Não desvalorizemos os sinais de tempestade

Ao longo dos anos tenho vindo a utilizar com todos os pruridos a comparação entre a realidade presente e o Fascismo. É bom não esquecer que num regime fascista este texto não seria publicado ou que este autor, muito provavelmente, não estaria a escrevê-lo em liberdade. Contudo, olho à minha volta e diferentes momentos da semana fazem adivinhar um negro destino que paira sobre nós.
Na Turquia o protesto local contra a construção de um centro comercial desencadeou uma guerra civil. Milhares dão o corpo às balas (literalmente) para derrubar mais um ditador protegido pela NATO. Quem duvidar do estado de excepção, basta ver alguns vídeos que circulam pela internet, as imagens da prisão dos advogados que se voluntariavam para defender os manifestantes ou saber das multas aplicadas aos canais de televisão que transmitem os protestos. Ao invés, na Grécia, do dia para a noite o primeiro ministro decidiu encerrar a televisão pública e lançar no desemprego mais uns milhares de trabalhadores.
A nuvem negra do fascismo paira novamente sobre a Europa. E Portugal está no pelotão da frente.
O que dizer de um governo que recorre a dispositivos ilegais para condicionar o direito à greve de professores? O que dizer de um ministro que, do dia para a noite, decreta a suspensão do pagamento dos subsídios dos funcionários públicos? O que dizer da morte de “Mucho” depois de 15 dias em coma por ter sido espancado pela polícia num bairro da Damaia? O que dizer de uma justiça que condena em dois dias quem manda trabalhar o Presidente da República e que lhe diz na cara que está farto de ser roubado ao mesmo tempo que ignora, iliba ou adia decisões em todos os casos que envolvem as figuras poderosas do regime? O que dizer dos 25% de cidadãos residentes em Portugal que vive abaixo dos limiares de pobreza?
Os sinais de tempestade estão todos aí.

Advertisements

About zenuno

http://despauterio.net
This entry was posted in 5dias. Bookmark the permalink.

31 Responses to Não desvalorizemos os sinais de tempestade

  1. De says:

    Muito bom

  2. De says:

    “Actualização 4h30 (Istambul) – A polícia entrou no hotel Divan com granadas de gás lacrimogéneo, lançando o caos entre as muitas crianças, mulheres e idosos que se haviam protegido no hotel. Mais tarde entrou noutros hotéis, incluindo o Hilton que fica a mais de 1km do Parque Gezi. A população saiu em peso a rua e há vários milhares de pessoas no lado asiático a tentar atravessar a ponte rumo a praça de Taksim. Por toda a cidade há escaramuças entre a população que tenta simplesmente caminhar vários kms até ao centro da cidade e a polícia que não demonstra qualquer pejo em atirar granadas de gás e dirigir os canhões de água (desta vez com um químico que causa queimaduras na pele) e balas de borracha para hospitais.”


    “Por razões óbvias não me vou identificar. Vivo em Istambul e falo turco. Há diversas fotos a circular no twitter (recomendo também o tumblr occupygezipics) e o canal alemão ZDF tem um vídeo no youtube com legendas em inglês. São 5h40 em Istambul e posso confirmar que vários milhares de pessoas estão neste momento a atravessar a ponte. No entanto também há fotos de diversos camiões de militares entre a ponte e a praça de Taksim. O cheiro a gás lacrimogéneo no ar é perceptível apesar de estar a alguns kms dos confrontos.”

  3. Nuno Cardoso da Silva says:

    Tens toda a razão. Mas eu continuo a achar que quem tinha razão era o rei D. Carlos quando dizia que Portugal era um “país de bananas governado por sacanas”… Depois de tudo o que temos vindo a ver, quando é que veremos um regimento, ou mesmo um batalhão, ou até uma companhia de soldados a sair à rua para meter na choça aqueles que são responsáveis por este desastre? Quando é que saímos à rua em tal número e com uma tal irritação que não haverá guarda pretoriana do Miguel Macedo que nos impeça de os varrer do poder? A esmagadora maioria do povo português quer que esta corja se vá embora, e ainda não encontrámos maneira de nos livrarmos deles?… Isto de facto não é um país, é um bananal…

