Quando te perguntarem se vai haver violência, fala-lhes da Amélia

Amélia Santos varre há 20 anos, chova ou faça sol, as ruas de Oeiras. Há uns dias pôs um anúncio a oferecer-se para trabalhar o resto do seu tempo em troca de comida. Tem filhos e, apesar de ser empregada da câmara municipal, não lhe pagam o suficiente para que haja comida em casa.
Nuno Ramos de Almeida

A Amélia tem o direito e o dever querer mais do que lhe é oferecido. De perguntar-se por que é que a Amélia trabalha e o que recebe não chega para as despesas e há quem ocupe cargos onde sobram dez ou mais salários como os da Amélia, depois de pagar todas as despesas. Mais, Amélia, é preciso ânimo e força para lutar, porque, ao que parece, os despedimento no sector do Estado que querem levar avante começam, precisamente, pelos trabalhadores menos qualificados.
Ricardo M. Santos

Reportagem da SIC

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37 Responses to Quando te perguntarem se vai haver violência, fala-lhes da Amélia

  1. Até onde irá a canalhice dos «donos do sistema» ?…

  2. faff says:

    A direita e os seus métodos. Aqui desde o poder do estado com políticas anti-sociais, noutras paragens com o poder terrorista das classes económicamente dominantes, como na Venezuela neste momento.
    É urgente denunciar o golpe de estado que a direita da Venezuela prepara, num claro atropelo às regras mais básicas da Democracia. É urgente denunciar em todo o mundo, as tácticas ditatoriais de Capriles, desrespeitando as conclusões das missões internacionais de observação das eleições venezuelanas. É urgente dizer: Não passarão! Na Venezuela, está em causa não só a Democracia venezuelana, mas as bases da Democracia em toda a América Latina e, tendo em conta o actual estado da economia no mundo ocidental, de muitos dos países europeus – todos os que estão manietados pelas políticas de austeridade do FMI e da especulação financeira internacional. Basta! É urgente um levantamento internacionalista de solidariedade com o Povo da Venezuela, contra o aventureirismo golpista patrocinado pela CIA, pelo capital mundial, e por uma direita ultramontana e terrorista que só entende a Democracia debaixo das suas botas.

  3. Perdão, sendo os senhores marxistas-leninistas, alguns a roçar o Estalinismo e outros saudosistas Maoistas, questiono-me: porque não cedem então, na boa tradição comunista, o vosso salário às necessidades dos demais e, neste caso, da Amélia? A redistribuição é só quando é por saque aos outros? Exclui-vos?

    • De says:

      Lopes, vossemecê saiu-me um ignorante.A roçar a boçalidade.Será mais um neoliberal por convicção a mostrar o quão medíocre pode ser uma coisa assim.
      A sociedade muda-se.Aniquila-se o capitalismo putrefacto para acabar de vez com estes casos,como os da Amélia.Uma sociedade em que não haja lugar para estas situações.Nunca mais.E como se sabe a corja que nos governa de neoliberais pesporrentos o que faz é multiplicar situações como as apresentadas.
      Agora caridadezinhas travestidas de discursos demagógicos e bolorentos só mesmo saído da cabeça de uma jonet ou duma Hola piolhosa em regime de transição acelerada para a indignidade.
      O lopes segue-lhes os passos.Está certo.A ignorância, a má fé e o bolor andam geralmente de mãos dadas.

      • Confirma-se, portanto, a minha inquietude. O vosso comunismo é de sala, para ficar entre o alpendre e o passe-partout do Staline, com o seu bigode farfalhudo e operário em destaque. Ao lado, o livro vermelho e uma panóplia de insultos para serem disparados aos “imperialistas”, “burgueses” e “capitalistas”. Este bon chic bon genre retira-se — atónito — ao perceber que mesmo neste comité de comunistas, eles existem mas sempre à custa do saque ao dinheiro dos outros.

      • De says:

        Confirma-se?A sua “inquietude”? Confirma-se outra coisa
        Lol.Vocemecê é destituído ou faz-se?
        E vem com Staline pela mão para ver se assusta ou se engana, qual vero doutrinador (cábula) a ver se ainda pesca na chafurdice do anti-comunismo?

        (“Comité” diz vocemecê ? Será que resulta de uma sua tentativa de propaganda serôdia à chafarica que frequenta?
        🙂 )

        Agora que já fez o seu trabalho, veja se tem calma e se consegue perceber o que foi dito sobre o caso das caridadezinhas mal cozidas e sobre a necessidade de se acabar de vez com as histórias das Amélias aqui relatadas.Sem uso de panos e de rementos para se tentar “tapar” as situações .
        Vai ver que não é difícil

        Mais difícil será conseguir perceber que o saque aos outros é o que quotidianamente faz quem se apropria da mais-valia dos trabalhadores.Atendendo a que frequenta um blog mal frequentado aqui vai uma resenha para ver se:

        “Marx repensa o problema nos seguintes termos: cada capitalista divide seu capital em duas partes, uma para adquirir insumos (máquinas, matérias-primas) e outra para comprar força de trabalho; a primeira, chamada capital constante, somente transfere o seu valor ao produto final; a segunda, chamada capital variável, ao utilizar o trabalho dos assalariados, adiciona um valor novo ao produto final. É este valor adicionado, que é maior que o capital variável (daí o nome “variável”: ele se expande no processo de produção), que é repartido entre capitalista e trabalhador. O capitalista entrega ao trabalhador uma parte do valor que este último produziu, sob forma de salário, e se apropria do restante sob a forma de mais-valia
        Na verdade, o trabalhador produz mais do que foi calculado, ou seja, a força de trabalho cria um valor superior ao estipulado inicialmente. Esse trabalho excedente não é pago ao trabalhador e serve para aumentar cada vez mais o capital.”
        Continua

      • De, já não me deparava com um paleomarxista há muito tempo. Sabe, tive a felicidade (ou infelicidade) de ler o Das Kapital, edições Penguin, volume I, II, III. A experiência deve ser semelhante a tomar injeções na testa, sendo que embora não o tenha experimentado, possa imaginar.

        A análise de Karl Marx está 50% errada, e o que não está errado, está 50% desactualizado. Imagine que segundo a teoria do valor dele, um objecto vale pelo trabalho que custa a fazer, e não pela procura do mesmo. Imagine que um lápis feito por alguém mesmo muito ineficiente pode custar 3 dias de trabalho. Lápis a 30€? E estou a ser generoso com o salário mensal. É compreensível — Marx era sociólogo e não economista ou matemático. Se eu também quisesse ser dançarino de ballet a coisa não iria correr bem.

        Depois entretanto surgiu a lei da oferta e da procura, a revolução marginalista, a escola austríaca e até Keynes. Em boa verdade Marx nasceu pouco depois do trabalho de Ricardo e bem depois de Adam Smith, pelo que tinha obrigação de saber da poda. É o que dá ser anti-social e viver à custa do Engels. E ser um bêbedo.

        Actualize-se. Comece por aqui: http://mises.org/Books/humanaction.pdf e depois pode seguir para Henry Hazlitt – Economics in One Lesson. E olhe, estou tão generoso hoje que até lhe recomendo alguém com quem discordo veementemente, mas no 101 de Economia, sabe mais que 100 Marxs. Keynes. E se ainda tiver tempo, leia o Intellectuals do Paul Johnson. Vai ficar a perceber quem era o Rousseau e o Marx. Ou então não leia nada e continue a ser doutrinário. Afinal, gosto de me divertir.

