Em defesa de Álvaro Cunhal

Mesmo não tendo feito um trabalho de investigação sobre o PCP, como a Raquel Varela, tenho obviamente a minha visão sobre o assunto. Válida ou não, é a minha.
É com base nessa visão das coisas que te digo, Renato, que não concordo com nada do que escreveste sobre Álvaro Cunhal. Reconheço-lhe o mérito de ter lutado por uma sociedade melhor antes e depois do 25 de Abril. O mérito de ter provado, em plena «democracia parlamentar burguesa», como bem lhe chamas, que o PCP era e é um Partido diferente.
Não me parece que a delação tenha sido por ele «abraçada convictamente», como referes no teu post. Bastaria olhar para as datas: quando Francisco Martins Rodrigues foi preso pela PIDE, Álvaro Cunhal estava no exílio. Quanto ao Avante de Dezembro de 1964, acusar de delação um comunicado que informa que que Francisco Martins e Rodrigues e outros foram expulsos do Partido parece-me muitíssimo exagerado.
Quanto ao facto de Cunhal ter «combatido o esquerdismo» e outras afirmações tuas, sinceramente não sei o que diga. Fico sem palavras.
Não obstante tudo isto, Renato, parece-me que tens todo o direito de exprimir a tua opinião e de achares de Álvaro Cunhal o que muito bem entenderes. De Álvaro Cunhal, de Lenine, de Estaline ou de Trotsky. Da mesma maneira que tens todo o direito de achares o que quiseres dos piropos. Não entendo que haja tabus no 5 Dias. Não entendo que as figuras máximas do comunismo estejam a salvo da crítica apenas porque sim.
Infelizmente, em vez de responderem ao teu post e rebaterem, muito melhor do que eu, todas as críticas que fazes, alguns de nós decidiram ir embora. Tenho muita pena, mas parece que é a sina do 5 Dias.

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60 Responses to Em defesa de Álvaro Cunhal

  1. Renato says:

    É bom que vá havendo alguém capaz de discutir diferenças de opinião sem ter que para isso montar cortinas de fumo. Um abraço.

  2. um anarco-ciclista says:

    A acusão de Álvaro Cunhal ter sido um delator da PIDE está no mesmo nível rasteiro daquelas acusações que, nos anos 30, os estalinistas faziam ao Trotsky de ser um espião nazi… É por isso normal que muita gente se sinta incomodada.

    Não deixa, contudo, de ser irónico que trotskistas se sirvamdos mesmos métodos sujos dos seus arqui-inimigos. O que só prova que o “estalinismo”, hoje em dia, é muito mais uma concepção moral da vida e da política, do que propriamente um programa político.

    No fundo, no fundo, as “Ladies Gaga” da esquerda portuguesa, na sua ânsia de protagnonismo, apenas vão queimando as pontes com o resto da malta: ontem foram bloquistas, hoje são PCs a deixarem este blog. Talvez um dia fiquem a falar sozinhas.

    • De says:

      Acho que disse muito ou que resumiu magnificamente
      Como alguém disse, as palavras ditas foram exactamente aquelas que quiseram que se dissessem.

      Não vale a pena agora flores sobre idolatrias e sebastianismos.

    • Renato says:

      O PCP praticou a delação nas páginas do seu jornal e Álvaro Cunhal não consta que se tenha demarcado dela. Já Trotsky, nem o mais obstinado estalinista, conseguiu provar o seu envolvimento com os nazis. Um postulado tem um facto, o outro não.

      • João. says:

        Os que foram presos, o foram porque tentaram aliciar um militante do PCP que tinha sido capturado para as redes de informantes da Pide. Isto quer dizer que de facto os ex-PCP andavam a tentar aliciar militantes para sair do Partido. Ora, o que sai no Avante é um aviso aos militantes e simpatizantes destas tentativas de aliciamento a partir de gente que poderia continuar a apresentar-se como dirigente do PCP, já não o sendo.

        Mas você como é lixo político continuará a insistir na sua tese.

      • um anarco-ciclista says:

        Renato: Tu continuas a mentir!

        Ontem, nas Linhas da Ira”, citei a “tua” alegada vítima de delação. Afirmava o Martins Rodrgues ter sido preso plas informações dum bufo da PIDE infiltrado – não por causa do cunhal, do avante ou do PC.

        Para haver delação, teria de ser revelada a identidade de alguém…
        Ora Francisco Martins Rodrigues “andava a monte” desde a fuga de Peniche – a PIDe não precisava que o Avante a informasse que havia um sr. de óculos muito perigoso à solta plas ruas… Ah espera! Se calhar ainda não te tinhas lembrado disto… Mas sabes? o Xico Martins fugiu da prisão com o Cunhal e outros em 1960… Como o Pulido Valente – já fora preso, estava referenciado pla PID, entrara na clandestinidade, fora para o exílio… Quer dizer: a PIDE não precisava que o avante lhe viesse informar que havia um senhor médico muito perigosos à solta plas ruas…

        Confessa: tu nunca tinhas pensado nisto, pois não?!?
        Já agora, o avante não publicou paradeiros, passos ou percursos. Mencionou 3 notórios antifascistas, tal como nas suas páginas vinha publicado, por exemplo, o nome “Humberto Delgado”… ou tu também achas que o PC delatou o Humberto Delgado?!?