  4. JgMenos says:

    Os sinais não são de fascismo, se é que há uma definição clara do que isso seja.
    Mas sem querer precisar os termos que definem o fascismo, tenho por certo que a noção de Autoridade está presente, e que tudo o mais no fascismo a mantém como valor referencial.
    As democracias bem sucedidas convivem com a noção de autoridade com razoável tranquilidade e construíram a noção de autoridade democrática sob o primado da lei.
    Mas quando o primado da lei não é o primado do senso comum enquadrado por instrumentos que lhe asseguram rigor e estabilidade, é a noção de autoridade que fica em causa, em toda a sua extensão. Note-se o caso do Estado Novo, que fundou a sua longevidade no rigor da Justiça, admitindo uma única excepção ao seu império – os agentes soviéticos e seus aliados objectivos – e mesmo assim mantendo a sua forma e ritos.
    Estando em crise a Justiça – e sempre são os agentes políticos que a corrompem – está em causa a noção de autoridade e ficam libertos os impulsos anárquicos que sempre têm por resposta afirmações de poder pela via da repressão.
    Para o cidadão comum, a permanente ambição é reconstruir a autoridade que garante a vida social sem ofensa ao senso comum.
    O que seja o senso comum, cada ideologia dirá sua coisa…

    • azur says:

      É preciso ter lata!e,só a podes ter pq a democracia não se concretiza todos os dias-alíás é o cpntrário.Os CA’s são órgãos ditatoriais e que estão enraizados, nesta ‘democracia’. Não, não é coincidência…

    • De says:

      Menos.O paleio verbalista com que enfeita o seu articulado a tentar limpar seja lá o que for já basta..
      Um dia um idolatra salazarista teve o arrojo de citar a constituição de 1933 como um exemplo do tal “rigor da justiça”.O bafiento personagem “esqueceu-se” de que este papel era violado sistematicamente pelos próprios fascistas de braço estendido e ficou um pouco fora de si quando tal lhe foi lembrado.
      Daí que o tal senso comum com que se refugia da forma cobarde como o faz para defender a ordem e a autoridade esboroa-se na sua tese que o rigor da justiça no tempo do ditador das botifarras admitia uma única excepção a saber, os agentes soviéticos e seus aliados objectivos
      O que é manifestamente falso,como qualquer historiador ou homem decente sabe.
      O que é manifestamente falso como os assassínios a sangue-frio de personagens como Humberto Delgado ( directamente a mando do facho central) lembram.
      O que é manifestamente falso como o 25 de Abril veio mostrar à evidência.
      Mas confirma-se o pequeno arrebique entre as palavras de Menos quando expõe as suas teses.Repare-se.O tal regime afinal só limitava a sua acção aos tais agentes soviéticos e seus aliados objectivos ( será aqui que ele coloca Delgado, naquela óptima do fascista que dizia que quem não era por ele,era contra ele?.É que era esta mesmo a senha decisiva também do mesmo fascismo).Parece que assim o “sistema” está perdoado e é até “abençoado”.Fede.
      Como também é revelador a afirmação que “estando em causa a justiça” ficam libertos os impulsos anárquicos. Que se diga ao Menos que a justiça é sempre uma justiça de classe.E que esta classe que manda na justiça é que limita,esmaga,cerceia,viola sistematicamente os direitos e liberdades dos cidadãos.E ,lastima-se.Menos mas a verdade é para ser dita, as tais liberdades sociais,culturais,económicas,E o que surge perante as pessoas não são os tais “impulsos anárquicos” , espécie de classificação primária das motivações dos indivíduos.(Deve estar mesmo a brincar para ver se engolimos estas patranhas sociológicas com toques de “psicologismo” matreiro, com o rabo ideológico correspondente de fora) O que se liberta nas pessoas são os seus anseios de liberdade, de poderem viver dignamente em paz,com direito ao seu emprego, ao pão (como se sabe nestas sociedades o trabalho nem sempre garante já o pão),educação,saúde,habitação, direito à cultura.
      Mas o que se vai libertando também nas pessoas é a noção da necessidade de tomarem nas suas mãos o seu destino e de por ele lutarem se se quer de facto uma sociedade mais justa .Porque esta canalha que nos governou no fascismo e nos governa agora nunca dá nada. de mão beijada.E cada vez aperta mais o garrote.
      E é esta libertação dos anseios de liberdade e da tomada de consciência da necessidade de lutar por uma vida digna, que faz temer / tremer o poder dominante. Que mantém aberta sempre a via do fascismo como resposta a.

