No início…a palavra

O desempregado com filhos

Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.
Mais tarde foi despedido e de novo procurou emprego.
Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão que te resta.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.
Mais tarde foi despedido e de novo procurou emprego.
Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a cabeça.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.
Gonçalo M. Tavares “O Senhor Brecht” (2004)

Não estou desempregada, não tenho filhos. Mantenho as duas mãos e a cabeça, hoje um pouco mais levantada ao integrar a brigada revolucionária que compõe este blogue.

Entre as diferenças, juntar-se-ão as nossas mãos tantas vezes às causas que nos são comuns.

Entre as letras, talvez mais e mais se vão juntado. Lendo o que não conseguem ler noutros sítios. Vendo o que não podem ver noutros locais. Relatos na primeira pessoa ou opiniões sobre tudo e mais um par de botas.

Mas para já, e para dar o pontapé de saída, duas palavras apenas, porque a maioria de nós, todos os dias, vai perdendo, porque lhas roubam violentamente, partes de si e dos seus antepassados.

 GREVE GERAL!

grevegeral_27jun

(*imagem de Rita Neves)

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4 Responses to No início…a palavra

  1. Pedro Pinto says:

    Brigada ainda é como o outro. “Revolucionária” nem todos. Mesmo os que mais parecem sê-lo, tal o verbo(rreia)!

  2. MLM says:

    Eu posso falar sobre isso em primeira mão. Tenho 2 crianças, uma de 4 e uma de 2, fiquei desempregada há 3 anos . Hoje em dia desde Março, durante 3 meses vivemos com 100€ de abono pq pedimos o RSI e só agora obtivemos resposta . Vão dar-nos 203€, isso deve dar para pagar casa, despesas e comida para uma familia de 4 já para não falar que durante 3 meses enquanto esperavamos a decisão, eu, o meu marido e os meus filhos pequenos, vivemos de ar!! , Vivemos em Portugal um clima de manda para a Pobreza. Nunca pensei chegar à forma em que estou, mas o pior é o futuro dos meus filhos, que esperança existe? de fome para uma familia, de sermos sem-abrigo sem calor para os nossos filhos? onde vamos parar e pior as famílias a quem daqui a 1 ano ou 2 perderam os subsidios como nós e virem-se sem nada para dar de comer aos filhos. Eu pergunto, qual a esperança neste país? Já me passou a morte pela ideia realmente, com 2 filhos pequenos e tão sem esperança aos 36 anos!

  3. De says:

    Gostei. Da forma e do conteúdo.

  4. Rocha says:

    Duas palavrinhas que fazem toda a diferença. Eu sou daqueles que já perdeu o emprego por fazer greve geral. Eu sou daqueles que mesmo estando desempregado faço sempre greve geral, porque há muito piquete para montar, espaço para ocupar, luta para lutar, manifestação para gritar, estrada para bloquear, risco da legalidade para ultrapassar, serviços mínimos para rasgar, governo, patronato, enfim corja para derrubar.

    Estou desempregado e vou estar presente, como sempre, sempre com a greve geral até à revolução proletária e até derrotar o capitalismo de uma vez por todas.

    E é um belo poema. Benvinda camarada Lúcia.

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