cuidado com as imitações

this is not a good sign

… do outro lado do atlântico, o aumento da tarifa caiu. os protestos continuaram, e, esta noite, passou-se isto tudo. entretanto, o Movimento Passagem Livre abandonou os protestos ontem, acusando a direita de lhes dar ‘ares fascistas’.  opinião de um activista brasileiro, anarquista, meu amigo, a viver no porto:  

«Militantes de partidos de esquerda, e até pessoas de coletivos marxistas com suas camisas do Lenin foram extremamente hostilizados durante o ato… por fascistas? Talvez não organizados, mas pessoas que reproduzem esta lógica e que agora estão nas ruas… e sim, esse movimento “anti-partido” não é anarquista, é nazi, está sendo muito bem organizado e influenciado por esse pessoal que acredita que o PT tem que ir pra rua e entrar uns militares para acabar a “corrupção”. Triste né? Mas é isso… eram 1 milhão no RJ, e não é de um dia pra o outro que passamos de 5.000 para um milhão de pessoas que acreditam na revolução, por enquanto os 1 milhão são os mesmos que semana passada defendiam que a polícia tinha que meter a bala em viciados e favelados, o fascismo deles não acabou porque eles foram para a primeira passeata. Então sim, a coisa não tá encaminhada para a revolução não… ainda não…?

 A grande mídia internacional não divulga o caráter ufanista e quase fascista do que aconteceu dentro do próprio ato(protesto de ontem), com militantes de partidos de esquerda sendo agredidos fisicamente!!! E nem noticia o que aconteceu no RJ, minha cidade, onde pessoas, militantes ou não, foram perseguidas no Centro da cidade até 5h da manhã pela polícia militar com seu BOPE, e o CHOQUE tacando bomba de dentro do caveirão para as ruas, os bares, e tudo oq ue viam pela frente! Pessoas ficaram sitiadas no campus da UFRJ e só conseguiram sair escoltadas pela OAB!!»

outra opinião, desta vez de uma portuguesa a viver lá, sobre este outro inquietante relato (que é longo, mas de ler) «eu estou em Belo Horizonte, e, embora não tenha estado presente nas manifs de 2a e terça, senti claramente, pelo que pude acompanhar, que foram 2 momentos muito distintos! Partilho muitas das preocupações descritas nesse texto, mesmo não sendo brasileira. Há mesmo algo de muito estranho no ar quando de um dia pro outro tanta gente decidiu ser revolucionária. A praça 7, na terça feira, foi completamente vandalizada sem nexo, sem que se consiga perceber algum tipo objectivo para o que se passou – e sem um polícia na zona. E não foi o vandalismo dos riots de Londres, por exemplo. é mesmo uma coisa diferente, que ainda não consegui identificar. Este sábado vai ser um bom barómetro para o que aí vem, e não me admiraria que fosse o inicio da materialização dos receios da autora do texto….»

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17 Responses to cuidado com as imitações

  1. nao says:

    só nao se percebe o que se propõe fazer quanto ao tal “mal aria” que se sente nas manifs do brasil…
    e agora que falamos nisso, na Grecia tb não houve confrontos entre o KKE e os anarquistas, a dada altura? acho que até morreu uma pessoa… nessa altura também eram fascistas a meter nojo?
    adianto que não quero com esta opinião ou com estas perguntas lançar a confusão ou dizer que não existe o perigo do fascismo na deriva populista que o “fin de regime” pode e está a causar mas… fico sem perceber o que se pretende: é que as pessoas venham pra rua fazer aquilo que aquelas que estão em casa acham que deviam fazer? é o senta, senta, senta outra vez?

    • guicastrofelga says:

      eu nunca fui pelo senta-senta. nem tenho informação suficiente para ter posição quanto ao que está a acontecer. chegaram-me estes relatos, decidi partilhá-los, porque há sempre o risco de um aproveitamento, uma manipulação das reivindicações mais que justas das pessoas, para impingir uma solução autoritária – não tou a dizer que não há mais que razões para o protesto, as exigências, tudo. mas o pessoal tem de expulsar os fascistas, e não os marxistas, das manifs, acho eu…

    • Rocha says:

      À Gui eu saúdo a tomada de consciência das pessoas de esquerda de que as manifestações sim são manipuláveis e sim são infiltráveis pela direita, até que enfim! E a isto deve se dar a devida atenção.

