COMO DIRIA O "CHEF" GORDON RAMSAY, "YOU ARE FUCKING ME!"

Confesso: quando li este “post” do Renato Teixeira, pensei que ele estava a brincar. Mas depois ponderei com os meus botões que, apesar de não o conhecer pessoalmente, ele não poderia estar a brincar com tão sério assunto. Depois ouvi a notícia no link. Outra apreensão me assaltou: tinha ocorrido um buraco de verme na estrutura do tempo e, de repente, estávamos no 1.º de Abril.

Mas não. Parece que é mesmo verdade. O BE e o PCP querem mesmo discutir o pós-troika. Acho bem. A primeira coisa que penso todos os dias assim que me levanto é: e quando a troika já não estiver cá? Julgo até que o primeiro desses partidos, certamente embaraçado por não se ter encontrado com a troika aquando das “negociações” que conduziram ao memorando, pretende agora redimir-se desse grave erro. É reconfortante saber que há sempre uma segunda oportunidade, não é assim?

Resta ainda outra hipótese explicativa para este empenho dos partidos de esquerda com representação parlamentar em debaterem o “pós-troika”. Incomodados pelo facto de a reunião do Conselho de Estado, convocada pelo Presidente da República (não sei se estão a ver quem é) para discutir esse momentoso assunto, se ter saldado por um retumbante fracasso, eis o BE e o PCP a recuperarem o “pós-troika” para a agenda política do dia. Só nos resta aguardar, com os olhos em alvo, que o Presidente dê a sua benção a semelhante iniciativa. Conhecendo-o bem, estou seguro de que ele façará isso mesmo.

Nota à margem: ao ter introduzido no título deste “post” o nome de um “chef” da alta cozinha (ainda que um pouco desbocado), espero ter contribuído para elevar o nível deste blogue. 

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9 Responses to COMO DIRIA O "CHEF" GORDON RAMSAY, "YOU ARE FUCKING ME!"

  1. Manuelantonio says:

    façará não existe, fará é o tempo verbal correcto.

    • Mário Machaqueiro says:

      Ou o Manuel anda desactualizado ou o seu sentido de humor já viu melhores dias. Eu estava a fazer uma citação: “façará” foi a espantosa conjugação do verbo “fazer” que o nosso excelso presidente Cavaco Silva emitiu numa entrevista recente, a incluir na já longa lista do anedotário presidencial, a par do “cidadões”, que anda a fazer concorrência directa com os dislates de Américo Tomás. A minha eventual ignorância da língua portuguesa ainda não desceu a esses abismos de abjecção.

  2. Dezperado says:

    Bom post!

  3. preminger2013vítor dias says:

    Desculpará mas não me parece que se tenha estreado bem.
    A questão está em que eu também fui ouvir a notícia linkada pelo Renato Teixeira
    e nela não encontrei nenhum referência a apoio do PCP à proposta do BE e nela apenas encontrei sim a proposta muito diferente do PCP de se realizar uma reunião de deputados
    de países sujeitos a agressões/intervenções da troika.
    Assim sendo, creio que recai inapelavelmente sobre si o dever de explicar aos seus leitores
    em que se fundamenta para afirmar que também o PCP está dando corda ao fadinho do «pós-troika». Fico à espera de pé.

    • Mário Machaqueiro says:

      Caro Vítor Dias,

      Se ouvi bem, a notícia sugere que o PCP também quer discutir o “pós-troika”, embora sem os “interlocutores” da troika propriamente dita. O meu problema prende-se mais com a ideia do “pós-troika” em si mesma, mais ainda do que com o formato da discussão. É verdade que, no caso do BE, a coisa excede os limites do pífio, mas não me parece que o PC saia inteiramente bem nesta fotografia.

      • preminger2013vítor dias says:

        Meu caro, não se estreie também com o tique de fugir com o
        rabo à seringa. Vá ouvir outra vez e venha aqui claramente
        contar aos leitores qual é a passagem da notícia que lhe fez crer
        que «o PCP também quer discutir o “pós-troika”». Este é o meu inocente
        quesito, por favor não saia dele. Saudações cordiais.

      • Mário Machaqueiro says:

        O link do noticiário já não está activo, meu caro. Se conseguir colocá-lo num comentário, terei todo o prazer em satisfazer o seu quesito, e até em me retratar, se for o caso. Recordo-me, no entanto, de uma enorme convergência de todos os partidos, da esquerda à direita, que é daquelas coisas que me parecem, no mínimo, suspeitas. E recordo-me até do entusiasmo do sr. Miguel Frasquilho, um daqueles deputados da nação que a decência mandaria manter afastado de certas comissões parlamentares. Ora, julgo que tanta excitação e tanta unanimidade se destinam quer à proposta do BE, quer à do PCP. Ok, até lhe dou de barato que me precipitei ao ouvir a notícia e que o PC pretende, essencialmente, discutir a situação de todos os países “intervencionados” com os deputados dos mesmos. Pergunto-me, no entanto, se tão cordata e transversal discussão deveria fazer parte da agenda de partidos que se reclamam de esquerda, quando comparamos essa iniciativa com a gravidade e a exigência do momento actual. Esses partidos não deviam antes estar a criar, no interior de cada país, em rede e por essa Europa fora, um clima pré-insurreccional ou, pelo menos, a jogar com todos os meios de desobediência civil que uma democracia permite? Já sei que, perante a sua seriedade, isto lhe parece um infantilismo esquerdista. É porque não me conhece. Tenho pouco que ver com os delírios românticos do esquerdismo. Mas cada vez mais me convenço que a radicalidade com que as oligarquias político-financeiras estão a impor o seu programa só pode ser respondida com uma radicalidade de tensão semelhante, dotada de objectivos políticos muito claros (não é partir tudo, nem andar à pancada com a polícia só pelo prazer ilusório de afrontar os detentores dos instrumentos de violência). De uma coisa estou certo: não é com a oposição anémica que o PCP e o BE têm vindo a arrastar penosamente na AE que uma alternativa política minimamente eficaz será construída. Espere pelas próximas eleições parlamentares, e verá o que vai acontecer a esses dois partidos…

      • De says:

        Ou seja, a montanha pariu um rato.
        Ou por outras palavras:” excitações” que a gente distraída podem parecer suspeitas.
        (no mínimo, claro)

  4. Pingback: E convidar Lúcifer para discutir o futuro do Éden? | cinco dias

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