As Revoluções «inevitáveis»

O UBS escolheu o dia 7 de Novembro de 2013 para publicar o Relatório da Riqueza no Mundo. Não me espanta o que lá está. Os ricos estão mais ricos e os pobres muito mais pobres. No mundo e em Portugal. 870 milionários portugueses têm 75 mil milhões de euros, o equivalente a mais de 1/3 de toda a riqueza nacional anual produzida pelo conjunto dos portugueses.

Não me surpreendeu o relatório. Quando se corta de um lado é porque o outro ficou maior. O desemprego não cai do céu, é uma política propositada para baixar salários a todos, intensificando a jornada de trabalho de quem ficou a trabalhar, que fica a trabalhar por 2 ou 3. Portugal não produz menos nem é um país de parasitas. Produz e, se na produção caem os salários, é porque do outro lado subiram os juros, lucros e rendas. Não sou eu que o digo, é o UBS, União de Bancos Suiços.

O que me surpreende são os comentários, de pessoas responsáveis que conhecem a economia, de que este Governo é «incompetente», a «austeridade não está a resultar», as previsões «falharam». Nada falhou nesta política do ponto de vista de quem ganhou até agora. Ela é aliás muito bem sucedida – há mais milionários em Portugal e os milionários têm mais.

Falhou claro, até agora, a resistência. Não acredito que por muito mais tempo. Porque há limites objectivos à tolerância dos «de baixo» que quando derrubam os «de cima» deitam para o caixote de lixo da história o senso comum, o velho senso comum que diz que os portugueses são «brandos, não saem do sofá, são acomodados». Descobre-se então um outro senso: o bom senso de quem já não suporta o terrorismo laboral e a inércia e, às vezes, o bloqueio mesmo, daquilo que deveria ser a oposição.

Hoje é o dia da revolução russa de 1917, 7 de Novembro. Não sei se foi intenção do UBS, humor suiço quem sabe, ou mero acaso. Sei que quem teve oportunidade de aprender sobre economia sabe que esta política faz milionários. Quem sabe de história sabe que este rumo faz revoluções. Quer gostem ou não.

«Um relatório do banco suíço UBS conclui que em Portugal há mais 85 milionários – indivíduos com fortunas superiores a 30 milhões de dólares (perto de 22,4 milhões de euros) – que em 2012.

Segundo o “Relatório de Ultra Riqueza no Mundo 2013”, este aumento significa que os 870 milionários portugueses detêm, em conjunto, 100 mil milhões de dólares (75 mil milhões de euros), o que representa um aumento 11,1% em relação a 2012.

Na Grécia, outro país intervencionado pela troika, o aumento da fortuna dos mais ricos foi de 20%, passando de 50 para 60 mil milhões de dólares, enquanto o número de multimilionários passou de 455 para 505». Jornal Público, 7 de Novembro de 1917.

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10 Responses to As Revoluções «inevitáveis»

  1. Reblogged this on 25 Abril, Sempre! and commented:
    claro como a água!

  2. Carlos Gois says:

    A crise faz muita gente rica. É o tal período de oportunidade como muitos apregoam.
    Temo que com salários de 500€ e com a precaridade existente muitas mulheres vão adiar ser mãe com todas as implicações que isso tem…é triste.

  3. m. says:

    (1) Não são as crises financeiras que aumentam os milionários para provocar as guerras?
    Não são as guerras que aumentam os milionários através da indústria do armamento e que, depois, financiam a reconstrução dos países?

    (2) Desculpe a ironia:
    Ricardo Salgado(BES) que ia(não sei se ainda vai) ao «Zé das Medalhas», se ler este texto, vai mas é ao «Zé das Metralhas» e adianta-se para o «Zé das Obras de Reconstrução»…

    (3) O que se anda a passar neste país não é justo e não pode passar impune. Os mais velhos terão de prestar contas aos mais novos do que fizeram em termos de resistência durante esta altura. A nossa geração será julgada pelos nossos filhos e com toda a razão.

  4. JgMenos says:

    O rico só deixa de engordar em duas circi«unstâncias: arrisca e perde ou é roubado.
    Assustem-no e ele não arrisca e consequentemente engorda.
    Se o roubam, ou alguém fica rico, ou distribuem e lá se vai a riqueza.
    Quem me fornece uma análise marxista que me ilumine?

    • JgMenos,
      É preciso esclarecer que a análise marxista não procura explicar porque é que (ou como é que) «o rico deixa de engordar».
      A análise marxista procura explicar – e até explica – como é que o «rico engorda».
      Nesse sentido não é fácil (possível?…) dar-lhe a luz que parece procurar…

  5. O que é espantoso é que alguém se espante…

  6. Pingback: Pedro Passos Coelho está de parabéns – Aventar

  7. Pedro Pinheiro says:

    Parabéns, RAQUEL vARELA
    “O fascismo aliado ao darwinismo social numa espécie de sadismo freudiano, é a pior forma de governo conhecida”
    Não, não é Winston Churchill

  8. Don Luka says:

    Parece que 1% dos americanos USA detêm 22% da riqueza do país. Eis uma expressão da miséria.

    Por que tens necessidade de confabular? Pelo que dizes, parece que o desemprego não passa de um estratagema para baixar salários. Antes fosse, era sinal de que um controlo fino do vector economia/sociedade era possível.

    Mas não me parece. Pelo contrário, o desemprego é um puro efeito da falta de controlo. Os bêbedos de ganância e poder simplesmente estamparam os carros dos papás contra a multidão. Alguns ficaram sem carro. Aos outros, o seguro vai pagando.

    Tomar a direita bolorenta por idiota é um erro crasso. O desemprego é algo que não lhes interessa para nada; só aumenta o risco de que lhes entrem no pátio e lhes peguem fogo aos ferraris. É claro que há sempre oportunistas (na paz, como na guerra). Mas é abusivo identificá-los com ideologias. A única ideologia que eles consideram é a do próprio umbigo.

  9. « war on the poor » says:

    O Relatório da Riqueza no Mundo = «Relatório da Guerra aos Pobres» (o exemplo dos EUA, 1ª economia e potência mundial).
    http://www.nytimes.com/2013/11/08/us/cut-in-food-stamps-forces-hard-choices-on-poor.html?pagewanted=all&src=ISMR_AP_LO_MST_FB

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