Lutas de 2013 (1ª parte)

Lutas de 2013

Segue-se um apanhado das lutas realizadas nos primeiros meses de 2013 (usando como principal fonte o jornal Avante!), e que deram continuidade a uma fase de intensa combatividade dos trabalhadores e populações. Ficam por assinalar muitos protestos populares por todo o país, de maior e menor dimensão, incluindo várias “Grandoladas”. É de salientar o crescente receio dos membros do governo e do Presidente da República em aparecerem publicamente, dada a presença ubíqua de manifestantes. Hoje, primeiro de Maio, dia do Trabalhador, os secretários-gerais da CGTP-IN e UGT admitem, em entrevista conjunta à Antena 1, um greve geral em breve, indicação clara de que a luta irá continuar, contra a política de austeridade, contra as imposições da Troika, pela demissão do Governo e convocação de eleições antecipadas, por uma política alternativa de emprego e desenvolvimento, por um Portugal livre e soberano.

JANEIRO

  • Vigília dos trabalhadores da Radal Frigoríficos, em Prozelo, Amares, com salários e subsídios em dívida desde Outubro,  frente às instalações da empresa. (5/Jan – )
  • Protesto contra a falta de cumprimento dos compromissos assumidos pelo Governo com o Sindicato da Hotelaria do Norte, junto ao Ministério da Economia, com a participação de meia centena de trabalhadores dos bingos do Salgueiros e Olímpia. (8/Jan)
  • Concentrações contra a retirada de transporte entre a cidade e as instalações dos serviços de higiene, no Algar (7/Jan)
  • Manifestação nacional de ferroviários no activo e reformados para exigir «parem de nos roubar».(17/Jan)
  • A empresa concessionária da cantina da escola de Ermida, em Santo Tirso, decidiu em 2011 não renovar o contracto de Firmina Rocha, que ali trabalhava há 17 anos, com sucessivos contratos a termo certo, de Setembro a Julho. Após caso em tribunal, a empresa foi forçada a reconhecer que os contratos eram ilegais, que não a podia ter despedido, que o Firmina era efectiva e deveria retomar o posto de trabalho. A empresa porém voltou a trás, e a direcção da escola expulsou a trabalhadora das instalações e recusou falar com o sindicato. A trabalhadora decidiu não arredar pé da porta da escola, cumprindo ali o seu horário de trabalho, à chuva e ao frio. Retomou o serviço no dia 17.
  • Greves parciais no Metro de Lisboa (15, 22 e 29/Jan)
  • Luta dos trabalhadores da Kemet Electronics logrou adiar o despedimento colectivo, de quase metade do pessoal em Évora, e adiar a deslocalização da produção de condensadores de tântalo da Kemet
  • Luta dos trabalhadores da Scotturb forçou os representantes da transportadora a comprometeram-se a marcar reuniões de negociação num curto espaço de tempo. O conflito laboral deveu-se à disponibilidade da administração para a negociação.
  • A comunicação da administração chegou ao sindicato no dia 14, segunda-feira. Estavam marcados mais dois dias de greve, para quinta e sexta-feira. Sem hesitarem em classificar o desfecho deste processo como uma vitória, os trabalhadores e o SIESI decidiram reduzir o período de greve para uma hora por dia, de modo a permitir a realização de plenários e a participação do pessoal dos turnos, nos dias 17 e 18, a partir das 8 horas.
  • Concentração dos trabalhadores da Appicaps (Porto), empresa de calçado, protestando a associação patronal que protela há 15 meses a negociação do contrato colectivo e a actualização salarial, ao mesmo tempo que exibe resultados económicos no sector que são os melhores de sempre. (25/Jan)
  • Manifestação nacional de 40 mil professores contra as políticas de destruição dos serviços públicos e do Estado democrático, contra as medidas do Governo e da troika estrangeira, contra o novo ataque contido no «relatório do FMI», e em defesa da escola pública de matriz democrática e da profissão docente (26/Jan)
FEVEREIRO
  • Greve dos enfermeiros contratados do Porto e manifestação junto à sede da Administração Regional de Saúde do Norte, onde entregaram uma moção exigindo o fim do trabalho precário e a conclusão do concurso, aberto em 2010, para 566 postos de trabalho, o qual permitiria estabilizar a situação destes profissionais. Alguns enfermeiros estão há mais de 10 anos com contratos a prazo, mas a ARS não dá andamento ao concurso invocando questões meramente jurídicas. (5/Fev)
  • A luta dos trabalhadores da Transtejo levaram a administração a aceitar a integração de prémios na tabela salarial, reivindicada nos últimos anos.
