O menino e a doutora

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Esta segunda-feira (excepcionalmente, porque o programa passa demasiado tarde para os meus hábitos e frequentemente é desinteressante), vi o Prós e Contras na RTP1. O que vi ter-me-ia mandado para a cama mais cedo a não ser por uma coisa: a Raquel Varela (declaração de interesses: somos casados). Não fosse por ela, e o programa teria sido completamente soporífero. Foi a Raquel a única que produziu opiniões fundamentadas, apoiadas nos seus próprios estudos ou em estudos de outra gente séria que visivelmente conhece, em defesa do Estado social, do emprego, da dignidade de quem vive do seu trabalho, contra a emigração como ‘solução’. Apesar dos seus apelos, nenhum dos representantes do painel da direita defendeu uma ideia, uma sequer, com algum fundamento. O mais articulado deles três tentou levar a conversa para o campo da ideologia e das grandes abstracções, terreno mais propício para quem não faz os trabalhos de casa. Os grandes agradecimentos que a apresentadora Fátima Campos Ferreira fez à Raquel no final do programa só se explicam, aliás, por ser óbvio que a Raquel lhe «salvara» o programa.

Ora isto incomoda a direita (e até uma certa esquerda «alcatifada», como pode ver-se por aqui e aqui). Vai daí, o propagandista da Situação José Manuel Fernandes e um site do Millennium BCP tiveram uma inspiração ‘divina’: pegaram num fait-divers do programa (um miúdo de 16 anos, Martim Neves, que foi apresentado como exemplo de empreendedorismo por ter vendido pela Net um número indeterminado de sweat-shirts) e montaram todo um circo de propaganda anti-Raquel. Ora este circo tem a vantagem de expor com bastante rigor aquilo que é a direita portuguesa. Esta reedição apressada d’ O Menino entre os doutores’ (original em Lucas 2:42-51) apresenta-nos o menino Martim não a ser ouvido atentamente pelos doutores, como no episódio bíblico, mas, alegadamente, a «desfazer» de uma penada toda a argumentação da doutora. E é ver a hostilidade contra a ‘doutora’ (contra o conhecimento e o trabalho sério) que para aí vai destilada por esta direita ignorante, carroceira e chico-esperta, esta direita que deu ao mundo Relvas e Passos Coelho, esta direita que comanda um país com uma taxa de emprego de doutorados pelos nossos «empreendedores» de 2,6% (contra, por exemplo, 34% na Holanda ou Bélgica – Relatório da FCT citado pelo DN, 13-5-2013).

Mas que disse, afinal, o menino Martim, transformado em campeão da campanha de propaganda da direita: que mais valia ganhar o salário mínimo do que estar desempregado. E isto mereceu aplausos na sala! E que nos revela a ‘sabedoria’ precoce do Martim? Que o desemprego de 1,4 milhões de portugueses não é uma infelicidade, um triste acaso – ele serve mesmo para nos fazer aceitar salários inferiores a 500 euros e achar que podia ser pior. E não se pense que não existe uma base social relativamente alargada para estas ‘ideias’ bárbaras. Existe, sim. As dondocas que exploram uma loja num centro comercial que só é viável graças a salários inferiores ao salário mínimo (com a desculpa que são part-times, por exemplo). Os «empreendedores» chicos-espertos do import-export que mandam vir uns contentores de roupa ou de artigos de desporto, por exemplo, da China, da Índia ou da Indonésia e os vendem dez vezes mais caros. Nenhuma desta gente produz seja o que for, mas vão-se safando na vida à custa dos outros. A base social deste governo é feita em boa medida de gente assim, que, claro, são adeptos fanáticos do salário mínimo de 485 euros.

Falemos um pouco mais do «empreendedorismo». Este empreendedorismo que nos vende o governo e a direita é uma coisa muito diferente da iniciativa e do trabalho árduo. No debate do Prós e Contras, a iniciativa e o trabalho árduo estavam representados pela Raquel Varela, que trabalha muito mais horas do que devia, já publicou seis ou sete livros e nem eu sei já quantos artigos em revistas científicas (com avaliação pelos seus pares) e acabou de ser reeleita a semana passada, por unanimidade, presidente de uma associação internacional de 34 instituições académicas de muito prestígio. O ‘empreendedorismo’ do governo e da direita não é mais do que uma alcunha miserável para a expulsão de trabalhadores das empresas e a proletarização das camadas médias. São trabalhadores despedidos que passam a ser formalmente empresários, mas na verdade continuam dependentes – muitas vezes, senão quase sempre – das próprias empresas que os despediram e passam a não ter nenhuma da protecção social que antes tinham: tornam-se únicos responsáveis pela sua segurança social, deixam de poder estar doentes, de poder tirar férias… São os proprietários de pequenos negócios (restaurantes, empresas de serviços dos mais diversos matizes…) que mais não fazem do que explorar a sua força de trabalho e a da sua família, em micro-empresas onde o capital circula mas não se acumula. É quase mais fácil ganhar o euromilhões do que ver um deles sair da pobreza.

A dúvida mais importante que me fica depois destes espectáculos é: por quanto tempo mais vamos aturar que o governo desta gente continue a destruir-nos, a nós e ao país? É que quanto mais dilatado for esse tempo, mais demorado será reconquistar para a vida civilizada tudo aquilo que eles têm vindo a destruir.

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90 Responses to O menino e a doutora

  1. Capitão says:

    Daniel Oliveira lembra-me o salta pocinhas da minha juventude, que salta de partido em partido até encontrar um que satifaça o seu ego. Nesta época de incertezas, não sabe o que faz nem sabe o que diz. Raquel Varela que não conheço, mas admiro pela sua postura na defesa dos trabalhadores. Tentou fazer compreender ao jovem “empreendedor” que o que ele fazia, não era mais do que outros já fizeram, e não mudaram a natureza do sistema da exploração capitalista.
    Daniel Oliveira vem com o dogma das criancinhas coitadinhas, defender o empreendorismo do jovem dentro do sistema capitalista, e dar a entender que as formas de desenvolvimento seriam as mesmas numa sociedade Socialista, o que não é verdade. O Capitalismo tem muitos seguidores. alguns de boa fé produto da sua ignorância, bem descritas no bater de palmas ao jovem, quando falou, que o salário mínimo, um salário miserável é melhor que um salário digno. Outros defendem-no porque beneficiam dele fazendo grandes fortunas e conhecem bem a degradação humana que o sistema capitalista impõe.Daniel Oliveira demonstra no seu vómito que o capitalismo tem seguidores dentro da chamada esquerda caviar. Eu já sabia!