      Mais ainda num tempo em que se vulgarizou a palavra primavera, que está conotada com um longo historial de manipulação de manifestações pela direita capitalista e fascista, é preciso abrir os olhos. Não é fácil focar os movimentos em lutas e objectivos justos, quando se deriva no perigoso jogo do anti-partidarismo.

      E quanto à questão colocada pelo nao, sim os anarquistas também podem ser fascistas a meter nojo – não na teoria mas sim nos factos – quando objectivamente abrem caminho para as “auroras douradas” do mundo com o seu sectarismo visceral (e ódio demencial) que coloca como o grande alvo a abater (tal como faz a aurora dourada) o Partido Comunista Grego.

      Porque uma coisa são discordâncias, divergências, escolher caminhos diferentes… e outra é passar à simples agressão (incluindo a agressão física) à restante esquerda anti-troika e anti-fascista.

      • nao says:

        olha m’este anjinho… mas os comunistas, leia-se do Partidão porque que eu saiba nesta coisa ainda não há direitos de autor quanto ao nome, nunca atacaram nem hostilizaram nenhum outro grupo de esquerda?
        o que tu queres sei eu, ó patriótico de esquerda!

      • O que queres dizer com os anarquistas também podem ser fascistas?

      • subcarvalho says:

        claro, os anarquistas são uns fachos de merda. aliás, eu desconfio que qualquer movimento anarquista é simplesmente um instrumento da direita radical para chatear os livres partidos comunistas…vou até à biblioteca ver se investigo a árvore genealógica daqueles direitistas radicais, fascistas e nazis de merda, como Bakunin, Malatesta, Proudhon, Hakim Bey, enfim, que escreviam teorias só para chatear o bom do partido…tenho a certza que vou descobrir coisas abomináveis!!

  2. Olá Gui, percebo as tuas preocupações. Quer dizer, quando o PT manda os seu partidários para as ruas para defender o Lula (http://www.notibras.com.br/site/pt/editorias/brasil/3891) e misturar-se com os movimentos sociais porque “a mobilização da militância é fundamental para o sucesso nas eleições.”, as pessoas sem militância na rua sentem-se usadas e provavelmente provocadas.

  3. Lumpén mas não muito, Trabalhador mas pouco. says:

    Já estava a faltar à festa, perante os factos, a esteria e a paranóia esquerdistas. Não se percebe: malta que passa a vida a desejar rebeliões (espero eu), a estudar a história dos movimentos sociais e das revoluções do passado e a traçar a régua e esquadro grandes planos de sociedades justas levantadas – das cinzas do capitalismo pelos trabalhadores explorados e pelas massas oprimidas – através da luta de classes. Mal veêm à tona o mínimo sinal de insurreição, na qual a Ordem é posta em cheque, o que inevitavelmente trás também à superfície forças antagónicas, contraditórias e muitas vezes impossíveis de aplacar com paninhos quentes, aqui d´él rei que a revolução está fora de controlo e à mercê de forças reaccionárias.
    Ora porra para isto! Se há fascistas a quererem molhar a sopa no meio da confusão, e até poderes e interesses mais ou menos ocultos a querer manobrar as rédeas da populaça, é o mais normal numa situação de desarticulação da “paz social” (ou da guerra fria social, se preferirem). Queriam o quê? Que isto fosse uma espécie de fórum social para esclarecimento do povo? Umas mesas de debate em que intelectuais progressistas dissertam tranquila e civilizadamente entre pares?
    Epá, se há fascistas na mistura é preciso que a malta se organize e se defenda. Não adianta fazer birra, como o miúdo que é dono da bola e quando o jogo não corre como previsto, pega na bola e vái para casa fazer birra nas redes sociais que há meninos maus em campo.
    Falando especificamente no estrilho que se passa nas ruas do Brasil há, apesar de tudo, pelo que tenho visto, muito critério na selecção dos alvos: edíficios simbólicos do poder estatal; lojas de equipamentos áitéque que são sempre bens de consumo económicamente vantajosos de se levar para casa (e que toda a gente gosta); umas roupas jeitosas; veículos dos orgãos de repressão e de doutrinação corporativos de massas; portagens e mobiliário urbano. Estamos, acho, muito longe da suposta barbárie que o texto linkado indicia, e ainda mais longe da selvajaria que outros tantos posts que vão aparecendo nas redes sociais indicam (a não ser que o pessoal seja mesmo muito sensível a qualquer tipo de violência sobre popriedade ou património e domesticado ao ponto da castração). No meio disto tudo há muita merda a acontecer? – há pois, há! Mas queriam o quê? manifestações que se transformam em motins não são idas à biblioteca para requisitar antologias de agit prop. Ou todas as manifestações que viram riot são secretamente manipuladas e controladas pela bófia, ou pelos provocadores fascistas, ou por agentes a soldo dos interesses da burguesia?
    Considero-me um gajo tolerante, mas há limites para lá dos quais os pruridos da pequena-burguesia revolucionária começam a cheirar a conversa de polícia bom.