  • Centenas de inquilinos manifestaram-se na Praça do Comércio, em Lisboa, para exigir ao Governo e à Assembleia da República a revogação urgente da Lei n.º 31/2012. (7/Fev)
  • Concentração de trabalhadores das cantinas, refeitórios, áreas de serviço e bares concessionados junto à sede do grupo Trivalor (Gertal/Itau), em Leça do Balio (Matosinhos), para exigir aumentos salariais e negociação do contrato colectivo, protestar contra a retirada de direitos e a precariedade nas cantinas escolares, reclamar o cumprimento do caderno de encargos. (12/fev)
  • Concentração junto ao edifício do Banco BPI, protestando contra as declarações de Fernando Ulrich, sobre a generalidade dos portugueses ter que aceitar condições de vida semelhantes às das pessoas sem-abrigo.(14/Fev)
  • Grupo canta «Grândola Vila Morena» nas galerias da Assembleia da República interrompendo discurso de Pedro Passos Coelho (15/Fev)
  • Jornada Nacional de Acção e Luta, convocada pela CGTP-IN, com milhares de trabalhadores em 14 cidades (16/Fev)
  • Relvas interrompido por «Grândola Vila Morena» num debate do Clube dos Pensadores, em Gaia (18/Fev)
  • Greve dos trabalhadores da Sinorgan Produtos Químicos, em Espinho, contra o atraso no pagamento de salários, e concentração à porta da empresa, devido aos salários em atraso e dívida dos subsídios de Natal. (21/Fev)
  • Apupos e «Grândola» de estudantes e activistas pedindo a demissão do ministro Revlas, em conferência em Lisboa, no ISCTE.
  • Grupo de manifestantes, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, interrompeu o ministro da Saúde, Paulo Macedo, cantando o “Grândola Vila Morena” e expondo casos concretos como a falta de dinheiro para comprar medicamentos ou para pagar taxas moderadoras. (20/Fev)
  • Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, recebido em S. João da Madeira, numa inciativa da concelhia do PSD, com mais uma manifestação entoada ao som de “Grândola Vila Morena”.(22/Fev)
  • Manifestantes, em Faro, entoaram a «Grândola» e gritaram «não foste eleito» e «gatuno» aos Secretários de Estado Franquelim Alves e  Sérgio Monteiro numa iniciativa organizada pelo PSD.(23/Fev)
  • 30 manifestantes cantaram mais uma vez o “Grândola, Vila Morena” ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, desta vez à saída de uma conferência, em Lisboa (28/Fev)
MARÇO
  • 2 de Março, contra a Troika, contra a política de direita, exigindo a demissão do governo. Mais de um milhão e meio de pessoas em manifestações em 40 cidades, em Portugal e no estrangeiro, incluindo Angra do Heroismo (50), Barcelona (30), Beja (1,000), Braga (7,000), Caldas da Rainha (3000), Castelo Branco (1000), Chaves (200), Coimbra (20,000), Entroncamento (300), Estocolmo (15), Guarda (500), Horta (160), Lisboa (800,000), Londres (100), Marinha Grande (3,000), Paris (100), Portimão (5,000), Porto (400,000), Santarém (500), Setúbal (7,000), Sines (120), Tomar (200), Torres Novas (250), Viana do Castelo (1,000), Vila Real (1,800)
  • Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, recebido numa escola de Mangualde, com gritos de protesto contra o Governo, ao som da canção «Grândola, Vila Morena». (4/Mar)
  • Protesto, organizado pelos trabalhadores ferroviários, de centenas de manifestantes bloquearam a circulação ferroviária no Entroncamento em defesa do passe para os trabalhadores ferroviários e para as suas famílias.
  • Greve para dia 7, na empresa Sojitz Beralt, que explora as minas da Panasqueira, e recusa de trabalho extraordinário, visando exigir a melhoria dos salários e das condições de vida e de laboração. (7/Mar)
  • Greves no sector dos transportes: CP, Refer Carris e E.P.E. (6-7/Mar)
  • Greve de cerca de 80% dos 370 trabalhadores da unidade de extração de volfrâmio na Panasqueira (7/mar)
  • Greves no sector dos transportes: Rodoviária de Lisboa, Transportes Sul do Tejo e SCOTTURB.
  • Manifestação dos trabalhadores do sector dos transportes (9/Mar)
  • Greve e concentrações de enfermeiros em Aveiro, Covilhã, Guarda, Castelo Branco, Viseu exigindo que nenhum profissional em regime de contracto individual de trabalho (CIT) receba menos do que o mínimo estipulado pelo Governo (1.201,48 euros).
  • Manifestação nacional de milhares de trabalhadores da Administração Pública incluindo trabalhadores da administração central, regional e local – professores e não docentes, enfermeiros, motoristas, operários, auxiliares, técnicos, bombeiros, profissionais das forças de segurança, funcionários judiciais, das alfândegas e finanças, da Segurança Social (15/Mar)