    • dcapelos says:

      O senhor cria uma realidade na sua cabeça e inventa o que não foi dito. O que foi dito é que mais vale ter salário mínimo, do que estar no desemprego. Visto que só por volta de 40% dos portugueses é que recebe o subsídio de desemprego, é compreensível a resposta, mesmo que eu não ache que o jovem tenha qualquer tipo de pensamento cientifico ou crítico relativamente à sua resposta.
      Quanto mais, a sua critica nada construtiva onde simplesmente coloca o pensamento pessoal em caixinhas bem arrumadas na sua cabeça, em que define os seguidores do capitalismo ou como ignorantes ou como sanguessugas, é bem demonstrativo da sua ideologia de terra queimada e de agressão a qualquer custo, sem qualquer tentativa de debate de ideias. Diz que o mesmo não se aplicaria numa sociedade socialista, mas desenvolvimento que é bom. Zero.
      Tendo em conta as experiências socialistas que a história já viu, e continua a ver em Cuba, eu diria que flexibilidade é necessária por parte da esquerda inflexível e também da direita inflexível que também não consegue o ser mesmo depois dos vários resultados do capitalismo selvagem.
      Mentes fechadas são como água estagnadas. Depois de um tempo sente-se o fedor à distância.

      • António Paço says:

        Isso! O que é preciso é criar consensos (à volta de quê? Do salário mínimo de 485 euros?). E acabarmos todos numa sardinhada à Integralismo Lusitano, como se diz no «FMI» do Zé Mário Branco…

      • Jose Luis says:

        Claro: mais vale partir um braço que os dois; Mais vale empobrecer a trabalhar que morrer de fome… è uma lógica “brilhante”, rasgo de luz em mentes que, apesar de não assumirem, vêem o capitalismo como fim da história.
        Daí a sua fúria e o desancar no socialismo e em particular em Cuba!!!
        Azar: apesar do bloqueio criminoso de mais de 40 anos, Cuba tem uma tx de mortalidade infantil inferior à dos USA!! Não há fome em Cuba, contrariamente ao que acontece a norte… para já não falar em TODOS OS ÍNDICES DE DESENVOLVIMENTO HUMANO, superiores em Cuba!

    • Cláudia says:

      Daniel Oliveira é um arrogante que se julga acima da moral e da ética. Aliás, ética é uma palavrinha que não consta no seu dicionário, Um demagogo perigoso para os menos avisados. Mas não é o único. Miguel Sousa Tavares é outro da mesma Laia, embora ainda muitos não o “vejam”.

  2. miguel says:

    Gostaria de saber se tem sempre essa preocupação quando vai às compras?

    • RC says:

      Não conheço a Raquel nem os seus hábitos, mas acho que lhe posso responder com toda a certeza: Não

      • António Paço says:

        Este tipo de especulação indigente dá-nos um retrato fiel de quem comenta. Não sabe, mas está cheio de certezas. E aposto que raramente tem dúvidas. Faz-me lembrar um certo sujeito…

      • José says:

        Deixe de ser ingenuo, ignorante, e hipócrita. Peço desculpa pelos termos, não há outros para o descrever perante esse comentário.
        Cumps

      • Cláudia says:

        Quantos têm essa preocupação? Por acaso eu tenho. Aliás, não só essa, mas todas as que representam a venda e promoção da exploração de humanos (crianças) ou de animais. Sou vegan e por esse motivo, apenas em último caso compro produtos “made in China”. Boicoto lojas de “chineses” e outras que vendam produtos anti-éticos, incluindo os OGM’s. Mas sei que “somos” ainda uma minoria e reconheço que é difícil viver nesta linha, uma vez que tudo nos pressiona no sentido inverso. Contudo, parece-me que há diferenças significativas entre consumir e viver à conta/explorar a violação dos direitos humanos, como neste caso e ainda dar-se como um exemplo a seguir, quando, se observarmos bem, NÃO há NADA de positivo no negócio do menino de 16 anos, muito menos para o país. Este exemplo do miúdo apenas serve para incentivar as massas à esperteza saloia, ao oportunismo, a uma vida sem valores éticos onde o único interesse é o próprio umbigo.. enfim. Lamento que poucos consigam VER para além do óbvio e que tenham uma consciência social tão deficiente.Portugal ainda é, sem dúvida um país de chicos espertos, que continuam a confundir esperteza com inteligência.

  3. hui says:

    Apoiado.Foi um balde de água fria ver aquela ‘galera’ de acéfalos, sempre prontos a apoiar do populismo mais xunga por parte dum puto que replica os vendedores de feira e contra fação,só que na versão internet-ideia do cara***!Devia ,o Martim ganhar um nóbel da ‘inovação’-um génio do caneco.
    Vi a dona Bárbara(sic!!!!)Rosa um peixeira com uma licenciatura,uma jimbras que com certeza votou neste desgoverno para o Povo(atenção: aqueles q teem um sentido maior de Humanidade…..ao contrario daqueles estarolas, que se define como lúmpen,da massa dos terroristas a soldo do Qatar,EUA,na Síria) e apoiou o ‘doutor’ (eheheh) Relvas,um capo de mão.

  4. AC says:

    Caro colega,

    Propõem soluções?
    O Martim não as tem, e a Raquel tem? O senhor também?
    Se as pessoas que trabalham em certas lojas ganham X, essa é uma consequência do mercado com base na lei da procura e da oferta. O que podemos fazer quanto a isso?
    Se fosse fácil já se tinha instituído um salário mínimo de 5000€ e acabavamos com a crise.

    O grande erro da Raquel foi tentar intervir a todo o custo. Depois dele lhe dizer que as camisolas eram feitas em Portugal, devia ter ficado por aí. Quis arriscar e confrontar o Martim com uma problemática que lhe é alheia, e levou por tabela.

    A senhora até pode tentar arriscar mudar o mundo e lutar pelas causas que acredita. Mas não é confrontar um miúdo de 16 anos na televisão que vai ganhar o que quer que seja…

    • júlio dias says:

      Afinal veio-se a saber que as t-shirts não são mesmo feitas em Portugal, mas isso é irrelevante,o importante é que grande parte dos portugueses fica muito contente com o salário mínimo.

  5. Torga says:

    Daniel Oliveira sem a máscara…

    Que feio.

  6. FS says:

    Mas que post “isento”

    • António Paço says:

      Aqui o crítico do «isento» ter-se-á esquecido de que os autores do blogue podem ver a origem dos posts? E este veio de uma conhecida empresa de «spin»! Aí está um exemplo de isenção.

      • FS says:

        Caro António,
        A democratização da opinião está em força nos blogues. E consequentemente, a democratização da opinião da opinião. Viva com isso, sff. Todos vivemos.

        Sobre origens dos posts, sim, estava ciente, mas muito me honra o seu tempo e paciência. Nunca pensei 4 palavras merecessem tanta atenção. E sabe muito bem que até teria uma resposta que o metia num chinelo. Mas não o vou fazer. E sabe porquê? A bem da democratização da opinião. Independentemente do género, raça ou profissão.

