Leon Trotsky

Hoje é dia do aniversário de Leon Trotsky. Para leitores exigentes, revolucionários sérios, marxistas sem dogmatismos, e, sobretudo, gente que não vive à custa (sombra) do Partido.

«É em seu estudo da Revolução Russa e na teoria da revolução permanente, é em sua crítica da burocracia soviética, é em sua análise do fascismo e da frente popular que é possível encontrar a  originalidade do pensamento de Trotsky. Uma concepção aberta do marxismo, que se recusava a tratá-lo de modo dogmático era professada por Trotsky, para quem “o marxismo é acima de tudo um método de análise – não de análise de textos e sim das relações sociais.»

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5 Responses to Leon Trotsky

  1. Nuno Rodrigues says:

    Opiniões diferentes não são dogmas. Torna-se dogmático é a censura do pensamento diferente. Eu não vivo á sombra de ninguém. Mas se vivesse, preferia viver á sombra de um partido que é meu, do que á sombra de um mito de ninguém.

  2. proletkult says:

    As críticas de Trotsky a Stalin e ao centrismo ideológico do núcleo dirigente do PCUS, a denúncia da burocratização do aparelho de estado, a coragem com que expôs as falsificações e montagens contra si dirigidas, a história da “manteiga teórica” etc, são méritos de Trotsky. Se hoje nos é possível fazer uma crítica de esquerda a certos aspectos do período de Stalin, parte disso deve-se a Trotsky. Mas fica por aqui.
    No geral da sua carreira, o comportamento político de Trotsky é difícil de analisar sem ter que recorrer, por vezes, a manuais de psiquiatria. Um exemplo disso está, precisamente, na aplicação da sua teoria da “revolução permanente”. Sendo, porque o era, mais avançada e mais ousada em 1904 do que o “etapismo” de Lenine nessa fase, é-me de todo incompreensível porque razão Trotsky batalhou contra a formação do partido centralizado de vanguarda proletária, preferindo aliar-se aos mencheviques durante…13 anos (!), lutando, de todas formas, contra os Bolcheviques, até 1917. Mas se Trotsky tinha, em 1904, algum avanço político em relação aos Bolcheviques, perde-o na revolução de 1905. O Soviete de Petrogrado, que ele dirigia, fica parado enquanto o de Moscovo, liderado pelos Bolcheviques, dá o mote para a insurreição, dirigindo a greve geral. É também nesta fase que Lenine ultrapassa ideologicamente Trotsky, com a publicação das Teses de Abril, como o próprio Trotsky virá mais tarde, já com Lenine morto, a reconhecer (se bem me lembro, o cerne desta auto-crítica estava no papel do campesinato na revolução de 1905). Contudo, posteriormente ainda, Trotsky dá uma volta bizarra e vem novamente criticar as Teses de Abril, oscilando ele próprio nas suas posições. Donde, a meu ver, se conclui que a “revolução permanente” não passa de um logro liberal com capa ultra-esquerdista e que, por si, nunca aproximou Trotsky do marxismo revolucionário, antes pelo contrário.

    Também no pós-1917 o comportamento político de Trotsky é duvidoso. A começar pela célebre “questão sindical”. Para quem, mais tarde e com toda a justeza, virá clamar contra a burocratização do estado e do partido, as suas propostas para a “militarização do trabalho” em 1920-21 não fazem grande currículo. Também as suas alianças políticas, quase leiloando a sua figura, são de uma bizarria clínica. Conseguiu a proeza de aliar-se ao social-fascista Bukharin e a Karl Radek, ao mesmo tempo. A despeito de ter estado certo em vários assuntos (revolução Chinesa, processos revolucionários europeus etc), o seu comportamento era cada vez mais oscilante. As suas alianças, sobretudo a tal “oposição unida” (mas pela direita) comprovam-no. Além do mais, a sua mania de distorcer os factos de 1917, dando a si um papel imerecido (como Nadezhda Krupskaya referiu) não abonam em seu favor. Para finalizar, Trotsky, já no exílio, nunca conseguiu (nem ele, nem ninguém) apresentar uma alternativa de esquerda ao “stalinismo” e à forma como Staline conduziu o Estado Soviético na saída da NEP, no fim dos anos 20. E se não celebrou o sucesso do I Plano Quinquenal e da manutenção de uma ordem pelo menos não-burguesa e não-liberal depois da borrada da NEP, devia.

    • Raquel Varela says:

      Está enganado, é Lenine quem reconhece que as Teses de Abril se inspiraram nas Teses da Revolução Permanente.

      • proletkult says:

        Não conheço nenhuma declaração de Lenine nesse sentido, o que não invalida o que diz. É justo afirmar que em 1904 a Revolução Permanente era uma tese mais avançada, já referia a necessidade da ditadura do proletariado etc. Mas Lenine e os Bolcheviques também falavam já nessa necessidade, a questão aqui é que estavam ainda presos a um “etapismo” titubeante, que poderá (ou não) ter sido uma das causas da derrota da revolução de 1905. Ou seja, na minha opinião as Teses de Abril não seriam tanto uma “continuação” ou “aperfeiçoamento” das teses de Trotsky mas antes um passo em frente no próprio “etapismo” Bolchevique de antes da revolução de 1905. No fundo, duas teses paralelas.

        De qualquer forma, o facto de Trosky ter sido inimigo dos Bolcheviques durante tantos anos é um indicador de que a Revolução Permanente não era tão clarividente quanto isso.

  3. Fernanda Queirós says:

    ora muito bem, cara Raquel! discordo com sua tese de portugueses corajosos, sem medo…mas aprecio esta versão mais trotskysta da análise, abraços (fernanda queirós)

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