        Recapitulando: Primeiro o delator era o Cunhal, agora já é o PCP… No teu contorcionismo invocas agora igonrância sobre autocríticas do Álvaro… Novamente, vou prestar-te um serviço público:

        “Um aspecto entretanto se deve ainda referir. Há tempos estiveram em Portugal dois desses elementos que, por actividades políticas passadas, não têm uma situação legal. Aplaudindo a sua actividade cisionista, a PIDE podia não estar interessada na sua detenção. Mas poderia também estar interessada em fazê-lo para efeitos de especulação política e para lhes dar um pouco de “autoridade de revolucionários” na sua luta contra o Partido. De qualquer forma, trata-se de pessoas que não tinham uma situação legal e podiam ser presas pelo nosso inimigo. Por isso, primeiro o Secretariado do CC, depois o Comité Central na sua reunião de Janeiro de 1965, consideraram um erro e infracção da orientação traçada anteriormente a publicação no Avante! do nome desses dois inimigos do Partido» (Álvaro Cunhal, «Relatório da actividade do Comité Central ao VI Congresso do PCP»).

        Chega e está bem assim?

      • De says:

        Isto é serviço publico!

      • proletkult says:

        É evidente que acusar Álvaro Cunhal de delação é muita má-fé. De resto, eu próprio já tinha dito isso ontem. Mas esta declaração de Cunhal ao Congresso (e não numa qualquer reunião de quadros) prova que houve delação propositada à PIDE, pois é o próprio quem assim o entende, transmitindo uma conclusão de dois dos três órgãos mais importantes do PCP de então (fica de fora a Comissão Executiva, precisamente quem tinha responsabilidade sobre o jornal), o que prova também que houve discusão sobre o assunto, ao mais alto nível. Ora se não era denúncia, se era uma coisa assim tão banal e inocente, o Secretariado e o CC perderam tempo a debater e a deliberar sobre o tema porquê?

      • Renato says:

        A auto-crítica eleva o carácter, que elogiei, de AC, mas não muda o erro. De resto, essa mesma concepção, continuou a tratar o esquerdismo como inimigo, até aos dias de hoje.

      • Rocha says:

        Obrigado ciclista não conhecia essa citação do Álvaro Cunhal. Já a história agora trazida pelo Renato já a conhecia à muito tempo. Imaginava que o caso fosse como a citação esclarece, agora tenho a confirmação.

      • xatoo says:

        Ou o Cunhal mentiu na obra aqui citada, ou mente o autor desta transcrição: de facto não são dois os dissidentes mencionados no famoso artigo “Cuidado com Eles” mas sim 3: Manuel Claro, João Pulido Valente e Francisco Martins Rodrigues

      • says:

        Os factos não interessam. Como diz o seu amigo “tenho obviamente a minha visão sobre o assunto. Válida ou não, é a minha.”.

  3. João. says:

    Onde você diz “rebater” é evidente que hoje em dia isso quer dizer “dar trela”. Basta ver o que o sr. Renato insistiu em atribuir ao PCP as prisões de ex-dirigentes quando esses, em entrevistas públicas, disseram expresamente que a sua prisão não teve a ver com delações do PCP.

    Por mim, como mero leitor, compreendo perfeitamente que comunistas abandonem este blog. Pessoal como o sr. Renato e a sra Varela não são interlocutores dos comunistas eles são anti-comunistas, eles são anti-PCP e anti-CGTP.

  4. Chamar delator da PIDE ao Álvaro Cunhal não é exprimir uma opinião, é mentir, insultando uma figura de referência da luta antifascista, concorde-se ou discorde-se com a sua actuação, porque não é isso que está em discussão. O autor dessas abjectas palavras revela literacia suficiente para saber que está a mentir, mas não dobra a língua, amplifica o insulto, insultando assim também muitos (a maioria?) dos visitantes deste blog, que não precisam de ser militantes do PCP para se sentirem também eles ofendidos. Muitas marés já passaram pelo 5 dias, é verdade, mas desta vez foi um tsunami que possivelmente destruiu para sempre a pluralidade esta casa. Quem cá ficar a prosseguir nessa obsessão anti-PCP tenha pelo menos a decência de alterar o nome do blog.

  5. Mário says:

    Nunca hei-de entender o porquê das pessoas elogiarem tanto o Álvaro Cunhal e o PCP em geral na sua “luta” antes do 25 de Abril. Mas qual luta? Distribuir literatura subversiva? fazer umas emissões de rádio na Roménia ou não sei de onde? Organizar umas greves que acabavam sempre com o zé povinho a levar porrada da GNR? Organizar a sua fuga da prisão enquanto outros tiveram que lá ficar anos e anos até 1974?
    E bombas? Raptos? Mortes? fuckin’ hell…O IRA sim lutou como deve ser, e quem diz o IRA diz ETA entre outros.
    Aqui no burgo não passaram de uma cambada de meninos que se limitavam a distribuir jornais subversivos, que cool, estar a fazer coisas fora-da-lei uau! Pela coisa realmente a sério tiveram que esperar(mais uma vez) pelos militares.