  7. João Nunes (empreendedorzinho de treta, licenciado que não consegue says:

    Desculpa lá a minha falta de educação mas… que artigo de merda!
    Volta a ler o que escreveste dentro de 10 anos e pensa bem no assunto. Como dizes, o programa era uma treta não fosse terem desprezado a tua mulher…

    João Nunes (empreendedorzinho de treta e licenciado que não tem o Estado a dar-lhe mama)

  8. Carlos says:

    Coreia do Norte sempre!

  9. Vítor Vieira says:

    Cera com ruim defunto…
    1. o rapaz não paga impostos, não passa facturas, efim, é da economia paralela. Resultado: como se identificou e diz que desrespeita a lei, vai ter a ASAE à perna, ao tarda. Ou não.
    2. além de usar a imagem de outras pessoas sem lhes pagar, não cria emprego.
    3. de acordo com as ferramentas whois, o domínio overtit-clothes foi registado nos EUA, e pago lá – não é PT nem EU
    4. só vende via facebook – que também é EUA, logo os lucros da publicidade vão para lá
    5. as camisolas são da B&C – é ele mesmo que o comprova, em https://www.facebook.com/photo.php?fbid=354116918027820&set=a.271605552945624.52477.129175870521927&type=3&theater; e a B&C é… belga
    6. além disso, a empresa em questão manda fazer as camisolas no Bangladesh.
    Basicamente, o Martim tem um esquema. Escola Relvas.

    • DSS says:

      Pense um bocado. Se isso que está a dizer é tudo verdade, imagine o porquê de tudo isso acontecer. Já tentou montar um negócio neste país em que o Estado, sem lhe dar nada em troca, lhe retira, assim por alto, uns 50% do seu rendimento? A “economia paralela”, na maior parte dos casos, é uma consequência do problema e não a causadora do problema. É resultado dum sistema castrador que não recompensa o pequeno investidor.

      Ponto a ponto:
      1) tem provas da primeira acusação?
      2) tem provas da segunda acusação?
      3) também tenho domínios, ambos registados via empresa PT. se fizer whois, o IP que lá aparece é americano. isso não quer dizer nada
      4) por amor de deus. É claro que vende via facebook: é onde os potenciais clientes estão. Não na feira semanal da terra dele.
      5) o rapaz compra as camisolas a uma empresa de Aveiro, a Maudlin. Mais uma acusação falsa: http://www.maudlinclothing.com/blog/o-caso-do-martim-visto-por-dentro
      6) ler acima. Espero que o seu post não tenha sido escrito num computador em que pelo menos um componente tenha sido fabricado num qualquer país asiático onde os trabalhadores são explorados.

      Deixem o rapaz em paz. Que palermice.

      • Não saber ler é uma chatice. O rapaz manda estampar as camisolas na Maudlin, que as encomenda à B&C (ver aqui http://www.maudlinclothing.com/blog/mukua-ou-bc-qual-escolher/). Que é uma empresa belga com fábricas no mundo inteiro.
        Este empreendedorismo está muito acima das nossas possibilidades.

      • JV says:

        caro Rick, e a Maudlin não é uma empresa portuguesa? E a Maudlin não ganha dinheiro e não emprega pessoas em Portugal? E a personalização da roupa não é feita em Portugal e não dá dinheiro a portugueses? Certo, até podem comprar as camisolas a uma empresa Belga mas onde é que acha que as confecções portuguesas compram o algodão? No Minho, no Algarve?? Se seguirmos a sua teoria tudo (!!!) o que é têxtil é feito na China ou no Bangladesh porque é de lá que vem todo o algodão. Ou no Paquistão, já agora! Querer dizer mal só porque sim é uma chatice!

    • Jovem dinâmico & inovador enterpreuner says:

      Tipo ganda comentário curti bué mas tb penso que tipo precisamos destes exemplos para pagar os juros da dívida tipo que são bué da juros…
      Também á um cota de quem nunca ouvi falar mas k sem saber papagueio seus pensamentos tipo o Schumpeter é quem ta com a razão a ideia é o motor da economia e o pai e a mãe dizem que sou brilhante e tenho boas ideias estudar e trabalhar que trabalhem os outros tipo aqueles que não querem trabalhar e que andam sempre a chorar neste mundo cheio de oportunidades ou tipo os monhés do irão e o ditador da síria que só sabem fabricar bombas atómicas agora tenho de ir tipo ir buscar as T-shirts e as tintas da serigrafia que encomendei com o dinheiro da consulta para o médico que me ofendeu porque tipo foi dizer aos meus pais k eu era bipolar nunca mais lá ponho os pés

  10. JP says:

    Caro António, apesar das críticas (até violentas) que fiz à Raquel, uma coisa lhe concedo sem qualquer dúvida.
    A Raquel era de longe a pessoa mais bem preparada e a única – repito, a única – que naquele debate merecia ser ouvida. Tudo o resto foi um longo bocejo e desfiar de lugares comuns.
    Não tenho quaisquer dúvidas do seu empenho, dedicação e determinação e isso talvez nos faça a nós (comentadores externos) ter uma reação também mais assertiva.
    Mas isso não implica que as questões não mereçam ser discutidas fora da perspectiva pessoal, e este debate intenso (às vezes até violento) parece-me importante para a construção de alternativas à esquerda.
    Continuo a achar que mesmo numa perspectiva de esquerda este tipo de iniciativas deve ser fomentada e apoiada porque é isso que permite sustentar a economia e o nosso estado social. Repare que ainda hoje falei com um colega que trabalha numa empresa que começou com 20 pessoas e hoje (30 anos depois) tem mais de 1000. As coisas têm que começar por algum lado e quem se dispõe a fazer uma empresa e a correr riscos também tem que ser apoiado.

  11. RC says:

    Será que me é permitido perguntar se a Raquel alguma vez criou um único posto de trabalho para além do dela?

    • João Gonçalves says:

      Julgo que compreende que a raça humana não vive única e exclusivamente de empregos ou da criação do mesmo…e que também compreende que uma das faculdades que diferencia o ser humano de outros seres é a capacidade de raciocínio lógico e compreensão do abstracto como tal o trabalho de historiadores, investigadores, cientistas, filósofos é tão ou mais importante para nós enquanto seres pensantes do que os “mecanizados” criadores de empresas. Se não compreende, deixo aqui algo para reflectir.

    • Rui says:

      Mas que demagogia tão barata e de tão baixo nível oh Sr. RC. Para argumentar a direita fascista não sabe ou não quer utilizar os meios legais ao seu dispor? Leia-se argumentar com cordialidade e boa educação. Pelos vistos o RC não será uma coisa nem outra.

  12. João pina says:

    Era óbvio o sentido do protagonismo dado ao miúdo. Um povo pouco interessado e preguiçoso foi que nem um rebanho bem conduzido fazer gosto e partilhar. Felizmente (embora menos), trataram de divulgar o que foi dito logo a seguir ( o salário mínimo é uma vergonha) e é pena que o Prós e Contra se torne numa feira de empreendedorismo da treta.