    • guicastrofelga says:

      fora a verborreia: «Epá, se há fascistas na mistura é preciso que a malta se organize e se defenda. Não adianta fazer birra, como o miúdo que é dono da bola e quando o jogo não corre como previsto, pega na bola e vái para casa fazer birra nas redes sociais que há meninos maus em campo.»
      …exactamente. releia lá o post outra vez.

  4. Francisco says:

    Isto até merece um post, é um tema de que já tenho falado, mas aqui vai:
    1º – Lumpém, ten toda a razão!!! É bom ver que há malta com alguma lucidez
    2º – Nenhum de protesto de massas é isento de contradições, aliás haver essas contradições, incluindo tiques e preconceitos reaccionários é um sintoma que a coisa é verdadeiramente de massas
    3º – Tal como os memes do teu post anterior clarificam Gui, a revolução não é um chá dançante
    4º – Se o movimento é de massas a reacção e os fascistas vão sempre se colar, isso aconteceu na Grécia e até aqui em portugal, a solução é uma e simples “Epá, se há fascistas na mistura é preciso que a malta se organize e se defenda.”
    5º – O PT levou bandeiras e malta para a manif, estavam à espera do quê? Mas que suprema provocação! Depois disso a malta ficou cega e os nazis atacaram tudo o que é “vermelho”, mas sem a provocação PTista duvido que tivésse degenerado como degenerou
    6º – Um dos textos que citas que diz “anda tudo tão estranho” mete-me cá um nojo… é mesmo aquela aristocracia de esquerda que pensa que é dona da rua e do protesto e que acha que a coisa ou é ordenadinha e com os slogans familiares ou então é “estranha”… amiga, a revolução e as massas na rua, ainda por cima num país com a composição de classes como a do Brasil, não é mesmo que um recital de poesia!!! A malta é fudida pá caralho! Aliás essa tipa parece-me uma PTista a querer desmobilizar o movimento ou então é um exemplar típico do “nacional-tótó” agora em versão Brasileira
    7º – O maior crime e estupidez q podia acontecer era agora a esquerda abandonar as ruas e dar de bandeja a direcção do mais poderoso movimento de massas no Brasil de há 20 anos para cá à extrema-direita
    8º – Lumpén, um comentário muito bom o teu!

    • Rocha says:

      Francisco, estás muito enganado, recomendo vivamente que te informes sobre o que realmente aconteceu. Não foi só o PT que foi escorraçado, foi sobretudo a esquerda que mais seriamente e durante mais tempo foi oposição ao PT que foi corrida à pancada. PSOL, PCB, PSTU são partidos que dentro e fora dos parlamentos têm estado na primeira linha das lutas e das reivindicações populares, a saber: menos estádios, mais saúde, mais educação, mais transportes e mais emprego e salários.

      Vamos falar claramente: os fascistas atacaram os próprios organizadores da manifestação. Porque entre os organizadores estão certamente presentes em força as esquerdas anti-neoliberais e revolucionárias, repito PSOL, PCB e PSTU.