    • João. says:

      Você confunde uma luta por independência nacional onde é muito mais fácil obter o apoio das populações com uma luta pela afirmação de uma proposta política que antes de mais precisa fazer-se conhecer. Enfim, confundem tudo e depois querem esclarecer alguma coisa.

    • proletkult says:

      Em última análise, o PCP foi responsável pela luta armada dos povos das colónias, precisamente aquela que derrubou o regime fascista. A fundação do MPLA foi coordenada pelo PCP e esse partido serviu de interlocutor entre a URSS (de onde vinha a maioria das armas, dinheiro e cobertura política) e os movimentos de libertação.

    • samuelquedas says:

      Pobre garoto!!!

  6. C Vidal says:

    Não foi exactamente o texto do Renato que gangrenou o já gangrenado 5dias. Foi a absurda colaboração de Varela nesta casa. Não sei quem a convidou nem porque aqui entrou. Quem o fez agora que se amanhe. De resto frases como “ontem fui à TV…”, “hoje dei uma entrevista à «Máxima»”, “a discussão deixo-a para a academia” (Academia??? A bloguer nem provavelmente uma aula deu, nem sei quantas teses orienta……), “…fui a única que fiz uma tese sobre…” (também eu fui o único português a escrever sobre Caravaggio, o que não faz de mim coisa inteligente!), frases ridículas e momentos ridículos como estes fazem com que esta casa tenha cerca de 40 colaboradores e só três ou quatro posts por dia. Eu saí daqui por vergonha. E tenho pena do futuro desta casa. Não será bom, estou certo.

    • De says:

      Aí num post do Bruno de Carvalho (“Pela estrada fora com Álvaro Cunhal” dou-lhe inteira razão.
      (E num post do Bruno, porque Varela sistematicamente censura o que lhe possa estragar a pose)

    • JP says:

      Ai que falta que o Vidal aqui faz…

    • miguel dias says:

      … folgo em ver-te por aqui….um grande abraço . Mas ó grande Único Português A Escrever Sobre Caravaggio,mas também não te vejo frequente na tua nova casa…e a propósito que é feito do Justiniano?

  7. O Renato não tem razão ao dizer que Cunhal delatou Francisco Martins Rodrigues. Porém, é verdade que o Avante! denunciou a presença em Portugal de dois elementos da FAP que a PIDE presumia no estrangeiro.
    No Avante! (n.º 349, VI série, de Dezembro de 1964), num artigo intitulado «Cuidado com eles», denuncia-se a presença em Portugal de «Manuel Claro e João Pulido Valente, dois renegados pertencentes ao grupelho de Francisco Martins Rodrigues», dizendo que «têm procurado militantes do Partido que conhecem, junto dos quais espalham calúnias contra a linha do Partido e contra a sua Direcção». Como é óbvio, isto alertava a PIDE para a presença no País de dois ‘concorrentes’. Caiu mal junto de alguns militantes do PCP, mas nunca foi objecto de qualquer autocrítica. Nem de Cunhal, nem de qualquer outro dirigente.
    Quanto a outra questão muito polémica, a acusação da fracção que no início dos anos 40 se apodera da direcção do partido, à qual Cunhal acaba por aderir, contra a direcção legítima, de Vasco de Carvalho e Cansado Gonçalves, de que estes seriam «provocadores policiais», só muito mais tarde, em Julho de 1997, Cunhal escreverá preto no branco que essas acusações de provocação feitas à direcção de Vasco de Carvalho eram «falsas» e «gratuitas» (responsabilizando por elas Fogaça e o [seu] documento O Menino da Mata e o seu Cão Piloto):
    «As razões nele invocadas para a necessidade da reorganização são duas. A primeira, a atribuição das prisões sucessivas dos dirigentes desde 1935 a um trabalho de provocação no interior do Partido. A segunda, a conclusão de que os provocadores se deveriam encontrar precisamente nos ou entre os camaradas que na altura constituíam o Secretariado. Eram duas ideias igualmente falsas e mesmo gratuitas. As prisões sucessivas da direcção podiam inteiramente explicar-se pela falta de cuidados conspirativos (…). Nem uma só prova existia e foi então apresentada para considerar provocadores Cansado Gonçalves, Sacavém e Vasco de Carvalho. Tinha havido de facto casos de provocação (Pinto Loureiro e Armindo Gonçalves), desmascarados, porém, não pela reorganização, mas precisamente pelos camaradas que estavam na direcção nos anos 1936-39» (Álvaro Cunhal, Obras Escolhidas. I. 1935-1947. Edições Avante!, Lisboa, 2007, p. 393).

    • proletkult says:

      “à qual Cunhal acaba por aderir, contra a direcção legítima, de Vasco de Carvalho e Cansado Gonçalves”

      Pacheco Pereiradas. Uma “direcção legítima” banida pela Comintern? Uma “direcção legítima” sem qualquer tipo de actividade que conseguisse ressuscitar um PCP cadáver, para a qual essa “direcção legítima” tinha contribuído? Por muito que discorde, e discordo muito, de Cunhal e Fogaça, a verdade é que foram eles quem salvou o PCP (e com ele a oposição consequente ao fascismo) nos anos 40.

