Nome do Réu: Pobre do Bairro

Um camarada meu, assistente social no Lagarteiro, teve certa vez uma reunião com o vereador da Câmara Municipal do Porto responsável pelo pelouro da habitação social. Fez-lhe saber que era exigência dos moradores do bairro que a câmara, cuja única intervenção nos edifícios tinha sido, até aí e até hoje, ao nível das fachadas,  se dispusesse a fazer obras dentro dos blocos (e dos fogos) na observância dos seus deveres enquanto senhorio e considerando a situação de carência económica dos arrendatários. A resposta que recebeu foi esclarecedora a múltiplos títulos: «ó doutor, sabe tão bem como eu essa gente quanto mais luxo tem mais estraga!».

Este episódio é emblemático de uma concepção que, das demolições do Aleixo e do S. João de Deus passando pelo regulamento da habitação social do Porto (do qual constam disposições como a possibilidade de mudança de um bairro para outro, na ponta oposta da cidade, em caso de redução dos habitantes do fogo; a possibilidade de despejo por utilização do fogo «para fins contrários aos bons costumes»; a denegação do direito à habitação em bairros sociais da cidade, para o despejado e os seus familiares (!) em caso de despejo, etc.), tem sido a da gestão camarária de extrema-direita que o Porto teve nos últimos 12 anos. Gestão que se pauta pela presunção de que, até prova em contrário, os moradores dos bairros camarários têm sempre culpa de alguma coisa – e se não tiverem eles, como na fábula do cordeiro e do lobo, têm os pais ou os tios -, e de que o seu tratamento, em lógica de «para quem é bacalhau basta», é similar ao que se dispensa aos animais de quinta: são arrebanhados, levados para onde a câmara entende sem que se lhes pergunte nada, alojados no que de mais parecido se consiga encontrar com pocilgas e enxovias, e, quando se mostram demasiado recalcitrantes, dado que são propensos a cometer crimes desde o momento em que receberam a chave de uma habitação social (tais são os poderes da magia negra municipal…), são «disciplinados» com casse-tête de polícia, à falta de báculo de pastor.

Desta feita, para variar, não foi a câmara a servir-se deste «educativo» expediente, mas sim a EDP. Com mais de dez polícias atrás e televisão a cobrir a iniciativa, bloco a bloco, em cada um dos treze blocos do bairro (com quatrocentos e quarenta e seis fogos e centenas, se não milhares de habitantes) a empresa cortou a luz e levou os contadores. Velhos ficaram sem luz. Deficientes físicos ficaram sem luz. Miúdos ficaram sem luz. Gente que recebe apoios sociais de valores irrisórios foi instada ao pagamento, imediato e sem negociação, de 500 euros para ter a electricidade reposta. Há capitalistas que se «esquecem» de declarar rendimentos, e passam impunes. Há ministros que cometem «imprecisões factuais» quanto a acções que detiveram, e ninguém os molesta. Há banqueiros que cometem crimes de magnitude impensável e se passeiam pelas praias de Cabo Verde, sem que lhes peçam contas. Há até um Presidente da República que exerce placidamente funções quando se lhe conhecem pelo menos dois casos de fortíssimo indício de tráfico de influências. Mas é fácil, e colhe aplauso geral, pôr às escuras um bairro de pobres, malandros, que se vestem mal, trocam v’s por b’s, e vivem, esses madraços, do RSI, com que se empanturram de bolos nos cafés.

A mesma EDP que moveu esta operação, classificada como «pior que uma rusga» pelo presidente da Associação de Moradores do Lagarteiro, tem ainda o descaramento de justificar o seu procedimento como desenvolvido no âmbito da luta contra a fraude e o não-pagamento. A mesma EDP que usufrui de rendas excessivas sente-se, aparentemente, habilitada a falar em «fraudes». A mesma EDP que se indigna contra a mera possibilidade de pagar impostos sobre essas mesmas rendas, ao que parece, julga-se no direito de falar em «não-pagamento». Há realmente uma desfaçatez curiosa aqui. Desfaçatez cuja dimensão só se equipara à da cobardia de uma polícia que destaca mais de dez agentes para ir acautelar o apagão de um bairro de pobres e não envia um só homem a prender os criminosos engravatados dos conselhos de administração das inúmeras EDPs que para aí andam.

Está convocada uma concentração para amanhã (dia 1 de Novembro) pelas 13h, junto da EDP da Boavista (ao lado da Casa da Música). Um grupo de cidadãos pretende protestar contra este apagão movido pela EDP sobre gente sem posses, com a qual não buscou negociar, não procurou acordos, moveu, pura e dura, a sua força, a força de quem manda. A adesão de todos é fundamental contra esta prepotência.