  13. says:

    LOL!!LOL!!LOL!!LOL!!LOL!!LOL!!LOL!!LOL!!LOL!!LOL!!LOL!!LOL!!LOL!!LOL!!

  14. Pura e simplesmente: brilhante. Não acrescento mais porque teria que me repetir no muito que já escrevi por aí em comentários. Acrescento só mais esta: sinto uma profundíssima revolta. Até o Daniel Oliveira se põe com conjecturas e a dar relevo ao que não merece.
    P.S. – Quando virem essa ave rara do JMF nos ecrãs roguem-lhe uma praga para ver se cai da cadeira.

  15. Paulo Duarte says:

    Já que se cita a bíblia, sobre esta situação (como se vai tornando típico no nosso país já está a causar demasiado ruído), eu preferi ir um pouco mais aos inícios, ao Pentateuco, mais precisamente ao “Bode Expiatório” do Levítico:
    http://oinsecto.blogspot.com.es/2013/05/bodes-expiatorios.html

    Uma outra perspectiva, sem cariz político.

  16. oberon says:

    algo me faz pensar que nasci no país errado… (ou será que foi no planeta):
    tanto preconceito de parte a parte que o sound byte é a única forma de comunicação.

  17. ana cristina says:

    se a esquerda continuar a espingardar contra qualquer bicho careta que tente montar um estaminé temos troika for ever. os investigadores-historiadores-doutorados-casados ou não com quem posta não conseguem sair da ideia de que o único dinheiro limpo é o que vem dos projectos do qren?

    • António Paço says:

      A sério, Ana Cristina? Veja lá eu, ando tão distraído a trabalhar há décadas e ainda não dei por dinheiro nenhum do QREN. E o seu currículo, Ana Cristina?

    • Rui says:

      Pelo exposto se verifica que a argumentação mais à direita não é bem educada nem sequer sabe argumentar com pés e cabeça. Uma miséria, um deserto de ideias e uma torrente de diarreia mental.

  18. Luis Rocha says:

    Os salários miseráveis são um problema muito grande, mas não tinham nada a ver com o assunto de que o garoto falava. O que a Raquel Varela fez, foi um típico bota-abaixo académico, daqueles que levam pessoas como Steve Jobs e Bill Gates a não acabar os estudos universitários. Se um dia as roupas do garoto tiverem muito sucesso, então seria legítimo pessoas perguntarem-lhe sobre as suas responsabilidades sociais, até lá, se calhar era melhor a Raquel Varela & Co. ver bem onde as coisas que compra são feitas e fazer activismo com quem vale a pena fazer.

    Já agora, pela apresentação da Prof. Raquel Varela, não me parece que as suas roupas, joias e maquilhagem sejam de alguma loja de comércio justo, já para não falar da probabilidade de ter um iPhone, ou IPad, ou etc.. Aliás, este blog funciona sobre uma quantidade de maquinaria informática, muita da qual não é nada feita em sistema de comércio justo. Se aplicarem o mesmo raciocínio, vocês têm a responsabilidade social de pensar nisso e não usar estes recursos, usando apenas coisas produzidas com salários dignos, sem imigração, etc.

    Acho muito bem fazer activismo por comercio justo e salários dignos, simplesmente não tem nada a ver com o empreendedorismo. Quem quer ser empreendedor, tem que competir com a realidade. De uma forma ortogonal a isto, as sociedades ocidentais têm que fazer algo por manter salários dignos. Mas deitar abaixo o garoto deste angulo foi muito baixo—é mesmo o que se chama “falar de cátedra”.

    • António Paço says:

      Os salários miseráveis tinham tudo a ver com «o assunto de que o garoto falava». E quem vai acabar por «deitar abaixo o garoto» são os seus confrades direitosos que tratam de usá-lo como arma de arremesso. Porque já houve quem fosse verificar se a estória do miúdo empreendedor era verdadeira e afinal o miúdo, como muitos outros ’empreendedores’, parece que andou a vender gato por lebre (ver, por exemplo, esta troca de comentários em https://www.facebook.com/photo.php?fbid=354116918027820&set=a.271605552945624.52477.129175870521927&type=3&theater). Mas é tarde e eu levanto-me cedo. Boas noites, sr. Rocha.

      • Luis Rocha says:

        Se acha que os salários miseráveis têm alguma coisa a ver com o assunto do garoto, então, pelo mesmo raciocínio, tudo o que usa e compra (incluíndo a infrastrutura informática deste blog) são também sua responabilidade social. A esse ponto não responde? Ou a consciência social só se aplica a jovems que falam de empreendedorismo?

        Luis Rocha, Professor, Indiana University
        http://informatics.indiana.edu/rocha/
        hey-city-zen.blogspot.com

      • António Paço says:

        Luís Rocha, professor da Universidade do Indiana: a lógica da sua espécie de silogismo escapa-me. Deve ser insuficiência intelectual minha, com certeza.
        António Simões do Paço, investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa

      • edviges says:

        o que o sr acima quer dizer é que se o miudo não pode comprar t-shirts que tenham sido feitas por trabalhadores a ganhar o salário mínimo nacional , o sr. António Paço tb não deverá pela mesma lógica usar no seu trabalho ou vida pessoal nada que tenha sido feito, ou distribuído por trabalhadores com baixos salários, uma vez que se torna cúmplice do sistema que critica, ou acha que o computador onde escreve na universidade é feito na suécia?

      • António Paço says:

        A Edviges não compreende a diferença entre calçar uns sapatos feitos por outra pessoa e viver e lucrar à custa do trabalho dos outros?

      • Nuno Cardoso da Silva says:

        Caro Doutor António Paço,

        O ter censurado o meu pequeno comentário diz muito sobre a qualidade intelectual do censor. Na realidade estou-me nas tintas porque não é com Antónios Paços e Raqueis Varelas que o país muda e o sistema é derrubado. Só comento para que não fique a ideia de que todos engolimos a vossa argumentação medíocre e a vossa prosápia pseudo-intelectual. Fico à espera do próximo desastre televisivo da Raquel…

      • António Paço says:

        Não censurei o seu comentário. Pu-lo no lixo. Até porque, como se vê, estamos de acordo: eu também não tenho interesse nenhum em ‘debater’ consigo. A única coisa que o vejo fazer é ficar emboscado a dar uns tirinhos de cada vez que eu ou a Raquel fazemos um post. Passe bem.

  19. Pingback: Raquel Varela pede um bebé para o próximo debate | O Insurgente

    • António Paço says:

      Dentro da mesma linha de deixar que os propagandistas de direita mostrem o que valem, aprovo este comentário publicitário do Insurgente e do Blasfémias. Com as suas prosas ocas, continuam alegremente a mostrar que não valem nada. Na verdade, não valem nem mais um clique no teclado.