      • De says:

        Ahahahhaha
        Já uma vez me tinha cruzado com alguém que apresentava como curriculum o facto de ter lido o Das Kapital.
        Soube depois que tal personagem debitava com alguma regularidade o “feito” como se feito fora.Claro que já me esquecera de quem era o figurão, mas bastou um pequeno amendoim estendido de uma forma tão inocente para o ver surgir em toda a pujança, qual dançarino de ballet extrovertido. 🙂

        Havia uma figura de um livro de Jorge Amado, que uma telenovela popularizou, que sistematicamente oferecia o seu peculiar cartão de visita a quem dele se aproximasse.Ora aqui está um bom conselho para o Lopes.Cavaco também já o teve a propósito da sua citação de Camões,pese embora o notável facto de nem sequer saber quantos cantos tinha os Lusíadas

        Passemos por alto o facto do Lopes ter “lido” o “Das Kapital” nas edições Penguin (sério?Isto é apenas pedantice ou é mais do que isso?
        Nem nos foquemos no aforisma de que, pior do que não saber ler, é não compreender o que se lê.
        Nem no fascinante espectáculo de como um pungido e contrito neoliberal rompe o seu luto e o seu tom de carpideira “atónita”, e passa ao seu tom de divertimento com a ligeireza de um dondoca de Cascais a falar nos seus “laços” importados.:)
        Porque o “bon chic” não se retira ( é tão habitual um neoliberal voltar atrás naquilo que diz.não é? 🙂
        O chic não só não se retira como parte para uma de ave emplumada.O amendoim estendido com a citação de Marx leva-o a debitar o que é habitual no género.A ir até ao coitado do mises, que jaz morto e enterrado, a passear-se na putrefacta escola austríaca, a ir até ao “minúsculo ” hazlitt, enquanto se saracoteia debitando o esperado ou seja o trivial na boca de um viúvo de thatcher…”anti-social,bêbado,viver à custa de,doutrinário”…
        (Não fala no freeman porque este está demasiado ligado a pinochet e não é de bom tom um peralvilho aproximar-se assim tanto de um crápula como o sanguinário neoliberal neste tipo de conversas.Certo?)
        Portanto o Lopes que abandone o tom de pedante galvanizador em missão de misses (perdão …mises) e que se remeta ao facto corriqueiro e vulgar que o Marxismo está vivo e recomenda-se.
        “O mundo de hoje parece-se de forma surpreendente com o que Marx e o seu jovem amigo Engels previram num texto assombroso: O Manifesto Comunista. Este sórdido mundo de oligopólios rapaces e predatórios, de guerras de conquista, de degradação da natureza e saque dos bens comuns, de desintegração social, poder e tecnologia, de plutocracias travestidas para aparentarem ser democracias, de uniformidade cultural definida pelo “american way of life” é o mundo que todos os seus textos anteciparam. Por isso são muitos os que nos capitalismos desenvolvidos já se perguntam se o século XXI não será o século de Marx”

        Agora o lopes pode ir tomar rapidamente o remédio para azia para poder voltar depois todo “divertido”
        🙂 🙂

      • De says:

        Mas não nos esqueçamos do motivo deste breve debate. A propósito deste exemplo aqui trazido em boa hora pelo Tiago, escreve o Lopes:” porque não cedem então, na boa tradição comunista, o vosso salário às necessidades dos demais e, neste caso, da Amélia? A redistribuição é só quando é por saque aos outros?”
        Esta é uma afirmação de alguém que afirma que leu o Das Kapital ( na Penguin, assim mesmo,lol) É afinal uma confissão de Lopes: ou que este não sabe o que leu ( ou terá lido em estado de embriaguês?).Ou que este é um aldrabão. Ou que este apenas tenta manipular a verdade, na velha senda dos neoliberais que por aí pululam

        “Atribuir à vontade política (parcial, individual) a realização de qualquer programa emancipatório não é consagrá-la a a nada, pois não atinge o sustentáculo daquilo que aprisiona a liberdade humana: a sociedade da propriedade privada dos meios de produção”
        “Para ser verdadeiramente livre, a humanidade não pode permanecer prisioneira da propriedade privada dos meios de produção, pois a estrutura que aprisiona mantém as desigualdades e ostenta os grilhões da não liberdade.
        A negação da política e do Estado burgueses, a oposição às ações pontuais, a postura contrária e de denúncia ao formalismo político e a conscientização da classe trabalhadora sobre as condições concretas de alienação e exploração do trabalho são actos políticos. A Revolução é também um acto político”.
        Elementar meu caro Watson

        Percebe-se o ridículo das afirmações deste Lopes sobre as acções pontuais de “caridadezinha” como forma de resolver o problema.
        Percebe-se o ridículo de quem afirma algo tão nesciamente ignorante do que é o marxismo, vir pavonear-se sobre o seu cartão de identificação em leituras amestradas
        Percebe-se a tentativa de fuga do referido Lopes, refugiando-se posteriormente naquela treta de pedante desemformado com que tenta escapar às grilhetas do seu próprio palavreado.

        Ia jurar que…
        🙂
        Fica para depois

      • Este “neo-liberal” está radiante. Dá-se milho e amendoins aos paleomarxistas, e eles começam a disparar a verborreia da K7, a prosa do manifesto e do livro vermelho (manchado de vinho tinto que transbordara do copo de Marx, naturalmente, que sangue, especialmente das Gulags e dos campos colectivos de Mao, jamais — perdoe-me o francês, hoje sinto-me especialmente Rousseau e assinarei consigo um contrato social, quer você concorde ou não. Não é essa a beleza do comunismo? A coação. Tudo em nome do bem comum, dessa massa indiferenciada e inerte chamada de colectivo, que aje e reage — perdão — revoluciona — em nome do determinado pelo Politsburo, pelo Partido, pelos grandes e virtuosos pensadores, que tudo o resto é lixo. Especialmente os kulaks, os burgueses e os imperalistas. E os colonialistas. Judeus e “escurinhos”, quanto baste. Ah, e nós, liberais, já agora).

        E nesta interessante conversa, lá vem a dialética de Hegel. Nossa. Curioso que um dos meus filósofos predilectos (mas sem a idolatrização — até porque, sabe, não tinha um bigode farfalhudo e operário, mas antes uma bonita e aristocrata peruca, e eu não senda de libertário, não gosto nem de monarquia nem de republicanos) partilha duas letras com Hegel. É o David Hume (partilha o ‘H’ e o ‘e’, tá a ver? — leia isto com sotaque de tio de Cascais. Não é que eu seja, mas os vossos clichets exigem-no). Mas se não quer ir aos defuntos, leia “A miserá do historicismo” de Karl… Popper! Por instantes enganei-o, hein?

        E termino confessando que, embora escasseando os adjectivos e as palavras reservadas aos virtuosos comunistas e estalinistas como Saramago — que, aliás, diz-se, gostava de açoitar na mulher —, divirto-me bastante nesta troca de galhardetes. É que enquanto travo uma conversa com alguém do BE não consigo evitar uma pose séria e de confronto, aqui é tudo tão hilário que, olhe, confesso a minha derrota à partida. Um abraço jacobino deste novo liberal. Despeço-me com amor, carinho e a pensar em Ayn Rand enquanto vos dedico esta missiva.

