“AS COISAS NÃO SÃO FEITAS POR ACASO” – Um filme de Tiago Cravidão sobre Eduardo Gageiro

As coisas não são feitas por acaso. from Largo Filmes on Vimeo.

Cartaz_A4_F1b_webÉ com imenso orgulho que irei apresentar, no próximo dia 31 de Maio, às 21h30, na Sala Manoel de Oliveira do Cine-Teatro São Jorge, em Lisboa, o filme de Tiago Cravidão sobre Eduardo Gageiro. O Tiago, que conheço desde os tempos de Coimbra, apresenta aqui um filme documental sobre a vida daquele que para mim é, para além de um grande amigo, o melhor fotografo português de todos os tempos. Esta nota pessoal, ainda longe da ante-estreia, serve sobretudo para apelar a que as forças vivas, do jornalismo à blogosfera, do cinema à fotografia, se mobilizem para transformar este momento numa homenagem não só ao empenho do Tiago Cravidão, que insistiu em não desistir de um projecto que tem tudo para fazer sentido, mas sobretudo ao Eduardo Gageiro que não desiste de insistir que a fotografia é, também, uma forma de estar e de mudar o mundo.

“Estamos ao lado de Eduardo Gageiro quando o major Pato Anselmo lhe aponta a sua Walther de 9mm. Mas é Gageiro que dispara, fixando para sempre a última ameaça da ditadura Portuguesa que, segundos depois, e bem à nossa frente, se rende a Salgueiro Maia obrigando-o a morder o lábio para não chorar.

São agora os bancos de madeira do eléctrico 28 que nos transportam. Alfama, o Tejo, Campo de Ourique, Martim Moniz: é a preparação do próximo livro de Eduardo Gageiro. Aqui, constatamos a passagem da doença, e vamos assistindo ao ato fotográfico que das imagens quotidianas depura sínteses de vida. Presenciamos a espera, a escolha, o corpo em esforço para fixar a imagem imaginada. Matéria e ideia condensadas ao abrir do obturador. Gestos que este fotojornalista ensaia há mais de 65 anos.

Mas Eduardo fotografa ainda, é presente, actual, vivo e por isso, ao lado da grande escala assistimos às sessões fotográficas na humilde e lotada mesquita da mouraria, nos desgrenhados cabeleireiros para negros do Martim Moniz, e nas desarrumadas das lojas chinesas. “O dia-a-dia que soletramos sem dar por isso”, escreve o amigo José Cardoso Pires. Fragmentos unidos em torno do ponto de vista que este projeto, que durou cerca de 5 anos, foi instalando.

É este o olhar do filme sobre Eduardo Gageiro. Um filme que parte das histórias de duas imagens e que as cruza com a da preparação do seu último livro. Um filme que mostra como o olhar profundamente português deste fotógrafo viu as transformações em Portugal e no mundo nos últimos 60 anos. Um olhar que imaginou e que por isso viu e fotografou, o beijo de Dona Maria ao cadáver de Salazar em 1970, o rapto dos Israelitas nos jogos Olímpicos de 1972, o momento decisivo da revolução de 74, e as sedutoras revelações dos retratos de 95.

Um olhar que na precisão científica de Álvaro Cunhal só pode ter origem num “observador atento e incansável que, com talentosa criatividade, não só colhe como cria a imagem e com ela interpreta a pessoa e o acontecimento.”

  • Ante-estreia, dia 31 de Maio, 21h30, Sala Manoel de Oliveira, no Cine-Teatro São Jorge – Entrada Gratuita
        Evento no Facebook:

https://www.facebook.com/events/369979043107487/

Créditos – Realizacão: Tiago Cravidão | Produção: Largo Filmes | Videoteca de Lisboa | Persona non Grata Pictures | Imagem: Tiago Cravidão e Miguel Amaral | Montagem: Tiago Sousa e Tiago Cravidão | Som direto e Misturas: Pedro Lourenço | Música Original: Luís Figueiredo | Ambrótipos em Colódio Húmido: Henrique Loff | Chefe de Produção: Ana Rajado e Inês Prazeres | Pesquisa: Ana Castelo

Filme financiado pelo Programa Gulbenkian de Língua e Cultura Portuguesas com Alto Patrocínio da Assembleia da República Portuguesa

Apoios: Videoteca de Lisboa | Arquivo Municipal de Lisboa | E. G. E. A. C | Hemeroteca Municipal de Lisboa | Biblioteca Nacional | Museu da Resistência | Fundaçaão da Universidade de Coimbra | Teatro Académico de Gil Vicente | Biblioteca Municipal de Coimbra | Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra | Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo | Casa Estúdio Carlos Relvas | Camâra Municipal da Golegã | Instituto de Odivelas | Kameraphoto | Ministério da Defesa Nacional | Fortaleza do Guinho | Mesquita Baitul Mukarram | El Palancar – Cáceres Extremadura

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4 Responses to “AS COISAS NÃO SÃO FEITAS POR ACASO” – Um filme de Tiago Cravidão sobre Eduardo Gageiro

  1. De says:

    Chapeau. Para ele(s) e para todos os que

  2. esteves says:

    viva o 25 de Abril!

  3. Pingback: “Não há acasos nesta história de Eduardo Gageiro” | cinco dias

  4. Pingback: “As coisas não são feitas por acaso”, nas “Vidas que Contam” de Ana Aranha | cinco dias

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