  20. Ana Cristina Leonardo says:

    Grande marido! Chapêau bas! (declaração de interesses: acho uma tontaria frequentar os programas da Fatinha…)

  21. JgMenos says:

    Se todo o incidente tem mais de ridículo que de grave, o que subsiste é esta aversão ao empreendedorismo.
    Se tal significar empreender, não há regime político que possa deixar de o promover, ainda que lhe chamem vanguarda ou outra treta qualquer..
    No plano restrito da criação de empresas capitalistas, é em absoluto razoável haver oposição no plano das ideias políticas .
    Mas pegar no desemprego e na miséria salarial como argumento justificativo é, nas circunstância presentes e nas previsíveis num largo futuro, uma cretinice, social e económicamente nociva e completamente injustificável!

    • António Paço says:

      Viva JgMenos. Publico o seu comentário com todo o gosto. Você é já um ícone do ‘pensamento’ desta direita de que aqui se fala!

  22. José António Salcedo says:

    O doutoramento (PhD), no sentido em que é atribuído internacionalmente pelas melhores instituições académicas, significa ‘doctor of phylosophy”, ou seja, constitui uma autenticação da maturidade e da autonomia intelectual de uma pessoa – saber pensar de forma autónoma, crítica e inteligente. Não conheço pessoalmente a Raquel Varela; porém, de ter assistido a vários vídeos e lido alguns textos que ela escreveu, sou levado a concluir que o comportamento que ela manifestou no P&C, de precipitação, superficialidade e arrogância – que normalmente são atitudes ligadas a dogmas, preconceitos e ignorância – já vem de trás. Da minha experiência, diria que não terá evoluído intelectualmente com o doutoramento como deveria ter evoluído, talvez por não o ter feito numa escola de grande qualidade, ou por outros factores pessoais ou de contexto do seu trabalho. Com a sua atitude, prestou um péssimo serviço à comunidade académica, por ter passado uma imagem de arrogante e, diria, tonta – que pessoas menos avisadas poderão com facilidade generalizar, até por existirem tantos exemplos parecidos. No entanto, tem agora uma excelente oportunidade para reflectir no sucedido e melhorar o seu comportamento futuro, para poder até – quem sabe, sejamos optimistas! – constituir um exemplo para jovens. Quanto ao Martim: Parabéns e um grande abraço! Avisa se eu puder apoiar em alguma coisa.

    • António Paço says:

      Tanta presunção e suficiência tola nesta prosa! Ò Salcedo, você não será parente do Dâmaso Salcede?

    • Rui Cruz says:

      Que definição tão serôdia de doutoramento! Concordo com o António, você deve ser mesmo primo do Dâmaso.

  23. João says:

    Os Srs. não devem ter problemas de dinheiro… para se estarem a queixar do ordenado de 500€… essa do ordenado minimo ser pouco é muito bonito…mas se não fosse alguns Martins esta merda ainda estava pior…500€ para muitas familias é uma dadiva….há milhares de pessoas que um ordenado desses numa familia de 4 era o suficiente para não passarem fome…mas não…está tudo desempregado!
    É bem melhor não ter emprego do que ter um emprego a ganhar 500€ não haja duvida!!! LOOL

    • António Paço says:

      Ò João, tu trabalhas? E se o fazes, ganhas quanto? Eu não conheço ninguém que trabalhe e faça a apologia de um salário de 500 euros para 4. Serás tu o primeiro, ou as tuas contas são pagas pelo papá e pela mamã?

  24. CR says:

    Exmo Sr. Marido da Doutora Raquel,
    o seu texto coloca questões, várias, muito pertinentes embora tenha uma base inconsistente que divide as pessoas entre direita (más) e esquerda (boas) e corra o risco de, por isso, deitar tudo a perder. As pessoas são isso mesmo, pessoas e não vêm rotuladas… tipo produto de supermercado…

    Posto isto, avancemos então para o Menino e a Doutora – o que o Martim fez é digno e de muito mérito porque, ao olhar para um lado e para outro, percebeu que tinha que fazer alguma coisa pela sua vida e também pela dos outros pois assim permite que a moda juvenil chegue a mais pessoas e com custos inferiores – e já agora questiono-me por que certas roupas custam certos preços… Por pagar bem aos funcionários?!… Sabemos que não…

    O Martim, que se percebe ser um jovem bem formado e inteligente, com boa visão do mundo e atento, encontrou uma forma que talvez seja a saída para a sua vida, quiçá empresarial, e que ao mesmo tempo cria postos de trabalho o que, neste contexto, é bom. E este é um dos pontos cruciais desta questão – ganhar o ordenado mínimo não é sonho de nenhum trabalhador digno desse nome mas temos que admitir que é fundamental dinamizar a economia e criar iniciativas que o permitam fazer, e esta é uma delas.

    Contudo, devem os salários acompanhar de forma equilibrada e sensata, o crescimento das empresas de modo a não haver esquemas multimilionários com dinheiros “por fora”.

    Gostei das questões que coloca mas que se perderam porque o seu texto foi, como já referi, partidarizado – esquerda versus direita, e teve um ataque claro ao governo (não quwero dizer que o governo está a governar bem mas apenas que este texto é usado com um determinado objectivo e não existe por si só). Gosto de discutir ideias, não gosto de sentir que a redacção de determinados textos está ao serviço de outros interesses… Interesses estes que o levam a usar determinado vocabulário e um tom que não é de todo aquele que penso ser o que precisamos. Continuamos divididos por quintinhas, uns contra os outros e assim não vamos a lado nenhum. É pena… Tenho grandes amigos de cores partidárias e outro tipo de convicções, completamente diferentes, com quem tenho projectos pessoais e profissionais importantes e a favor da sociedade porque, antes de perguntarmos em que quadradinho cada um coloca a cruz, pomos mãos ao trabalho, em função do dia-a-dia. Isso sim, vale a pena!

    • António Paço says:

      Eu há muitos anos (décadas) que ponho as mãos ao trabalho, CR. E se você prefere não ter nome, eu tenho. Aproveito para dizer o mesmo aos seus colegas de bancada do Blasfémias e do Insurgente (que querem continuar com a conversa da treta, mas terão de continuar sem mim, porque, além de me deitar e levantar cedo, tenho mais que fazer que dar-lhes corda). E se você ainda não percebeu a diferença entre esquerda e direita e o que é que o governo tem a ver com o salário mínimo abaixo de 500 euros, e acha que isto são apenas ‘quintinhas’ e as opções de sociedade são como ser deste ou daquele clube de futebol, duvido que tenhamos muito assunto para conversar.

  25. Importa fazer compreender aos fazedores de opinião mais demagogos e populares, que mais vale ganhar o ordenado mínimo (ou qualquer X abaixo do ordenado minímo existente) que ganhar zero. O que disse o Martim é tão simples como verdadeiro. Como é verdade que o trabalho “precário” na China por muito que nos comova, é um trabalho que representa a salvação para famílias que passaram da miséria absoluta para a grande pobreza.

    • António Paço says:

      Como diziam os fascistas aqui há uns anos a quem era de esquerda ou simplesmente defendia os direitos de quem trabalha (Vai para a Rússia), eu recomendo-lhe: vá para a China!