      • O Comintern, nesta altura (1936-39), e como se sabe, estava cheio de autoridade. Estava nesse preciso momento empenhadíssimo em liquidar TODOS os dirigentes do CC do PCUS da altura da revolução menos um tal Estaline, nos famosos Processo de Moscovo. Você não podia ter acertado melhor no alvo.

      • proletkult says:

        Independentemente das considerações que queira fazer sobre a Comintern da época, ela era o órgão que tutelava os PC’s. E não expulsava partidos por dá cá aquela palha. Ora essa tal “direcção legítima” de que fala tinha sido expulsa da Comintern e não havia maneira de ver o PCP readmitido sob a égide da “direcção legítima”. Além do mais, o trabalho efectuado pelo PCP (portanto, pela tal direcção) entre 38 e 40 era, vá, fraquinho, mas assim muito inho mesmo. Que “legitimidade” tem uma direcção que não cumpre as suas tarefas, que tinha morto e não deixava ressuscitar um partido? Que alternativa sobrava que não a de ruptura, ainda para mais sendo ela aprovada pela Comintern? Pode sempre dizer que o PC podia fazer o seu caminho à parte. Certo, mas além de ser muito difícil naquelas condições, não sei se algum desses partidos desalinhados com a Comintern nos anos 30 terá chegado aos dias de hoje.

        O pretexto (da questão policial) pode ter sido inexacto. Mas uma coisa parece certa: a acusação que pendia sobre essa direcção tinha sido um dos motivos para a expulsão da Comintern, o que significa que, à época, havia fortes razões para acreditar que a “direcção legítima” tinha sido infiltrada pela PVDE. Portanto, o PCP nunca voltaria ao mapa do movimento comunista enquanto esse grupo não fosse afastado.

        E faz aí uma confusão qualquer. Então era a Comintern que purgava o PCUS?

      • Era como naquela canção de há uns anos «O MPLA é o povo e o povo é o MPLA»: o PCUS era o Comintern e o Comintern era o PCUS.

  8. um anarco-ciclista says:

    Paço:

    1º o Renato não é um “inocente” que se “enganou”, coitadinho! O Renato é um provocador cujas campanhas têm esvaziado o 5 Dias de redactores.

    2º Faz favor de ir consultar as fontes
    « Um aspecto entretanto se deve ainda referir. Há tempos estiveram em Portugal dois desses elementos que, por actividades políticas passadas, não têm uma situação legal. Aplaudindo a sua actividade cisionista, a PIDE podia não estar interessada na sua detenção. Mas poderia também estar interessada em fazê-lo para efeitos de especulação política e para lhes dar um pouco de “autoridade de revolucionários” na sua luta contra o Partido. De qualquer forma, trata-se de pessoas que não tinham uma situação legal e podiam ser presas pelo nosso inimigo. Por isso, primeiro o Secretariado do CC, depois o Comité Central na sua reunião de Janeiro de 1965, consideraram um erro e infracção da orientação traçada anteriormente a publicação no Avante! do nome desses dois inimigos do Partido» (Álvaro Cunhal, «Relatório da actividade do Comité Central ao VI Congresso do PCP»)

    • André Carapinha says:

      O Avante! denunciou, não o Xico Rodrigues, mas a presença em Portugal do Pulido Valente e do Manuel Claro, bem como a cisão que estes três fizeram com o PCP. É consensual que foi este alerta que pôs a PIDE de sobreaviso quanto às actividades deste grupo, ou pelo menos quanto à autonomia do mesmo face ao PCP, o que convenhamos faz toda a diferença. De facto, em Janeiro de 65 o Álvaro Cunhal (que estava exilado e não intervinha directamente na redacção do jornal) critica esta atitude do Avante!, e não existe contradição nenhuma entre estes factos, que são fáceis de entender para quem se der ao trabalho de o fazer sem óculos ideológicos ou messiânicos.

      • xatoo says:

        Denunciou igualmente o Xico Rodrigues, porque a PIDE sabia que ele estava em Paris e assim ficou a saber que a organização tinha entrado em Portugal

  9. Tiago Mota Saraiva says:

    Ricardo, aceitares que está no âmbito do direito de opinião o Renato vir para aqui acusar alguém que já morreu de delação, sem provas e sem factos, apenas para provocar a saída e a purga neste blogue, parece-me bastante ingénuo.
    Mas, como é óbvio, o Renato é o primeiro a ficar muito satisfeito que o faças.

    • Ricardo Ferreira Pinto says:

      Não concordo nada com o Renato, Tiago, como escrevi no post. Por isso é que acho que, por cada posta do Renato a atacar o Alvaro Cunhal, devia haver 3 a defendê-lo. Virar costas e ir embora é a solução mais fácil?

      • JP says:

        Nem mais.
        “Malhamos” no Teixeira e na das pérolas as vezes que forem precisas!

