Um não assunto

Em Julho de 2012 Passos Coelho classificou a polémica em torno da licenciatura de Miguel Relvas como um “não assunto”. Na verdade, o primeiro-ministro tinha toda a razão. Relvas era o ministro que em cada privatização aparecia associado a um interesse – que não o nacional -, em cada “Impulso Jovem” criava mais desemprego, em cada órgão de comunicação social infiltrava os seus poderes, em cada intervenção pública despertava novos ódios…
Neste contexto, o processo em torno da licenciatura era um pecado menor, um “não assunto”.
O problema de Passos Coelho é que, neste momento, a saída de Relvas também é um “não assunto”. Não bastava o aumento exponencial do desemprego e do défice externo, a visibilidade do erro orçamental logo a partir do primeiro mês de execução ou os sucessivos protestos da maioria social do país, Coelho tem um governo em implosão com o CDS a marcar distâncias para se preparar para eleições e com alguns ministros do PSD a fazerem sair a informação que querem fugir do governo. Com a saída de Relvas, Passos é um homem só entre representantes da troika e raposas prontas para lhe saltar às canelas.
A demissão de Relvas não chega tarde. Chega num momento em que a sua saída ainda desestabiliza mais a coligação, sem transmitir qualquer sinal de confiança ao país. Passos Coelho estará a aprender na pele que a crise não é uma oportunidade.

Publicado ontem no i

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15 Responses to Um não assunto

  1. Fuas Rouquinho says:

    A crise é, sim senhor, uma oportunidade. E essa oportunidade está aí a pedir que a deixem nascer, vir ao mundo. Passos Coelho é que está a sufocá-la, a impedir que surja, a não deixar que nasça, a apertar as pernas. O problema é que se for o Seguro o parteiro haverá um grande risco de que tenhamos nos braços uma pseudo-oportunidade. Seja como for, o Passos tem que abrir as pernas, isto é, ir à vida. Depois logo se verá!

  2. Bolota says:

    Tiago,

    Nem quero ser tão profundo.
    Mas se ao Relvas lhe é retirado o canudo (Drº) equivale a dizer que o usou indevidamente. Demite-se e é um não assunto?? No minimo Relvas tem se ser julgado e condenado e politicamente Passos tem de assumir as suas responsabilidade porque os mercados, como tanto gostam de dizer assim o exigem para já não falar do sonso do Cavaco.

    • Tiago Mota Saraiva says:

      Bolota, quem lhe chamou não assunto foi Passos Coelho, e não eu. O que digo é que, se a licenciatura de Relvas é um não assunto, a sua saída também não resolverá o problema deste governo.

      • Bolota says:

        Tiago,

        Nem eu disse isso, o que disse foi que não sendo um assunto, não faz sentido ter saido amuado e não sendo um assunto não faz sentido a sua retirarem-lhe o canudo…é um assunto quando ele abusa do titulo de DRº quando não está habilitado para tal e isso é crime. Se é crime tem de ser julgado e condenado, foi o que eu disse. Tanto mais que ele proprio se apelidava de uma vida limpa e transparente
        Quanto ao resolver o problema do governo…isso fia mais fino , acho que com ou seu Relvas, nem uma cunha do Cavaco ao papa Chico Argentino o salva.

  3. JgMenos says:

    ‘…num momento em que a sua saída ainda desestabiliza mais a coligação’!!!
    Haja um mínimo de bom-senso!
    O muito querer não justifica todo o disparate.

    • Bolota says:

      O caso Relva é ou não um não assunto??

      • JgMenos says:

        Claro que é um assunto: o assunto é que a mobilidade social promovida por decreto é tão legítima nas novas oportunidades, como na graduação de capitães em brigadeiros, como em regras de Bolonha.
        Só que sempre o senso comum acha isso um modo pífio, que uns vão lavando conforme podem e outros sempre só lavam os da sua seita.