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67 Responses to Nome do Réu: Pobre do Bairro

  1. De says:

    Na mouche.

  2. JgMenos says:

    Post que só não é ridículo porque é trágico.
    Trágico porque há gente que sofre porque há uns idiotas que há anos lhes dizem que têm direito a almoços grátis, porque sim!
    Que têm direito a viver à custa do Estado, porque há quem viva melhor, e essa é uma injustiça que compete ao Estado compensar!
    Que têm direito a ser porcos e sujos e vigaristas, porque são esses os direitos que precrevem para os coitadinhos que ilustram as suas crenças!
    Cambada de cretinos! Caridosos de merda!

    • João Vilela says:

      Eu adoro a expressão «viver à custa do Estado». Se «viver à custa» é receber 189 euros por mês, diga-me o JgMenos onde faz compras. Eu nunca me alimentaria um mês, nem ninguém que eu conheça, com esse valor, que é o do RSI mínimo (o de uma pessoa só: o máximo, o de um casal com pelo menos quatro filhos, são 600 euros – alimentava seis ou mais pessoas por mês com esse valor, também?). Sobre o «direito de serem porcos e sujos e vigaristas», está a falar, notoriamente, da sua família.

      • JgMenos says:

        Essa de chamar a família não lhe fica bem; mas compreendo que se exalte pela sua sentida caridadezinha só ultrapassada pela sua ignorância do tudo o que não seja concorde com os seus preconceitos. Dizem-me que o sentimentalismo é a fase final do materialismo dialéctico – paciência!

      • João Vilela says:

        Chamar aos habitantes «sujos porcos e vigaristas» não lhe fica melhor. E por aqui, já devia saber, não diz alarvidades impunemente.

    • joao says:

      Que estranho: quando alguém recebem 200 euros do Estado o povo trabalhador revolta-se e grita, quando alguém rouba milhões ao Estado o povo trabalhador vota nele…

    • De says:

      “não há almoços grátis” é uma frase paradigmática atribuída ao amigo de Pinochet, um conhecido criminoso neoliberal de nome Milton friedman.
      Curiosamente utilizado por um dos mais cretinos e fundamentalistas “economistas” da nossa praça, que mistura as suas teses económicas ao serviço dos mercados com a mais desbragada e pegajosa beatice. Ou seja, junta na mesma cartilha o maior desprezo pela dignidade humana e os mais retrógrados postulados religiosos tipicos dos tempos dum pio XII.
      A escolha da frase por Menos não é desprovida de significado.
      A linguagem espelha não só o seu mister, como também o desnorte perante este texto de João Vilela, sobretudo no seu terceiro parágrafo quando e cito”Há capitalistas que se «esquecem» de declarar rendimentos, e passam impunes. Há ministros que cometem «imprecisões factuais» quanto a acções que detiveram, e ninguém os molesta. Há banqueiros que cometem crimes de magnitude impensável e se passeiam pelas praias de Cabo Verde, sem que lhes peçam contas. Há até um Presidente da República que exerce placidamente funções quando se lhe conhecem pelo menos dois casos de fortíssimo indício de tráfico de influências”.
      Para estes os “almoços podem (e devem) ser grátis.

      Simplesmente repugnante

  3. Carlos Guedes says:

    Muito bom! Bravo!

  4. Rocha says:

    É no bairro do lagarteiro que um dia destes vai começar uma revolução. Já estive lá algumas vezes e dá para ver que é daqueles sítios em que a pachorra dos pobres está mais para lá do limite crítico.

    • João Vilela says:

      É dos bairros que a revolução virá, sem dúvida.

    • A says:

      Não percebes nada disto. dos bairros nunca virá nada. no momento da verdade, a bófia aperta com eles. os mais influentes estão sob alçada judicial -ameaça-se com o fim da liberdade condicional ou com um ou outro delito que os atire para a choldra por mais uns anos. os outros ameaça-se com a perda da casa e de RSI e eles metem o rabo entre as pernas. o pessoal dos bairros depende diretamente dos seus carrascos. dali nada vem a menos que haja uma organização que os libere do jugo.

      falo com conhecimento de causa porque estive envolvido numa experiência num bairro. quando aquilo começou a ameaçar os poderes instituídos, as autoridades arranjaram maneira de virar uns quantos.

      outros exemplos há que o pessoal dos bairros, pelas mesmas razões que aponto acima, foram “recrutados” pela bófia para manter a “ordem” – leia-se para ninguém levantar garoupa aquando da visita do chefe dao bando – presidente da república.