      • Tiago Mota Saraiva says:

        Ricardo, não há nada para discutir nos posts do Renato. Vê o post de hoje, assim que o blogue se afastava da nuvem da purga lá regressa o Renato. Se queres ficar a discutir com o Renato, muito bem. Mais dia menos dia estás a tentar arranjar argumentos para contrariar um post em que o Renato acusa Cunhal de ser pedófilo ou de fazer xixi nas cuecas da revolução. E, como é obvio deixas de postar sobre a realidade das escolas, do ensino, do Crato… Realidades que tu conheces e onde é importante lutares.

      • Ricardo Ferreira Pinto says:

        Não, Tiago, sabes que não sou assim. Disse o que tinha a dizer sobre o assunto, ponto final. Não vou andar a repetir-me. Já estou noutra…
        Penso que já tive oportunidade de te dizer um dia que és o meu farol no 5 Dias. O mais equilibrado, o mais sensato. Abraços para ti.

  10. André Carapinha says:

    O Renato é um provocador; o Renato, para além de provocador, mete os pés pelas mãos uma e outra vez, como voltou a meter agora com a imprecisão factual acerca da delação do Xico Rodrigues. O que acho surpreendente, é como alguns que agora se sentem como virgens ofendidas, agora que se tocou no assunto tabu, o Cunhal, nada tenham dito em situações anteriores, aliás bastante piores quanto à forma, como aquela que terminou com a saída deste blogue dos elementos próximos do BE. Alguns, até, por puro tacticismo, a ele se aliaram nesse joguinho baixo, estando agora a provar o veneno do escorpião. Só provando o que o comentador Anarco-Ciclista escreveu acima:

    “Não deixa, contudo, de ser irónico que trotskistas se sirvam dos mesmos métodos sujos dos seus arqui-inimigos. O que só prova que o “estalinismo”, hoje em dia, é muito mais uma concepção moral da vida e da política, do que propriamente um programa político.”

    Outra coisa, que me parece evidente, é que, ao contrário do que o C.Vidal escreveu acima (movido pelos seus peculiares amores – o Renato – e ódios – a Raquel), não se pode comparar o que escreveu aqui a Raquel Varela, que é do domínio do debate sobre a figura do Álvaro Cunhal, com as provocações baratas do Renato. O que torna tão mais espantoso que tenha sido a intervenção séria, embora discutível, da historiadora, a entornar o caldo de vez, e não os sound-bytes habituais do “jornalista”. Será defeito de uso?

  11. Lúcia Gomes says:

    Ricardo,
    apenas para deixar clara uma coisa. Eu digo exactamente o que quero dizer. E a saída nada teve a ver com um post do Renato. Apesar de ser essa a «vã glória», reservo-me o privilégio (porque o é) de partilhar um espaço de escrita (porque escrevo por gostar e não para ser lida) com pessoas que se respeitam dentro e fora do blogue. Para mim, partilhar este espaço é partilhar parte importante de mim: o pensamento. E esse, é demasiado precioso para ser desperdiçado em poços de egos.
    Longa vida ao 5 dias e ao que por cá se escreve.
    Mas este, não é, definitivamente, o meu sítio.

  12. josé sequeira says:

    Meus caros
    Conheço esta “casa” há bastante tempo embora só recentemente tenha começado a intervir na qualidade de comentador.
    Percebi desde o início que havia diversas matizes de esquerda nos autores e diversas matizes do espectro político entre os comentadores, o que fazia deste espaço um local de troca de opiniões livre e polémico. Isto obviamente sem trazer à liça alguns actos de censura que só ficam mal a quem os pratica.
    Desgosta-me e preocupa-me que as coisas estejam como estão.
    Desgosta-me porque um espaço de discussão só é profícuo se nele estiverem representadas as várias correntes. Preocupa-me porque ressuscita os velhos fantasmas da desunião, das capelinhas, do eu sou mais do que tu, etc…
    Enfim as coisas são como são.
    Cumprimentos para todos.

  13. johnes says:

    Parece que por aqui uns gajos se agridem como por nada…

    http://blasfemias.net/2013/11/12/agora-em-3d/

    Ele é isso?
    E já parecem órfãos daquele astronauta, aviador ou para-quedista, que un jour matin se abalançou, temerariamente, a patrono do aeroporto das Pedras Rubras, como de mil antros, praças e ruas da portuga, de aliança com banqueiros da opus e os aventais da colónia. Ao ponto de hoje nos vermos como escravos, sujeitos a barafunda de negócios mafiosos que os seus herdeiros levaram a efeito, de mão com os seus irmãos socialistas.

    E então esses tolos, perdido o norte e sentido da luta contra os embusteiros que nos roubam, se entretêm em guerra fúteis? Oh, quem nos valha !

  14. Gambino says:

    Iniciar uma guerra entre esquerdas, numa altura em que o país sofre uma ofensiva neo-liberal, por causa de um gajo que morreu há quase uma década, já com mais de 90 anos, e sobre a possibilidade de ele ter bufado alguém nos anos 60 é de uma estupidez atroz.
    Este vosso conflito só serve para provar que aqueles que tencionam combater o neo-liberalismo e impor uma agenda de esquerda têm que começar precisamente por contornar as vossas carcaças putrefactas. As vossas querelas são dignas de um lar de terceira idade.

