Quando as armas não eram cantigas

A resistência não era mansa nos últimos anos do fascismo e nem todos os costumes eram necessariamente brandos. 

Nos últimos dias do mês de Julho de 1972, as Brigadas Revolucionárias lançaram dois porcos nas ruas de Lisboa, no Rossio e em Alcântara, como reacção à farsa eleitoral que reconduziu Américo Tomás ao seu último mandato como presidente da República.
Estavam vestidos de almirantes (tal como Américo Tomás…) e untados, pelo que a polícia não conseguiu agarrá-los e teve de os matar à metralhadora. Grande sucesso nas ruas de Lisboa! Foram depois distribuídos panfletos, lançados por petardos, com o seguinte conteúdo:

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Quando no dia 9 de Agosto de 1972, Américo Tomás tomou posse, para «festejar» o acontecimento, a A.R.A. (Acção Armada Revolucionária), organização de luta armada do PCP, usou 80 cargas explosivas para cortar o fornecimento de electricidade a grande parte do país. É este o comunicado onde a acção é descrita:

(Também aqui.)

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12 Responses to Quando as armas não eram cantigas

  1. Rocha says:

    Bem lembrado camarada. As Revoluções nunca são pacíficas, sem desmerecer formas de resistência civil e de massas, a violência está sempre lá (ou não fossem os exploradores os donos do monopólio da violência). É a combinação de várias formas de luta que acaba por ser decisiva para a vitória da Revolução.

  2. O que quer dizer revocionário?

  3. De says:

    Um bom e oportuno post

  4. José Sequeira says:

    Excelente post.
    Na altura este acontecimento foi uma coisa espectacular. Apenas soube mais tarde mas falei com colegas de trabalho que, por trabalharem na livraria da Rua do Ouro, tiveram o privilégio de assistir.

  5. Kruzes says:

    Deixem-se de ideias parvas, pá! E depois como é que a malta refresca as bjekas?!

  6. JgMenos says:

    Quando as eleições deixam de ser farsa as revoluções perdem o seu fulgor; um contratempo grave!

    • De says:

      Foi a imagem de Menos e a sua defesa do fascismo como fautor de progresso, que me surgiu ao ler este post.
      Ou ao ver as imagens já não sei bem

  7. Argala says:

    E muito muito antes, Emídio Santana – revolucionário de primeiríssima água -, quase eliminou Salazar. Já o Mateus não teve tanta sorte e foi eliminado por outro homem de grande fibra.
    Pedaços de história que dizem um pouco do que somos.. ou melhor, do que não somos. E não, não temos nos genes a mansuetude do rebanho, onde cada um espera a sua vez de ser tosquiado. Podemos fazê-los tremer.

    • miguel serras pereira says:

      Se a proximação entre o atentado a Salazar que teve o grande Emídio Santana como protagonista e a acção das Brigadas referida pela Joana se compreende e justifica, já o episódio de Belas é de outra natureza e não pode ser avaliado segundo os mesmos parâmetros. Por muito legítima que fosse a liquidação física de pides e infiltrados.

      msp

    • Mas nós não temos que os fazer tremer, temos que fazer bem mais do que isso. Os fascistas que estavam no poder em 74 tremeram só e por isso é que hoje temos outra vez fascistas no poder.

  8. Miguel says:

    Bem recordado pela Joana Lopes. Faz cá falta uma nova A.R.A. para deixar certos ministros a pensar duas vezes se desejam ou não continuar em funções, desde o ministro “Kalimero” do Poiares Maduro (sempre a chorar nos seus “briefings”) ao nevrótico e epiléptico, Pedro Mota Soares.

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