2013 a Ferro e Fogo – Vagas de fundo. A Revolução Digital, telecomunicações e gestão da informação (parte II.3)

Parte I aqui.
Parte II.1 aqui
Parte II.2 aqui

 A Revolução Digital, telecomunicações e gestão da informação

Industrial-revolution

A máquina a vapor, revolucionou os transportes permitiu o comboio e o barco a vapor. A velocidade, segurança e fiabilidade do transporte de bens e pessoas aumentou de forma significativa, os custos diminuíram de forma importante.  A máquina a vapor também permitiu a produção industrial em massa (em alguns sectores… como os têxteis, químicos ou siderurgia). Claro que não foi a máquina a vapor por si só, sem uma dada envolvente económica, social e política, sem o domínio de outras técnicas pré-existentes, a “invenção” da máquina a vapor seria irrelevante. Não é por um “carola” inventar uma “engenhoca” que seja o que for altera-se de forma significativa. Se assim fosse a Revolução Industrial teria-se dado no século I em Alexandria

Mas a adopção da máquina a vapor aos transportes e indústria nos séculos XVIII-XIX teve  um impacto tremendo e revolucionário na economia, política e cultura. No final do século XIX o motor de combustão interna e o controlo da produção e difusão da electricidade  tiverem um impacto semelhante, permitindo o avião, automóvel, expansão da indústria e sua aplicação a uma enorme quantidade de bens de consumo. Daí para cá não houve muito mais técnicas que tenham tido um impacto semelhante, a não ser… a não ser talvez aquilo que se tem designado por Tecnologias de Informação e Telecomunicações (TIT)…

Mais uma vez, já na antiguidade clássica aparelhos capazes de gerir informação existiam, mas foi a partir dos anos 70 do século XX e sobretudo dos 80 até ao momento presente que essas tecnologias de Informação e Telecomunicações se difundiram e marcaram a nossa sociedade. Sendo que o grosso dos seus efeitos na política, cultura e economia ainda está por se sentir.

Convém definir exactamente do que é que estamos a falar. Aquilo a que refiro como TIT´s são diferentes técnicas que embora convergentes não são exactamente coincidentes. Temos aquilo que se designa como “computadores”, que vai desde aparelhos móveis, portáteis, até grandes centrais. São equipamentos capazes de armazenar, gerir e processar informação (tudo aquilo que se possa traduzir num código de 0s e 1s… imagens, textos, sons, filmes, números), são também capazes de copiar, reproduzir a custo marginal zero a informação que armazenam/processam. Depois temos a parte das comunicações – satélites, cabos de fibra óptica, GSM, Wifi e Bluray – isto permite a transmissão, comunicação e partilha da informação, o custo marginal não é exactamente zero, visto que a capacidade de tráfego nos vários canais é limitada, mas relativamente há vinte ou trinta anos a quantidade de informação que pode fluir é muitíssimo maior e a custos marginais baixíssimos. Neste último caso as limitações da infraestrutura são também mais relevantes. Em vários países (por exemplo em África), não há cabos para transmitir a informação, tem de se recorrer aos satélites, que têm uma capacidade muitíssimo mais limitada, de qualquer das formas sempre é melhor que nada. Mas para ter uma banda larga a sério, para se ter capacidade para transmitir grandes quantidades de informação só mesmo por cabos… Convém não esquecer, que por mais propaganda que certos sectores façam em prol da economia “imaterial” e “virtual”, a verdade é que, mesmo o fetiche máximo da “imaterialidade” (a Internet) não existiria sem uma robusta infraestrutura material a suportá-la.