      • De says:

        -O neoliberal lopes não está radiante.Mesmo nada.Está mesmo perturbado como se nota pelo seu sotaque ébrio a tentar misturar o vinho com Marx.Só mesmo algum desespero pode levar um dandy a utilizar este argumentário.
        -Foge em seguida o referido lopes para os gulags e para os sotaques em francês.Perde-se em seguida na conversa habitual de quem nada tem para dizer de substantivo,falando de cassetes e em escurinhos e em stalines e até no solfejo de nomes próprios.
        -O coitado está mesmo desesperado.
        -Mas é mesmo natural que esteja.Um elemento do comité dos amigos de mises foi posto a nu.Foi demonstrado que é, para além dum sujeito a fazer o seu papel de defensor dos exploradores, um cabotino ignorante.Pedante o suficiente para ter que defender a sua imagem desta forma. Ignorante o necessário para se saber que afinal é uma fraude.
        -Por isso só lhe resta a fuga.O comité do mises limpar-lhe-á a lágrima furtiva . E perdoe-se mas o argumento de falar com alguém civilizado do BE como contraponto a este diálogo é simplesmente patético e confrangedor.Não o compreendem ao Lopes. São uns malvados
        -A fuga tem muitas formas.A ignorância e a manipulação tem também muitas outras..Algumas vezes confluem na mesma pessoa.Desta vez no Lopes, do comité do mises.
        Certo?
        Certíssimo
        🙂

      • De says:

        Ah e esta coisa repelente que é insinuarem-se as barbaridades que se convém, sem que aquilo que as determina tenha sido chamada ao debate ou sem que o esclarecimento da situação elimine o veneno dos vermes
        Já antes sobre Marx quando se falava no vinho e no anti-social.Agora sobre Saramago e o ” que, aliás, diz-se, gostava de açoitar na mulher”
        Típico de … não?
        Mais palavras para quê? A direita neoliberal é este espectáculo confrangedor de boçalidade, má fé,ignorância,manipulação e quando lhes foge o verniz, outras coisas bem piores.

      • Certíssimo, De. Mas não compreendeu o que eu quis dizer com o BE. Eu estava a dizer que mantenho o tom sério porque os levo (a eles) a sério, embora discorde veementemente da ideologia deles (que é mais Trotskista, esse traidor!). Aqui, com o PCP, consigo, só me é possível rir. Por muito que tente, e o Verão Quente já lá vai, não vos consigo levar a sério. São demasiado fofinhos e cómicos.

      • De says:

        Mais uma vez Lopes?Atão não nos leva a sério mas apesar das suas múltiplas despedidas volta ?
        É sempre um prazer mas não deixa de ser patético e esclarecedor que não é para contestar nada do que foi dito.A ignorância de um pequeno escondida atrás de “fofinhos e cómicos”?
        🙂
        A “ideologia” do BE é outro pequeno pormenor a juntar ao já apercebido. Vossemecê é mesmo uma fraude. Talvez seja bom juntar ao seu curriculum este “debate (?…) para se ficar a saber qual a sua verdadeira “pose”.
        No sentido mais amplo do termo,entenda-se.

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  5. Bom, é sempre interessante tropeçar em alguém (o sr. Mário Amorim Lopes) que leu os três Volumes de «O Capital»… Mas que afinal parece não ter percebido patavina (se me é aqui permitida alguma vulgaridade de linguagem…).
    Confunde «preço» e «valor» como quem confundiria «massa» com «matéria» ou até com «peso» ou confundiria ainda «força» com «energia»…
    A esse respeito era talvez recomendável que lesse alguma coisa sobre o famigerado «problema da transformação» (de «valores» em «preços»).
    Literatura sobre isso não falta (e até em Português!…)
    Despois não percebeu que uma boa parte da obra de Marx – designadamente aquilo que seria o Vol 4 de «O Capital» («As Teorias do Valor Acrescido», por sua vez em três volumes) – era justamente a exposição da banalidade da «Lei da Oferta e da Procura» dos economistas vulgares (malhando muito em particular no Jean Baptiste Say).
    Também parece não ter percebido – ou passou por cima a correr – as reflexões de Marx sobre aquilo a que se viria a designar por «marginalismo». Conceito tão profundo que até já foi identificado em povos «primitivos», por parte de alguns antropólogos.
    Para quem recomenda Mises, permito-me recomendar a «Ciência da Lógica» de Hegel.

    • De says:

      Posso citar?
      “Os economistas convencionais que nos desgovernam percebem tanto de Economia como os Doutores da Santa Madre Igreja que condenaram Galileu percebiam de Astronomia ,,,,”

      Admirável meu caro Sherlock

      • Bonita citação. Até porque, convenhamos, quem percebia mesmo de Economia era o sociólogo Karl Marx e o filósofo Engels. E porque estamos numa de citações, deixo-vos com uma do Marx. Até porque eu sou Marxista, embora Grouchiano.

        “Quote me as saying I was mis-quoted” — Groucho Marx

      • De says:

        Bonita citação pois então.
        E nem sabe de quem pois não? Ahahahah ( não tem por aí um espelho,não?)
        Mas não é só bonita.É exemplar.

        Tão exemplar como o silêncio ensurdecedor do leitor do “das Kapital”( na sua versão em alemão ou na sua versão da Penguin?) quanto à ignorância aterradora que demonstra.
        Patético mas tão,tão ternurentamente revelador da vacuidade das suas palavras e da encenação da sua fuga para a frente. Um hábil comediante a fingir-se de surdo e de engraçadinho mas apanhado com as calças na mão
        Este tipo ainda vai ser convidado para o lugar do Gaspar.Até se provar que as suas habilitações académicas correspondem às do relvas
        Aí será corrido no espaço de …um ano,talvez
        🙂

  6. Dou-me conta de que veio aqui à colação o filósofo empirista David Hume. «Numa de pedantismo», confesso que a única obra que possuo de David Hume é «HUME’S TREATISE OF HUMAN NATURE» by A.D. Lindsay. M.A., da «EVERYMAN’S LIBRARY». Publicado por J.M.DENT & SONS Ltd. London e E.P. DUTTON, New York. Trata-se de uma pequena relíquia de fins do século XIX (não tem data…) que pertenceu a um dos meus falecidos sogros, cidadão britânico e um senhor liberal (à moda antiiga…).
    Acontece também que, no entender de muito boa gente, David Hume tem sido «pedra de arremesso» por parte de tudo quanto é anti-racionalismo ou que se proponha combater a racionalidade na procura de conhecimento. O mais recente e mediático exemplo é o «Black Swan».do sr. Nassim Taleb.
    Como se cepticismo e conhecimento empírico fossem – por definição – o oposto (e opositor…) de conhecimento dialéctico, Como se indução excluisse dedução… Como se o facto de Keynes estar muito próximo de uma interpretação adequada da realidade dos factos económicos, implicasse que a explicação (lógico-dedutiva mas baseada em factos) proporcionada por Karl Marx tivesse que estar errada.
    Depois veio também à colação – aqui neste «debate» (?…) – a ideia de dialéctica.
    Uma palavra assim «jogada» para a mesa, sem mais nada, como se – só por si – fosse argumento para o que quer que fosse. É que ele há «dialéctica» e há «dialéctica»…
    Desde a dialéctica idealista à dialéctica cristã até àquela dialéstica – eu prefiro usar a expressar «modo de pensar dialécticamente» – que é usada, de modo corriqueiro, banal (até sem se dar por isso…) por todos os cientistas por esse planeta fora.
    Por exemplo, quando um cientista fisico fala de «transição de fase» (e todos os físicos falam de «transição de fase») nem sempre tem consciência de que está a falar de meros exemplos de uma «Segunda Lei da Dialéctica» (há quem diga «quarta lei da dialéctica»).
    Fico-me por aqui, até porque tenho que ir visitar uns netos.