  • Passos Coelho recebido em Aveiro com protestos de uma centena de trabalhadores (15/Mar)
  • Manifestação de cerca de 200 pessoas frente à CM Portimão, contestando a redução no serviço de transportes públicos.(15/Mar)
  • Concentração de militares e as associações profissionais de praças (AP), sargentos (ANS) e oficiais (AOFA), junto à residência oficial do Primeiro-ministro (20/Mar)
  • Concentração de dezenas de trabalhadores do Casino Estoril, que foram vítimas de um despedimento colectivo em 2010, que abrangeu 113 pessoas. (20/Mar)
  • Semana de luta dos reformados e pensionistas, culminando em concentrações em Lisboa, Coimbra e Covilhã, a par de outras acções no Porto, em Braga, Aveiro, Beja e Évora. (20/Mar)
  • Greve na Sicália (construção) em Abrantes (21/Mar)
  • Vigílias na Sait Gobain Sekurit Portugal, em Santa Iria da Azóia, na luta contra a intenção de despedimento colectivo de 45 camaradas e o encerramento de duas linhas de produção (22, 25/Mar)
  • Caminhada dos trabalhadores das indústrias têxteis, de vestuário e calçado, em Guimarães (23/Mar)
  • Manifestação de mais de 500 trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) em Lisboa, em defesa da viabilização daquela empresa pública e contra os despedimentos. (26/Mar)
  • Trabalhadores da TAP e Metro de Lisboa desconvocam greves depois das administrações terem alterado favoravelmente as suas posições.
  • Conclusão da revisão do Acordo de Empresa (AE) na Caima (celulose) e na CTT, da revisão salarial na REN, com conquistas laborais, fruto da unidade e determinação dos trabalhadores e firmeza dos seus representantes sindicais.
  • Manifestação de Jovens Trabalhadores “Queremos Trabalho! Exigimos Direitos!” (27/Mar)
  • Plenário seguido de manifestação de mais de cinco centenas de trabalhadores da CM de Lisboa  pelas ruas da baixa, até ao gabinete do presidente da CML, no Lg Indendente.
  • Greve dos trabalhadores dos regimes especiais de trabalho (turnos) da EDP.(29, 31/Mar)
ABRIL
  • No dia do 37.º aniversário da promulgação da Lei fundamental, a CGTP-IN entregou à presidente do parlamento uma petição, com 89 052 assinaturas, «Em defesa das funções sociais do Estado consagradas na Constituição da República». (2 de Abr)
  • Nova greve dos mineiros da Panasqueira (2-3/Abril), em luta por melhores salários.
  • Mobilização geral de professores, sob a consigna «Tolerância Zero» para com o Governo e a sua política, com o objectivo de auscultar os professores sobre a situação na Educação, os objectivos prioritários e as formas de intervenção e luta mais adequadas. (9-13/Abr)
  • Greve dos trabalhadores do sector de inserção automática da Bosch Car Multimedia (Braga), em regime de laboração contínua, para defenderem os horários de trabalho e os direitos que vigoram há cerca de 20 anos na fábrica. (10/Abr)
  • «Marcha contra o empobrecimento», organizada pela CGTP, percorre o país (mais de 40 localidades) e termina frente à Assembleia da República, em Lisboa (13/Abr).
  • Manifestação de Agricultores para reclamar melhores políticas agro-rurais e outro governo capaz de as definir e aplicar (17/Abr)
  • Greve às horas extraordinárias nos museus, palácios, monumentos, parques e sítios arqueológicos, e fundações públicas, no dia Internacional dos Monumentos e Sítios, para exigir negociação das reivindicações há muito apresentadas. (18/Abr)
  • Manifestação dos trabalhadores da Sait Gobain Sekurit Portugal e reformados de Loures frente à Instituição de Apoio Social de Bucelas, aquando de visita do sec. Estado da Segurança Social. (18/Abr)
  • 3 dias de Greve dos trabalhadores da SATA (23-25/Abr) porque a administração e o Governo Regional se recusam a aplicar na transportadora aérea açoriana o acordo assinado na TAP e que levou a que fossem desmarcadas as greves de 21 a 23 de Março.
  • Greve de dois dias  no departamento técnico do Hotel Tivoli da Marina de Vilamoura, contra a retirada de subsídio de horas nocturnas (27-28/Abr)
  • Greve dos guardas prisionais contra a forma como o Ministério das Finanças tem tratado a negociação do estatuto profissional (24-30/Abr.)
  • Grande jornada de comemoração e luta por todo o país, assinalando a Revolução de Abril e defendendo as suas conquistas (25/Abr)
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17 Responses to Lutas de 2013 (1ª parte)