      O fascismo de facto espreita.E os seus próceres também

      • JgMenos says:

        A ‘virose ideológica’ que lhe empesta as meninges não a qualifica para qualquer discussão.
        Recomendo que regresse aos slogans e às palavras-chave:
        “viver dignamente em paz,com direito ao seu emprego, ao pão educação,saúde,habitação, direito à cultura.”
        E se alguém puser dúvidas a que tal seja óbvio e disponível ao virar da esquina é inimigo a insultar, fascista do mais acabado!..

      • C Vidal says:

        É lamentável que se publiquem comentários desta osga Menos.
        Em nome de nada se devem fazer tais coisas, Tiago e De !!
        Em tempo de guerra contra aqueles de que Menos é sabujo e tapete (a não ser que este Menos seja A.Borges disfarçado de Menos, o que não o faz sabujo mas protagonista), neste tempo de regresso da besta, a “grandeza democrática” de nada serve. Foram eles que decretaram o estado de excepção. E, pelo contrário, dar espaço a animais amolece-nos, conduz-nos à derrota. Devemos saber como lidar com a ilegalidade e bestialidade que tem o descaramento de aqui vir pavonear-se: “não os respeito e mesmo assim me ouvem ah ah ah ah…” Assim não vamos longe!

      • Tiago Mota Saraiva says:

        Willkommen Carlos!

      • JgMenos says:

        Enfim, é tempo de acabar com disfarces democráticos. Percebido!

      • Yaya says:

        http://www.odiario.info/?p=2911 ,besta,sabujo,terrorista!

      • C Vidal says:

        Menos, está o sr. a lidar com o Tiago, comigo seria muito diferente. Democracia como-a ao pequeno almoço. Quanto à sua, não lhe digo o que (lhe) faço……..

      • JgMenos says:

        http://es.wikipedia.org/wiki/Masacre_de_Katyn
        és um inconsequente catálogo de slogans e insultos!

      • De says:

        O dito disfarce “democrático” morreu há muito, às mãos da trupe que nos governa, com sotaque cavernícola-alemão.
        E de facto a resposta a esta canalha tem que ser dada de acordo com o terrorismo que praticam.

        (Fazem falta os textos de Carlos Vidal.)

  5. Caxineiro says:

    é um fascismo muito mais sofisticado Os tempos são outros, os instrumentos de controle do poder tambem,
    Os sinais estão todos aí. Não ficava nada admirado se um dia destes ao acordar descobrisse que tinha perdido mais um direito em nome da democracia. Veja-se o que acontece nos EUA, é em nome da liberdade que é retirada a liberdade aos seus cidadãos.
    Há tambem o outro lado desta história A degradação é tanta que em todos os sectores da sociedade cada dia mais gente está atenta a esta realidade, Quando toda esta gente reagir algo terá que mudar
    E não serão apenas as moscas

    • Carlos Carapeto says:

      Pois é “senhor” JgMenos.
      Esse tal massacre de Katyn foi revelado ao mundo por o insigne democrata Joseph Goebbels no Outono de 1944 depois da Operação Bragation, quando a Werhmacht já estava a ser escorraçada por todo o lado.

      Porque será que teimam com a mentira quando tudo já foi esclarecido?

      Em Katyn foi aplicada justiça contra quem cometeu estas atrocidades vinte (20) anos antes.

      Veja aqui:

      http://sp.rian.ru/international/20090901/122932496.html

      O próprio presidente Polaco reconheceu os factos. E também não são esses números fabulosos que a propaganda anti comunista fabrica.

