Há algo mais ridículo do que o «empreendedorismo»? Os desempregados e as esmolas

O Estado português criou 1 milhão e 400 mil desempregados, que vivem de sucessivas esmolas, programas aconselhados nos relatórios do Banco Mundial para evitar convulsões sociais. Criou é o termo, porque o orçamento de Estado diz claramente que a «saída da crise» será feita com uma destruição de riqueza – queda do PIB – acompanhada por uma destruição do emprego. É o milagre da produtividade, que, de facto, assim aumenta. Há várias formas de aumentar a produtividade, palavra mágica que nem Deus ocupa nesta terra: melhorando a tecnologia por exemplo, mas também produzindo material de guerra ou comendo os pobres, o que reduz os custos do salário em alimentação!

Subsídio de desemprego é o que têm a oferecer a um desempregado (para o qual descontam mas que não deixa de ser uma situação deprimente). Logo a seguir vem o mínimo indigno – subsídio parcial de desemprego, subsídio social de desemprego, extensão do subsídio social de desemprego, cantinas sociais, rendimento social de inserção…A esmola vem acompanhada por um esquema persecutório em que os desempregados têm que se apresentar, como um criminoso, periodicamente num centro de emprego e aceitar as mais aviltantes tarefas como esta que aqui ilustro – um curso para uma licenciada sobre «empreendedorismo no feminino», cuja não frequência implica sanções. Um preso que ainda por cima tem que ouvir imbecilidades. Ficamos pelo menos a saber que há uma palavra ainda mais ridícula que empreendedorismo, é o empreendedorismo no feminino.

Esta «gestão da barbárie» é feita pelo CDS, que gere a caridade ( o Ministério da Segurança Social) enquanto criminaliza nos media os desempregados culpabilizando-os pela sua situação. Primeiro achincalha-os, depois dá-lhes o pão, porque um desempregado não pode morrer, de outra forma não iria pressionar para baixo os salários dos que estão empregados.

Nunca é demais lembrar que no moderno modo de produção capitalista a flexibilidade do trabalho bem como altas taxas de desemprego são condição sine qua non para sobreviver na competitividade entre empresas e entre Estados, porque funciona como um regulador dos salários, baixando-os. Nunca é demais lembrar que se todas estas pessoas estivem a trabalhar e a descontar, estaríamos a gerir a vida e não a barbárie.

EMPREENDORISMO 001

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6 Responses to Há algo mais ridículo do que o «empreendedorismo»? Os desempregados e as esmolas

  1. na realidade a real causa da crise é múltipla.... says:

    O teu comentário aguarda mode ração apagação….vou comprar uma fusca para os dias do reviralho desde 1910 que nã há um…..
    Março 28, 2013 ás 6:10 pm a politeia putogoesa é do mais atrasado mentalista ki hai

  2. JgMenos says:

    Não consegui vislumbrar um único conceito que possa fundamentar uma política para desempregados – pressupondo que não se vise decretar a sua inexistência!
    Quanto ao ’empreendedorismo no feminino’ é tão bizarro quanto a igualdade de género a partir do feminino, como é de uso fazer-se.

  3. Figueiredo says:

    Cara senhora Raquel Varela, acompanho o seu blog e leio atentamente os seus textos de opinião e estudos político/sociais, deixando desde já o meu apreço pela forma como investiga, esclarece, e fomenta o pensamento bem como a busca por parte do leitor dos temas que escolhe, mas a meu ver cometeu um erro neste último texto por si redigido, quando escreve “… um curso para uma licenciada sobre «empreendedorismo no feminino…»…”
    Quando fala nessa tal licenciada digo-lhe firmemente que não tenho pena nenhuma de a mesma ter sido sujeita a essa abordagem por parte dos parasitas que trabalham nos centros emprego, colocados lá por cunhas e através dos partidos políticos com assento na Assembleia da Republica aos quais pertencem ou são simpatizantes, e sabe porquê? Porque infelizmente neste país desde os Anos 80 que isto tem sido um pântano de “…doutores da mula ruça…” como dizia Vasco Santana, vindos desses cancros que são as faculdades privadas, organizações obscuras e antros de recrutamento político, censura cultural e informativa bem como de alienamento mental e histórico.
    Esses tais licenciados de que fala (não metendo todos no mesmo saco pois existe muita malta de valor lá fora e uma pequena percentagem cá), são uma maioria ao contrário do que se diz e aponta-se o dedo somente a um ou dois infractores neste caso o senhor José Sócrates e o senhor Miguel Relvas com cursos universitários fraudulentos o que é mentira, é mais uma forma de desviar a atenção das massas do verdadeiro sentido e dimensão do problema.
    Esses miúdos mimados e deformados mentalmente pelos pais que ajudaram a desenvolver um sistema (o actual) num passado que não compreenderam quanto mais o presente que não entendem, não passa de gente que não quer trabalhar pois não lhes custa a ganhar para farras e borgas à moda pequeno-burguesa, são gentinha educada no sentido de que tinham que tirar um curso superior para serem tratados por doutor e ter canudo mas como eram burros que nem portas toca a comprar notas e cursos prós filhinhos que ou eram de papás endinheirados ou de papas que se matavam a trabalhar, e na sua bondade e ingenuidade pensavam estar a fazer uma grande coisa.
    Por isso minha cara senhora Raquel Varela e para terminar, digo-lhe que não tenho pena nenhuma dessa gente que comprou os cursos nas faculdades privadas e agora vai a apresentações no centro de emprego, que vão mas é trabalhar para saber ao menos o que é a vida real, vergar a mola junto da Classe Trabalhadora em vez de andarem por aí a dizer que “não gostam porque tem espinhas”, “ou não comem porque tem casca” e ficarem no facebook a brincar aos cliques e amuados porque têm a merda de um papel que lhes disseram que podiam ser chamados de doutores, ganhar bem sem fazer nenhum e andar por ai a pavonearem-se.
    Sabe, e agora termino mesmo, grave é enviarem gente que trabalhou uma vida no campo, em fábricas, em artes como carpintaria, canalizador, operário de construção civil entre outras, que descontaram anos e anos escrupulosamente para um estado sombrio, corrupto e dominado pelos partidos da oligarquia, terem que ao fim de uma vida fodida de trabalho duro e sacrifícios serem votados à situação de desempregados e mandados pelos funcionários do centro de emprego para cursos o formações em que lhes mandam pintar as cores da Bandeira Nacional e decorar “A Portuguesa”, mas isso já ninguém fala nem se lembra que os gajos são da Classe Trabalhadora que se lixem, para muitos são parolos, bêbedos, e matronas enfim… é como diz o outro “…o filho do alfaiate é paneleiro, o filho do senhor doutor é excêntrico…”

    Post-Scriptum: Continue o bom trabalho, os seus textos actualmente são uma lufada de ar fresco no panorama nacional.

    • Raquel Varela says:

      Caro Figueiredo,
      A maioria dos licenciados é-o em universidades públicas de qualidade e têm, creio, justas expectativas de ter um trabalho adequado à sua formação.
      Com estima
      Raquel Varela

  4. helder says:

    «empreendorismo no feminino» , só poderá ser, alugar a barriga e vender os filhos.

  5. Vítor Vieira says:

    Esclareça-se: a legislação que o permite é “socrática”, de 2006 (Decreto-Lei n.º 220/2006. D.R. n.º 212, Série I de 2006-11-03 – http://dre.pt/util/getdiplomas.asp?iddip=20063490).
    É mais um caso de “mata” e “esfola”

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