César das Neves: números, factos e ilusões

Disse João César das Neves, professor da Universidade Católica, economista, que a «maior parte dos pensionistas não são pobres, fingem-no». Vamos a números e factos. 64% dos pensionistas em Portugal, do conjunto da Segurança Social e da CGA, recebem menos de 419 euros por mês. No escalão de até 750 euros esse número é de 77,3%. Em Portugal a maior parte dos pensionistas são pobres e não ganham o suficiente para a sua reprodução biológica (casa, alimentação, vestuário, transportes, saúde), tendo que recorrer aos serviços de assistência (caridade) complementares para se manterem vivos. Estes números são os mesmos de um país – o nosso, Portugal – onde 870 pessoas têm o equivalente a 45% do PIB, equivalente a quase metade de tudo o que é produzido pelos trabalhadores ou os-que-vivem-do-salário.

Não fingem que são milionários. São mesmo. Entre outras razões porque levam na algibeira o valor subtraído às pensões desde 2009/2010 que foi directo para o negócio da dívida pública, para não «assustar» os «humores» dos mercados, isto é, para não assustar entre outros estes 870 milionários que o Crédit Suisse veio dar a conhecer. Têm tanto que uma parte deles colocou esse capital em casas vazias que não pagam IMI – autênticas barras de ouro espalhadas por este país com centenas de milhares de casas fechadas em fundos imobiliários. Outros já meteram as pensões roubadas aos portugueses a salvo, operando uma subterrânea fuga de capitais, para quando a próxima crise rebentar, daqui a 4 ou 5 trimestres, os seus capitais (isto é, as nossas pensões e salários) estarem a salvo. Fingir para quê?

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6 Responses to César das Neves: números, factos e ilusões

  1. José Corvo says:

    César das Neves é o macaquinho da feira. No fim dão-lhe amendoins que ele gosta muito.

  2. Vocês, eternos pseudo-intelectuais de esquerda, não querem redução salarial, não querem despedimentos, não querem austeridade, querem pleno emprego, aumentos salariais, instalções e autoestradas novas, etc. etc. etc. com que dinheiro??? deixem-se de demagogias! Quem destruiu o país foi a esquerda com as greves, com as manifestações…Povo de preguiçosos…

  3. Bolota says:

    Raquel,

    Só me ocorre um comentario, Filho da Put@.
    Mas sabe o que me preocupa??? Preocupa-me que Cesar das Neves tenha espaço profissional e politica para escarrar as suas bacoradas.

    Desculpe qualquer coisinha

  4. LM says:

    Palpita-me que ele se referiria a proventos suplementares oriundos da economia paralela, logo não quantificáveis por nós.

  5. JgMenos says:

    Não tem nada de científico acenar com a franja extrema posta ao abrigo de cortes por políticas assistencialistas, para fazer esquecer que a seguir há centenas de milhar a usufruir reformas que excedem qualquer delírio de capitalização dos seus descontos.
    E ainda por cima vem com a nata capitalista para advogar o quê? A Revolução já? Aqui e agora?

  6. Victor Nogueira says:

    Toda esta gente vive de enormes mistificações e uma delas é à conta do ser milionário. No tempo do “escudo”, milionário era quem tinha um milhão de escudos, pois million não é mil. Mas com o euro, baseando-se na persistência das referências mentais ao escudo, “decretaram” que quem tem de rendimento mil euros – e não um milhão de euros – é milionário.

    E é assim que “reinam” dividindo, opondo os “privilegiados” com mil euros aos que têm apenas … 400 ou 600 euros de rendimento. Mas mesmo estes sujeitos a “taxas de solidariedade”, a descontos, a alcavalas fiscais cada vez maiores – Tudo em nome da “solidariedade” não biunívoca entre os pobres “milionários” e os milionários verdadeiros que “brincam aos pobrezinhos”

    Não dou qualquer benefício da dúvida a César das Neves e seus “homólogos”, mesmo que vivam em condomínios fechados e circulem pela cidade em automóveis de vidros fumados: são minimamente inteligentes, têm algumas competências nas suas áreas de saber.Mas na verdade limitam-se a defender a sua vidinha e as migalhas que os milionários, os verdadeiros, lhes atiram para o prato de lentilhas.

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