  26. Vítor Vieira says:

    Como diz o outro, “isto anda tudo ligado”.
    O Martim (ou melhor, a sua mamã) é do círculo de amizades de Rodrigo Adão Fonseca (“Causa Liberal”).
    What else is news?

  27. Pedro Santos says:

    Azziiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia x3

  28. Pingback: Esquerda Martim | cinco dias

  29. Maria Almeida says:

    A raiva que impera neste blogue contra o miúdo de 16 anos já é tão ridiculo, que põe a nu o fanatismo de uma certa esquerda, que é contra tudo, não apresenta soluções e depois ofende quem tem iniciativa e quem a apoia. Fosse o Martim um miúdo que fizesse protesto, se lamentasse porque a familia vivia com o RSI, que os Pais estavam desempregados e gritasse contra o sistema e certamente teríamos os maiores elogios ao jovem. Aí o facto de ser jovem que gritava contra o sistema já não era ridicularizado. Mas como o jovem conseguiu galvanizar a plateia e todos os que assistiram ao P&C dizendo o óbvio, este blogue não deixa de ofender o rapaz e a sua iniciativa. Na realidade o que a esquerda faz de melhor desde sempre é pôr uns contra os outros para ver se consegue reinar. Continuem assim, que entretanto a marca OVER IT já conta em menos de 3 dias com quase 40.000 gostos (tinha 10.000 na 2ª Feira antes do programa) no FB e conta com milhares de apoios à intervenção do Martim no programa P&C, até mesmo no Brasil onde já estão a solicitar o produto OVER IT. O que na realidade verificamos, é que a esquerda em todo o mundo está com raiva por ver que hoje, os jovens, que a esquerda achava que conseguia levar com as suas ideias utópicas e com as suas ideologias radicais, são hoje a cara de muitas campanhas, manifs, e movimentos contra a ideia de que o Estado é que deve conduzir as nossas vidas em todas as suas dimensões: familia, educação e responsabilidade social. Hoje vemos jovens desde EUA a Espanha e recentemente em França que se oposeram radicalmente contra a lei que prevê o casamento gay e a adopção de crianças por casais homossexuais; que se opõem à prática do aborto e no fundo a todo um modelo de sociedade que uma certa esquerda defende. É tudo isso que vos leva a descer tão baixo ao ponto de insultarem um gaiato de 16 anos.

    • António Paço says:

      Mais um contributo para divulgar o verdadeiro programa da direita lusitana. E o engraçado é que quem pode arranjar problemas ao ‘miúdo’ é esta direita que pretende usá-lo como bandeira. O rapaz só queria usar o programa para promover as ‘suas’ sweat-shirts, mas ao ficar tão exposto à curiosidade pública, logo se foram descobrir algumas mentirolas pouco abonatórias do seu alegado empreendedorismo patriótico.
      E já agora, Maria Almeida, fique sabendo que este ‘esquerdista’ impenitente, com a mesma idade do Martim, ia desenfornar tijolo para uma fábrica para ter algum pocket money. E fez o curso de História à noite, enquanto trabalhava de dia como torneiro mecânico, profissão que exerceu com muito orgulho durante dez anos. Cursos nocturnos com que esta direita de que a senhora se reclama tratou de acabar – em prol da mobilidade social, está bem de ver.

      • Maria Almeida says:

        E o que se esqueceu de dizer, António Paço, é que o Martim além de se dedicar a fazer alguma coisa pela vida, não deixou de estudar. Ele referiu-o e disse que era mais complicado, mas que nem por isso ia deixar os estudos. Aí está mais uma nota que vos enfurece, porque o dito “capitalista explorador” como alguém já lhe chamou aqui, não deixou de cumprir a sua primeira obrigação, que é estudar.
        E já agora, em que é que é menos nobre a atitude do Martim do que o AP fez com a idade dele? Acho que o facto de ter tirado e muito bem um curso de História à noite enquanto de dia trabalhava, não lhe dá o direito de ofender e mostrar superioridade sobre um miúdo cujo trabalho dele é criar uma moda juvenil para os que não conseguem aceder às marcas de roupa caras. No fundo o Martim está a pensar naqueles que menos têm e gostavam de ter aquilo que só têm alguns. Para além disso estuda. Ainda bem, deveriamos dizer todos nós. Mas não. Há quem insulte o gaiato só porque acham que ele, com aquele exemplo veio sancionar as políticas do governo e da troika. Que ridiculo!

      • António Paço says:

        Ninguém aqui anda a insultar o «gaiato», Maria Almeida. («Gaiato» que, entretanto, já foi apanhado como mentiroso: não produz nenhumas camisolas, apenas lhes estampa um autocolante, e compra-as a uma empresa belga, que as manda fazer sei lá onde e em que condições – mas sei eu, e tem a obrigação de sabê-lo a senhora, que a indústria têxtil recorre por todo o mundo a trabalho que só podemos considerar como escravo ou semi-escravo; e que a indústria têxtil de países onde os trabalhadores conquistaram melhores condições de vida tem sido destruída porque os tais «empreendedores» que a senhora defende preferem comprar mais barato onde quer que seja, sem olhar às condições de laboração, para obter mais lucro – que é o seu ÚNICO objectivo.)
        Quem expôs o «gaiato» ao escrutínio público foram os propagandistas de direita que quiseram utilizá-lo como arma de arremesso contra a Raquel Varela: o sr. José Manuel Fernandes, o Millennium BCP, blogues de direita como o Blasfémias e o Insurgente e comentaristas como a senhora, Maria Almeida.

      • Dezperado says:

        Agora fiquei curioso, quanto é que ganhava para desenfornar tijolo nessa fabrica???? Não me diga que depois desta conversa toda, chegamos à conclusao que andou a trabalhar com o ordenado minimo?????

      • António Paço says:

        Nessa altura não havia sequer ordenado mínimo. Diga-me lá uma coisa: o que é que o faz tão dezperado?

  30. Vasco says:

    O que a mim me parece é que estão bem um para o outro…

    Tristes e com a mania que têm a voz da razão.

    A azia lá por casa esta semana deve ter sido grande.

    Aguentem-se que a demagogia ainda dá para uns anitos

  31. Pedro Martins says:

    Demagogia e desonestidade intelectual, é:
    – Apresentar uma ideia como nova e revolucionária, quando já foi utilizada durante décadas, em todo o mundo, e nunca deu resultados positivos.
    – É ter como únicos exemplos mundiais dessa ideologia, regimes que os próprios têm vergonha de enumerar e mesmo assim, acusar os outros de hipocrisia.
    – É achar que a culpa de determinadas ideologias não é a ideologia em si, mas os horríveis seres a quem a tentam impingir.