    Estou a falar tanto dos idólatras como dos iconoclastas.

  15. “Anarco-ciclista”: aceito e agradeço a tua correcção sobre a questão de haver ou não autocrítica em relação à nota publicada no Avante!
    Quanto a o Renato ser um «provocador»: é preciso muito cuidado com essa palavra. É verdade que o Renato tem um estilo, que não é o meu, de quem gosta de provocar discussão e até escândalo. Pode ser que isso afaste gente do 5 Dias, mas também pode ser que atraia leitores (é o que ele acha). Digamos que usa (e às vezes abusa) de um certo sensacionalismo. Eu não gosto. Mas esse é o registo de muitos blogues e também de muita imprensa. Isso não se confunde com o conteúdo que a minha geração, pelo menos, dá à palavra provocador.
    Também eu poderia considerar provocatório, e com muito mais razão, que tu compares o post do Renato com o estalinismo dos anos 30 (e seguintes), que não só caluniou, mas perseguiu, deportou e assassinou muitos milhares de comunistas e outros. Não há comparação possível, por isso vou tomá-lo por um exagero polémico.
    Aliás, há um lado saudável no escândalo que suscitou o post do Renato entre os comunistas aqui do blogue. É que há uns anos atrás, a acusação de que Cunhal ou o PCP teriam denunciado publicamente rivais políticos como os da FAP não teria causado esta comoção generalizada: afinal, ajudar a que prendessem ou limpassem o sebo a «provocadores», que «se identificavam com o inimigo» (termos usados na nota do Avante! citada por mim) era, para muitos, trigo limpo farinha Amparo. Hoje, felizmente, isso já não é assim. Mas não basta varrer o estalinismo para debaixo do tapete, seria necessário que quem o adoptou durante tantos anos ajustasse contas com ele.

    • Renato says:

      Onde não há questionamento não há detalhes mal explicados, tudo é uma certeza à partida. Mas a moral da história é essa, o AC ainda fez autocrítica do erro, muitos dos seus acólitos não. Sequer, num assomo, chamam o erro pelo nome: delação.

      • Caetano says:

        Deixa-te de tretas, falemos claro, chamaste bufo ao homem dês as voltas que dês agora, isso é grave como já tiveste a oportunidade de verificar, mais grave é por não estares a escrever numa qualquer “rubra” mas num blogue colectivo, plural mas sério.

    • Kirov says:

      É tarefa revolucionária minimizar a importância da verborreia do Renato. O rapaz é isto: http://youtu.be/oO_WWqWhbyc

  16. FilipeBS says:

    Alguém aqui neste blogue pode escrever sobre os avanços civilizacionais que estão a ser conquistados, dia-a-dia, na Venezuela? Obrigado

  17. Pedro says:

    Ler este blog nos últimos dias, ler sobre purgas, traições, provocações, fez-me recuar 50 anos e voltar à infância. Estou agora à espera que comece a transmitir na RTP a TV Rural, a preto e branco. Deu-me uma certa nostalgia. Mas o culto da personalidade não tinha sido já ultrapassado no PCP?

  18. Vítor Dias says:

    Saibam os críticos de Renato Teixeira que no «vias de facto» o ex-ultra-estalinista João Valente de Aguiar acaba de sentenciar que «Curiosamente, em toda a polémica gerada recentemente no 5 dias ninguém ligado ao PCP é teoricamente capaz de responder à crítica do Renato».
    Ou seja, o homem que extinguiu o seu antigo blogue para «branquear» a sua história política pessoal acha que há alguma coisa a discutir com o Renato. Eu acho que não, o essencial já está na retratado no «Radicalismo» e se os mais jovens o quiserem fazer muito bem mas eu já não tenho idade nem paciência para discutir com quem acha que a vontade é tudo e os condicionalismos nada ou que essa coisa da «correlação de forças» é uma doentia invenção dos «reformistas» e por aí fora.

  19. pedro de vasconcelos says:

    Estou com sono…pelo que vou dormir

  20. Caxineiro says:

    foda-se! Ganhem juízo!

    um operário

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  23. João Antómio Cavaco Medeiros says:

    CUNHAL, DEMOCRATA INCOMPREENDIDO

    Não seremos nós, comunistas revolucionários portugueses, a pôr em dúvida o papel de primeiro plano desempenhado por Álvaro Cunhal na luta do povo português contra o fascismo. Ele ganhou merecidamente um enorme prestígio popular pela tenacidade com que se bateu toda a vida contra a reacção e o imperialismo, e isso tornou-se patente na impressionante homenagem em que se transformou o seu funeral.
    Contestamos, porém, a opinião, hoje expressa quase unanimemente, da esquerda à direita, de que Cunhal tenha sido um “marxista-leninista intransigente”, um “comunista no estado puro”, um defensor coerente dos interesses políticos do proletariado. Por três razões, que passarei a expor brevemente.

