O ataque ao Estado-nação

Goste-se ou não da ideia de Estado-nação, não haverá grandes dúvidas que um dos eixos centrais das políticas impostas pela troika é o ataque à soberania dos países sob intervenção. No radicalizado contexto europeu, é de todo o interesse que em países como Portugal se opere uma vandalização das relações de trabalho e dos salários, que haja poucas condições para o aumento da produção e que cresça o clima de insegurança interna.
A indicação de Vítor Gaspar para representante máximo da troika no país transformou-o no elemento central de uma política que não pretende crescimento económico e que não se preocupa por a dívida continuar a crescer. O seu objectivo não é apenas que Portugal pague, mas que a sua dívida se torne tão incomportável que, à sombra de um hair cut, perca ainda mais poder de decisão sobre o presente e o futuro.
Gaspar tem como função principal impedir que a economia continue a funcionar. Já não bastava a obstrução que provocou nas candidaturas a financiamentos comunitários, transformando Portugal num dos países europeus com menos financiamentos, decretou durante esta semana o estado de excepção paralisando a administração pública ao não permitir que os polícias abasteçam os carros de gasolina, que as escolas comprem produtos de limpeza ou que os centros de saúde se abasteçam de pensos.
Mas não esqueçamos neste processo o papel de quem jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição e de quem foi eleito para “garantir a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas”. Cavaco Silva tem todos os argumentos para agir. Se não o fizer, deve ser forçado a resignar.

Publicado hoje no i

Advertisements

About zenuno

http://despauterio.net
This entry was posted in 5dias. Bookmark the permalink.

4 Responses to O ataque ao Estado-nação

  1. JgMenos says:

    Fantástico cenário conspirativo… para ataque a uma ‘potência’ que há dezenas de anos vive descuidada à custa de empréstimos e subsídios …
    Fique uma ideia: para os credores tanto faz que o país cresça como mingue …desde que liberte divisas para pagar as dívidas …a austeridade está para durar.

    • De says:

      Menos,actualize-se e deixe de dizer baboseiras porque essa conversa já cansa e cheira a mofo.
      Aquilo a que estamos a assistir vai muito para lá dos seus fantasmas e dos seus ódios particulares ou dos seus gostos nostálgicos da ordem fascista.A gestão “nacional” ficou a cargo dessa direita que umas vezes, admira outras vezes zurze por não lhe obedecer aos seus conceitos de Velha Ordem.
      A verdade tem coisas tramadas.A responsabilidade da presente situação cabe por inteiro ao Capital e aos seus gestores governamentais sejam eles PS,PSD ou PP com ou sem acasalamentos promíscuos como é de tom entre gentalha dessa índole.Com toda a corja de saudosos fascistas que se arrastaram pelos círculos apropriados.

      Esse desvelo pelos credores fica-lhe a matar.Sempre houve gentinha assim a tomar as dores pelo Capital e a babar-se pelo peso da massa. A defesa do pagamento ao suserano sempre foi apanágio dos que, ou lhe obedeciam porque o rastejar perante o poder era a sua posição habitual ou porque a esperança de lamber os pratos da gamela era o suficiente para.
      Hoje em dia o quadro é bem mais vasto e o discurso frenético dos serventuários do regime a clamar pelas dívidas de quem não as contraiu já teve melhores dias.O ver os Estados-Nação a cair sucessivamente debaixo das patas dos interesses do grande capital e dos desígnios germânicos transtornou-lhes a linearidade do discurso.
      Sobra-lhes provavelmente a patética e frenética repetição do aprendizado.A única novidade a esperar será porventura tal propaganda néscia passar a ser feita no futuro em língua alemã.
      Uma certa burguesia portuguesa e as elites dominantes sempre se identificaram mais com os interesses do dinheiro do que com os interesses nacionais.E até houve alguns que levantaram o braço na saudação típica.Salazar foi um deles e parece que mandou alguns dos seus aprender alemão para a altura apropriada.
      🙂

    • Carlos Crapeto says:

      Coisas dos seus amigos.
      Então não foram eles que governaram descuidadamente esta “potência” durante as dezenas de anos que menciona?

      Agora só falta reconhecer que errou nas escolhas politicas.

      Quer um conselho? Mude de campo!

  2. Roteia says:

    “Cavaco Silva tem todos os argumentos para agir. Se não o fizer, deve ser forçado a resignar”.
    Ora, nem mais. O problema é que grande parte dos jornalistas portugueses vive (ou viveu) embevecido com Cavaco e aprendeu com ele a técnica do tabu. Daí que seja uma verdadeira raridade este apelo à resignação. Não sei que outro país admitiria um presidente tão sectário, tão velhaco, tão incapaz de fazer face ao momento trágico que vivemos. A direita há muito que ambicionava “uma maioria, um governo, um presidente”. Aí os temos, para nossa desgraça.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s