  5. Nuno Cardoso da Silva says:

    Talvez se pudesse entretanto ensinar aos moradores do Lagarteiro como se pode ter electricidade sem contadores… Os habitantes do antigo e famigerado bairro da Quinta do Mocho, em Lisboa, sabiam muito bem fazê-lo…

  6. josé sequeira says:

    Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Porque raio uns têm que de pagar tudo e mais alguma coisa e os outros nada?
    A revolução um dia vai começar no seio dos do “meio”, aqueles que são obrigados a pagar para que os “pobres” e os “ricos” vivam bem. Sim meu amigo porque nesses bairros não há dinheiro para a electricidade mas há para bons carros, bom consumo nas cervejarias, tabaco e droga. É evidente que depois os filhos passam mal, A chamada classe média é obrigada a redefinir prioridades para pagar a todos os outros.
    No dia em que essa revolução da classe média vier, é obvio que é no sentido de uma ditadura de direita. Agora já percebem a génese de Salazar?

    • João Vilela says:

      Sequeira, vá dar uuma volta pelo Lagarteiro. Fale do que sabe.

      • josé sequeira says:

        Um dia os que vierem a seguir a nós vão ter a coragem, filha da necessidade, de implodirem com todos os “bairros sociais” da democracia pós-25 de Abril e voltar ao modelo da ditadura, em que os realojados conviviam com outros habitantes das classes médias, dispersando-os dos bairros degradados de origem, e fazendo com que, numa ou duas gerações a integração fosse total. Está provado que os guetos em que esses novos bairros se transformaram não resulta. São bairros problemáticos, com pessoas problemáticas, escolas problemáticas. As próprias crianças já nascem com o estigma de problemáticas. Esse é que é o debate que faz falta.

      • João Vilela says:

        Engraçado. Eu a julgar que os bairros sociais do Porto, como diz a câmara e as placas às entradas de todos eles, foram feitos nos anos 50 e 60…

      • josé sequeira says:

        João, não é o caso do Lagarteiro. O bairro inicial é um produto do marcelismo (inicio dos anos 70), embora ainda com uma estrutura decalcada dos bairros mais antigos, mas já com algum tipo de concentração populacional negativo. A influência de algum tipo de ideias de separação social que grassavam pela Europa já se fazia sentir. Depois, já em democracia, no final da década de 70, foi aumentado já com o formato definitivo de guetto social. Como vivi todos esses tempos distingo a ditadura de Salazar da “Primavera” de Caetano. Refiro-me portanto a bairros sociais dos anos 40 e 50 que, esses sim, tinham um modelo de integração das diversas classes sociais em que os situados um pouco acima na estrutura social acabavam por “obrigar” os mais desfavorecidos (pelo menos as gerações seguintes) a subirem na escala. Além disso, ao contrário do que se passou a partir de 74, o regime mantinha uma espécie de fiscalização colectiva que impedia os estragos, a utilização indevida das habitações, etc. Estou convencido que as gerações que nos seguirem vão voltar a esse modelo. Já estamos a uma distância conveniente para podermos aceitar que nem tudo o que foi feito na ditadura foi mal feito, nem tudo o que foi feito pós-revolução foi bem feito.
        Cumprimentos.

      • João Vilela says:

        Os bairros anteriores ao modelo dos anos 50/70 foram as Casas Eocnómicas a renda solúvel, cujo preço era incomportável para a população pobre do Porto (então enfiada nas ilhas e nas sub-alugas). Só com os anos 50/70 se começam a inventar os bairros (entre eles o Lagarteiro, que foi inaugurado em 1972), no caso do Porto por força da absoluta indiferença relativamente à questão por parte do Estado central – quer de Salazar, quer de Caetano -, por iniciativa camarária, com a configuração actual, e (salvo nos casos inteiramente fortuitos do Bom Sucesso e do bairro Fernão Magalhães) no extremo oposto da cidade, em regime de quase-deportação, forçando deslocações de milhares de pessoas da Sé, da Ribeira, do casco velho, para Campanhã, Paranhos, Ramalde. É nisto que se resume a política habitacional do fascismo: ou casinhas portuguesas a preços que nenhuma família pobre podia custear, ou os mesmos blocos de bairro social hoje existentes.

