Brincar aos pobrezinhos

A minha crónica no jornal desta semana já tem mais de 11 mil partilhas no FB, certamente por causa das declarações reveladoras da vida num outro planeta de Cristina Espírito Santo, a fazerem recordar a frase atribuída, em vésperas da Revolução Francesa, à rainha Maria Antonieta, durante os protestos por causa do aumento do pão: “Se o povo não tem pão, que coma brioches!

Cristina Espírito Santo, filha de um administrador do BES, confessou, na Revista do “Expresso”, que gosta de ir para a herdade da família na Comporta porque é como “brincar aos pobrezinhos”.

Infelizmente, a maioria da população portuguesa está condenada a brincar aos pobrezinhos todos os dias. E o governo cada vez nos dá mais coisas para ficarmos imersos no jogo. Nos últimos dois anos, 210 mil dos portugueses mais jovens e preparados foram forçados a sair do país, para fugir a este desafio obrigatório para quem não é familiar de milionário.

Há uns anos, o multimilionário Warren Buffett manifestou-se contra uma sociedade em que os ricos têm a vida resolvida e os pobres a vida condenada. Para Buffet, o direito de herança que faz dos filhos dos ricos ricos e dos pobres pobres significa querer ganhar os Jogos Olímpicos de amanhã com os descendentes da equipa dos jogos de há 40 anos.

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5 Responses to Brincar aos pobrezinhos

  1. JgMenos says:

    Eis a Maria Antonieta que congregará os revoltosos à acção!

  2. De says:

    Clap!Clap!Clap!

  3. Estou aqui a ler o artigo e fala do multimilionário e refere que paga 17% de impostos. Claro que devia pagar mais, mas este pelo menos paga, que cá os da sua classe não pagam nada.

  4. Essa frase dos brioches parece que é apócrifa, mas isso de “brincar aos pobrezinhos” debaixo de telhados de colmo na Comporta lembra de facto a Maria Antonieta, disfarçada de camponesa na sua aldeia “plus vraie que nature”, no Petit Trianon, a brincar aos pobres campesinos entre vacas e cabras, para escapar à opulência de Versalhes – mas sem prescindir da porcelana de Sèvres, bien sûr. É a nostalgia “à la Rousseau” a fazer das dela entre os ricos contemporâneos, o regresso aos “valores simples” do bom do povo, que esta gente acha sempre muito castiço e pitoresco – à distância. Eu propunha que a Cristina BES Santo fosse antes brincar para o Bairro Padre Cruz, diz que nos bairros sociais se brinca todos os dias aos pobres e ela aprendia umas brincadeiras novas.

  5. Pingback: A família real e os arrotos paradigmáticos | cinco dias

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