Estranhos aliados

No passado dia 2 de Abril, as Nações Unidas aprovaram o primeiro Tratado de regulação do comércio internacional de armas convencionais, com apenas 3 votos contra da Síria, Irão e Coreia do Norte; três países que estão sob a mira do militarismo imperialista. Os EUA votaram a favor do tratado (ver declarações do Secretário de Estado John Kerry). O tratado precisa agora de ser ratificado por 50 países para entrar em vigor.

A aprovações deste tratado das NU ocorreu durante um novo episódio do debate doméstico  dos EUA sobre o direito à posse de armas e a 2ª emenda da Constituição dos EUA. Uma discussão que, mais uma vez, se renovou no rescaldo de vários casos de mortes em escolas. E muito embora o tratado afirme taxativamente que pretende regular o comércio internacional, com a preocupação particular de venda a terroristas e crime organizado, e que respeita as leias soberanas nacionais, o Senado dos EUA aprovou uma moção de rejeição do Tratado, colocando os EUA no mesmo campo dos elementos do seu “eixo do mal”. Tal é a obsessão da direita dos EUA e dos libertários com o direito a posse de armas dos seus cidadãos, incluindo armas automáticas, e tal o seu ódio às Nações Unidas.

Advertisements

About zenuno

http://despauterio.net
This entry was posted in 5dias. Bookmark the permalink.

3 Responses to Estranhos aliados

  1. Gentleman says:

    Chocante a indiferença com que os escribas deste blogue tratam 200 mil pessoas que neste momento vegetam em campos de trabalhos forçados na Coreia do Norte.

    • andrelevy says:

      Gentleman, não entendo bem o seu comentário, em particular no seguimento do artigo sobre o tratado de armas. O artigo não fazia nenhuma defesa da Coreia do Norte. E o comentário dá a entender que há uma consciente omissão de uma questão sobre a qual não conheço efectivamente números; ou que há uma defesa incondicional por parte de todos os que escrevem neste blog. (E duvido em absoluto que todos os escritores do 5 dias concordem sobre a Coreia do Norte.) Será certo que a Coreia do Norte tem presos, e admito que alguns deles sejam obrigados a trabalhar. (Aproveito para comentar que presos serem obrigados a trabalho produtivo por si só não me choca. Esse trabalho pode ser parte de treino profissional e caminho para reintrodução na sociedade. É preferível que a população prisional seja improdutiva (isso sim a vegetar), e implique um custo financeiro? (Estar a vegetar e a fazer trabalho forçado parece-me algo contraditório.) Já trabalho com o mero objectivo de punição já me parece objectável, assim como o uso de força de trabalho prisional para o benefício de interesses privados. A expressão “trabalho forçado” não é muito específica no que toca a estas diferentes dimensões. E falo de forma geral, não especificamente da Coreia do Norte. Pois se esta tem o número de presos que refere, outros países também têm populações prisionais. E daí? Quer especificamente argumentar que estes são presos políticos? A China e os EUA têm das maiores populações prisionais do mundo em termos absolutos e per capita. São os escritores deste blogue culpados de alguma injustiça por não falarem mais nestas populações. Eu até diria que estas situações, em particular a dos EUA, merecerão maior atenção, pela seguinte razão muito concreta: os EUA proclamam ser o farol da liberdade que ilumina o mundo, o melhor democracia do mundo. Falar da sua população prisional, em grande medida alimentada por penas desproporcionais, discriminatórias e ineficazes associadas ao consumo de droga, é ilustrar uma contradição entre o discurso e acção. Também não me parece que se possa usar os mesmo critérios para aferir a situação interna dos EUA ou da Coreia do Norte, já que este é um país sujeito a um embargo económico e com um estado de guerra declarado com os EUA há mais de 60 anos.

      • De says:

        Já o comentário de gentleman sobre o artigo em causa não é de forma nenhuma chocante.E não o é porque o lemos sistematicamente e de forma repetida, qual spam a tentar abrir caminho por entre os caminhos ínvios da propaganda ideológica mais primária e lodaçal.

        Em Portugal “vegetam” mais de um milhão de desempregados,atestando a barbárie que atingimos neste capitalismo putrefacto e miserável

        Assistimos à existência de todo um território transformado em campo de concentração, provavelmente o maior do mundo, localizado em Gaza e da responsabilidade de Israel.
        http://jornalaico.blogspot.pt/2012/11/noam-chomsky-e-o-campo-de-concentracao.html
        (O texto de Noan Chomsky é esclarecedor).

        Sobre a Coreia do Norte começo por repetir as palavras de alguém que prezo: “não sei o suficiente para sobre ele me referir de forma segura; que aquilo que sei, confirmado aliás pelas próprias autoridades norte-coreanas, me suscita as maiores reservas e que não defendo para Portugal nem o modelo nem as soluções norte-coreanas. O que defendo, isso sim, é o direito daquele povo à paz”.
        E sei que os media nos servem quotidianamente a dose de mentiras e de manipulações sobre o que se passa nos países do “eixo do mal”.E aí,temos já algumas provas demasiado “evidentes”.
        http://o-companheirovasco.blogspot.pt/2012/01/fox-news-40.html

        O que fica patente é os esforços de alguém – gentleman- para nos desviar do que está em discussão ou para engrossar a desinformação em curso,seguindo o filão aberto da manipulação mais grosseira.
        Manipulação que assistimos hoje por exemplo a propósito de Thatcher, aquela criminosa primeira-ministra, ídolo da direita trauliteira e roufenha,que tenta reescrever a história de forma a justificar as (velhas e pútridas) soluções para o futuro . A”mulher que se opôs até ao fim às sanções internacionais contra o apartheid sul-africano e considerou o Congresso Nacional Africano, dirigido por Nelson Mandela “uma típica organização terrorista” (Guardian, 8.4.2013) ou que, com os EUA, apoiou na ONU os Khmeres Vermelhos contra o novo governo cambojano colocado no poder pelas tropas vietnamitas que derrubaram o genocida Pol Pot (John Pilger, New Statesman, 17.4.2000); e que intercedeu a favor de Pinochet quando a justiça internacional o quis julgar por crimes contra a humanidade. Para ela, o ditador que deixou três mil desaparecidos e 32 mil torturados foi quem “trouxe a democracia ao Chile” (BBC News online, 26.3.1999). Thatcher disse-o atacando a sentença da Câmara dos Lordes que acedia às pretensões da justiça espanhola e à de três outros países em exigir o julgamento de Pinochet, pressionando, com sucesso, para que o governo britânico não a cumprisse.” (Manuel Loff).

        Confessemos que o fio condutor que nos leva da política dos EUA até a Thatcher passando por Israel e pelos terroristas sociais que nos governam é mais linear do que os spam jurídicos desesperados em defesa do status quo

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s