        O PREC tentou, durante dois anos, garantir alojamento barato e de construção rápida (é conveninente lembrar que, tal tinha sido a eficácia do fascismo em matéria de habitação social, proliferavam as ilhas no Porto e os bairros de barracas em Lisboa), devolvendo as populações ao centro da cidade. O exemplo acabado disso é o chamado «bairro do Siza», construído perto de onde está hoje a estação de metro da Lapa: um bairro arquitectonicamente muito bonito, mas de construção rápida, barata, e numa zona central da cidade. Este projecto, o SAAL, que entre 1974 e 1975 edificou 11% das habitações que se fizeram de 1970 a 1980, foi em 1976 encerrado por Mário Soares, alegando «má gestão dos fundos» (que nunca fez apurar em inquérito) e «insuficiente qualidade técnica dos projectos» (quando nomes como Siza Vieira, Alexandre Alves Costa, e o essencial da escola do Porto de arquitectura estavam envolvidos nele). Ou seja, se nalgum momento se quis fazer uma política de habitação social séria e nas condições possíveis para alojar massivamente (e não apenas o funcionalismo e a pequena burguesia) foi no PREC.

    • notrivia says:

      Já nem tou nesta de mandar bitaites em blogues, mas as vezes a náusea despoletada não permite evitar um regurgitar…
      Então toma lá um presente audiovisual , ó preocupado com a classe média:

      O primeiro foi para aquecer, o a seguir é que é mesmo para abrir as válvulas:

      Se não souberes inglês, pede a um colega da ‘classe’ que faça a tradução.
      Certamente alguns da ‘classe’ terão capacidade para tal.
      Do meio só virá a apatia.
      Salazar, Hitler, etc. só surfaram essa onda.
      A classe média no contexto em questão, é o maior sector social e será sempre ‘cultivada’ para o ser, exactamente porque essa apatia é o que permite aos ‘engenheiros sociais’ determinar o ‘pensamento colectivo’.
      Partilho contigo algo que apanhei por aí:
      Manca-te tainha!

  7. Luís Marques says:

    Amigo Sequeira, de revoluções sabe o João Vilela, ele pertence à vanguarda esclarecida, você paga e cala-se.

  8. Livrai-nos Senhor! says:

    Ó sr. João Vilela não conhece ninguem que consiga fazer as compras com 189 por mês? Então os camaradas são todos burgueses? O rendimento médio das pessoas que conheço é 500-700, se as rendas mais baixas são 250, + 100-150 contas, mais 100 para poderem trabalhar não é dificil perceber onde eu quero chegar. Assim não convencem ninguém que não seja burguês universitário. Quanto á edp dou~lhe toda a razão. Há sempre uma franja que por razões várias não consegue levar a vida dentro dos padrões considerados razoaveis e os impostos servem para isso mesmo. Não se põe uma pessoas de muletas a competir com um corredor, por muito que isso custe á burguesia de direita. Se eu nascer sem uma perna ou duas sei que dificilmente vou conseguir trabalhar para a medicação e o estado intervem, parece injusto que quem trabalha e ganhe pouco tenha que pagar mais mas é o preço da estabilidade e justiça social. Agora se o ordenado mínimo é o que é, não sei qual seria um valor justo de Rsi. Em termos de números claro.

  9. Sergio Mota says:

    Quanta arrogância nestes comentários. “Vanguarda esclarecida”, é um curso que se tira? Marques, conhece o Sequeira de algum lado para avaliar os seus conhecimentos ou não? Vilela, não teria sido mais inteligente convidar simplesmente o seu leitor a dar uma volta pelo bairro para avaliar o caso em primeira mão?
    “Fale do que sabe”… peço desculpa pelas pessoas que discordam sim? Lindo estado das coisas e falta de capacidade dialética em que se aponta o dedo a quem tem vistas diferentes.
    “Cale-se”.. belo ‘argumento’, digno de uma criança.
    Esta visão historicista e colectivista da sociedade ainda não criou sangue que chegue?

  10. Gambino says:

    Há outra questão pertinente e que ninguém se lembra de fazer:
    Quem pagou a polícia? Eu?
    Qual o motivo para a polícia participar ou proteger as cobranças coercivas de uma empresa privada?

  11. Luís Marques says:

    Quem pagou a polícia deve ter sido a EDP. Os polícias que estão no Pingo Doce são pagos pela Jerónimo Martins.

    • João Vilela says:

      O polícias deviam era ir à Jerónimo Martins deitar a mão ao Soares dos Santos. Mas nesse ninguém toca.

      • Luís Marques says:

        João Vilela, que crime cometeu o Alexandre Soares dos Santos? Escapar, legalmente, ao esbulho fiscal do governo mais neoliberal de sempre? Tenha dó.

      • De says:

        Um pedido de Luís Marques? Um pouco pueril,não?
        Ao contrário de uma afirmação nada ingénua de um também Luís Marques, que dizia, feito vanguarda esclarecida do portas que, e cito, ” acho que os desempregados se vão levantar contra os privilégios dos funcionários públicos contratados até 2008.”