      Foram sentenciados os responsáveis por a morte de mais de 90 000 prisioneiros Soviéticos. Entre três e quatro mil oficiais e guardas Polacos dos campos de prisioneiros.

      Por isso não usem mais essa propaganda, está provado que é mentira.

      A “celebre” folha solta com a assinatura de Béria que apareceu no meio dos documentos, provou-se que era falsa, porque em 1941 ainda não existia aquele tipo de máquinas de escrever com que a folha estava datilografada.

      Outro exemplo de prova que é mentira o alegado “massacre” indiscriminado de Katyn, é saber por onde passaram os 200 000 soldados Polacos que se agruparam no Irão para vir combater na frente Ocidental. Os que tomaram o Monte Cassino, mas o prémio foi para os Americanos.

    • Carlos Carapeto says:

      O camarada Tiago cortou-me dois comentários, um sobre Katyn e outro acerca da ascensão do fascismo que se está a verificar por toda a Europa.

      Se não o preocupa as nuvens negras que por aí pairam carregadas de ideologia fascista, não admira porque antes já outros também o fizeram e depois viu-se o resultado.

      Mas sobre o tema Katyn volto a insistir porque considero que qualquer COMUNISTA que se prese de o ser , tem o dever de não permitir e ainda menos tolerar que se continuem a propagar mentiras que há muito foram desmascaradas.

      A continuação desse tipo de propaganda e mentiras tem como objetivo único desacreditar um sistema politico que serve a minha classe e eu isso nunca vou aceitar.

      Katyn resultou disto e nada mais.

      Aqui: http://sp.rian.ru/international/20090901/122932496.html

      Reconhecido por Lech Kaczynski, presidente Polaco no 70 º aniversário do inicio da II G G..

      Por outro lado o numero de mortos está muito longe das efabulações propagandeadas por a informação burguesa. E os principais visados foram aqueles que direta ou indiretamente participaram na morte de mais de 90 000 militares Soviéticos 20 anos antes.

      Temos ainda que ter em atenção que quem primeiro fez esta “denuncia” foi Goebbels quando já estava a perder a guerra.

      Muito mais havia para dizer sobre esta questão, fica para outra altura.

      Esses JgMenos que por aí pululam se pretendessem mesmo fazer justiça às vitimas e denunciar massacres deviam ter a honestidade de também publicar isto.

      http://pt.wikipedia.org/wiki/Babi_Yar

      https://en.wikipedia.org/wiki/Babi_Yar

      Isto é que foi um verdadeiro massacre de inocentes

      Não o publicitam porque mexe com os parentes deles.

  6. Rocha says:

    A chamada “guerra civil” síria já se transformou na mais fanática guerra religiosa desde que Hitler anunciou o seu plano para levar todos os judeus para a câmara de gás. Veja-se como os “rebeldes” sírios além de dizer a cristãos e chiitas “fujam ou morram” agora também destróiem templos chiitas:

    NGO: Qaeda-Linked Militants Blow Up Shiite Hall in Deir Ezzor
    http://www.almanar.com.lb/english/adetails.php?eid=97799&cid=23&fromval=1&frid=23&seccatid=20&s1=1

    A Irmandade Muuçulmana do Egipto grita histericamente morte ao governo de Assad e ao Hezbollah por serem vistos como forças chiitas. Muhammad Morsi apela à “guerra santa” contra Assad e apela à NATO-Estados Unidos-França-Inglaterra para que imponha uma no-fly-zone que traga a barragem de bombas que parta o espírito de resistência do exército sírio.

    Os chiitas, da variante do Islão minoritária face ao sunismo, estão a ser literalmente ameaçados de genocídio pelos chacais fascistas islâmicos das forças combinadas da Irmandade Muçulmana, Al Qaeda, Petro-monarquias, a ditadura turca de Erdogan com todo o apoio dos países da NATO e da União Europeia, França, Inglaterra e Estados Unidos. Esta é uma coligação de facínoras sanguinários que estão a incitar ódios demenciais que prometem afogar o Médio Oriente em sangue. É a camapanha de ódio mais perigosa desde o Terceiro Reich.

