libertários” é pensar que se acaba com o “estado” e os “governos verticais” (como? depois se vê) e logo a “revolução social” flui livremente, os burgueses aceitam pacíficamente a subversão da sua ordem, entregam a propriedade aos trabalhadores e acaba tudo a beber copos. Todos os Bakunines e Malatestas da vida nos disseram isso, do alto do seu conforto de treinadores de bancada da luta de classes, de nunca terem enfrentado a burguesia num conflito, de nunca terem conduzido os proletários à conquista do poder. Aliás, para os Kropotkines e Emmas Goldman nem sequer se deve diferenciar o proletário do patrão. É tudo a mesma coisa, depois da “revolução social” vão ser todos amigos num são convívio. Esperneiem à vontade, mas da verdade não se livram: sem a centralização do poder soviético nunca tinha sido possível rechaçar a ofensiva imperialista sobre a Rússia (ofensiva essa que contou com a participação dos “libertários” da Ucrânia ou de Kronstadt) e, por muito que custe, nunca os anarquistas russos tiveram expressão no proletariado e nos sovietes.

    Mas enfim, parece que vamos ter por aí um partido (?) da “esquerda libertária” que defende o “estado mínimo” apenas para a saúde e pouco mais (conheço isto não sei de onde), com o resto a ser “cooperativo”. Ora, para mim “cooperativo” será um nível de igualdade entre todos numa determinada empresa, por exemplo (isto para sumarizar a coisa). Mas para quem não acredita na luta de classes, nem tão pouco na divisão da sociedade em classes, isto traduz-se na mera simpatia dos patrões, que vão “deixar” que os trabalhadores participem na gestão da empresa. Impressionante como há quem acredite nisto.

  27. Quanto ao LIVRE, estou expectante, como estaria em relação a qualquer movimento que, em teoria pelo menos, eu sentisse que me poderia dar a representatividade política que não vejo em nenhum dos partidos políticos que temos hoje. Não ponho as minhas mãos no fogo por este partido, até porque, de facto, ainda nada há a avaliar.
    Por isso mesmo não compreendo, e acho estranho, o post escrito “aos berros”…

  28. Miguel says:

    Adoro o 5 dias, tanto disparate Comuna que se lê por aqui, (para já não falar da censura prévia, veremos desta vez) não vou perder muito tempo – por preguiça mesmo – o LIVRE pretende aliar-se ao PS de futuro…fazem senão bem, é que as bengalas acabam por influenciar o andar sabem? O país tem a marca do CDS e do PCP e Bloco qual é? Nenhuma!! Nem terá jamais, o Comunismo/Socialismo Real é um cadáver putrefacto que só certos necrologistas insistem em tentar reanimar, tomem lá doces melodias: http://www.youtube.com/watch?v=MFn5QfrneEg

  29. Pingback: Seja bem-vindo quem vier por bem | cinco dias

  30. Argala says:

    Quando eu digo que os comunistas não têm qualquer possibilidade de ganhar eleições, referi-mo a isto. Não alimentem mais ilusões, estes tipos são mesmo bons nisto. Vão ouvir o Rui Tavares a encantar multidões com a sua desenvoltura!

    A operação de marketing que está aqui a ser montada é absolutamente genial. Isto vem nos manuais: como forma de evitar sustos, o LIVRE servirá, como já foi referido, para amortecer a polarização eleitoral, criando uma ante-câmara que absorverá a fuga de votos para a esquerda. Será a charneira entre figurões como Ana Gomes, Inês de Medeiros, Isabel Moreira (omo lava mais branco) e outros como o Rui Tavares e malta que creio ser da PXXI (até escribas deste blogue vão lá emprestar a cara). Esta gente estará sentada no parlamento e servirá para o queijo limiano em situações de aperto.

    Agora é só catapultar a papoila para o estrelato mediático e está pronto a servir.

    Muitos parabéns à burguesia, uma classe de bons alunos, que faz o respectivo TPC, comme il faut. E ganha na luta de classes sem espinhas.

    Cumprimentos

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