    • António Paço says:

      Pedro Martins, está a falar de que ideologia? Do capitalismo? Do homem lobo do homem? De regimes como o fascista, o nazi, o salazarista? Das novas fábricas do mundo: a «grande democracia indiana» que reprime as greves e impede os grevistas de sequer falarem com jornalistas? Ou o cocktail capitalismo selvagem cum partido único em vigor na China? Do apartheid (o da cor da pele e o da origem social)? Esclareça-nos, por favor.

      • Narciso Soares says:

        Esqueceu-se de referir o comunismo…

      • António Paço says:

        Não esqueci, não. Sabia que você ia lembrar-se. Mas de que comunismo está a falar? Do da China, por exemplo? O grande capital parece dar-se muito bem com ele. Tão bem que lhes ensinou, com muitos e reiterados exemplos, como governar com partido único. Como cá em Portugal, no tempo do ‘saudoso’ Dr. Salazar.

  32. Bruno Grácio says:

    Já estou a imaginar a malta aqui do 5 dias a pegar nas Kalash e a fazer a Revolução, tal é a repugnância que demonstram por qualquer coisa que se assemelhe a livre iniciativa de mercado. O que devemos todos fazer é curvar-nos perante a superioridade moral e intelectual destes senhores que promovem o “progresso”. O mesmo “progresso” que se verificou em lugares tão felizes como ex-URSS, ex-RDA, ex-Jugoslávia, a China de Mao, o Cambodja dos Khmers Vermelhos, Coreia do Norte, Cuba, Venezuela…

    • António Paço says:

      Os governantes dos países a que o senhor se refere perseguiram e mataram mais comunistas e socialistas que alguns tiranos fascistas. Foram eles que lhes fizeram frente e pagaram com a vida terem sido derrotados. Os defensores da «livre iniciativa de mercado» faziam negócios com esses tiranos e assobiavam para o lado.

  33. Daniel says:

    É notória a tentativa de aproveitamento por parte da sua mulher do facto de estar a falar com um miúdo. Numa lógica de “ai caraças, o puto respondeu-me bem e disse que isto é feito em Portugal. O que digo agora? Ah, já sei. É feito por pessoas que recebem o salário minímo, toma, toma!” Muita maturidade, lol. E uma sanha contra o miúdo claramente denunciada pela postura agressiva. Gente demagógica, académica, distante do mundo real. Muito mais parecida com Vitor Gaspar do que aquilo que quer fazer crer. Do que menos precisamos é de gente que teorize sobre as massas e sobre modelos societários utópicos. Mas lá está, é a mentalidadade pequena de “se eu não fizer por mim, o Estado fará”. E é por isso que assim estamos.

    • António Paço says:

      Diga lá o que faz você, Daniel, para compreendermos qual é o seu contributo para o país e para a humanidade.

      • Rachid says:

        Salam Aleikum. Na volta aqui o Daniel deve ter seguramente contribuído mais para o país e para a humanidade que o Sr. António. Mas o Sr. António do alto da sua ideologia simplesmente não aceita isso. Falta de humildade ideológica?

      • António Paço says:

        É, deve ser isso, Sr. Rachid.

  34. anabela ferreira says:

    nivele-se por baixo e fomente-se a escravatura que é o sistema de dar emprego a todos…espero que o Martim pague impostos…

    escrevi um texto sobre o que penso no meu blog
    http://shaktigeia.blogspot.com/

  35. Manuel Lopes says:

    Caro amigo, é uma gesto romântico vestir a armadura e vir para a internet armado em paladino a defender a esposa ( já agora não é o casamento um trauma pequeno burguês?). Só por vir defender a esposa já teria o meu apoio, sou um romântico…. Mas adiante uma vez que o Sr e a sua amada esposa têm ambos um riquíssimo curriculum e tanto empenho em defender os trabalhadores porque não abre uma empresa e coloca em prática os seus dogmas? Vá lá ofereça seguros de saúde, salários altos, bonus…. mostre que é possível

    • António Paço says:

      Já abri. E já fechei. Mas você, pelos vistos, acha que ter iniciativa é abrir empresas. Coitados do Galileu, do Einstein ou do Camões que nunca abriram uma empresa. E coitados dos milhares (milhões) de portugueses que trabalham, criam, inventam, criam riqueza … e nunca abriram uma empresa. Não são empreendedores, é o que é!

  36. Pingback: Deixei este comentário no 5 Dias. Não me mandem para o Gulag | Macambúzio

    • António Paço says:

      Vejo que andou a vasculhar o meu currículo e o da Raquel, mas posso garantir-lhe que não tenho (nem tive) nenhum Porsche, nem clássico, nem sem ser clássico. Há uma pessoa que assina com o mesmo nome que eu que tem um, sim. Já tinha dado por isso. E, já agora, o iPad da Raquel era emprestado. Sabe, nós, os esquerdistas, emprestamos coisas uns aos outros. Mas e se fosse dela? O colar que ela usa é dela. E fica-lhe muito bem. As ideias que você usa, que também me parecem emprestadas, é que não lhe ficam nada bem. Fazem-no parecer burro.

  37. Mendes Lourenço says:

    Por vezes venho a este blog quando me cheira que vai estalar polémica e chego sempre à conclusão de que os indivíduos de direita o frequentam com assiduidade porque assim sempre vão aprendendo alguma coisa últil.

  38. Houve mais alguns comentários (Luis Rocha, B. Grácio, talvez mais algum me escape) que eram perfeitamente publicáveis e optei por não o fazer porque não acrescentavam nada de novo à discussão e eu tenho um tempo limitado para estar online a comentar, como compreenderão. A esses desejo um bom fim-de-semana. Outros foram para o lixo porque eram lixo. Só os publicaria, tapando o nariz, se o objectivo fosse fazer uma tese para demonstrar que continua a existir neste país uma certa direita caceiteira, alarve, ignorante e mal criada. Vem de longe, de mais longe que o Salazar, podem crer. Já o Marquês de Pombal tentou fazer da caterva de analfabetos e arruaceiros que eram os filhos da nobreza de então gente que fosse capaz de gerir o país, nomeadamente criando o Colégio dos Nobres. Com resultados bastante mitigados, como se sabe.

  39. Herberto says:

    As minhas desculpas pelo comentário atrasado, mas tenho de dizer que alguma coisa me escapa em relação ao debate da passada segunda-feira. Devo admitir que já tudo foi dito, mas que deve haver alguém a esfregar as mãos de contente com tudo isto. Trata-se da apresentadora do programa, Fátima Campos Ferreira. Ou seja, para esta apresentadora que escolheu os convidados a jeito, tratou-se apenas de uma questão de audiências. Também, porque o modo de fazer televisão da Fátima é ainda muito rudimentar. É o modo que alimenta as paixões daqueles que não percebendo nada do assunto, gostam da cara de um (Martim) e detestam os ares do outro (Raquel Varela). Foi deste tipo de televisão que vimos na passada segunda-feira e os resultados podem ser vistos no canal You Tube, com os comentários mais insultuosos que se podem imaginar contra o inimigo do programa: uma mulher, com estudos académicos e que propôs um debate inteligente a pessoas que não revelam lá grande inteligência e que ainda por cima não fizeram o seu trabalho de casa (tal como a jurista que vimos ali a sorrir).
    A minha questão é se devemos continuar a alimentar as expectativas de pessoas, como a Fátima Campos Ferreira que se serve de pessoas indicadas, apenas para aumentar as audiências do seu show televisivo ou, se antes, devemos combater aquele modo provinciano e até mesmo estúpido de fazer televisão.