    Sim Tiago, não desvalorizemos os sinais da tempestade.

    • De says:

      E a confirmação a cada dia que passa que “as coisas” foram e estão a ser planeadas:
      Ex canciller francés: “Reino Unido planeó una guerra contra Siria antes del conflicto”

      http://actualidad.rt.com/actualidad/view/97531-francia-reino-unido-guerra-siria

    • Carlos Carapeto says:

      Camarada Rocha.
      A isso tudo que escreves-te junta mais esta. O Egipto está à beira do colapso (catástrofe) económica, portanto precisa do dinheirinho com que a Arábia Saudita e o Catar lhe acenam.

      O imperialismo está a dar o nó na corda com que irá ser enforcado. Das guerras que provocou na região está a perde-las todas, não resolveu nenhum dos problemas que se propunha acabar, deixou a situação pior com que estava, e quem está a sair claramente vencedor no meio disto tudo é o Wahbismo extremista Saudita.

      Os Talibans abriram há poucos dias uma representação diplomática (embaixada) no Catar (outro elo do Wahbismo).
      Sabe-se que o Mullah Omar vive confortavelmente e em segurança em Carachi, as negociações secretas (primeiro, agora ás claras) que os Americanos têm mantido com os Talibans faz parte a aceitação de Omar se candidatar às eleições de 2014.

      O Afeganistão ficou completamente destruído, mais inseguro, mais miséria, mais atraso, as mulheres não viram melhoradas as suas condições.
      Ainda há poucos dias vi uma reportagem (no Sitio do Fergana) sobre uma visita que um grupo de veteranos de guerra Soviéticos fizeram ao Afeganistão, dizia um general que nem no tempo que lá estavam os Soviéticos a situação não era tão critica como é atualmente, 70 % do território está sob controlo dos insurgentes, as tropas da NATO estão acantonados nas cidades.
      Já perderam o domínio do túnel estratégico de Solang

      Portanto é fácil adivinhar o que virá quando os Talibans retomarem o poder.

      O Iraque vive no caos generalizado.
      A Líbia não está diferente, não existe uma autoridade a nível nacional, em Trípoli cada grupo rival controla o seu bairro, nos outros pontos ´é igual.
      A Sharia tornou-se na lei vigente.

      Na Síria pretendem fazer o mesmo, destruir já sem pensar no que vem a seguir.

      Depois vêm estes canalhas falar em liberdade e democracia.

      O que foi que conseguiram melhorar na vida das populações dos antigos países Socialistas?

      Esquecem o inferno em que transformaram as Honduras?

      Depois de pensar nas patifarias que o imperialismo está a impor à humanidade, só me apetece escolher Estaline como Ídolo.

  7. Argala says:

    Este texto tem de começar pelo princípio: definir fascismo. Se saltarmos por cima disto, estaremos apenas a utilizar o senso comum, a utilizar a linguagem e os conceitos do inimigo. Tal como fez Álvaro Cunhal quando eliminou a expressão “ditadura do proletariado” do programa do PCP, recusou-se a definir fascismo, para melhor poder agrupar “a frente”. Atalhar desta maneira só pode dar maus resultados.

    O outro problema é a forma como o texto é servido. Pede logo uma conclusão comezinha na cabeça do leitor: “é necessário defender o castelo, é necessário defender a democracia burguesa”. O fascismo deixa de ser visto como uma consequência natural da evolução das contradições do capitalismo, e passa a ser visto como uma praga que nos rogou um bando de malfeitores, e que ameaça a “democracia”. Esquece-se a causa, ataca-se a consequência.

    O fascismo é a consequência de um outro mal que tem de ser extirpado. Repitam: o fascismo é a consequência.

    Preocupem-se com o que é importante.

    Um revolucionário não está aqui para segurar esta merda pelas pontas, nem para defender a legalidade constitucional que a burguesia, neste momento, também quer destruir. O legalidade constitucional é um palco onde a burguesia já não quer jogar, e não devemos ser nós a subir sozinhos para um palco onde já não está ninguém. É necessário sair do palco e encontrar outras armas.