        Todo um programa esta frase.

        O soares dos santos perdoado duma assentada pelas pulhices que faz, convertido mesmo em quase herói, enquanto os “privilegiados” funcionários públicos ameaçados com a ira dos desempregados.
        À portas hein?

        Entretanto um levantamento de problemas relativo ao Pingo Doce/Grupo Jerónimo Martins realizado pelo CESP (Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal), e que tem no seu âmbito a responsabilidade pelo acompanhamento dos trabalhadores deste tipo de superfícies comerciais: De 2011:
        http://ocastendo.blogs.sapo.pt/1383721.html
        e a respectiva resposta do grupo

      • De says:

        Mas esta deriva vanguardista de marques ( à portas) não pode passar impune.
        Não pode porque ao mesmo tempo que se verifica uma situação de terrorismo social ímpar no nosso país, se assiste ao conluio governamental com o grande poder económico.Permitindo até comentários deste tipo que denunciam um modus operandi curioso.

        “O conjunto de empresas abaixo indicadas, mudou a sua sede para Holanda, Luxemburgo, San Marino e outros países, para fugir aos seus deveres de cidadania e, assim não entregar nos cofres do Estado Português milhões de euros de impostos, na precisa altura em que homens, mulheres e crianças sangram com o peso dos impostos até mais não.
        E ninguém leva presos os accionistas e administradores daquelas empresas.
        Contrariamente à informação na Internet que diz que na Assembleia todos votaram a favor das leis, o PCP tem lutado na A.R. contra a maioria (PS, PSD, CDS) pela legislação que permite às grandes empresas fugir aos impostos”.

        Ver aqui uma relação das empresas que exploram cá e pagam “lá” os impostos:
        http://c-de.blogspot.pt/2013/03/fugas-de-impostos.html

        A lei de classe, que revela as ajudas para a concentração da riqueza num punhado de mãos, esgrimida como argumentação para a impunidade da oligarquia financeira?
        É que nem pensar

      • Luís Marques says:

        Tovarich, enganaste-te no Luís Marques, não sou o outro. De qq modo a tua conversa de comunista frustado é-me indiferente, pega em armas, as g3 em boas mãos devem estar disponíveis. Sais de frutos e bom fim de semana

      • De says:

        Tovarich?
        Mas que diabo vem a ser isto?
        Deve estar equivocado.

        Já agora apresentemos o Luís Marques ao outro Luís marques
        http://5dias.wordpress.com/2013/10/30/o-nelson-resiste/#comments

        No coments (por enquanto)

        Sai ao boss

      • JgMenos says:

        Essa raivinha a quem tem dinheiro, e obra feita e, crime maior, uma intervenção cívica de qualidade, deve ser um permanente incómodo.
        ‘Deitar a mão’ – ambição maior do verdadeiro socialista!

      • João Vilela says:

        A «intervenção cívica de qualidade» é qual? E a obra feita é, pelo que sei, pelos empregados do Pingo Doce. Que passavam bem sem ele.

      • JgMenos says:

        Há uma Fundação que trabalha para pôr os treteiros em dificuldades, o que é de toda a utilidade social.
        “Passavam bem sem ele” – considerando que haveria um qualquer camariveriam ada a calçar-lhe as botas, estou certo que viveriam felizes por algum pouco tempo…

      • De says:

        Esta fixação pelas “botas” por parte de Menos é doentia
        Também havia quem dissesse da Imprescindibilidade do dito cujo.

        O poder e as botas e uma fundação …eis os limites do horizonte de Menos
        quando se esfregam números objectivos na face de.

        “as privatizações têm representado um fabuloso negócio para os grandes grupos económicos, incluindo estrangeiros, e um mau negócio para o Estado que perdeu assim uma importante fonte de receitas que poderia aliviar as dificuldades orçamentais e reduzir o défice orçamental. ”
        (do mesmo link)

      • De says:

        -“Deitar a mão” foi (é) um dos grandes slogans dos colonialistas de todos os tempos,É também o objectivo dos gordos,néscios e pútridos detentores do poder económico. A privatização dos serviços públicos é também um excelente exemplo desse “deitar a mão” por gentalha com “obra feita”

        -Tal obra feita está à vista de todos. A mséria e o desemprego, sem fim,a saúde , educação e a segurança social em risco.(Parece que há também alguns desqualificados que falam também na obra feita de salazar e da sua “intervenção cívica de qualidade”.)