    • Nada contra o raciocínio dedutivo, pelo contrário. Até porque, em boa verdade, identifico-me com o falsificacionismo e com o método epistemológico de Popper que é, aliás, o da dedução axiomática, crítica racional e, só depois, falsificação (e nunca validação!) empírica, assim como me identifico com alguma da praxeologia do liberalismo austríaco, o que implica dedução aristotélica. Aliás, e já que trouxe Taleb à conversa, é precisamente Taleb que elege Popper como um dos filósofos mais influentes e importantes do séc XXI precisamente pelo seu método científico.

      Hume é, assim como Locke, importante a aferir a importância do naturalismo na motivação das tradições humanas (sendo, portanto, um bom argumento para romper com revolucionismos e revolucionários). A sua base empírica é relevante, mas desprovida de sustentamento dedutivo, cai no mesmo erro que tantos econometristas e seguidores de Keynes caíram: o de achar que correlação é causalidade. Aliás, a este respeito, é sempre interessante ler o exemplo do “termóstato de Milton Friedman”. Não se preocupem os pouco afoitos em pré-AVC após lerem o nome de Friedman, é um exemplo descurado de qualquer ideologia.

      Dito isto, não é o método dedutivo de Marx que está errado. Admito até que é válido e consistente. Mas não é verdade, por causa dos pressupostos. É uma subversão tão grande da ação e motivação humana somada a uma enorme distorção da sociedade, dividida nos “maus”, os gordos capitalistas exploradores e inserir-adjectivo-prejorativo-aqui e os “bons”, os honestos homens das artes, progressistas e revolucionários. Existe um nome para isso na ciência da argumentação. Falácia. Enfim, uma utopia/distopia ao bom estilo Orwelliano.

      • De says:

        Mais uma vez a tentativa de defesa da “dama”, “esquecendo-se” das grandes perplexidades geradas pelos comentários de Lopes, como o modelo de defesa da “caridadezinha” como método marxista ou como o “não perceber patavina” do que leu do Capital.
        Provavelmente será melhor mesmo colocar a expressão “leu” entre aspas, já que as perplexidades continuam e até se acentuam?
        Regozijemo-nos contudo com o abandono dos comentários boçais sobre Marx ou o tom acanalhado sobre Saramago. Parece que sobretudo a exposição pública e o puxão de orelhas fizeram o seu caminho e colocaram no seu lugar as “diversões” do Lopes e a vacuidade argumentativa do dito.

  7. Fonseca-Statter says:

    «Mas não é verdade, por causa dos pressupostos. É uma subversão tão grande da ação e motivação humana somada a uma enorme distorção da sociedade, etc…»
    Se bem entendo, «os pressuspostos errados» são «uma subversão da acção e motivação humana»…
    Ora bem, pensava eu que havia um consenso entre os adeptos da praxeologia relativamente à motivação dos empresários (a maximização do lucro). Pensava eu também que a abordagem de Mises (e seguidores como Murray Rothbard) era a de que o «mercado livre», entregue a si mesmo, garante os melhores resultados possíveis. Justamente na base da motivação dos agentes económicos individuais cada um em busca do seu máximo benefício. Tem graça que é justamente com base nesses pressupostos que Karl Marx explicava o sistema capitalista.
    O erro fundamental de Von Mises (no contexto deste “debate” e para esclarecer a análise de Marx sobre o Capitalismo), o erro fundamental de Mises, dizia, é confundir «Economia Politica» (agora dir-se-á – erradamente «Economics») com «Política Económica».
    Von Mises crítica o «Socialismo de Planificação Central» (explicando a superioridade dos mecanismos mos mercados livres) e os seus seguidores pensam que com isso, com essa análise ou discussão estão a desacreditar a análise marxista do Capitalismo.
    Dir-se-ia, em Inglês, que estão «barking up the wrong tree»…
    Aquilo que Karl Marx fez – relativamente aos antecessores como Ricardo – foi chamar a atenção para as consequências lógicas (A NÍVEL DO SISTEMA COMO UM TODO) que resultam da evolução dinâmica desse sistema com base na referida acção humana de maximização do lucro.
    Quanto à «enorme distorção da sociedade», é a praxeologia que considera que há uns seres humanos dotados de «acção verdadeiramente humana» (os empreendedores) e outros seres humanos que são supostos reagirem a estímulos (de consumo, por exemplo).
    É com base nessa «distorção» (eu diria antes «reducionismo») que alguns economistas actuais (adeptos radicais do individualismo metodológico) estão a enveredar por uma nova disciplina (ou ramificação da antiga) a que chamam «AbCE» (Agents based Computational Economics).
    Quanto à ideia de Karl Marx «não entender de economia porque era sociólogo», se vamos por aí, seria interessante lembrar que Adam Smith começa por ser filósofo, François Quesnay era médico, David Ricardo negociante e especulador, Thomas Malthus era matemático e teólogo (e pároco), Vilfredo Pareto começa por ser engenheiro e Carl Menger começou por ser jurista… Isso das barreiras académicas que dividem «campos de estudo» entre «sociólogos», «antropólogos», «economistas» ou «historiadores», foi chão que já deu uvas.
    Infelizmente, a maior parte dos economistas, hoje não passam de «glorified accountants».

    • Fonseca, não fui claro. Os pressupostos económicos que Marx teoriza estão profundamente errados, e não somente os pressupostos de ação e motivação humana. Aliás, toda a teoria marxista deriva da triste herança que Platão nos deixa em favor de uma mística metafísica. Mas recorre depois à dialética idealista de Hegel para conceber conceitos tão disparatados como “abstract labor” ou “surplus value”. Fica óbvio que a teoria de Marx não é uma busca científica pela verdade mas uma interpretação normativa de “como deve ser” em vez de “como é” (aqui entra Hume).

      Outros economistas muito mais competentes que eu já desmontaram a teoria Marxista vezes sem conta. Aliás, a teoria defunta serve apenas o propósito de ser um exemplo histórico sem qualquer aplicabilidade prática (embora Marx tenha descrito bem, com premissas erradas, a instabilidade inerente do capitalismo).

      No entanto, vou deixá-lo com aqueles que me parecem os 3 maiores erros do marxismo. Claro que quando se fala com religião, entram os dogmas, pelo que o meu trabalho é em vão. Considere isto como um contributo infrutífero para o “bem comum”.

