Depois ainda dizem que o pessoal da CDU não tem sentido de humor e que o BE não tem veia poética… Radicalizar as palavras sem radicalizar as acções é fácil.*

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A palavra ao Bloco de Esquerda de Olhão:

“(…)
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura…”
( Alberto Caeiro)
O resultado da eleição para a mesa da Assembleia Municipal de Olhão devia ser motivo para uma reflexão séria e profunda por parte da concelhia de Olhão do PS, sobre a forma como aquele partido tem conduzido a Câmara Municipal e a política neste concelho.
Ao invés, no comunicado que divulgou aqui, a concelhia do PS parece ver no resultado eleitoral de ontem, uma união revanchista do Bloco de Esquerda, à direita com o PPD/PSD; uma “aliança contra-natura” eivada de “obscuros” e fantasiados “acordos”, em que a esquerda se demite das suas convicções e bases ideológicas, em prol de uma vingança imaginária cujo propósito ou motivo se desconhecem.
Como dizia o poeta, nós não somos da nossa altura, mas do tamanho daquilo que vemos. E a concelhia do PS de Olhão, demonstrou que só soube ver do tamanho da sua altura.
Uma vez mais não teve a grandeza e a riqueza de perceber o verdadeiro significado do resultado histórico (nisso sim teve razão) daquela votação, cujo sentido já podia e devia ter vislumbrado aquando do resultado da eleições autárquicas de 29 de Setembro.
No seu recente comunicado, o PS revela a sua incapacidade de compreender que o resultado do dia 14 de Outubro (tal como o de 29 de Setembro já pronunciava), exprime uma inabalável vontade de mudança, comum a todos os quadrantes políticos, independentemente das respectivas bases ideológicas; um protesto uníssono dos olhanenses contra a opacidade com que o PS tem conduzido a vida do município há quase 40 anos; um rompimento irreversível com os “velhos hábitos” desta autarquia.
O Bloco de Esquerda e demais partidos souberam ver, para além do seu tamanho, sem para tal precisarem de se despojar das suas convicções ideológicas, porque, precisamente, viram que esta mudança é essencial para que possam, com transparência e sem quaisquer constrangimentos, implementar as medidas constantes dos seus programas eleitorais, em prol da defesa dos  interesses da população de Olhão.
Para tanto, afigura-se necessário restaurar a confiança na Assembleia Municipal, garantindo que os deputados municipais possam aceder livremente e sem quaisquer condicionamentos à informação que, através da mesa da Assembleia, é possível obter da câmara Municipal, assegurar a transparência do processo deliberativo, revitalizar o papel fiscalizador da Assembleia Municipal, defender a participação dos cidadãos nas tomadas de decisão.
É consabido que caso o resultado da eleição fosse outro, tais desideratos seriam inatingíveis  – quase 40 anos de poder autárquico PS mostraram-nos isso.
A eleição da Assembleia Municipal do passado dia 14 de Outubro constitui pois um marco histórico para o exercício da democracia em Olhão. Pela primeira vez em 38 anos de governação PS, a mesa da assembleia não pertence ao partido que tem conduzido o destino de Olhão e dos Olhanenses, rumo ao mais completo marasmo social e descalabro financeiro.
No dia 14, numa atitude de coerência com as suas posições e após aprofundada ponderação sobre a melhor forma de acautelar os superiores interesses do povo de Olhão, a oposição, onde nos incluímos, foi capaz de, por um momento,  pôr de lado as lutas político-partidárias e em prol da transparência, da seriedade e do rigor, da necessidade de ruptura com as políticas falhadas do passado, dar um gigantesco passo para o exercício de uma democracia verdadeiramente livre, transparente e participativa.
À esquerda ou à direita nunca poderíamos apoiar e compactuar com quem pretende a manutenção das empresas municipais Fesnima e Mercados de Olhão, defendendo o indefensável, com quem descarta com leviandade uma auditoria às contas do município, com quem, autisticamente ignora e varre para debaixo do tapete os problemas da nossa Ria Formosa, com quem, no fundo, defende a continuidade das políticas opacas e ruinosas que colocaram Olhão no estado em que se encontra.
O próximo passo do Bloco de Esquerda  implicará a apresentação de propostas muito concretas para a elaboração de um Regimento da Assembleia Municipal que reforce o papel fiscalizador da Assembleia, que promova uma participação verdadeiramente activa  dos cidadãos na vida autárquica, que assegure o livre acesso à informação e que garanta a transparência das decisões e de todo o processo deliberativo.
Dizia ainda o poeta que “A nossa única riqueza é ver ”   –  É esta esperança, este vento de mudança que o Bloco de Esquerda vê para Olhão.
A Democracia voltou a Olhão e isso só pode ser bom para todos.”