        -Alex Jilbeto e Barbara Hogenboom mencionam na obra colectiva Big Business and Economic Development que se assistiu nas décadas 80 e 90 do séc. XX, em muitos países a um gigantesco movimento de privatizações maciças de empresas públicas, de desregulamentação e de liberalização, iniciado nos EUA de Reagan e na Inglaterra de Tatcher que depois se estendeu a muitos países com o apoio do FMI e do Banco Mundial que deixou o Estado fragilizado, submetido ao poder económico, incapaz de promover o desenvolvimento e o crescimento sustentado, e que conduziu o mundo à primeira grande crise global”
        Portugal também não escapou nem escapa a esta onda neoliberal.O rumo governamental seguido não engana ninguém.
        http://resistir.info/e_rosa/privatizacoes_14abr10.html

        Percebe-se que o domínio mediático e a desinformação sejam pilares dos que servem este estado de coisas

      • JgMenos says:

        O público é tão bom, tão nosso, tão cómodo, tão tão, que sempre acaba em ditadura sem pão!

      • João Vilela says:

        Engraçado. Por cá, à medida que as nacionalizações deixaram de ser irreversíveis e passou a privatizar-se tudo, começámos a aproximar-nos da ditadura e da fome. Se o público é mau, que classificativo empregar para falar do privado?

  12. mgl says:

    Vivo num bairro social no Porto e não pago luz! Simplesmente tenho de escolher e a miséria dos rendimentos da minha mãe reformada não chegam! Impossível arcar com todos os custos desde de a alimentação a renda a água e a luz ! Escolhemos em primeiro comer a água vamos pagando e a renda tb está em dia depois de um plano de pagamentos.
    Sei da existência de dezenas senão centenas de pessoas do meu bairro na mesma situação que eu estamos todos com medo que calhe o nosso bairro e a possibilidade de passar o natal sem luz!
    Não se esquecem que temos a eletricidade mais cara da europa ! A EDP é uma seita de chulos que vivem da extorsão dos clientes e tem lucros milionários!
    Não faço ideia como serão recebidos se cá vierem cortar mas eu não abro a porta e pretendo resistir até ao fim!
    Cambada de chulos!

    • João Vilela says:

      Força!

      • mgl says:

        Obrigado!
        Bom saber e contar com apoio.
        Esta situação não é de fácil compreensão para quem não tem que lidar com ela. Cada caso é um caso com diversas especificidades..

    • Rafael Ortega says:

      Vive num bairro social, não tem dinheiro para pagar a conta da luz, água vai pagando, mas para net já dá…
      Ou tá a pegar uma peta à malta, ou o seu empregador devia ser mais abrangente nos filtros da internet do local de trabalho.

      • mgl says:

        ou tou a “roubar” a net á vizinha ou tou numa biblioteca com net ( ainda de graça ) ou tou … Puta que te pariu , tentar adivinhar o fascínio de um bairrista ter net… meu cabrão. Tu és uma peta existencial…

  13. mgl says:

    Aqueles que acham bem a atitude da EDP são uns tristes privilegiados que nunca tiveram que contar os trocos para comer, nunca andaram com a roupa de outros e julgam que nos bairros só vivem marginais, eles vivem em bairros tb mas quem os cria, o grande patrocinar de toda a marginalidade nos bairros é o estado, este desgoverno em especial!!
    Nas várias reportagens sobre os cortes de eletricidade as pessoas estão dispostas a pagar mas as condições que a EDP quer são incomportáveis! Apoio todos o que façam ligações ilegais além de ser justo tratasse de ação direta e desobediência civil, um protesto contra as atrocidades sociais destes fascistas.

  14. José Macedo says:

    Talvez o Vilela nos explique então quem paga aquela luz?
    Nós? a EDP? O estado? O PCP? Quem tem “obrigação” de pagar a luz a quem quer que seja?
    Acho muito bem que se defenda quem não tem mais hipóteses de defesa, mas utlizar um bocado a cabeça não era mau, e deixar os preconceitos ideológicos de fora. Além de que a sobranceria de achar que só o Vilela e amigos é que conhecem o Lagarteiro por isso só vocês é que podem falar sobre ele, é muito pouco democrático.

    • João Vilela says:

      Quem paga é quem usa, contanto possa fazê-lo. Se não pode, negoceiem-se pagamentos faseados atentando à situação económica e social do devedor. Impor, como nalguns casos, pagamentos de 500 euros pela reposição da luz a velhotas com pensão mínima é, pelo menos, abjecto. Quanto a sobranceria, não existe da minha parte. Limito-me a responder a quem ignora a situação concreta e só tem como argumento frases feitas.

  15. A.Silva says:

    Muito bem dito João!