      1) Trabalho Social Necessário (não sei que tradução os marxistas usam em português, portanto perdoem-me se falhei na tradução de socially necessary labor time). Aqui começa a enorme falácia de Marx. Primeiro, começa por afirmar que apenas o trabalho e não o capital cria valor, e que o valor do capital está sempre refletido nas horas de trabalho que o criaram. Peguemos no exemplo do lápis, ou no mais infame exemplo da tarte de lama. Ninguém quererá essa tarte de lama, embora me tenha demorado duas horas a fazer. Porquê? Porque não é “socialmente necessário”. Que é como quem diz, não tem valor comercial. Agora sim, começamos a entrar com economia a sério. Ou seja, a tarte de lama não tem preço (porque ninguém a quer) mas deveria ter valor. Mas não o tem, porque o consumidor não lhe atribui valor. Ora, isto é a teoria subjetiva do valor e a utilidade marginal (herança dos austríacos, como bem saberá). Marx contradiz-se, e na sua própria terminologia: o bem tem valor se tiver “valor social”, mas o valor do bem é dado exclusivamente pelo trabalho empregue. Não pode ser os dois ao mesmo tempo. Excepto se o valor do trabalho for zero. Mas não pode ser. Na verdade, o valor do trabalho é irrelevante. O que determina o valor do bem é a utilidade que os consumidores lhe atribuem. Escapou esta a Marx.
      2) Apenas o trabalho (humano) cria valor. Isto é outra das enormes falácias do pensamento marxista, e é o que origina o erro crasso do “capitalismo ser explorador”. A premissa deriva de Marx assumir que somente o trabalho humano cria mais valor do que o lhe é inerente. O que Marx não percebe é que isto é verdade para tudo. Se eu vender açafrão, e o chefe Gordon Ramsey usar esse açafrão para fazer um prato que vai vender num dos seus restaurantes por 1000x mais, então podemos dizer, como Marx dizia sobre o trabalho, que o açafrão é capaz de criar mais valor do que o seu valor implícito. E que, como é óbvio, eu (o dono) apenas recebi o “exchange-value” da troca e o Ramsey ficou com o “use-value”. Ou seja, em boa verdade, isto pode ser aplicado a tudo. Rejeitar isto é impedir todo o processo de inovação.
      3) “Os capitalistas não trabalham, exploram”. Segundo Marx, não são produtivos. Isto é provavelmente o maior erro de Marx e reflecte a distorção metafísica que o assolava. Repare: os capitalistas têm de trabalhar para acumular capital, arriscar, organizá-lo, criar a empresa, gerir os recursos, obter investidores, etc. E há também o custo de oportunidade: vão prescindir de receber um salário enquanto arriscam. Mais: embora no passado fosse menos recorrente, o mundo atual está cheio de exemplos onde o trabalho é facilmente dispensável mas não é o capital e o empreendedor. Imagine que lanço uma plataforma online, desenvolvida por mim (usemos o Facebook). A plataforma está a funcionar (no capital que eu tive de adquirir e com o tempo que eu tive de despender) e a contratação de trabalho apenas serve para manter a plataforma, mas é facilmente substituível. Isto é um exemplo claro em que todo o ónus da produção está do lado do empreendedor e não do trabalhador, mas muitos mais os há. É portanto falso que “capitalistas sejam exploradores” ou “improdutivos”. Este exemplo desmorona também a tese de que o capital só transfere o seu valor aos produtos que produz até ao montante máximo que custou a produzir. Como é óbvio, um computador pode criar valor e exceder exponencialmente o seu preço. Marx não percebia isto.

      Enfim, a discussão torna-se estéril porque não estamos a discutir economia. Mais se assemelha a uma visita a um museu. Paleomarxismo, como diria o Sala-i-Martin. Mas esta é a prova cabal que os proponentes do comunismo não buscam a verdade, mas tão somente a imposição de dogmas à imagem daquilo que idealizam. É uma forma de ver o mundo. Eu cá, dispenso-a.

      • De says:

        “Não foi claro” mais uma vez. A saga continua.
        O silêncio ou a correcção do que disse é o que lhe resta.
        🙂
        Pérolas há-as por aí:
        “toda a teoria marxista deriva da triste herança que Platão…”
        “a teoria de Marx não é uma busca científica pela verdade …” ( á maneira do Popper?…bem escrito o Popper e prescindindo do Karl para a piada do Lopes poder funcionar)
        “Outros economistas muito mais competentes que eu” (não vale a pena exercícios de ironia pois não?Sobre os economistas e sobre a competência deles.É que isso de desmontar a teoria marxista já muitos o tentaram fazer.Debalde.Bem como o seu enterro já há muito foi anunciado.Com resultados idênticos.Mais abaixo vão outras novas sobre a questão
        “sem qualquer aplicabilidade prática” é uma frase interessante. Mas há uma expressão ingleas muito usada para esses casos que eu não o faço ler.

        A questão não é o seu esforço infrutífero para o bem comum. A grande questão é que tem que tentar sobreviver às asneiras que disse e à forma como o disse. O comité ainda o censura ou manda outro do comité para conseguir sarar as irregularidades do crente
        Lopes.

        É doloroso lê-lo na sua dissertação sobre os dogmnas que expõem a respeito do Marxismo (!)
        Como parte do princípio que se trata aqui de Paleomarxismo e de forma arreganahda repete o tema da imposição de dogmas aconselho-o a ler um pouco mais e deixar-se dessas presunções toscas e tontas.Sobretudo a estas entradas de leão e saídas de sendeiro,debitando para o final a necrologia neoliberal recorrente em jeito de fuga apressada perante os factos.
        Vai ver que lhe fica bem e que só ganha com isso.Incluindo o poupar-se às figurinhas que fez.

      • De says:

        Uma tarte de lama a sair ou o óbito tantas vezes noticiado 🙂
        “A influência maior na época foi a exercida pelo homem Karl Marx, e não pelo filósofo: sua intensa militância em movimentos sociais e populares, sua “consultoria” e orientação a várias associações e organizações trabalhistas, sua vasta correspondência com dezenas de políticos, teóricos, militantes, líderes trabalhistas, seu papel na fundação e condução da I Internacional repercutiram e atuaram para além de Londres, onde viveu a maior parte de sua vida. E podemos dizer que tal importância adveio justamente de sua atualidade, do fato de Marx ter sido um homem de seu tempo, que vivia e pensava a vida real e concreta do seu dia-a-dia, e de que seu pensamento estava vinculado à sua pratica e a prática era orientada pelo seu pensamento.

        Podendo parecer paradoxal, a importância da obra de Marx hoje tem essas mesmas características que vemos em sua atividade pessoal: suas obras e seu pensamento têm a mesma atualidade e concretude, pois o objeto maior e mais acabado de seus estudos (a forma capitalista de produção e organização econômica) é o mesmo que rege a vida mundial de nossos dias, em que pesem mudanças e alterações acontecidas no decorrer do tempo. E o “esqueleto” do modo capitalista atual é o mesmo que foi radiografado por Karl Marx, sem ter ele pretendido escrever uma obra atemporal (e nem devemos vê-la como tal), nem um “receituário” para todas as vicissitudes políticas e econômicas reservadas pelo porvir: é que o objeto de sua análise também continua regendo nosso cotidiano e nossa vida, qual seja, o capitalismo vigente, que após tantas outras roupagens veste sua versão globalizada: continua existindo, porém, o “dogma” da propriedade privada, o trabalho (mal) assalariado, o capital precisa continuar expandindo-se, o lucro privado é o móvel de todo empreendimento, a mais-valia, o mercado (como ente absoluto), a desigualdade brutal e violenta nas relações de produção, os antagonismos de classes sociais e, principalmente, continua existindo a mercadoria – agora transposta a todas as instâncias e âmbitos humanos.”
        Eduardo Meksenas

      • De says:

        “Quando não se discute economia a discussão torna-se estéril”
        Ou mais outra pérola adicionada à tarte de lama

        Do mesmo autor citado:“O Capital” inicia-se pelo tópico central de sua análise: a mercadoria. Partiremos nós também desta categoria conceitual para demonstrar sua pertinência analítica para o atual estágio do capitalismo.

        A “mercadoria” é a categoria principal na análise marxiana, em torno e a partir da qual se articulam os demais conceitos: a produção de mercadorias é o cerne do sistema capitalista. A revolução capitalista consistiu na produção em escala industrial de mercadorias, em seu bojo industrializando a agricultura, a cultura, a sociedade e as instituições, conforme avalia Antonio Negri. Segundo NEGRI & HARDT (2000), um sistema econômico dominante permeia toda a vida social e inocula suas características em todas as esferas e instâncias da sociedade, modificando inclusive o relacionamento humano e a escala dos valores morais.