  1. JgMenos says:

    A LUTA
    essa catarse que nos trouxe até aqui e que ameaça manter-nos na miséria!

    • andrelevy says:

      Foi a luta que nos trouxe até aqui?

      • JgMenos says:

        A luta por direitos que se consubstanciam em despesa para a qual não há receita.
        Modelos de crescimento fantasiosos para dar resposta a lutas e que resultam ruinosos.
        As lutas de elevação social e económica que legitima os Sócrates, Relvas e outros artistas representativos do sucesso pela treta e pela corrupção.

      • De says:

        Despesa para a qual não há receita?
        Modelos de crescimento fantasiosos?
        Lutas a legitimar Sócrates?
        Há aqui qualquer grande equívoco.
        Já foi devidamente denunciada a concentração da riqueza nas mãos de cada vez menos, nos tais herdeiros directos do poder vigente em Portugal entes de 1974.
        O modelo de crescimento em uso no nosso país é o modelo de crescimento das grandes fortunas, dos grandes interesses económicos e é um modelo de empobrecimento da generalidade da poulação e da população trabalhadora.
        As lutas são a resposta devida a tal modelo,a tal agiotagem, a tal terrorismo social.
        Se não fossem as lutas ainda estavamos no esclavagismo.
        Agora é preciso mesmo derrubar este governo de restauração do capital e do pré-25 de Abril.
        Sorry Menos mas a luta continua

        “O país vive em austeridade desde a saída do período revolucionário e a austeridade serve um propósito central, expropriar o trabalho, aumentar a taxa de exploração com vista à sustentação das taxas de lucros e restaurar as condições de rentabilidade do capital. “

      • De says:

        Mas vamos a números.Indesmentíveis.
        “Em 2013, a compensação salarial real por empregado (salários reais) estará ao nível de 2008. Por sua vez, o peso dos salários no produto, ou seja a quota-parte do produto que renumera o trabalho, estará ao nível de 1990 e é inferior ao que se verificava a quando da adesão. Isto significa que o nível dos custos unitários do trabalho reais se encontram também ao nível de 1990.
        Desde que o governo entrou em funções, o peso dos salários no produto evidenciou uma descida 2,3 p.p., ou seja, indicativo de um dos maiores aumentos da taxa de exploração
        Por outro lado, o peso dos salários no produto teve uma descida de 3,8 p.p. desde a introdução do Euro. Percebe-se assim a quem serviu a moeda única, quando desde o Euro os lucros líquidos cresceram mais de 8 vezes mais que os salários em Portugal(que tiveram um crescimento médio de 0,3%, quase nulo) e quase 4 vezes mais na zona Euro”.
        Pedro Carvalho
        Há mais

      • JgMenos says:

        A Estatística – neste país deficitário em formação matemática – tornou-se instrumento universalmente usado e abusado para sustentar tudo e o seu oposto.
        Os grandes números são como os grandes pensamentos – úteis se não usados para desvalorizar a perversão nas pequenas acções.
        As empresas só sobrevivem se gerarem lucros; vá aos lucros líquidos de impostos e retire os grandes beneficiários do sistema estatizante (os dos bens não transaccionáveis) e logo vai ver a anemia crónica das empresas e o seu fácil colapso como se tem verificado.
        O lucro é um sinal de saúde, e o contraponto do esclavagismo é treta demagógica de treteiros de esquerda.
        Quanto às grandes fortunas nada a fazer; tudo correndo como deve, as pequenas fortunas tornam-se grandes. Quer confiscar? logo verá o resultado!

      • Camarro says:

        Olha aí o Menos…

        https://images.nonexiste.net/image/248895

        Achas que ele percebe alguma coisa?

      • De says:

        Menos.Um desonesto é um desonesto.
        Ponto final parágrafo.
        O país deficitário em matemática não se compadece com os ignorantes nem com os manipuladores.Em vez de fazer demagogia barata, desminta os números apontados.
        Senão não passa de um aldrabão de feira.A tentar fazer vender um peixe fora de validade.E que por isso apodrece e fede.

      • De says:

        Ao Menos Incomodam-no os números que inequivocamente desmentem as suas afirmações tontas sobre a distribuição da riqueza e sobre a “tal despesa para que não há receita”.
        Há alguns que lucram e bastante.A riqueza conjcentra-se em cada vez Menores mãos. E Menos num exercício apologético mas perfeitamemte desconexo, tenta aí um arremedo sobre os benefícios do capitalismo e sobre os fundamentos da sociedade do bem estar.
        Eis que emigra num exercício vazio e oco de apologia ao seu ideário “empresarial”.E sacode-se comovido face ao deus lucro a que alguns neoliberais se submetem sem qualquer pejo ou vergoinha,daquela forma perversa de que são capazes tanto nas pequenas como nas grandes acções.

        Ora vejamos:
        “A empresa, no contexto capitalista, tem como objectivo primeiro e último a obtenção de lucro e o enriquecimento dos seus proprietários. A empresa no contexto capitalista cristalizou na sua mais reles forma: a de uma propriedade que contém uma organização social. Ou seja, não é uma organização social em si mesma, mas é antes disso, uma propriedade privada ao serviço de quem a detém, fazendo uso de uma organização social para garantir esses desígnio”

      • De says:

        O lucro
        “O lucro, banalizado por séculos e séculos de exploração e opressão, e particularmente sacralizado durante o advento e a consolidação do Capitalismo, é essencialmente o resultado de uma apropriação, legitimada pela lei que é, por sua vez, escrita e decretada pelos representantes de quem se apropria.
        Todo o lucro representa uma apropriação dos frutos do trabalho alheio, e nenhum lucro é legítimo moralmente, apesar de o ser legalmente.

        O lucro é obtido através da apropriação das mais-valias do Trabalho, descontados os custos fixos. Ou seja, se eu produzir 1000 euros por mês em peças e o patrão me pagar 10 euros por mês, isso significa que a mais-valia é de 990 euros, donde descontará as rendas e custos com matéria-prima.

