Sorria, está a ser roubado

Contratos swap são instrumentos de gestão financeira altamente especulativos. Um daqueles investimentos em que nenhum leitor de boa-fé gostaria de ver o seu dinheiro, sobretudo a partir da crise de 2008. Uma espécie de casino em que se perde sempre.
Não foi o que pensaram os administradores de nomeação governamental da maioria das empresas do sector empresarial do Estado. A partir de 2008, e com especial destaque para as empresas de transportes, qualquer novo empréstimo implicou a subscrição destes instrumentos especulativos em que os “azares” do Estado resultam numa mina de ouro para a banca.
Só a Metro de Lisboa, cuja dívida total é de 4117 milhões de euros, tem contratos swap assinados no valor de 5551 milhões de euros. Esta empresa, no primeiro semestre de 2012, perdeu em juros e perdas swap 297 milhões, o equivalente a dois anos de salários dos seus trabalhadores e, considerando a totalidade do que terá sido investido neste casino, pensa-se que poderá vir a perder o equivalente ao valor de 18 anos de bilhetes e passes dos utentes. Mas a Metro do Porto lidera este campeonato do descalabro financeiro. Os prejuízos já atingem os 832,4 milhões de euros, o equivalente a 142 anos de salários dos seus trabalhadores ou 23 anos de transporte gratuito.
Na Assembleia da República, PCP e BE denunciaram-no ao passo que PS, PSD e CDS iam fazendo saltitar os “empreendedores” administradores públicos entre empresas do Estado e o governo. Aliás, mesmo os representantes da banca envolvidos na negociata são hoje administradores dos interesses do Estado, como António Borges, que cuida das privatizações, ou Moreira Rato, que cuida das renegociações com os antigos patrões.
Como diria o Presidente da República é preciso criar os consensos necessários… para que o roubo continue, acrescento eu.

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17 Responses to Sorria, está a ser roubado

  1. menvp says:

    -> Aumentar as penas de prisão… não é solução: : a superclasse (alta finança – capital global) está dotada da capacidade de conduzir Estados à bancarrota… e… nenhum Estado falido possui a capacidade de implementar um sistema prisional eficiente!
    .
    —> O CONTRIBUINTE TEM DA ACTUAR A MONTANTE: quem paga (vulgo contribuinte) deve ter acesso a mecanismos de fiscalização cada vez mais eficazes das contas públicas… ou seja… é necessário uma campanha para motivar os contribuintes a participar… leia-se, votar em políticos, sim, mas… não lhes passar um ‘cheque em branco’… leia-se: para além do «Direito ao Veto de quem paga» (ver blog «fim-da-cidadania-infantil»)…. é urgente uma nova alínea na Constituição: o Estado só poderá pedir dinheiro emprestado nos mercados… mediante uma autorização expressa do contribuinte – obtida através da realização de um REFERENDO.
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    *
    *
    P.S.
    -> O “crescimento” à força bruta de endividamento e de dinheiro mal gasto… no final da sua fase mais delirante… atirou-nos para a fronteira da bancarrota.
    -> Ao contrário do “crescimento” à força bruta… o CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL é mais suave…
    -> O “crescimento” à força bruta… favorece a alta-finança (capital-global).
    .
    -> Todos pudemos assistir a uma incrível e monumental campanha [nota: a superclasse (alta finança – capital global) controla a comunicação social] no sentido de ridicularizar todos aqueles que eram/são contra o ‘viver acima das possibilidades’… ou seja, ridicularizar todos aqueles que eram/são anti-endividamento excessivo; um exemplo: no passado, Manuela Ferreira Leite foi ridicularizada por ser uma ministra anti-deficit-excessivo; e mais, chegam a retratar o contribuinte alemão (que recusa ser saqueado) como novos fascistas/nazis…
    -> O discurso de qualquer ‘cão/gato’ anti-austeridade tem logo direito a amplo destaque… [nota: a superclasse controla a comunicação social].
    —>>> Um afrouxamento no controlo rigoroso das contas públicas (fim da austeridade)… proporciona oportunidades para a superclasse… isto é, ou seja, com tal afrouxamento, a superclasse (e suas marionetas) passam a poder ‘CAVAR BURACOS’ sem fim à vista: BPN’s, PPP’s, SWAP’s, etc…

    • Rafael Ortega says:

      Direito de veto de quem paga seria muito bom. Mas veto a tudo? Posso vetar a contratação de funcionários, carros, equipamentos, de todos os organismos do Estado?