A palavra ao Secretariado da CC de Vendas Novas do PCP

“PS mente e atraiçoa a População de Vendas Novas assumindo uma coligação, pós eleitoral, com o PSD, para gerir a Câmara Municipal de Vendas Novas
“PS mente e atraiçoa a População de Vendas Novas assumindo uma coligação, pós eleitoral, com o PSD, para gerir a Câmara Municipal de Vendas Novas
No passado dia 29 de Setembro, realizaram-se eleições para as autarquias locais, Assembleias e Câmaras Municipais e Assembleias de Freguesia;
No Concelho de Vendas Novas, concorreram aos referidos actos eleitorais a CDU; o PS e o PSD;
Na sequência de tais actos eleitorais o PS ganhou a Câmara Municipal, com maioria relativa, assegurando 3 eleitos: a presidência e mais 2 vereadores, a CDU que ficou em 2º lugar, elegeu igualmente 3 vereadores e o PSD, elegeu 1 vereador;
Nunca durante o período da pré-campanha, como na campanha eleitoral, assim como no período que mediou o acto eleitoral (dia 29 de Setembro) e a tomada de posse dos novos eleitos, ocorrida no passado dia 21 de Outubro, o Partido Socialista anunciou à População, aos Munícipes e aos eleitores que iria fazer uma coligação pós-eleitoral com o PSD;
Inclusive, no dia da tomada de posse dos eleitos do novo executivo (dia 21 de Outubro), nos discursos produzidos tanto pelo novo Presidente da Câmara, como pelo vereador do PSD não foi anunciado às pessoas presentes no referido acto, como à População de que o PS e o PSD tinham feito “um acordo” pós eleitoral, escondendo à opinião pública e à População de Vendas Novas a coligação entre o PS e PSD para governarem a Câmara Municipal;
Este acordo, que agora surgiu em vésperas desta reunião de Câmara Municipal de dia 24 de Outubro, com a fixação de 2 vereadores por proposta do Sr. Presidente da CM, 1 do PS e outro do PSD, de há muito tinha sido feito, mas escondido à População;
Com efeito, no passado dia 29 de Abril, data em que se realizou a reunião da AM, as direcções concelhias do PS e do PSD de Vendas Novas reuniram com a presença do Presidente da Comissão Politica Distrital do PSD, a fim de acertar o referido acordo que se consubstanciou em que: o PSD não se iria candidatar à AF de Landeira, e de fazer o presente acordo pós eleitoral para a CM, caso fosse necessário.
Os eleitos da CDU, presentes na reunião de Câmara Municipal de dia 24 de Outubro de 2013, votaram contra a proposta apresentada, pelo Presidente da Câmara Municipal de “Sobre a fixação, pela Câmara Municipal de vereadores em Regime de Permanência ao abrigo do n.º 2 do art.º 58º da Lei 169/99, de 18 de Setembro, na sua actual redacção”, em face dos factos precedentes e porque, tal convergência de coligação politica mais não é do que uma ausência de ética moral e de desrespeito para com a População do Concelho e os Munícipes/eleitores de Vendas Novas, que assim se vêm enganados pelos Candidatos e direcções politicas dos partidos da coligação agora firmada, entre PS e PSD de Vendas Novas, para “gerirem a CM”.
Partidos, que a nível nacional (a juntar o CDS-PP), estiveram e estão na Governação do País (há mais de 3 décadas), e que com a assinatura, aplicação e execução do “Memorando da Troika” são responsáveis pelo empobrecimento e sofrimento que o nosso Povo e os Trabalhadores, as micros e pequenas empresas atravessam, o encerramento de serviços públicos (como a tentativa do SAP/Urgências de Vendas Novas e agora a Repartição de Finanças) e o ataque ao Poder Local Democrático, à sua autonomia politica, administrativa e financeira.
Vendas Novas, 24 de Outubro de 2013
O Secretariado da CC de Vendas Novas do PCP”

Está ao rubro o campeonato “a minha coligação é menos espúria que a tua”. Em Vendas Novas a CDU destrói a argumentação da CDU de Loures ou Sintra e em Olhão o BE faz cair toda a argumentação do BE quando questiona a CDU em matéria de coligações autárquicas. Como o debate entre o BE e o PCP está cada vez mais parecido ao litígio da Bárbara e do Carrilho, acho que alguém devia levar o caso para o tribunal de família antes que os danos sejam irreversíveis. Se outrora se dizia – “apoiem o fuzil sobre o ombro de Kerensky e disparem contra Kornilov” – hoje dão pelouros a Kornilov e cada vez menos se distinguem de Kerensky. Será que ninguém no BE e no PCP se apercebe que a cada tiro que trocam em matéria de pelouros autárquicos estão a dar um tiro também em si próprios?

*Título inspirado em três comentários de facebook de militantesdirigentes de um e outro partido.
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11 Responses to Depois ainda dizem que o pessoal da CDU não tem sentido de humor e que o BE não tem veia poética… Radicalizar as palavras sem radicalizar as acções é fácil.*

  1. Antónimo says:

    E depois venham dizer que esses partidos cultivam o centralismo democrático. Calúnias, tudo calúnias.