O que estas técnicas em conjunto permitem é que hoje em dia seja possível: reproduzir a um custo marginal  zero tudo o que seja composto por imagens e/ou sons; transmitir para grande parte do mundo, praticamente à velocidade da luz, a um custo marginal quase igual a zero tudo o que seja  composto por sons e/ou imagem. Existem certos custos iniciais: os terminais (portáteis, computadores ou smartphones) e a infraestrutura de comunicação (torres, satélites, cabos). Mas descontado esse investimento inicial a reprodução e transmissão de informação é apenas limitada pela capacidade das redes de comunicação… A quantidade de informação que circula é tal que o custo médio por bit é quase zero… E não é só o custo, é a capacidade armazenar a informação, a velocidade a que pode ser transmitida e a quantidade de locais que se tornam acessíveis para o acesso e emissão dessa informação. Mais, sobretudo na última década é cada vez mais possível que essas operações possam ser efectuadas a partir de aparelhos móveis de tamanho reduzido (e respectivas redes de curta distância), que estão acessíveis a um indivíduo 24h por dia, já nem é preciso sentar a uma secretária para aceder, copiar, emitir ou processar a informação, todas essas operações podem ser efectuadas nos transportes públicos, num café, num elevador, a andar pela rua…

O que ainda está na sua infância e ainda está por explodir é a ligação destas técnicas de gestão e transmissão de informação a realidades físicas. Ou seja, a convergência dos computadores e telecomunicações está feita, o passo seguinte é a sua ligação a sensores capazes de interpretar e actuar sobre a realidade circundante (formas, sons, imagem, cheiro, temperatura..), isso está em curso mas ainda não explodiu. Já existem carros que estacionam de forma automática, casas inteligentes, pagamento automático (portagens, supermercado), drones, mas nesse campo ainda há muitas possibilidades por explorar. Tenho dúvidas acerca da recente euforia em torno das impressoras 3d, mas mesmo que isso não se revele o que muitos esperam, existem múltiplas outras áreas onde a convergência de computadores+telecomunicações+sensores pode ser revolucionária. Na produção industrial, na guerra, logística-transportes, saúde, etc…

As consequências políticas, económicas e sociais de tudo isto já se sentem, mas o grosso das consequências ainda estão por vir. Estas tecnologias só emergiram há três décadas, várias componentes só se generalizaram na passada década. Existem ainda inúmeros sectores de actividade e locais onde as tecnologias existentes podem ser aplicadas mas ainda não o foram. Mais, existem novas técnicas que ainda estão na sua infância e estão por se generalizar… A primeira importante conclusão é de que tal como o motor a vapor ou o motor de combustão interna contribuíram para alterar a sociedade, também estas técnicas o farão e o grosso do seu impacto ainda não se fez sentir. Aliás, ainda não existe (nem me parece possível neste momento) uma percepção clara do completo impacto que tudo isto terá no social e político.

Para já, é possível apontar alguns impactos óbvios nas forças e relações de produção. Por exemplo, todo um conjunto de profissões/funções associadas ao processamento de informação e sua difusão tornaram-se obsoletas, essa tendência apenas se reforçará (pensemos em tipógrafos, contabilistas, amanuenses… os típicos manga de alpaca). Uma série de funções que até aqui exigiam o controle por parte de um humano (como por exemplo registar as compras à saída de um supermercado) irão cada vez mais tornar-se obsoletas (ou mais correcto, ocuparão uma posição marginal). O mesmo se passa ao nível de certos produtos, tudo o que é suporte físico para informação (e.g. livros e jornais impressos) será cada vez mais remetido para a categoria de produto de luxo. À partida estas transformações são positivas, podendo libertar a energia humana para tarefas mais criativas e melhorar em muito o bom aproveitamento dos recursos à disposição da humanidade e/ou melhorar em muito as condições de segurança e conforto dos ambientes onde habitamos. Mas existe sempre o potencial que tais avanços sejam sobretudo canalizados para comprimir o poder social, político e económico das classes trabalhadoras. Talvez até de forma mais explícita e dirigida que anteriores inovações tecnológicas, uma vez que a actual revolução aplica-se mais à gestão e apropriação de informação, não incidindo directamente sobre uma realidade física.