      Quanto a levar as emissões de dívida a referendo é impraticável, porque ninguém vai às urnas a cada três meses pelo mesmo motivo (ia banalizar as eleições).

      • Antónimo says:

        Todos os dias tomamos decisões que nos afectam a vida. Não sei pq não havemos de tomar de três em três meses decisões que ainda nos afectam mais a vida.

  2. MickDoohan says:

    Curioso é ver hoje a Secretária de Estado das Finanças a “sacudir” a responsabilidade destes “swaps”, para o governo Sócrates, quando aquela senhora ocupou, entre 2007 e 2011, o lugar de coordenadora do Núcleo de Emissões e Mercados do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, I.P., instituto ao qual compete “gerir, de forma integrada, as disponibilidades da Tesouraria e o endividamento público directo do Estado (…) em obediência às orientações definidas pelo Governo, através do Ministro”. Ou seja, mesmo que não tivesse, à data, responsabilidades directas sobre a gestão destes “swap”, não lhe fica bem fingir que não teve nada a ver com o assunto.

    Parafraseando Pacheco Pereira, se vivêssemos num país “a sério”, coisas destas tinham de dar lugar a “enormes discussões públicas”.

    De resto, não há capitalismo nenhum. A “socialização” do risco e do prejuízo perverte as suas principais premissas.

  3. Fonseca-Statter says:

    Na verdade não gostei nada… Ninguém gosta de saber destas golpadas… Perguntas de ingénuo: não havia mais bancos a quem recorrer para obter os tais «empréstimos»»… Se aquilo era «obrigatório» (do estilo «Querem empréstimos? Têm que subscrever um contrato swap para “segurar” o risco da subida de juros, senão não há empréstimo»), isso não será razão suficiente para denunciar os contratos e exigir indemnização “leonina” (como seriam os contratos nessas condições)?… Pergunto eu, que de finanças só sei o que tive que aprender na multinacional onde trabalhei.

  4. JgMenos says:

    Exchange of one type of asset, cash flow, investment, liability, or payment for another.
    Trocar juros variáveis por juro fixo é ‘especular’ sobre a taxa de juro? Sim se trocar o incerto pelo certo o fôr.
    Haverá especulação se condicionantes especulativas forem incluídas nas condições dessa troca.
    Amainar a histeria não seria má ideia.

    O que subsiste é que quem investe sem antes ter poupado sempre arrisca um futuro incerto; e de poupança ninguém quer ouvir falar há décadas!!!!
    Agora todos são prudentíssimas virgens…

    • De says:

      O que subsiste? Este está a brincar ou a fazer-nos de parvos?

      “Amainar a histeria” é a proposta de Menos, qual prudentíssima virgem.
      Percebe-se porquê.A denúncia do funcionamento da podridão do capitalismo é sempre um assunto penoso para o dito.
      E atolados até ao pescoço alguns dos manda-chuva do grupo de terroristas que nos governam

      • JgMenos says:

        Que ingratidão!
        Chamar terroristas aos financiadores das inefáveis conquistas de Abril!!!

      • De says:

        Menos,está mais uma vez equivocado.E agora parece que carrega no registo um pouco histérico.Será pela defesa tortuosa que fez dos Pides?

        Chamo terroristas a quem nos governa.Aos herdeiros directos e indirectos do fascismo.Aos seus amigos.
        Percebeu agora ou quer mais explicações?

    • Carlos Carapeto says:

      Porque metes tu o bedelho em assuntos que não conheces patavina?

      Para não repetires mais asneiras, dou-te por castigo ler dez vezes seguidas este trabalho de um conceituado economista sobre divida publica.