    • carlos says:

      para quem chama os outros de totos, tu és muito ingénuo…

    • mariana says:

      Francisco, que “a revolução e as massas na rua” terão sempre o factor caos e desordem, concordamos. Mas acho que extrapolaste um pouco a questão que a autora dos texto quis levantar, ainda que ela possa ser demasiado aristocrata para o teu gosto. Do que vi, em alguns casos parecido ao que ela relatou de São Paulo, houve momentos em que parecia que se estava “à vontadinha” para fazer o que apetecesse. Geralmente, pela minha experiência, a polícia não costuma deixar a violência (seja ela anarquista, fascista, ou outra coisa qualquer) prosperar livremente, quando há condições para a reprimir (o que era o caso de BH pelo menos, visto que estava lá meia dúzia de gente que estava em processo de destruição, logo de fácil tratamento mediático como “baderneiros”), a não ser que o caos lhes sirva para justificar alguma coisa mais tarde…. acho que é disso que se fala. Pessoalmente, não vejo que os actos de violência ajudem à luta que é necessário fazer, mas também não tiro essa questão da discussão – há momentos em que a violência é legítima, mas do meu ponto de vista já existem mais condições democráticas para a usar de forma estratégica do que há uns séculos atrás, graças precisamente a outras tomadas do poder violentas, que resultaram em mais direitos adquiridos. se tivermos que lá voltar, tudo bem, mas HOJE, acho que ela só alimenta uma guerra ideológica que desfavorece ainda mais aqueles que já são desfavorecidos pelos sistemas de poder em vigor. e vale a pena “ouvires” o Rocha aqui em baixo…. quem anda a ser mais expulso destas manifs são os participantes com ideias de esquerda… cada vez mais tenho a sensação de que quem está na rua não são as classes assim tão oprimidas. mas espero estar enganada!

  5. Portuguesa a viver lá? De certeza? A escrever brasileiro. Que medonho. Uiii.

  6. kátia Rossana says:

    Eu quero dizer que sempre acreditei na luta, sou uma comunista é comunista é gente que passa por essa vida a lutar, a protestas e está sempre ao lado do povo, passamos a vida a tentar organizar a classe trabalhadora, pois ai tá o poder de tudo e organizados somos o poder, porém há uma grande resistência do povo, então como um passo de mágica todos os brasileiros se tornam revolucionária, isso seria massa, se fosse verdade, tem uma coisa bem fascista ai, e mais que vós pergunto onde anda o MST, os indios, os sindicatos, os sem teto, e uma luta da classe média manupulada por porcos fascistas, quero convocar o povão brasileiros para participar de uma forma verdadeiro, manda o povo das favelas, os desempregados, os índios, os operários, e ai faremos a revolução, precisamos está atentos ao que realmente está a acontecer no Brasi.

  7. Maria says:

    Boas tardes companheiros,

    Quando a situação muda de um dia para outro; quando abrimos a janela e vemos diante de nós um movimento social com milhares e milhares de pessoas que cresceu numa noite sem ai nem ui, devemos pelo menos respirar fundo várias vezes e procurar formas de testar e discutir os quadros de análise da realidade que temos usado. O mundo tem estado mesmo a mudar e temos nós, comunistas e anarquistas que desejamos o fim da propriedade privada e do trabalho assalariado, da opressão e da miséria, a grande responsablidade de perceber e lutar dentro dessa mudança. A situação é realmente complexa e concordo no geral com as linhas de reflexão abertas pelo “Lumpén mas não muito” e pelo Francisco Furtado. Acrescento duas notas que me parecem determinantes:

    1. o PT é governo no Brasil há dez anos e tem as mãos cheias de sangue, corrupção e neoliberalismo. Se os restantes partidos de esquerdas aceitaram, num momento destes de revolta generalizada, estar lado a lado na rua, com miltantes do PT e suas bandeiras e foram assim “confundidos” é porque não sabem ler a história do movimento operário ou então é porque realmente se “confundem” uns com os outros.

    2. O nacionalismo populista é obviamente uma possibilidade no Brasil, e a oposição de unidades mistificadas “Povo” e “País” aos “Partidos” uma operação aparentemente sedutora num movimento de massas. Não esquecer que quem usa habitualmente o slogan: “o Povo unido não precisa de partido” são os anarquistas e que esta frase parece estar agora, oops, a ser partilhada por nacionalistas. Não esquecer contudo que se extrema-direita está a querer entrar nas manifestações, estão lá a enfrentá-los sem duvida alguma, os anarquistas.

  8. Pingback: A revolução não é um chá dançante… seja no Brasil, na Grécia ou aqui… | cinco dias

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