O seguinte texto – Technological Breakthroughs and Productivity Growth – é útil (há muitos outros no mesmo estilo +-) na medida em que se percebe  que esta revolução técnica é de uma ordem de grandeza semelhante ao motor a vapor ou da produção/distribuição eléctrica. Embora também se deduzam algumas diferenças importantes, a máquina a vapor teve um impacto sobretudo na produção e movimento daquilo que é material, “os computadores” sobretudo naquilo que é imaterial. Outra importante diferença é que ao contrário das revoluções tecnológicas precedentes, os ganhos de produtividade têm estado sobretudo concentrados nas indústrias directamente ligadas a essa inovação. Ou seja, o aumento de produtividade associado à generalização da máquina a vapor fez-se sentir em várias indústrias de transportes e transformadoras, a indústria de produção de máquinas a vapor ela própria não beneficiou de aumentos de produtividade acima de outras indústrias. Já no caso das TITs as indústrias cuja produtividade mais aumentou com essas inovações foram exactamente as ligadas às tecnologias de informação e comunicações. Portanto esta última revolução tecnológica, embora tenha efeitos em todo o sistema produtivo, acaba por ser muito mais auto-centrada que as revoluções tecnológicas precedentes. Comparando com a máquina a vapor, os motores de combustão interna ou a electricidade, as TITs têm menos impacto noutros sectores económicos, têm menos capacidade de alavancar outras indústrias.

Uma crítica importante ao texto que citei é que apenas através da medição quantitativa dos impactos na produtividade não se podem tirar conclusões acerca do impacto dessas técnicas no social… Por exemplo, parece-me que o domínio do fogo ou a revolução agrícola do neolítico tiveram um impacto maior (no mínimo semelhante) a estas técnicas, mas se se fosse fazer uma medição dos seus efeitos na produtividade esta seria marginal comparada com as revoluções técnicas mais recentes (a escala temporal e geográfica é muito diferente, o mesmo se passa quando se compara os efeitos da máquina a vapor com os avanços mais recentes)…

Outro texto “The Internet’s Unholy Marriage to Capitalism“, é importante porque se entende até que ponto o desenvolvimento da Internet (e o que a ela está associado) está associado à envolvente sócio-política. Também é importante porque mostra como as promessas utópicas da colaboração em rede para o bem comum (wikipédia, wikileaks, Linux?) em grande medida são algo marginal quando comparadas com a os ganhos que meia dúzia de empresas privadas/indivíduos fizeram à volta desta nova tecnologia… Mais, mantendo-se o actual rumo neoliberal, estas novas técnicas serão cada vez mais utilizadas para construir grandes monopólios de informação privados… informação e controlo/comando. A concentração de uma nunca antes vista quantidade informação, facilmente acessível e manipulável, permite um controlo sobre os indivíduos e a sociedade nunca antes visto. O seguinte texto também apresenta uma visão crítica acerca da revolução digital.

Confesso que tenho uma visão um pouco mais positiva destas inovações. Se é verdade que a capacidade de controlo e comando por parte de grandes monopólios privados aliados a um estado repressor aumentaram exponencialmente, é também verdade que a capacidade de partilha e difusão de informação por indivíduos/redes “anti-hegemónicas” também aumentou exponencialmente. Estas tecnologias têm permitido que indivíduos ou grupos de activistas consigam a um baixo custo ter acesso e emitir informação que há vinte ou trinta anos seria impensável. Apesar de tudo parece-me que estas tecnologias, por enquanto, democratizaram, mais do que elitizaram/concentraram, o acesso e difusão da informação.

“We wanted flying cars, instead we got 140 characters.”, esta frase retirada de um artigo do economist ilustra bem outra importante questão… É que à parte destas inovações na gestão de informação e telecomunicações, não houve em nenhum outro sector (talvez na medicina? mas mesmo aí tenho dúvidas) uma revolução nas técnicas. Tudo o que tem a ver com a manipulação e produção de bens hoje em dia já existia na primeira década do século XX. De então para cá têm existido melhorias incrementais, mas os tipo de motores, combustíveis e veículos que hoje usamos são os mesmos de há 100 anos… Ou seja, de há 100 anos para cá houve melhorias incrementais e generalização de certas técnicas, mas nenhuma nova tecnologia foi introduzida no que ao explicitamente material diz respeito (a não ser talvez o nuclear, mas a promessa do nuclear ficou a anos luz dos seus intentos originais…). Ao contrário de toda a mitologia construída em torno da “inovação”, a verdade é que muito pouca inovação técnica tem existido, o caso do recente foguete espacial privado, Antares, é para mim paradigmático. Uma suposta inovação privada numa indústria supostamente de ponta, mas vai se a ver e os motores que propulsionam o foguete datam dos anos 60/70 e foram fabricados e desenhados na União das Republicas Socialistas Soviéticas… Como acima disse, mesmo que não explicitamente, as TIT´s implicitamente também afectaram o mundo material (incluindo da produção e transporte). A convergência que ainda está na sua infância de sensores+computadores+telecomunicações mais influência no material terá. Mas mesmo assim, há um certo amargo de boca, o tal “queríamos carros voadores e em vez disso temos mensagens de 140 caracteres”… A verdade é que na aurora do século XXI, o sistema mundo, chamemos-lhe de “Capitalismo”, de um ponto de vista da inovação técnica (e do aumento potencial da produtividade e de rendimento do capital) está a anos-luz e num estado quase comatoso quando comparado com o que era a situação no início do século XIX ou XX.