    Cumprimentos

    • Rocha says:

      Sim é verdade, saída revolucionária precisa-se para ultrapassar o actual regime democrático-burguês e a sua eterna “crise” (que não é mais do que o seu funcionamento normal). Mas para isso é preciso entender o fascismo como um modelo de gestão de continuidade e inseparável da democracia burguesa, a mesma classe burguesa que agora domina a nossa sociedade é a mesma que dominava o regime fascista e é a mesma que nos levará de novo ao fascismo se não for derrubada. É preciso fazer uma crítica revolucionária e radical da democracia burguesa, não esquecendo aquilo que ela foi um passo em frente, mas entendendo que o limite da sua validade como progresso social à muito que foi ultrapassado e que desde à muito que ela só significa regressão, fasciszação e destruição económica-social.

      Defender a democracia para o povo só pode significar o derrube da burguesia, o derrube do regime democrático-burguês, virar o tabuleiro, reprimir os repressores, expropriar os expropriadores, dominar a classe dominante, fazer a revolução do povo para o povo, a revolução proletária socialista. Repito: é preciso derrubar o regime. O regime já não tem melhoria, não tem reforma, não retomar valores iniciais, nem cravos primaveris, o regime só melhora por ser derrotado, por ser vencido, pela revolução do povo, pela revolução socialista. Repito: é preciso derubar o regime.

  8. Manuel A. says:

    Governo burguês e fascista, liderado por um pequeno tirano, sem escrúpulos e ex-toxicodependente.

    • kamal says:

      E, que batia na mulher à brava,violentamente!Se fosse o sócas,já se sabia todos os santos dias pelas vozes dos donos dos media de ´referência’.PQP ao 1º e a todos os propagandistas de merda,lacaios das tv,jornais,radios.

      • Manuel A. says:

        Pedro ou como a comunicação social prefere chamá-lo – Passos – era o parasita da família. De Paulo Portas, é inacreditável a maneira como o promovem e dizem que é o melhor do governo. Já alguém se esqueceu do caso do Parque Eduardo VII?
        Enfim, este governo faz lembrar o de Hitler. Os seus membros têm quase todos uma grande dose de pancada.

  9. Independentemente do disfarce, o Ti António das Botas anda por aí, disfarçado de porta-voz, de ministro, de comentador, de capataz abrilhantado pelas comendas, de jornaleiro ao serviço de causa sua, de filho da areia, porque as praias são poucas e não são para consporcar.
    José Luís Moreira dos Santos

  10. Pingback: Não desvalorizemos os sinais de tempestade

  11. Carlos Carapeto says:

    Mas alguém bem intencionado tem duvidas que na Europa o que já está em vigor é um fascismo com roupagens de democracia?

    Veja-se o que aconteceu na Roménia aos dirigentes sindicais dos mineiros? Estão todos na prisão, alguns há já 16 anos.

    Na Albânia quantas sublevações populares já houve? De grande envergadura foram três a ultima em 2009. Todas esmagadas por as tropas da NATO.

    Vitor Orban da Hungria não é um fascista assumido?

    Nas Republicas Bálticas, estão proibidos todos os movimentos e organizações de esquerda, no entanto os veteranos das SS Waffen desfilam em paradas publicas assistidas por membros do governo.
    Na Letónia 40% dos habitantes são considerados de não cidadãos, não têm direito a um passaporte, nem a ocupar qualquer lugar no Estado.

    Na Polonia alguém que se atreva a aparecer em publico com uma camisola com a foto de Che Guevara ou outro símbolo de esquerda, é condenado a pelo menos seis meses de prisão.

    Deste lado não foi necessário fazer uso de leis arbitrarias para silenciar a esquerda “desobediente” bastou infiltrarem-se nesses partidos e organizações e subverte-los.

    Podem contar-se por os dedos os partidos comunistas e de esquerda genuína com alguma expressão na Europa.

    Na atual conjuntura politica Europeia infeliz do povo que tenha o atrevimento em votar maioritariamente num partido anti burguês, de esquerda.

    Temos o exemplo da Bielorrússia.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s