        Marx aponta os aspectos revolucionários do capitalismo, mostrando como toda a vida social, cultural e política foi por ele alterada substancialmente, reconhecendo suas conquistas, maravilhado com seu poder de “reconstruir” o mundo: é que Marx, como bem observou BERMAN (1988), sabia ler a realidade em “dois tempos”, apreendendo ao mesmo tempo seus aspectos positivos e negativos, o que era então o progresso que se tornaria depois retrocesso, abarcando os contrários presentes em seu objeto. Foi capaz de enxergar e louvar a revolução burguesa, maravilhar-se com as conquistas da cultura burguesa, sem, no entanto, olvidar e avaliar o seu custo social pautado pelas relações desiguais e injustas. É o que leva leitores apressados do “Manifesto” a concluírem que Marx louvava o capitalismo, e, por ter intuído sua mundialização, seria hoje ardoroso defensor da globalização. Ao contrário de Marx, porém, esses são “leitores de um olho só”, incapazes de apreender o pensamento dialético que identifica um salto qualitativo que já traz em si as sementes de sua superação.

        A mercadoria que se produz na forma capitalista, contudo, não se nos oferece imediata e íntegra à nossa apreensão; antes, ela se constitui – além de mercadoria – num “fetiche” de si própria, máscara a encobrir sua origem, constituição e realização.

        O “fetichismo da mercadoria”, como descobriu Marx, é o processo que encobre todas as relações de produção antagônicas que estão por trás da fabricação das mercadorias, as forças produtivas, a obtenção da mais-valia, as condições físicas de produção e dos produtores, a propriedade privada dos meios de produção, enfim: o valor de troca encobrindo o valor de uso e ambos encobrindo o valor-trabalho, como aponta IANNI (1988).

        Por ser fetiche, a mercadoria se apresenta em sua imediatez como objeto autônomo, como “anti-séptico” material não contaminado pelas condições sociais de sua produção, “esterilizada” do meio social do qual se origina e para o qual se destina, reinando absoluta na prateleira. Sua finalidade é a posse e/ou consumo, como se originada de geração espontânea – sem suor, sem conflitos, sem antagonismos, sem exploração, sem as vicissitudes humanas.

        Desfazendo a ilusão de seu fetiche, portanto, podemos ver que na origem da mercadoria estão relações sociais de produção, e relações sociais de antagonismo: de um lado, o proprietário dos meios de produção; de outro, o produtor que vende sua capacidade de trabalho, sua força de trabalho tornada ela mesma uma mercadoria. As relações são sociais porque envolvem proprietário relacionando-se com produtores, e estes relacionando-se entre si, além de ocorrerem no âmbito da sociedade. São antagônicas porque os interesses são opostos: o proprietário compra a força de trabalho, o produtor ao vendê-la aliena-se do bem que produz em troca de um salário, e o salário pago não inclui um trabalho excedente que é executado durante o tempo de trabalho que foi vendido, o qual propicia a mais-valia – ou seja, o lucro do proprietário dos meios de produção e da mercadoria produzida.

        Uma vez produzida, a mercadoria destina-se ao mercado – sua finalidade precípua é ser vendida, ela só se realiza e cumpre sua finalidade se trouxer lucro para o seu fabricante. Portanto, a produção é toda ela orientada para os mercados. Todas essas etapas, porém, são encobertas por seu fetichismo: a produção, a constituição e a realização não estão estampadas na embalagem nem na publicidade.

        Podemos agora articular os demais conceitos que gravitam em torno da mercadoria e do processo produtivo da mercadoria, alguns, aliás, já citados quando tratamos do seu fetiche.

        Retomando:

        O que distingue a mercadoria produzida no capitalismo daquela produzida em outros regimes anteriores é que sua produção é industrializada e orientada para o mercado. Na produção as relações são sociais, mas a propriedade é privada: dos meios de produção, da capacidade de trabalho (tornada também mercadoria) e do resultado obtido da venda no mercado. O lucro é propriedade privada do proprietário do capital, que estabelece o valor de troca, ou seja, o preço da mercadoria. O preço é determinado pela quantidade de trabalho social necessário para produzi-la acrescido da mais-valia, que é o excedente do trabalho não pago efetuado pelo trabalhador durante sua jornada: tal acréscimo constitui-se no lucro do proprietário do capital, que é apropriado privadamente após relações coletivas de produção, relações desiguais onde uma classe social sobrepõe-se e domina a outra classe social envolvida no processo.

        O capital é formado a partir da obtenção da mais-valia, mas somente a mais-valia ainda não é capital: para que o capital aumente (se reproduza) em mais capital faz-se necessária uma acumulação da mais valia, chamada acumulação originária, o que implica em abstinência ou limitação de consumo por parte do capitalista (gerando a poupança acumulada) e impedimento do consumo por parte do trabalhador (gerando a poupança acumulada), pelo quê seus salários são mantidos abaixo da linha de consumo, sendo suficientes apenas para o que Marx chama de “reprodução da força de trabalho” ou subsistência.

        Procedida a acumulação o capital pode ser realizado, pois a acumulação é reinvestida no processo produtivo, gerando aumento do capital inicial. Como os mercados, porém, tendem a saturar-se e tornar-se insuficientes para aumentar as taxas de lucro obtidas, as quais tenderão assim a decrescer gerando crises, devem expandir-se, outras áreas não capitalistas devem ser apropriadas, inicialmente como mercados, em seguida como locais com forma capitalista de produção idêntica à “matriz”. O capital se reproduz, em seu limite, na extensão e expansão dos mercados, fato analisado já por Hilferding (1910) e Rosa Luxemburgo (1913). O capital se reproduz com o capital acumulado sendo reinvestido como capital produtivo.

        Evidentemente, na época da industrialização capitalista, outros setores da economia tinham menor expressividade na obtenção de lucros crescentes e dilatação do capital, como as finanças (a menos que investidas na produção industrial), os setores dos diversos serviços, as burocracias estatais e os estamentos governamentais, os espetáculos, os meios de comunicação, etc., além de as relações de produção pautarem-se pelas condições próprias da época e o estágio das forças produtivas estar em nível completamente diferente às atuais condições tecnológicas; as distinções e antagonismos de classe eram facilmente distinguíveis e determinadas.

        Marx não pretendeu fazer uma análise acabada e definitiva do capitalismo, pois sabia que não poderia “engessar” a História: era consciente do dinamismo capitalista, mas não tinha como adiantar-se ao seu momento histórico, prevendo e analisando o imperialismo e a globalização, por exemplo, e nem atinar com a predominância dos serviços, espetáculos, comunicações e fluxos financeiros em detrimento da produção industrial. Não poderia imaginar que novas categoria teóricas deveriam ser elaboradas para dar conta da realidade que se modificaria progressivamente: capital fictício, empresa virtual, terceirização, capitalismo de Estado, trabalho imaterial, trabalho simbólico. Sua análise, portanto, foi sincrônica, enquanto que seus métodos de análises têm aplicação diacrônica.

        Essa foi a tarefa (ampliar e atualizar sua obra) que se impuseram outros pensadores marxistas que o foram sucedendo no tempo, os quais, utilizando o materialismo histórico e a dialética materialista formulados por Marx, empreenderam a análise do capitalismo imperialista (HILFERDING, 1910), capitalismo monopolista (SWEEZY, 1942), “capitalismo tardio” (MANDEL, 1975), até o capitalismo dos fluxos financeiros transnacionais “on line” e do mercado globalizado (ARRIGHI, 1996 – NEGRI & HARDT, 2000) e o “capitalismo por espoliação” (HARVEY, 2003).

        Temos claro, portanto, que “O Capital” e os métodos marxistas de análise e estudo das formas capitalistas são dinâmicos e elucidativos, devendo ser aplicados inclusive ao nosso tempo para entendermos o que se passa, para formularmos o entendimento a partir do ponto de vista do trabalho e da propriedade social. Enquanto existir o modo capitalista de produção, não importa sob que roupagem, o estudo e aplicação da obra marxiana será atual e importante.