  2. JgMenos says:

    Acordos espúrios em relação aos seus autores é um contra-senso, quando muito sê-lo-ão as acções que deles derivem.

  3. anonimo says:

    E depois ainda vêm dizer que as eleições autárquicas tem leituras nacionais.

  4. Rocha says:

    Foder o PS é mau? Eu dou os meus parabéns à CDU e ao BE de Olhão.

  5. Ricardo says:

    A diferença é que a CDU propõe pelouros aos vereadores eleitos. Não se coliga com nenhuma força política. Aceita os resultados eleitorais e a representatividade dos partidos na gestão autárquica.
    E é bom que se deixe de atirar poeira para os olhos dizendo que o que aconteceu em Loures é uma coligação. Quem diz isso ou é ignorante ou é desonesto.
    O PS, no caso acima, alia-se literalmente com o PSD, propondo pelouros apenas para os seus vereadores e não para todos os vereadores eleitos, ao contrário da CDU no caso de Loures e noutros casos, noutras eleições e noutras câmaras. Basta fazer uma pequena pesquisa na internet.

    Evidentemente os resultados das autárquicas espelham o desagrado das populações com o atual governo. Doutra forma, não se justificava tal derrocada dos partidos do governo nas autárquicas.
    Que a nível local possa haver candidatos de partidos do governo que tenham uma visão autárquica semelhante à da CDU, não é nada de escandaloso.

    O último parágrafo do comunicado do PCP de Vendas Novas apenas aproveita para relembrar que estes partidos que depois das eleições fazem uma aliança autárquica são os mesmos que nos andam a foder há já uns anos. Não destrói nenhum argumento da CDU de Loures.

    Vá lá, sejam honestos nas vossas críticas. Não critiquem por criticar.

    • proletkult says:

      “Que a nível local possa haver candidatos de partidos do governo que tenham uma visão autárquica semelhante à da CDU, não é nada de escandaloso.”
      Desculpe, mas eu acho que é. Aliás, as campanhas eleitorais da CDU, seja para que órgãos forem, insistem muito nesse ponto, na “diferença” programática para as restantes forças, nomeadamente o PS, o PPD e o outro partido de governo. Portanto, é no mínimo duvidoso quando há fulanos dos partidos DE governo que partilhem da mesma “visão autárquica” da CDU.

      Quanto ao tema em si, não me vou alongar, porque este jogo político-profissional da lotaria autárquica é demasiado sinistro e mal-cheiroso para a minha mente inocente e para as minhas narinas sensíveis. Mas eu, cujo único partido em que votei até hoje foi precisamente na CDU (ainda nestas últimas autárquicas o fiz), ficaria extremamente aborrecido se visse que o meu voto serviria para distribuir lugares pelos partidos da burguesia. E porque não, já agora, distribuir lugares, a bem do “pluralismo democrático”, ao outro partido do governo, ou ao PNR, ou àqueles partidozecos da burguesia pindérica tipo os “pró-vida” e os MEP’s?

      Já agora, o que espera a CDU ganhar com isto? Parecer bem aos olhos da direita?

      • Ricardo says:

        Há muitas pessoas que concorrem a listas do PS e do PSD que não são filhos da puta. Se tu queres acreditar que as coisas são a preto e branco é lá contigo. Evidentemente, se houver um tipo duvidoso que seja eleito vereador espero que não se lhe seja proposto nenhum pelouro pela CDU, ou se sim, então que seja um bastante secundário. Mas essas decisões e esse julgamento cabe a quem está nas autarquias. Eu confio na sua capacidade de pensar sobre as coisas e no conhecimento que têm das pessoas. Não me parece que façam as coisas por fazer. Acho que pensam pelo menos um bocadinho, não estás de acordo?
        A CDU não faz isto para agradar à direita como é óbvio. Dizer isso é estar a desconversar. Faz porque decidiu fazer assim. As razões para o fazer já foram esclarecidas. Podes não concordar mas tens de dizer porquê.
        O teu voto, se votaste CDU, não serviu para distribuir lugares para ninguém. Para isso serviu o voto de quem votou no PSD ou PS. Estes partidos elegeram vereadores e não podes impedir isso. Pode-se é atribuir ou não pelouros. Faz parte da política da CDU atribuir pelouros aos vereadores eleitos, se eles aceitarem. Muitas vezes não aceitam.

  6. francis says:

    é isso é isso. e a cgtp não é uma ponte.

    • Khe Sanh says:

      francis diz:
      Outubro 31, 2013 às 6:38 pm
      é isso é isso. e a cgtp não é uma ponte.”

      A CGTP é uma organização de classe que sempre tem sabido defender dignamente os seus associados.

      A CGTP não “produz” leis, limitasse a exigir que sejam cumpridas as leis vigentes.

      Mordeu ? Ou quer que triture mais um pouco!

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