      • De says:

        O pior é que a seita de Menos atropela de forma directa a Constituição.Governa contra a lei.Assume-se como ilegítima.E como tal tem que ser tratada.
        Encarar de frente o que temos à frente sem subterfúgios pífios, escondidos atrás de Bolonha ou dos assuntos de caserna tão ao gosto de.
        Para depois falarmos sobre a “mobilidade social” tão ao gosto do neoliberalismo decadente e criminoso

      • JgMenos says:

        A tua Constituição diz que um juíz do Tribunal dos Funcionários com reforma aos 4? anos e que nunca pode ser despedido É IGUAL a um tecelão do Vale do Ave!!!
        O que eu digo é que este é um país de corporações a mamar em tudo que mexe, e se uns roubam e corrompem, outros abrigam-se em leis e contratos que são puras Cartas de Privilégio.
        Mas o teu papel é defender a seita que pariu tal aborto!

      • De says:

        Tua?
        Seita?Aborto?
        Mas vossemecê pensa que está a falar com os seus?

        Quem tem governado o país é a direita mais ou menos caceteira mais ou menos liberal.Os que agora estão no poder beberam directamente da mama ( termo que parece gostar) do fascismo.Agora até ousam não só não cumprir a lei fundamental ,como Passos tem o estalar de verniz suficiente para atacar o Tribunal Constitucional da forma claramente antidemocrática como o fez ( a tal mama bebida dos tempos do fascismo).
        “O tribunal dos funcionários” é uma boçalidade que atesta a qualidade do interlocutor.
        O desemprego é um produto típico do capitalismo.Este governo tem-se especializado neste campo.

        A seita que pariu este aborto de sociedade está no poder.É mais que tempo de a escorraçar de vez.

      • Bolota says:

        É um assunto, PONTO. Se é um assunto porque disse Passo Coelho que era um não assunto??? O resto da tua resposta é palha para baralhar papalvos. O que tem o cu a ver com as calças??? Relvas no minimo tem de ser julgado e condenado por ter utiliado abusivamente um titulo para o qual não tinha cardenciais e isso é CRIME.

        Atina Porra!

      • JgMenos says:

        Disparate!
        O homem não se auto-credenciou, quem o fez é que tem que prestar contas.
        O gajo só é pretensioso e parolo.
        Vê lá se lhe queres seguir o exemplo com teimosias idiotas!

      • De says:

        A forma como se tenta proteger um pulha como o relvas é bem reveladora da forma como se age.
        A culpa é dos outros,sempre.Relvas, um dos hunos da horda de terroristas sociais que nos governam é aqui tratado como “pretensioso e parolo”.Apenas.
        Vai longe o lava mais branco.É assim que se manipula e se aguenta o barco do terror.

        Agora é juntar ao mafioso do relvas todos os outros mafiosos

  4. Bolota says:

    ” O homem não se auto-credenciou ”

    JgMenos,

    Nem parece teu…deixa-me adivinhar, quizeram entalar o Relvas e ele como parolo que é aceitou que arranjassem toda esta tramoia para o tramar…Sabias que o Relvas é como a pescada????Antes de ser já era Drº .
    Há espalhadas pelo pais, placas toponímicas, nem sei se é assim que se escreve, daquelas que nos indicam os nomes das ruas, praças e pracetas, muito anteriores ao tratado de Bolonha . Logo o parolo do Relvas aceitou o canudo por engano…JgMenos, posso ser Baleizoeiro mas trongo…

    De, o relvas é produto do meio onde foi criado.

    http://thumbs.sapo.pt/?pic=http%3A%2F%2Fimgs.sapo.pt%2Fpaperleap_capas%2F2013%2F04%2F04%2F0008_visao_4104.png&W=373&Q=85

  5. maria santos says:

    Deixar uma resposta depois de ler tantos disparates não é fácil, também não é fácil ficar indiferente, mas não quero usar usar expressões que tanto critico, apenas quero dizer: ao que chegou este país!
    O respeito pelo homem e a educação são a base de tudo e perdeu-se!
    Se me quizerem dar um canudo eu aceito,porque não? Nem que seja para ver as estrelas no céu a brilhar!

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