A PROPÓSITO DA GREVE DOS PROFESSORES

Alguém me perguntou, numa caixa de comentários no blogue do Paulo Guinote, o que seria uma derrota dos professores no desfecho das greves actualmente em curso. Creio que a resposta é simples. Tremendamente simples: derrota é, em Setembro, a Noémia continuar desempregada e muitos mais colegas se lhe acrescentarem no desemprego. Não é preciso um desenho, pois não?

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3 Responses to A PROPÓSITO DA GREVE DOS PROFESSORES

  1. Não é o desenho que é preciso, é preciso é fazer crer o povo tacanho que isso é um problema. E que não têm a culpa que outros trabalhadores e desempregados não lutem, e cuspam no prato alheio, em vez de se juntarem na luta. É só ver no Brasil quantos não estavam por solidariedade no protesto inicial que ainda era só sobre o aumento do preço nos autocarros. E cá, meu filho estás a fazer és uma besta.

  2. Don Luka says:

    A derrota é muito mais do que o desemprego: é andar-se a falhar no trabalho da escola, algo que a maioria esmagadora dos professores não deseja; é Portugal continuar sem um projecto para o ensino resultante de um consenso político alargado; é a triste sina de o ministério da educação estar sitiado por incompetentes, há mais de 8 anos.

    • Mário Machaqueiro says:

      Concordo em abstracto. Mas o que se coloca agora aos professores é um cenário de emergência muito mais dramático: o que está em causa é mesmo a sobrevivência profissional e a manutenção do posto de trabalho de vários milhares de professores, que o governo se prepara, seguindo as recomendações do FMI, para tratar como material descartável. E percebe-se bem porquê: nas contas de mercearia do governo, os professores dos ensinos básico e secundário constituem a maior massa salarial da Função Pública. Na lógica do “cortar nos mais vulneráveis”, da degradação salarial e da precarização dos vínculos laborais, importa atacar os professores enquanto grupo de maior significado material e simbólico. Se eles forem vergados, o resto far-se-á de forma muito mais “smoothly”.
      Sei bem que o sistema de ensino se debate com outros problemas graves. Mas devo dizer que, no passado, já dei para o peditório da “defesa da escola pública”. Agora o que me importa é mesmo a sobrevivência dos meus colegas. E, nesse particular, subscrevo inteiramente o que disse Pacheco Pereira: as lutas pelo direito ao emprego e à sua estabilidade não são lutas menos nobres e fundamentais do que as lutas pela qualidade do ensino e pelo acesso democrático ao mesmo. As primeiras não têm de ser travadas de forma meio envergonhada, como se os trabalhadores tivessem de pedir desculpa por combaterem em nome da defesa do seu posto de trabalho. A chantagem inerente à acusação de “corporativismo”, essa é que me parece vergonhosa.
      Sei que a intenção do comentário não é, de todo, essa. Mas apeteceu-me fazer estas considerações.

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