    Primeira. Na sua luta indómita contra o salazarismo, Álvaro Cunhal guiou-se sempre pela ideia de que à ditadura fascista deveria suceder, com o menor abalo possível, uma democracia burguesa (a que ele chamava “democracia nacional”). Considerava “irrealista” e “aventureira” a perspectiva de um movimento insurreccional de massas, que fizesse da queda do fascismo o início de uma profunda crise social, capaz de abalar até aos alicerces o poder burguês. Por isso mesmo, orientou a actividade do PCP, não na via leninista da independência política do proletariado, em aliança com os camponeses pobres e os povos oprimidos das colónias, mas para a Unidade com a burguesia oposicionista, celebrizada sob a fórmula da “Unidade de todos os portugueses honrados”. Para o conseguir, privou o movimento operário de reivindicações políticas próprias, incutiu no povo uma difusa ideologia democrática unitária, trocou a organização revolucionária dos soldados e marinheiros (que o PCP praticara até 1936) pela atracção dos oficiais democratas, tardou demasiado em lançar a luta contra as guerras coloniais, etc.
    Esta abdicação do objectivo revolucionário e esta inversão das alianças teve, sem dúvida, a sua parte de responsabilidade na longa vida do fascismo português – quase meio século! – e isto porque a massa esmagadora dos pobres da cidade e do campo permaneceu à margem da luta de classe, enquanto o aliado preferencial do PCP, a burguesia democrática, tinha mais medo do povo e dos comunistas do que do fascismo. Assim, o “levantamento nacional” prometido por Cunhal veio a materializar-se no 25 de Abril de 1974 por um golpe de oficiais do exército, obrigados a agir pela iminência de uma derrota nas guerras africanas. O poder passou directamente do aparelho fascista para o MFA (Movimento das Forças Armadas), apostado em conter as aspirações das massas através de uma tutela paternalista.
    Os trabalhadores aproveitaram porém a liberdade política enfim conquistada para lançar uma escalada de reivindicações que iam muito para além do programa do MFA: ocuparam empresas, terras e casas, expulsaram patrões, exigiram o regresso das tropas coloniais, o castigo dos torturadores fascistas, etc. Abriu-se em Portugal uma crise de poder. Nessa nova situação carregada de possibilidades revolucionárias, Álvaro Cunhal, ao mesmo tempo que enaltecia o movimento popular, endeusava sem descanso a “aliança Povo-MFA”, ou seja, a subordinação do movimento popular ao Exército, e mobilizava o PCP para a luta contra o “esquerdismo” e o “aventureirismo”. Como seria de prever, este jogo duplo não evitou que os oficiais “patriotas”, pressionados pela burguesia e pelo imperialismo, entrassem em concessões sucessivas à direita e acabassem por abraçar a “reposição da ordem” no Verão de 1975. O movimento popular, politicamente desarmado, foi traído no golpe de 25 de Novembro desse ano, perdeu as suas conquistas sem resistência séria e entrou numa crise de que ainda não se recompôs.
    Assim, a política seguida por A. Cunhal, fossem quais fossem as suas convicções subjectivas, conduziu o movimento operário a ser utilizado como peão na transição do fascismo para a democracia burguesa, desperdiçando uma ocasião única para arrancar conquistas duradouras e completar a sua educação revolucionária.

    Segunda. Cunhal manteve o PCP inabalavelmente ligado à URSS, opondo-se à capitulação da quase totalidade dos partidos comunistas europeus que nas últimas décadas abraçaram a via do chamado “eurocomunismo”, ou seja, da passagem para o campo social-democrata. Isto abona o seu sentimento anti-imperialista, mas de modo algum demonstra coerência revolucionária. De facto, para ele, a “fidelidade ao leninismo” consistia em apoiar em todas as circunstâncias o poder de Estado da União Soviética, como “herdeiro legítimo” da revolução de Outubro, sem querer saber das tremendas transformações que aí vinham ocorrendo.
    Para ele, a substituição do poder dos sovietes pelo poder dos aparatchiks, a onda de terror dos anos 30, a burocratização sufocante de toda a vida política, social e intelectual, a dogmatização do marxismo, não punham em causa a natureza “socialista” da URSS. Uma vez que a URSS tinha uma economia estatizada, se opunha ao imperialismo e apoiava os movimentos de libertação – aliás, de forma cada vez mais dúplice a partir de 1956 –, o facto de o proletariado russo ter perdido o poder que conquistara na revolução de 1917 era-lhe indiferente.
    Nos últimos tempos, tentando tardiamente desligar-se do afundamento do “campo socialista”, Cunhal argumentou que “sempre tivera reservas” a alguns dos seus aspectos. A verdade é que aplaudiu publicamente todas as inflexões da política soviética, desde a invasão da Checoslováquia à campanha contra a China de Mao e à invasão do Afeganistão, sujeitando-se mesmo a desempenhar o papel de emissário do governo de Moscovo junto dos satélites recalcitrantes.
    Ele não foi, como tantos outros militantes, simplesmente iludido pela degeneração da União Soviética, que então se apresentava como a única alternativa à barbárie imperialista; propagandeou um “socialismo” sem luta de classes e sem ditadura do proletariado, envenenando com isso a consciência do proletariado português.