        Numa era de mercadificação capitalista global, que segue avassaladoramente rompendo fronteiras, e onde “democratização” significa desregulamentar mercados, extinguir estados de bem-estar social, privatizar patrimônios e bens públicos, excluir do consumo (e assim discriminar) classes sociais e populações inteiras, aviltar o preço da mercadoria trabalho, vemos como o estudo da obra de Karl Marx é de extrema pertinência. Numa era em que rigorosamente tudo foi tornado mercadoria – mais além do que o próprio Marx poderia prever – a fé, o favor, a saúde e a doença, a felicidade, o sentimento humano, a cultura, e até a miséria (devidamente estetizada), fica patente que “O Capital” mantém sua importância e atualidade, com seu frescor e vigor teóricos dotados de um profundo sentimento humanista.

      • De says:

        Ainda Eduardo Meksenas

        “Assim, não deixa de ser irônico que, nesta era de modismos instantâneos e efêmeros, ponteie em alguns pontos localizados um que é anacrônico e sem qualquer vínculo com a realidade: refiro-me a um ranço antimarxista gratuito de alguns círculos diminutos, os quais intentam inflar-se e sobressair disseminando a retórica inconsistente dos bordões mal alinhavados de equívoco, exibicionismo e intolerância autoritária, clamando que “O Capital está ultrapassado, pertence à história das idéias”, “Marx apoiaria a globalização”, “o marxismo é ilusão”, “O Capital é um fetiche”, “o marxismo é insuficiente para entender a globalização do nosso tempo”, “com o fracasso da URSS provou-se o fracasso do marxismo” (SIC), “o capitalismo é eterno”, e outros similares desprovidos de lastro teórico ou sequer argumentativo.

        São bordões de retórica vazia porque dispensam argumentos e fundamentos, sendo eficientes, porém, onde rareiam o bom senso e a solidez da formação intelectual. Há, inclusive, aqueles que fazem caricatura do objeto que criticam para mais facilmente combatê-lo, o que revela indigência intelectual e impede o debate. Tal modismo evidencia que a obra de Marx, além de importante e atual, é necessária e urgente para promover a emancipação intelectual, a ampliação da consciência e, quem sabe, coibir o exibicionismo arrogante e asinino.

        O modismo antimarxista, contudo, explica-se numa época em que predomina o pensamento liberal e o pragmatismo em suas formas mais tacanhas e intolerantes, onde a Concentração da Riqueza é uma deusa celebrada no Mercado, esse híbrido de ser onisciente/onipresente/onipotente e templo sagrado ostentando em seu pórtico “extra consumo nulla salvatio est”.

        Mas há mais sobre o pretenso enterro de Marx

      • De says:

        Antes todavia um comentário breve sobre o mito das plataformas online com que alguns trapaceiam e proclamam pelo “maior erro”:

        Já em 1849 Marx definia o capital da seguinte maneira:

        «o capital compõe-se de matérias-primas, instrumentos de trabalho e meios de subsistência de toda a espécie, que são empregues para produzir novas matérias-primas, novos instrumentos de trabalho e novos meios de subsistência». Acrescenta ainda que «todos estes elementos que constituem o capital são criações do trabalho», portanto, não são objectos definidos a priori, mas antes «produtos do trabalho, trabalho acumulado» (Marx, 1974, p.55).

        Sobre este assunto, José Barata-Moura sublinha o contributo marxiano no descongelar do capital da sua aparência fixista, dando relevo ao seu maior dinamismo e fluidez, produto que é das relações de produção capitalistas.

        «O capital não é “uma” coisa, por um lado, porque é função de todo um sistema de relações (sociais) que se formam e desenvolvem sobre a base de um determinado modo (histórico) de organizar a produção e a reprodução do viver». Por outro lado, «o capital também não é uma “coisa”, no sentido em que esta é tradicionalmente considerada separada do seu movimento, do próprio processo em que consiste e no horizonte do qual somente a questão da sua identidade e determinação pode ser frutuosamente colocada» (Moura, 1997, p.119).

        Claro que “as plataformas online” tiveram geração sobrenatural e permanecem virgens e impolutas.

      • De says:

        As verdades incómodas e a “morte anunciada”

        “O carácter decisivo da acumulação capitalista, estudada como ninguém mais o fez em O Capital, era negada por todo o pensamento burguês e por todos os governos dessa classe que afirmavam que a história era movida pela paixão dos grandes homens, as crenças religiosas, os resultados de heroicas batalhas ou imprevistas contingências da história. Marx retirou a economia das catacumbas e não só assinalou a sua centralidade como demonstrou que toda a economia é política, que nenhuma decisão económica está despojada de conotações políticas. Mais, que não há saber mais político e politizado que o da economia, demonstrando o ridículo dos tecnocratas de ontem e de hoje que sustentam que os seus planos de ajuste e as suas absurdas elucubrações econométricas obedecem a meros cálculos técnicos e que são politicamente neutros.
        Hoje ninguém já acredita seriamente nessas patranhas, nem sequer esses procuradores da direita, ainda que se abstenham de o confessar. Poderia dizer-se, provocando o sorriso matreiro de Marx desde o além, que hoje todos são marxistas. Por isso, quando rebentou a nova crise geral do capitalismo todos correram a comprar O Capital, a começar pelos governantes dos capitalismos metropolitanos. É que a coisa era, e continua a ser, muito grave para perder tempo a ler as parvoíces de Milton Friedman, Friederich von Hayek ou as monumentais sandices dos economistas do FMI, do Banco Mundial ou do Banco Central Europeu, tão ineptos como corruptos que, por ambas as coisas, não foram capazes de prever a crise que como um tsunami arrasa os modernos capitalismos metropolitanos.
        Por isso, por méritos próprios e por vícios alheios, Marx está mais vivo que nunca e o seu pensamento, qual farol, projecta uma luz cada dia mais viva sobre as tenebrosas realidades do mundo actual.”
        Atilio A. Boron

      • Fonseca-Statter says:

        O sr. Amorim Lopes foi claríssimo; mas infelizmente a repetição de que «os pressupostos de Marx estão profundamente errados» (ad nauseam… e com ou sem advérbios de muita enfâse) não acrescenta uma vírgula ao conhecimento que se tenha da realidade dos factos.
        Na anterior mensagem o sr. Amorim Lopes tinha dito que o erro fundamental de Marx era o facto de ele ter falseado ou assumido erradamente uma motivação da acção humana. Procurei explicar que não era assim. Que a motivação pressuposta era a mesmíssima em Marx e em Von Mises: a busca do máximo benefício próprio. Repito Von Mises e Marx estão de acordo – se o sr. Amorim Lopes não quer acreditar, ou não gosta da ideia. isso é outra história; mas ambos (Marx e Von Mises) dizem que aquilo que faz mexer o sistema capitalista (e outros sistemas antes também, já agora, acrescento eu – mas não só…) é a busca incessante do máximo benifício próprio.
        Repito: nisso da motivação e acção económica humana, Marx e Von Mises estão de acordo!!!
        Há literatura sobre isso…
        Depois em vez de «rebater» a minha tentativa de explicação sobre os alegados pressupostos errados de Marx, o sr. Amorim Lopes vem agora com a questão da teoria do valor (e não sei a que propósito vêm os dogmas e a religião…) e a dialéctica idealista de Hegel… Pois foi por causa disso (por estas referências a Hegel) que eu aconselhei – e aconselho – a ler a «Ciência da Lógica» de Hegel. Há a versão em Inglês (tradução famosa de A.V. Miller) e há também uma versão em Castelhano (também famosa, de Augusta y Rodolfo Mondolfo).
        Já o Lénine aconselhava essa leitura, dizendo que «os marxistas não tinham entendido Marx – logo o primeiro capitulo de O Capital – exactamente porque não tinham estudado a Ciência da Lógica de Hegel». Imagine-se…
        Aqui há uns dez anos atrás tive já ocasião de debater tudo isto com outras personalidades. Na altura até gostei, achei graça e participei com gosto pois que disso viria a resultar um livro (e depois mais outros…) que por sinal até se vendeu muito bem: «Os Erros de Marxe as Asneiras dos Outros».
        Desculpar-me-ão os visitantes deste blogue mas já não tenho a mesma paciência que tinha há dez anos atrás, para estar agora aqui a repetir e a «descascar» as patetices (para não dizer «falta de honestidade intelectual) de autores de referência como Paul Samuelson ou Campbell McConnell, relativamente à análise proposta por Marx para o estudo do sistema capitalista em geral e da teoria laboral do valor em particular. A este respeito ressalvo Keynes e Joan Robinson que não estavam muito longe de chegar onde chegou Marx na sua análise do sistema capitalista.
        Lembro apenas que o IVA (imposto sobre o valor acrescentado) é o reconhecimento implícito (gato escondido com o rabo de fora…) de que a Teoria Laboral do Valor é científicamente eficiente para explicar toda uma série de fenómenos económicos correntes. Curiosamente a invenção do IVA deve-se a um engenheiro. A palavra chave aqui é valor «ACRESCENTADO».
        Só para concluir (e nem estou à espera de resposta porque estou de partida para outras tarefas), já que os seguidores de Von Mises e/ou dos Neoclássicos têm a pretensão de ser «mais ciêntíficos» do que Marx, (afinal quem é que tem dogmas?…) talvez o sr. Amorim Lopes consiga explicar como é que os economistas convencionais não conseguiram prever esta crise. É que se a «coisa» («das ding», no sentido filosófico do termo… Não quero ofender ninguém) que aprendem nos MBA’s e nas licenciaturas, mestrados e doutoramentos em Economia é uma ciência, deviam ter sido capazes de prever. Ou não será assim?… Dizem que há um sr. Roubini e também já vão aparecendo uns tantos outros a dizerem que também tinham previsto. Coisas que também discuto no livro «O Preço das Coisas – Conversas à Volta de um Café»).
        Como dizem os Ingleses (à boleia de Cervantes, diga-se de passagem) «the proof of the pudding is in the eating». Ou seja, uma «ciência» que não consegue prever, não é ciência!…
        E no entanto, em 1982, com base no estudo da tese de Marx sobre a queda tendencial da taxa de lucro – e por meio de um algoritmo de prova (ou programa de computador) que então tinha elaborado – tive ocasião de fazer uma comunicação ao V Congresso da Associação Portuguesa de Informática, onde mostrava uma tabela indicando o crescimento exponencial do desemprego para daí a uns vinte a trinta anos… Tudo dependendo daquilo a que então chamei de «taxa de refluxo»…
        Como já Keynes assinalava que o grande indicador de uma grave crise é o desemprego…
        Eu gostava mesmo era de acertar no euromilhões; acertar na eclosão da crise sistémica com uns trinta anos de antecedência pode-me dar algum goso intelectual, mas até agora não ganhei nada com isso. Passem muito bem. 😎
        Cordialmente,
        Fonseca-Statter

      • De says:

        Pena que não apareça mais vezes
        É um prazer lê-lo conhecido e consigo ter aprendido um pouco mais, numa área em que não costumo navegar.
        Cordialmente e obrigado
        D.

  8. De says:

    Não vale a pena agora falar nos que Lopes defende.Livre é ele de ter os seus ídolos e os seus santos.Por mais criticados ou defuntos que o possam ser ou parecer. Fica para mais tarde esse debate
    Não pode é continuar a mostrar tanta ignorância (ou tanta outra coisa) quando fala nos outros
    A sua aproximação à Medicina revela-se mais uma vez caricata.O pobre fala em pré-AVC como suporte de defesa dum “exemplo descurado de ideologia”, isto a propósito do termóstato de Friedman. Dupla figura triste: Nem os AVC se reconhecem nesse reconhecimento de Lopes nem a lógica económica se consegue desprender da política,

  9. De says:

    Mas o que mais uma vez assusta quanto à pobreza conceptual de Lopes é o seu último parágrafo, embrulhado naquelas palavras com que tenta embrulhar o seu discurso em jeito já de fuga do real.
    Citemos:” uma subversão tão grande da ação e motivação humana somada a uma enorme distorção da sociedade, dividida nos “maus”, os gordos capitalistas exploradores e inserir-adjectivo-prejorativo-aqui e os “bons”, os honestos homens das artes, progressistas e revolucionários.”
    Motivação humana? Distorção da sociedade? Dividida em maus e bons?
    Motivação humana no singular dá logo para suspeitar. Ainda mais quando se sabe que tal termo tem sido utilizado de forma abusiva e néscia sobretudo pelos que defendem o egoísmo, o individualismo, a agressividade, a mesquinhez, o roubo,a ganância como motores da sociedade.A isto voltaremos se tal for necessário.

    Distorção da sociedade? A distorção de qual sociedade?A esclavagista?A feudal ?A capitalista? Esta “distorção da sociedade” e outras abstracções quando confrontadas com o concreto revelam um pouco do medo que os defensores do capitalismo têm que este mesmo capitalismo tenha o mesmo destino dos seus modelos anteriores?

    A Sociedade capitalista não é um demónio. É apenas o resultado concreto da evolução das relações sociais e materiais, resultado actual dos movimentos da luta de classes ao longo dos séculos e das eras.

  10. De says:

    “A classe social é definida em função da relação objectiva que o conjunto de indivíduos estabelece com os meios de produção e, em consequência com o Trabalho.
    Independentemente do volume dos rendimentos, um proletário é aquele que não tem outra forma de sobrevivência a não ser a venda da sua força de trabalho.
    Independentemente do volume dos rendimentos (ou do seu perímetro abdominal), um burguês é aquele que detém uma parte ou a totalidade de um meio de produção, podendo assim sobreviver de outras formas que não a venda da sua própria força de trabalho, nomeadamente, explorando o trabalho alheio.
    A questão não tem a ver com os bons e maus.Vai muito para além de. Façamos a ligação com o que falamos desde o início sobre a “caridade” “O membro da burguesia, mesmo da grande burguesia pode manifestar comportamentos de compaixão e empatia com os outros. É exactamente desta incapacidade de ignorar o sofrimento e de simultaneamente pretender manter as relações que posicionam o burguês como classe dominante, que nascem as práticas caritativas. A abordagem kantiana a esta questão apoia inclusivamente esta análise. Para Kant, a moral é uma forma de integração e aceitação social do indivíduo. Ou seja, o indivíduo “pratica o bem” porque isso o beneficiará perante o meio. Ao que Kant nunca chegou foi ao reconhecimento de que o meio é variável e que, como tal, também o conceito de “bem” é variável. Ao que Kant também nunca chegou foi ao reconhecimento de que existem assimetrias de classe que moldam os comportamentos morais do indivíduo.”

  11. De says:

    Há mais para dizer mas já vai longo o texto.
    Uma ultima nota todavia:Repare-se neste pequeno pormenor tão revelador da ignorância,má-fé ou manipulação de Lopes( provavelmente de tudo um pouco).Repare-se como ele etiqueta os bons (“honestos homens de artes, progressistas e revolucionários”) .Esta é a leitura do “proletariado” para Lopes?
    Este tipo é mesmo o que parece ser!

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