  40. Vitor Campos says:

    NÃO É SÓ O SALÁRIO MÍNIMO QUE É UMA VERGONHA. TODO O SALÁRIO É NA VERDADE NÃO SÓ UMA VERGONHA MAS ACIMA DE TUDO UM ABUSO, UMA EXPLORAÇÃO HUMANA!

    Não é somente o salário mínimo que é uma vergonha, como o refere e bem, apesar de tudo, Raquel Varela. A vergonha, onde ela de facto assenta, é muito maior do que isso.

    Todo o salário, é, na verdade, uma vergonha!

    Não deveria haver salários, nem tampouco a moeda ou o dinheiro que está na base da miséria na sociedade, e que a sustenta. O sistema económico agiota em que vivemos, o qual sustenta os parasitas da sociedade, é e representa, o roubo e a humilhação que as classes que detêm o poder económico, a maior parte do dinheiro, fazem aos seus semelhantes, aos restantes cidadãos.

    O sistema financeiro e económico é uma falácia, uma mentira, isso porque a verdadeira economia não está no papel, no valor fiduciário da moeda, mas antes na produção e sua sustentabilidade e bem assim na distribuição de riquezas, na distribuição de bens e de produtos, sobretudo os alimentares, os quais são de facto mais necessários que qualquer banco, instituição financeira ou moeda, porque ninguém come nada disso. Não são os bancos, as instituições financeiras ou o dinheiro, que representam ou que são de facto a vida, a civilização, mas sim a solidariedade, o progresso, a paz, o trabalho, e a livre iniciativa de produção.

    O sistema em que vivemos com sua falsa “economia” em nada contribui para a verdadeira civilização humana ou para qualquer forma de progresso. A dita “economia” existe apenas como base de suporte dos senhores do mundo, da classe dos privilegiados que detêm o poder económico e logo também o político, como é evidente. A farsa da dita “economia” serve para isso, para que a sociedade não seja ela de facto evoluída, fraterna e humanista, em termos de sobrevivência e de respeito pela vida humana, para que o controle dos destinos e das vidas dos outros cidadãos sejam possíveis através dela, os dominando e os inferiorizando, os fazendo passar por dificuldades, os obrigando a pedir emprego para que sobreviva, os recalcando de todas essas formas, ao ponto de os terem sempre como novos escravos, sempre necessitados do poder arbitrário da classe dominante que domina o dinheiro, dependente das decisões e das migalhas de quem detêm o poder do dinheiro e da propriedade privada dos meios de produção.

    A dita economia da sociedade e da classe que a domina, é apenas uma arma de arremesso, é o domínio, a exploração, a humilhação, a guerra, a nova e moderna escravatura humana que os ditos senhores pretendem ver perpetuada pela eternidade, contra os restantes cidadãos, os quais que para eles apenas são uma mercadoria e não humanos a seus olhos.

    Eles, os senhores do capital precisam dos pobres para viver e explorar, porque sem pobres não sobrevivem.

    Há demasiada vergonha nas mentalidades que passam ou que tentam passar, a ideia de que não só o salário mínimo é preferível ao que quer que seja, sem que se diga que ele é ultrajante, como ainda apregoam que a vida não é possível de ser vivida sem capital, ou seja , sem exploradores e explorados e nos tentam fazer crer, que o que falam de empreendedorismo é a saída ,quando não é.

    O dito empreendedorismo é outra falácia mais do sistema dos senhores do mundo, de banqueiros, de patrões e empresários, do neo-liberalismo, dos exploradores. Não são os empresários que criam empregos, essa é de novo uma grosseira mentira, um mito.

    Quem cria emprego é quem consome, é o cidadão, não o empresário!

    Isso é assim porque, se nenhum cidadão consumir um produto, ele não se vai vender, logo não servindo para nada, porque ninguém o compra, não existirá para esse efeito um qualquer posto de trabalho.

    A humanidade, o ser humano não nasceu para competir, mas para socializar!

    Enquanto o ser humano não socializar, não criar ele de vez um sistema de vida social, socialiazante, onde haja de vez o fim da guerra, o fim da política e o fim da apropriação dos meios de produção e de bens de primeira necessidade por parte de uma minoria de privilegiados, a humanidade jamais terá paz e jamais entrará na verdadeira e efectiva prosperidade, apenas será eternamente escrava de outros, escrava nas mãos de seus semelhantes, nas mãos dos individualistas, dos usurários do lucro do capital, dos egoístas e dos idiotas que a governam.

    A humanidade, no seu todo, tem de aprender a dirigir os seus próprios destinos e deixar de ser definitivamente propriedade de outros homens.

    A humanidade tem de ser livre em todos os domínios e não mais ser dominada por “lideres”, “senhores”, políticos ou patrões. Seus destinos, ela mesma os tem de resolver em unidade, em fraternidade, em democracia do povo e para o povo. Tem de saber que resolvendo seus problemas e dirigindo seu destinos, no que respeita à sua vida, no que respeita aos seus destinos, só ela os pode dirigir, isso quer no campo social, quer no campo particular ou individual, em todo e em qualquer domínio, na esfera privada ou na esfera geral da vida, no mundo do trabalho ou no mundo social e familiar.

    O miúdo pode ter tido e ter capacidade de iniciativa e isso, pelo menos da minha parte, entendo ser de aplaudir. O que está em causa, depois do debate e durante a troca de ideias que teve com Raquel Varela, são outras questões, a saber; um salário por si só é condição humana de vivência ou de sobrevivência? Os seres humanos devem tudo fazer para viver, para terem capacidades de viverem sustentavelmente ou apenas esperar que outros lhes paguem, com um salário os roubando? Sim porque um salário, não é um pago pelo justo esforço de trabalho de um cidadão, mas um roubo. Um salário é apenas uma forma de exploração, donde o capitalista retira para si o lucro do trabalho do funcionário, donde retira mais-valias, lucros do esforço de outro humano e isso não é admissível. Estas é que são as verdadeiras questões!

    Por outro lado, se por exemplo um q.q.de nós, eu ou outro q.q. amigo fizesse um q.q. tipo de negócio, como o desse garoto, haveria por certo resultados daí, isto admitindo que tudo corria bem. Nesse caso não vejo na actual sociedade mal algum vir ao mundo se pessoas se fazem empresários, o problema é se sua mentalidade não é socialiazante ou se ela mudou e deixou de o ser.

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