      Aprende:

      http://www.oid-ido.org/IMG/pdf/Nakatani_Paulo_O_PAPEL_E_O_SIGNIFICADO_DA_DIVIDA_PUBLICA_NA_REPRODUCAO_DO_CAPITAL_.pdf

      • JgMenos says:

        Imagino que queira provar que quanto mais dívida menos juros do capital.
        Passo!

      • Carlos Carapeto says:

        Não pretendo provar nada , nem tão pouco estou capacitado para tal. Sustento os meus argumentos na opinião de especialistas que se dedicam ao estudo destes assuntos. É baseado nessa realidade que dou a minha modesta opinião.

        Portanto não é a mim que tem que interpelar ou desmentir.
        Leia com atenção o que está escrito no artigo que lhe disponibilizei, depois dê o seu parecer. Se concorda ou discorda com aquilo que este economista diz.

        Com que então os juros estão relacionados com o montante da divida? Deixesse de simplismos medíocres!

        Portanto da forma como coloca o problema os EUA o maior devedor do planeta, que assenta a sua economia no consumo e na industria bélica era quem pagava as taxas de juro mais elevadas?

        O Japão que tem a segunda maior divida do mundo e está em recessão há mais de duas decadas, idem.

        Desconhece as contradições desta situação?

      • De says:

        Não é uma questão de passar.
        É uma questão de falta de argumentos perante os factos.

        E é uma questão de ignorância boçal (mas não só) sobre o que está escrito neste artigo referido pelo Carlos.
        E para que todos percebam até onde vai também a desonestidade de Menos reproduzo aqui as conclusões finais deste trabalho:

        “O desenvolvimento do sistema de crédito no capitalismo contemporâneo criou um
        conjunto amplo e complexo de instituições e instrumentos financeiros cuja função
        principal é a reprodução do capital na esfera puramente financeira. Uma parte desse
        capital transita pela esfera produtiva, mas a maior parte dele se reproduz de forma
        puramente fictícia, nas bolsas de valores, nas bolsas de mercadorias e no mercado de
        títulos públicos. Os principais instrumentos dessa valorização fictícia são as ações, os
        derivativos e em particular a dívida pública.

        Nos países subdesenvolvidos, a constituição desse sistema de crédito permite a
        integração financeira ao sistema mundial e funciona como uma plataforma de
        transferência de mais-valia para o centro do imperialismo, os Estados Unidos e seus
        associados, comandado e orquestrado pelo FMI e pelo Banco Mundial. Assim, no
        interior dos países subdesenvolvidos desenvolveu-se uma fração da burguesia que se
        aliou estreitamente com as frações da burguesia internacionalizada comungando os
        mesmos interesses, o que reafirma a necessidade de que a luta de classes também se
        desenrole em escala internacional.

        A dinâmica da dominância financeira contemporânea centrada no capital especulativo e
        parasitário aponta para crises financeiras recorrentes, pois a reprodução ampliada do
        capital na esfera puramente financeira exige continuamente uma punção crescente sobre a mais-valia gerada na esfera produtiva, ou seja, aumento contínuo na taxa de
        exploração da força de trabalho que encontra limites objectivos determinados pelo
        próprio desenvolvimento das forças produtivas. O resultado desse processo é a
        necessidade imperiosa de desvalorização do capital fictício acumulado cujo desenlace é
        retardado pela intervenção do Estado que contribui activamente, através da dívida
        pública, na manutenção desse capital fictício.

  5. alibabah says:

    Fora com esses gajos todos,e aquilo que ganharam com estes ‘negócios’,TODO para cá e,prisão por muitos anos!

  6. Eu mesmo... says:

    Obrigado! É sempre bom ver pessoas que não andam cá a dormir.

  7. Carlos Carapeto says:

    Este artigo esclarece algumas das causas da atual crise, e das razões de certas economias passarem por um período de contração, enquanto isso o capital no seio dessas mesmas economias continua a aumentar os seus lucros.

    http://www.anpec.org.br/encontro2008/artigos/200807211429380-.pdf

  8. Pingback: Sobre o transporte gratuito em Portugal | cinco dias

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