    Terceira. Cunhal teve o grande mérito de construir, à frente de uma plêiade de militantes, um partido firme e disciplinado, capaz de resistir à perseguição implacável da ditadura. Mas o PCP, concebido como instrumento da “Unidade nacional” antifascista e não como vanguarda revolucionária do proletariado, foi adquirindo ao longo dos anos as taras do que Lenine chamava um “partido pequeno-burguês para operários”: medo à iniciativa das massas, controleirismo rotulado de “centralismo democrático”, estreiteza ideológica, esterilização da vida interna, dogmatismo.
    Obcecado em evitar a todo o custo o confronto de opiniões e as lutas internas, Cunhal alimentou nos militantes um activismo cego, terreno ideal para a lenta ocupação do partido pela ideologia burguesa e fonte de onde vêm brotando em catadupa sucessivas dissidências social-democratas.
    Tendo renunciado de vez a uma política de aliança revolucionária dos oprimidos, o PCP procura, hoje como há 50 anos, ganhar as boas graças de sectores democráticos da burguesia para construir uma “democracia avançada” – objectivo mais do que nunca utópico, porque ultrapassado pela marcha da luta de classes em Portugal. Daí, e apesar da influência popular de que ainda dispõe, a sua degeneração reformista e o seu declínio irreversível. Após décadas de “cunhalismo”, o proletariado português está confrontado com a necessidade de construir de raiz o seu partido comunista, à margem do PCP, partido do passado, não do futuro.

    Na hora em que todos reverenciam o dirigente desaparecido, fazemos questão em sublinhar aquilo que o distanciou do proletariado. A ilusão na colaboração de classes tem sem dúvida raízes profundas no proletariado português; mas Álvaro Cunhal, com a sua patética “Unidade nacional” e a sua imaginária “revolução democrática e nacional” operário-burguesa, sufocou o espírito revolucionário de classe, causou sérias derrotas ao movimento operário e retardou de várias décadas a sua emancipação política. É mais que tempo de os proletários tomarem consciência de que o “cunhalismo” deve ser rejeitado porque impede a luta contra a burguesia em todas as frentes – política, económica, ideológica –, luta sem a qual não existe aproximação ao socialismo.

    Publicado em Abrente, nº 37,
    órgão da partido comunista galego Primeira Linha

    • proletkult says:

      Há que anos não lia este texto. O original foi publicado na Política Operária, ainda tenho esse (e outros) números algures por aí.

      Havia um outro artigo, do Martins Rodrigues também, muito bom sobre o PREC, que depois veio a ser publicado num livro em galego intitulado “O Comunismo que aí vem”, que era uma compilação de artigos de Francisco Martins Rodrigues sobre vários temas.

  24. João Antómio Cavaco Medeiros says:

    Subscrevo as afirmações de António PaçoO Renato não tem razão ao dizer que Cunhal delatou Francisco Martins Rodrigues. Porém, é verdade que o Avante! denunciou a presença em Portugal de dois elementos da FAP que a PIDE presumia no estrangeiro.
    No Avante! (n.º 349, VI série, de Dezembro de 1964), num artigo intitulado «Cuidado com eles», denuncia-se a presença em Portugal de «Manuel Claro e João Pulido Valente, dois renegados pertencentes ao grupelho de Francisco Martins Rodrigues», dizendo que «têm procurado militantes do Partido que conhecem, junto dos quais espalham calúnias contra a linha do Partido e contra a sua Direcção». Como é óbvio, isto alertava a PIDE para a presença no País de dois ‘concorrentes’. Caiu mal junto de alguns militantes do PCP, mas nunca foi objecto de qualquer autocrítica. Nem de Cunhal, nem de qualquer outro dirigente.
    Quanto a outra questão muito polémica, a acusação da fracção que no início dos anos 40 se apodera da direcção do partido, à qual Cunhal acaba por aderir, contra a direcção legítima, de Vasco de Carvalho e Cansado Gonçalves, de que estes seriam «provocadores policiais», só muito mais tarde, em Julho de 1997, Cunhal escreverá preto no branco que essas acusações de provocação feitas à direcção de Vasco de Carvalho eram «falsas» e «gratuitas» (responsabilizando por elas Fogaça e o [seu] documento O Menino da Mata e o seu Cão Piloto):
    «As razões nele invocadas para a necessidade da reorganização são duas. A primeira, a atribuição das prisões sucessivas dos dirigentes desde 1935 a um trabalho de provocação no interior do Partido. A segunda, a conclusão de que os provocadores se deveriam encontrar precisamente nos ou entre os camaradas que na altura constituíam o Secretariado. Eram duas ideias igualmente falsas e mesmo gratuitas. As prisões sucessivas da direcção podiam inteiramente explicar-se pela falta de cuidados conspirativos (…). Nem uma só prova existia e foi então apresentada para considerar provocadores Cansado Gonçalves, Sacavém e Vasco de Carvalho. Tinha havido de facto casos de provocação (Pinto Loureiro e Armindo Gonçalves), desmascarados, porém, não pela reorganização, mas precisamente pelos camaradas que estavam na direcção nos anos 1936-39» (Álvaro Cunhal, Obras Escolhidas. I. 1935-1947. Edições Avante!, Lisboa, 2007, p. 393).

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