  16. José Macedo says:

    João Vilela, pare um bocado…
    A EDP propôs um acordo de pagamento há mais de um mês de 10% das dívidas.
    VOU REPETIR: 10%
    Se acha que isto não é negociar, então não sei o que é. E o João Vilela sabe, mas finge que não, que no meio de muita injustiça (não nego) há muita bandidagem a aproveitar-se da miséria.

    • João Vilela says:

      Não conheço esse acordo. Onde o viu? Sobre o mais, qualquer conversa sobre bairros sociais, lugares onde vivem as extracções mais miseráveis da sociedade portuguesa a seguir aos mendigos de rua, em que se fale primeiro dos abusos e depois das emergências sociais, é uma conversa que me recuso a ter pelo que comporta de substituição do combate à pobreza pela criminalização da pobreza.

      • JgMenos says:

        ‘A crimininalização da pobreza’!
        Eis um tema e título que merece um post específico. Fico a aguardar…

  17. JP says:

    João nestas coisas é preciso ter calma e analisar com alguma frieza. Eu, pela minha parte, parto sempre do princípio que não há maus vs. bons na história mas sim pessoas que fazem opções com a realidade que têm à frente.

    Eu concordo com tudo o que disse. Tudo.
    Mas isso não implica que duvide da história que me estão a contar. Repare que se a senhora que o João refere tem uma dívida de 500€ é porque consumiu esse valor, não é? E acha que a EDP tomava esta decisão sem tentar renegociar? Acha que eles preferem receber zero a receber alguma coisa? Parece-me pouco provável e por isso desconfio desta versão maniqueista da história .
    Por outro lado, é legítimo (creio) perguntar quem paga o consumo destas pessoas quando elas não o fazem. Sou eu, é o João? Qual é a fronteira entre pagar e não pagar?

    Em suma, do ponto de vista humano a situação é muito complicada. Mas será que a EDP teve mesmo a atuação que lhe atribui? E seria possível tomar outra atitude perante o não pagamento continuado?

  18. Marco says:

    Parece que os lucros da EDP rondaram os 600 000 000 de euros.

    Quem, na posse deste dado, continuar a defender a sua opção nos bairros sociais tem um nome: criminoso.

  19. ansomilo says:

    Sobre a EDP conto um caso que se passou comigo.
    Houve no prédio onde resido um rescindir de contrato de luz de escadas, não procederam ao corte, continuando a haver energia, por duas vezes falei na questão em (Duque de Loulé) ao que me responderam não existir tal contador.
    Casualmente um funcionário deu-lhe para abrir a caixa do dito e verificou o seu funcionamento, daí despoletou o problema que eu antes pusera e, então apresentaram-me uma conta no valor de 200 contos, debitando os kwh consumidos durante alguns anos ao preço da altura com o qual não concordei, como tenho arquivados todos os recibos fiz as contas na base do preço de cada ano e conclui não ter gasto mais de 20 contos e propus pagar esse valor, que não aceitaram, consultei a Deco e elucidaram-me que por Lei poderia só pagar os últimos 4 meses, entretanto mandei o processo para Lisboa/Deco e responderam-me ter que consultar um advogado, por isso desisti de sócio e tomei eu a minha defesa, insistindo no pagamento que calculara e não o apresentado já que o assumira, abdicando de apenas liquidar os 4 meses. Depois de troca de cartas de e para a EDP que inclusive me ameaçou com a justiça, nada adiantou pois sempre mantive a firmeza de que a razão estava do meu lado e venci a batalha contra a prepotência, pois acabaram por aceitar os meus argumentos e assim paguei uma décima parte do que me queriam cobrar.
    Por isso sugiro e aconselho informarem-se se a Lei de que atrás falo está em vigor e assim apenas tenham que pagar os tais 4 meses de consumo.
    E porque me repugna-me a exploração de que são vítimas os moradores dos bairros sociais, para satisfazer a parasitagem que prolifera na EDP , quais chulos que vivem à custa do Zé povinho.
    É caso para dizer, estes tipos da EDP são feios, porcos e maus.
    Cumprimentos,
    António Lopes

  20. Luís Marques says:

    João Vilela, a emergência social foi tratada com o bairro social, não é?

  21. m. says:

    Li o texto e os comentários. Os grandes accionistas da EDP e da Galp são gente que rouba, tem depósitos em off-shores, estão feitos com a banca estrangeira, como o J.P.Morgan e o Citi que estão a ser investigados por fraudes de milhares de milhões de dólares (e não são os únicos – o Goldman Sachs ainda não consta mas não me parece que passe impune). No BCE estão uma cambada de aldrabões que bem conhecemos. No FMI também. Na Comissão Europeia igualmente. Será que existe uma União Europeia? Duvido. Só no papel e para fazer uma «Guerra aos Pobres». Cheguei muito tarde a essa conclusão porque me pareceu demasiado perversa.