        A obtenção de um lucro é justificada pela existência de um “risco” subjacente a um investimento. … Mesmo admitindo a concretização plena do falhanço do investimento, o “investidor”-patrão tem apenas a perder uma certa riqueza que já amassou através de uma apropriação no passado (lucros anteriores) ou, na pior das hipóteses, tem a perder apenas a sua condição de patrão e a ver-se forçado a integrar-se em igualdade perante todos os restantes seres humanos, como trabalhador.
        O lucro, justificado pelo risco e pelo investimento, deixa de ter justificação quando se percebe que afinal de contas nem um nem outro são reais. O “risco”, quando existe, é sempre inferior aos riscos que corre um trabalhador. O “investimento” não é mais do que afinal a utilização de “lucros” obtidos por roubo e apropriação e, como tal, é dinheiro de quem trabalha nas mãos de quem não quer trabalhar.”

      • De says:

        Sobre a “anemia crónica das empresas em contraponto aos lucros fabulosos dos grandes tubarões:

        “Dizem os delatores do comunismo que os comunistas pretendem o fim da propriedade privada. Na realidade, o socialismo e o comunismo, defendem o fim da propriedade privada dos meios de produção. Ou seja, não é vedado a ninguém o direito de adquirir bens próprios desde que o faça com o produto do seu trabalho e que não use esses bens para explorar trabalho alheio.

        Isto significa que os bens de consumo, as casas, os carros, as bicicletas, e todo um vasto consumo de outros bens, podem de facto ser adquiridos e constituir propriedade privada. Todavia, as matérias-primas e os meios de produção devem ser colectivizados, na perspectiva comunista. É o capitalismo que impede a propriedade privada, através da constituição de monopólios cada vez mais vastos. A acumulação da propriedade privada (dos bens e dos meios de produção) num cada vez menor número de entidades, significa a espoliação real de propriedade de todos os restantes. Em última análise, a propriedade privada é mais diversificada e mais massificada no socialismo do que no capitalismo, em que o proprietário tende para um e a dimensão da propriedade privada para infinito.”

      • De says:

        Sobre o vergar da coluna vertebral às grandes empresas, a saúde gerada pelo lucro e a austeridade defendida pelos terroristas sociais que nos governam e seus acólitos:

        A “austeridade” não é a aplicação de uma qualquer “disciplina” na economia, é apenas a forçada diminuição de despesa (e na maior parte dos casos da receita igualmente) dos Estados, como forma de comprimir totalmente o serviço público, garantindo a apropriação pelos interesses privados, amassando mais e mais áreas de negócio e mais e mais lucros. A disciplina imposta à esfera pública é contraposta pela total liberdade de aquisições por privadas, pela desregulação das relações laborais e pela selvajaria da exploração e do desmantelamento dos próprios Estados. A contracção do investimento, da despesa e da receita públicas, são afinal de contas, a verdadeira expressão da “austeridade” que impõe brutais constrangimentos económicos a uns para assegurar a opulência de outros”.( a tal saude que constitui o lucro, ou o motivo pelo qual Menos diz taxativo:”quanto às grandes fortunas nada a fazer”
        “A pretexto dessa “austeridade” pública, os patrões encontram mais uma justificação para impor igualmente piores condições de exploração do trabalho e assim, desvalorizando o trabalho, garantir mais lucro. Por isso mesmo, no actual contexto, a palavra certa para “política de austeridade” seria “roubo massivo” ou “crime organizado”

      • De says:

        Todas as citações referidas são tiradas do “imperiobarbaro.blogspot.pt”

        Tal como esta , verdadeiramente lapidar :
        “Não existe trabalho porque existem empresas, existem empresas porque existe trabalho.
        Existem empresas porque existe trabalho e existem patrões porque existe trabalho. É, aliás, o facto de existir desde os primórdios da Humanidade, a realização de Trabalho que possibilita a apropriação dos seus frutos por outrém. A realização de trabalho depende exclusivamente da disponibilidade de mão-de-obra e de meios de produção. A existência de um explorador, de um patrão, não entra sequer na equação.”