Drone

Fazendo uma síntese, direi que o fundamental perceber é que estas tecnologias possibilitam: o processamento e armazenamento de informação a uma escala sem precedentes e com custos baixos; a reprodução e transmissão de informação a custo marginal quase zero e numa extensão sem precedentes. Também importa reter que os impactos de muitas destas técnicas ainda se estão por fazer sentir, nomeadamente da combinação computadores+telecomunicações+sensores (de que os drones ou as “casas inteligentes” são apenas alguns exemplos). Estas novas técnicas embora moldem o social não têm, por si só, um carácter reaccionário ou progressista, a luta social é que determinará a forma como essas ferramentas serão empregues (e até o seu posterior desenvolvimento). Para lá disto convém frisar, que o sector das tecnologias da informação e comunicação é o único onde tem havido inovações revolucionárias. Noutros sectores, nomeadamente em tudo o que diz respeito há produção, manipulação e transporte do que é material as melhorias têm sido de carácter incremental. As inovações na manipulação da informação também têm efeitos no mundo material, mas em menor escala que anteriores revoluções tecnológicas. Olhando para as primeiras décadas dos séculos XIX ou XX os aumentos de produtividade e rendimento prometidos pelas inovações existentes há altura parecem muitíssimo superiores ao que será possível atingir com base na generalização das técnicas que conhecemos na primeira década do século XXI.

Advertisements

About zenuno

http://despauterio.net
This entry was posted in 5dias and tagged , , , , , . Bookmark the permalink.

11 Responses to 2013 a Ferro e Fogo – Vagas de fundo. A Revolução Digital, telecomunicações e gestão da informação (parte II.3)

  1. na realidade a irreal causa da crise é orgásmica.... says:

    as tecnologias em questão não se limitam à transmissão de dados
    a bioquímica e a química orgânica tiveram uma expansão sem precedentes no XXIº século
    a tecnologia metalúrgica em pequena escala também evoluiu bastante
    já para não falar nos materiais a escala micrométrica e nanométrica que têm potencial de crescimento nos próximos 50 anos
    a biotecnologia com um impacto significativo na agricultura apenas descolou na década de 90
    logo é redutor limitar o fim do século xx e início deste aos bites und bytes

  2. Se Moncho says:

    Acho que está a ignorar muito do conhecimento científico-técnico atual, muito superior ao de finais do século XIX. Uma das razões fundamentais pelas que há tanto desemprego é porque a robotização permite empregar muitas menos pessoas para produzir o mesmo. As tecnologias da informação estão a influir em praticamente todos os setores, desde o automobilístico à agricultura, passando pelo de serviços; não sei em Portugal, mas na Espanha é muito usual ter que falar pelo telefone com alguém em Hispano-América para solucionar algum problema com o recibo do telefone ou da eletricidade. É certo que não há muitos carros voadores, mas quanto tempo tardará em haver no mercado carros com condução automática?. A biotecnologia já modificou significativamente a forma de nos alimentar, não sempre para melhor. E a genética nem sabemos aonde nos pode levar.