    O J.P. Morgan tem de pagar uma primeira indemnização por fraude no valor de 5,2 mil milhões de dólares nos EUA. A factura, para já, ascende a uns 14,2 mil milhões de dólares. É esse um dos bancos a quem a Maria Luís Albuquerque entregou 1,5 mil milhões de Euros através do Moreira Rato (IGCP) e ex-funcionário do Lehman Brothers e da StormHarbour que tem lá uns amiguinhos portugueses do «muitíssimo sério banco» BPI. Isto é tudo gente muitíssimo séria.

    Como anteriormente já referi, passei a votar no PCP, pela simples razão que é um Partido que, pela atenção que os últimos anos tenho tido, é o único que não rouba. O PEV também não e o BE nunca percebi se está do lado do PS (que rouba) ou de que lado está. Actualmente o PS parece que está a identificar-se com o CDS (foi-me dito por uma pessoa insuspeita que ouviu o António Costa a dizer isso mesmo na Quadratura do Círculo porque eu já quase que deixei de ver televisão (às vezes vejo a estrangeira), de comprar jornais e de ouvir rádio porque são detidos por quem «Rouba os Pobres».

    Não vejo nenhum problema em que fazer «puxadas» de gás, água, electricidade, cabo, telefone, internet, o que for. Não vale é roubar a quem não tem nada e não fez mal a ninguém. O resto é válido porque não estamos a lidar com gente séria, mas antes com «Carrascos dos Pobres» numa «Guerra Fria sem Tréguas à Vista».

    Fica aqui uma afirmação de Álvaro Cunhal que li e me prendeu a atenção. Vi um documentário na RTP sobre a organização ARA.

    «No papel é fácil escrever e ao microfone é fácil gritar: “chegou a hora do assalto final!” Para o assalto final, não basta escrever ou gritar. É preciso, além de condições objectivas, que exista uma força material, a força organizada, para se lançar ao assalto, ou seja, um exército político ligado às massas e as massas radicalizadas, dispostas e preparadas para a luta pelo poder, para a insurreição (…) Os radicais pequeno-burgueses são incapazes de compreender que os objectivos fundamentais da revolução não se alcançam reclamando-os, mas conquistando-os.»

    Álvaro Cunhal, «O Radicalismo Pequeno-Burguês de Fachada Socialista», 1970.

    • De says:

      Caríssima m:
      Obrigado pelo testemunho.
      E obrigado pelo relembrar dessa frase lapidar de Álvaro Cunhal :
      “Os radicais pequeno-burgueses são incapazes de compreender que os objectivos fundamentais da revolução não se alcançam reclamando-os, mas conquistando-os.»

      • Argala says:

        Deixe a cartilha reformista. Onde é que está a ser construído esse exército político?!?!

      • De says:

        Deve estar enganado.
        Parece que ficou atingido?Ou por outras palavras: a cartilha é apenas sua
        🙂

      • De says:

        Já lhe disse que o meu alvo não é nem o argala nem meio argala.
        Teses iguais tiveram a sua época.Quase todos os do lado passaram para o lado oposto da trincheira.Esta conversa fede quando se verifica a semelhança com o discurso de tipos como barroso versão 75.

        (Nem esquerdismo chega a ser.Apenas um jeito meio desconchavado de se ser)

        A raiva que um ou outro tem a Álvaro Cunhal é patética.Alguém até o ousou comparar a Santiago Carrillo.O que denunciou logo esse alguém : um “espanholito” ignorante ou um “espanholito” com algo mais fundo?

  22. Argala says:

    MInha gente, a ver se nos entendemos. Se a malta do bairro não pagou electricidade, é excelente sinal, é sinal que não se deixaram roubar. Mesmo que pudessem pagar, não pagar é um acto legítimo de resistência.
    Agora toca a fazer o bypass, mesmo sem contador.

    Cumprimentos

  23. m. says:

    No pouco que percebo de política, mas vivi rodeada de ameaças de bombas do IRA, atentados que podiam acontecer a torto ou a direito, como foi o atentado à Embaixada do Irão em Londres, como já referi anteriormente aqui. Aprendi a não ter medo. Do meu ponto de vista, este governo é um exército político organizado e não ligado às massas e, logo, terrorista: só lhe falta começar a atirar com bombas, balas para a matar a população e não duvido que isso comece a acontecer. Muito do seu discurso está envolto numa ambiguidade «provocatória» que reenvia para ameaças de guerra à séria sobre a população. Que mais posso dizer? Até o Orçamento para a Defesa neste ano subiu! Para quê?

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