        Há mais. Agora e de forma consciente e voluntária não citámos números.Mas voltaremos a eles, para desespero de Menos

      • Eu sei que estás cheio de saudades do Hitler, do Salazar, do Mussolini, portanto vai pela sombra, vai ter com eles, oh Menos dum raio.

      • JgMenos says:

        DE,
        Na próxima arenga sobre a sua ideologia, fale-me um pouco sobre a enorme força do cooperativismo criado pelos seus correligionários; diga-me porque todos atribuem ao Estado a missão de implantar o socialismo, e não o constroem vivendo-o.
        Explique-me se é missão do Estado criar esse ‘homem novo’ despido desse defeito que o leva a querer pisar terra de que seja dono; e fale-me desses seres de excepção que vão exercer o poder do Estado.
        E em final vai saber que o seu ideal não é deste mundo, mas de um reino de anjos e arcanjos que não pisam a terra e não são humanos como nós os conhecemos.
        A força dos trabalhadores é maior em relação ao patrão do que em relação ao Estado, e como sempre haverá uma mais valia apropriada por um deles ou por ambos, a escolha é evidente.
        Tratem de regular o capitalismo, que a sua destruição é a miséria de todos.

      • De says:

        “Este retrato mostra bem a insustentabilidade económica e social desta política, mas também os interesses que serve, alicerçada pela ingerência da União Europeia. Não estamos perante políticas erradas, estamos perante políticas deliberadas, políticas de classe.
        Esta linha de rumo está a ser aplicada em todos os países da União Europeia, com os instrumentos já referenciados, onde o Euro assume um papel de destaque. Estas são as amarras que condicionam o nosso desenvolvimento económico e social. O nosso e dos restantes países da União Europeia.
        A natureza de classe da União Europeia é hoje cada vez mais evidente. Sendo um processo histórico de resposta do capitalismo europeu às crises cíclicas que atravessa e um elemento da concertação/rivalidade do capital ao nível europeu, estamos perante um instrumento de classe efectivo na ofensiva contra o trabalho, que cria constrangimentos a luta dos trabalhadores e dos povos.
        Um instrumento criado e desenvolvido pelo grande capital, seja pelas confederações patronais desde a sua gênese (UNICE/Business Europe), seja pela mesa redonda dos industriais (ERT). Um instrumento, por isso, não reformável.
        À medida que a crise se acentua, o instrumento tenta aprofundar-se, com as contradições inerentes ao próprio capital, elevando o patamar da ofensiva de classe em curso, com vista a garantir as condições de intensificação de exploração do trabalho e de rentabilidade perdidas, sempre ao serviço dos interesses do grande capital das potências imperialistas centrais, como a Alemanha.
        A emancipação dos trabalhadores portugueses e dos outros trabalhadores dos países que constituem a União Europeia, passa pela tomada de consciência que não existem saídas no actual quadro que não passem por uma ruptura com as políticas vigentes, pela necessidade de derrotar o instrumento de classe que é a União Europeia, de fazer retornar aos Estados os instrumentos de política económica, monetária, orçamental e cambial e pôr no domínio público os sectores estratégicos que permitam alavancarem o desenvolvimento económico dos países, ao serviço dos trabalhadores e dos povos.

        A ruptura com o processo de integração capitalista europeia tem que estar nas prioridades da luta dos trabalhadores e dos povos, por uma Europa de paz, progresso e cooperação. Temos que derrotar a União Europeia para construir o futuro.”
        Pedro Carvalho

  2. Carlos Carapeto says:

    Isto não divulga a informação ao serviço do poder dominante. Saber destas coisas dá-nos ânimo para continuar.

    Portanto a luta não pode esmorecer, nas atuais condições os trabalhadores têm que intensificar ainda mais as suas ações de contestação às imposições dos interesses financeiros..

    E como não temos condições para ” confrontos” prolongados temos que manter uma “guerra” de desgaste permanente.

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