    • Francisco says:

      “Uma das razões fundamentais pelas que há tanto desemprego é porque a robotização permite empregar muitas menos pessoas para produzir o mesmo.” Falso. Não são essas técnicas que causam desemprego, são as decisões, políticas, no que concerne à alocação dos aumentos de produtividade resultantes dessas técnicas que causam os desequilíbrios sociais, como o desemprego. O mesmo se discutiu quando os teares mecânicos da revolução industrial causaram desemprego e uma tremenda crise social entre os artesãos e tecelões que empregavam técnicas menos mecanizadas. Na altura até surgiu um movimento, os “luditas” que partiam as máquinas que entendiam ser a causa do seu desemprego… Como deve ter percebido do texto eu não sou um “ludita”.

  3. na realidade a irreal causa da crise é orgásmica.... says:

    e poder-se-ia falar das novas tecnologias usadas na indústria mineira tanto no corte e na separação do minério como na prospecção

    idem para a agricultura em termos de rega programada avisos de pulverização ou aquecimento automático de estufas e ordenha sincronizada etc
    hoje uma ceifeira com gps é muito mais eficiente do que…etc etc etc

    resumindo o texto é falacioso

    • Francisco says:

      Tudo isso corresponde a aplicações das TITs a outras indústrias, coisa que referi no texto e prefere ignorar. Nunca disse que estamos no mesmo patamar tecnológico que no início do século XIX ou XX, o que refiro é que não há avanços revolucionários da dimensão que houve nessas alturas. Um carro de 2013 é muito diferente de um carro de 1910, houve imensos avanços incrementais, mas continua a ser um carro. De todos os exemplos que foram dados nestes comentários, talvez a área onde haja avanços revolucionários seja a química orgânica/bioquímica, mas isso mesmo referi no meu texto quando num parêntesis referi que talvez na medicina tenha havido avanços desse nível, aí assumo o possível erro de ter generalizado toda uma vasta área a “medicina”.
      Dito isto creio que estes comentários o que relevam é uma falta de capacidade de entender comparativamente os impactos económico sociais de determinados avanços técnicos.

    • Carlos Carapeto says:

      Certo!
      Ninguém devidamente informado vai contestar que as novas tecnologias permitiram baixar os custos e aumentar a produção e melhorar substancialmente a vida de muitos seres humanos
      Um hectare de terra produz hoje mais trigo com menos custos que há 50 anos.
      A produção/hora de um operário duplicou ou triplicou, a esperança média de vida em certas partes do planeta deu um salto enorme.

      A grande questão que se tem que colocar é esta. E em beneficio de quem ?

      Sim; porque a percentagem de pessoas a viver com carências tem aumentado ao mesmo ritmo da capacidade de produção de bens de consumo.

      Nunca na história da humanidade se produziram tantos bens e a tão baixo custo como na atualidade.

      Esse aumento de produção/qualidade de vida, de facto está diretamente relacionado com os avanços tecnológicos verificados nos últimos cem anos. Mas isso era muito bonito se abrange-se cada vez mais pessoas. Apesar desses avanços, cada vez existem mais seres humanos excluídas.

      Ao contrario do defendido aqui por alguém, o desemprego massivo pouco ou nada tem a ver com a automatização do trabalho, porque conforme a sociedade vai evoluindo vão aparecendo novas áreas de ocupação.

      Por exemplo: há cem anos qual era o peso do turismo no mercado de trabalho? A aviação comercial?

      Na agricultura não deixa de ser igual. Se em certas atividades houve uma quebra acentuada de absorção de mão de obra, no entanto aumentou a procura (com alguma escassez) noutras áreas. A horticultura e apanha de fruta.

      Mas a questão de fundo não é essa. Para que tem servido esse progresso? Que utilidade tem tido para um terço da humanidade?

      Jean Ziegler consegue explicar bem esses desequilíbrios.

  4. Gentleman says:

    É interessante imaginar como seria, caso ainda existisse, a URSS hoje na era da Internet. Como lidaria um regime alicerçado no rigoroso controlo (e adulteração) da informação numa era em que essa mesma informação circula fácil e abundantemente?

    Seria como a China atual onde o acesso é largamente filtrado mas, mesmo assim, acabando por deixar passar alguma coisa proveniente do exterior?
    Ou seria como a Coreia do Norte, onde o acesso à Internet está vedado à quase totalidade da população?

    • De says:

      Por favor e já:
      Um lencinho adequado às lágrimas amargas de Gentleman que assim expande as suas duvidas sobre o que seria hoje a URSS e a liberdade de informação.
      Quer convencer-nos que o que hoje temos é liberdade de alguma coisa.Logo hoje em que um canalha se apresta para falar ao país sobre a nossa condição de escravos do século XXI.Logo hoje em que coisas assim nos tentam desviar as atenções da máfia em exercício
      Logo hoje que esta trupe que já não tem nada para oferecer se entretém com tais estórias da carochinha.
      Logo hoje em que os terroristas se preparam para mais um golpe.Feitos à sua altura e semelhança, os pequenos capos acham coisas “interessantes” no seu modo de filtrar a informação da canalha de extrema-direita que nos governa

    • Carlos Carapeto says:

      O Gentleman como não está capacitado em dar uma opinião sobre a temática do assunto em discussão, tergiversa.
      Interessa-lhe mais elevar o seu catastrofismo anti comunista aos píncaros do paroxismo.

      E para subir mais uns degraus ainda se arma em futurista.
      Quando é que pensa parar de brindar quem o lê com as suas habituais chorrilhadas de asneiras?

      Está tão preocupado em lançar palpites como seria hoje a vida na URSS e pelos vistos está-se borrifando para saber como é a vida desses povos actualmente?
      Isso demonstra que não lhe interessa a vida das pessoas, pelos vistos está mais interessado em fazer demagogia com assuntos que desconhece completamente.

      Já que é sempre tão lampeiro em denunciar o “inferno” da URSS, porque não é prazenteiro em glorificar o “paraíso” que o capitalismo transformou aquela sociedade?

      Diga por favor o que foi que o capitalismo levou de bom para esses países?
      Qual foi o desenvolvimento ( em qualquer área) alcançado nestes últimos vinte anos?
      Coloco a questão de outra forma. O que foi que não se agravou?
      Escolha por onde entender, deixo ao seu critério.

      É maravilhoso abordar assuntos com quem nada conhece das situações. O pior é quando se esbarra com alguém que conhece.

      Acaba-se sempre por fazer figura de palerma, que é o que o Gentleman está a fazer neste momento.

      Quanto a esse devaneio sobre o controle da informação na URSS, devia primeiro lançar uma olhadela, como sempre se fez o controle da vida de qualquer cidadão na catedral da democracia e dos direitos humanos.
      E hoje o refinamento desse controle atingiu um limite inexorável.

      Mais; na URSS ninguém era excluído de quaisquer direitos, (AS PESSOAS TINHAM OS MESMOS DIREITOS EM TODA A PARTE) preso, linchado, queimado vivo em praça publica, inclusivamente ter que ceder o seu lugar nos transportes públicos, só por ter nascido com a cor da pele diferente.
      Consegue dizer onde isso ainda se passava quinze anos depois de encerrados os “temíveis” GULAG e da morte do “tenebroso” Estaline?

      Sabia que para esta situação acabar muitas cidades do Estado do Alabama em 1968 ficaram reduzidas a cinzas?
      Que tiveram que ser desviadas tropas destinadas ao Vietnam para controlar a revolta da população negra?

    • Carlos Carapeto says:

      “Ou seria como a Coreia do Norte, onde o acesso à Internet está vedado à quase totalidade da população?”

      Mais de 95% da população do Haiti e da riquíssima R D do Congo também lhes é negado o direito à internet.
      Vá se lá saber porquê? Ou será que a Coreia do Norte está a impedir o acesso?

      O massacre de Kwangju também foi perpetrado por os Norte Coreanos? Porque essa cidade fica acima do paralelo 38 e só o “grande líder” podia dar ordens para assassinar trabalhadores e estudantes?

      Isto também tem a mão dos Norte Coreanos?

      http://sp.rian.ru/opinion_analysis/20130429/156971745.html

      Para discutir questões da China exige alguns conhecimentos de Sinologia (passado e presente), como tenho consciência que os meus conhecimentos sobre isso são muito rudimentares, também não vou perder tempo com alguém que nada tem para me ensinar.

  5. Pingback: 2013 a Ferro e Fogo – Vagas de fundo. A emergência da China e dos “BRIC”, miragem ou realidade? (parte II.4) | cinco dias

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s