Independente que não é filho de boa gente

É sabido que a possibilidade de candidaturas independentes às autarquias tem sido usada sobretudo por pessoas que ficam fora das listas dos partidos. Rapidamente, por mais partido que tenha havido dentro de si, o candidato independente exorciza o seu passado absorvendo e cavalgando todo o sentimento antipartidos que se instalou.
Vem isto a propósito de mais um manifesto-petição subscrito por 60 cidadãos que, com uma estranha redacção em que se recupera muito do vocabulário do Estado Novo, entende que a crescente indignação dos portugueses se resolveria com “eleições primárias”, “listas nominais” e financiamento público para as referidas listas. Do grupo de 60 destacam-se os nomes do ex-ministro do Estado Novo Veiga Simão, o director do Laboratório de Ideias para Portugal do PS, Manuel Maria Carrilho, ou do globetrotter das petições Rui Tavares. Do tradicional grupo de subscritores VIP destas petições para fazer notícia, só faltará Mário Soares.
A bem da transparência e da seriedade, seria interessante que cada subscritor fizesse uma declaração de interesses para não parecer que se estão a tentar aproveitar da angústia e desespero das centenas de milhares de pessoas que têm vindo a manifestar-se contra este sistema – e quando digo sistema, não coloco de lado a crítica à Europa, às relações entre o poder financeiro e a política e às formas de representação popular, ideias que o texto da petição desvaloriza – para proveito próprio.
Se é certo que a democracia perde sempre que se esgota nos partidos, o filão do candidato independente, mediático e sem passado político, que Beppe Grillo tão bem explorou em Itália, coloca em causa a democracia. Movimentos como o de Grillo, que albergam candidatos com os mais diversos discursos (homofóbicos, por exemplo) e em que o seu criador é soberano sobre todas as decisões fundamentais, não abrem a política à sociedade, apenas a reservam às figuras que a televisão entende promover.

Hoje no i

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3 Responses to Independente que não é filho de boa gente

  1. tá giru si senhori
    Vem isto a propósito de mais um manifesto-petição subscrito por 60 cidadãos que, com uma estranha redacção em que se recupera muito do vocabulário do Estado Novo, entende que a crescente indignação dos portugueses se resolveria com “eleições primárias”, “listas nominais” e financiamento público para as referidas listas. Do grupo de 60 destacam-se os nomes do ex-ministro do Estado Novo Veiga Simão, o director do Laboratório de Ideias para Portugal do PS, Manuel Maria Carrilho, ou do globetrotter das petições Rui Tavares. Do tradicional grupo de subscritores VIP destas petições para fazer notícia, só faltará Mário Soares, coitadinho gripou e se calhar não vê o email…

  2. Phoder financeiro really? adonde says:

    Acho cu camarada tá a ver mal o filme, além dos 6000 bancos e das seguradoras associadas onde é que a eurropa arranja trabalho para estes 15 milhões de empregados da banca eurrocrática?
    é muito salário e subsidio em risco
    sem banca o que é o Luxemburgo ou the united kingdom
    já para não falar na banca franco-hollando-alemã que com a arcellor mittal a mudar-se e os pneus americanos a fugirem pró oriente os desempregados da finança VÃO empregar-se em quê

    e as 600 universidades que formam economistas e gestores com calidade passam a 300?
    e o ensino eurropeu de élite bai pra hong-kong nã dá nã

    a indústria de armamento e de automoviles anda muito con petitiva

  3. Nuno Cardoso da Silva says:

    Aproveito este post para estranhar que ainda ninguém do universo 5dias se tenha referido – tanto quanto eu tenha reparado – à recusa do Tribunal Constitucional em legalizar o MAS – Movimento Alternativa Socialista, com base numa argumentação ferida da estupidez e desonestidade que vão sendo a norma em tudo que este poder político faz. Não está em causa se se gosta ou não do MAS e das suas opções políticas, está sim em causa o bloqueio à formação de novos partidos políticos, sem os quais se não pode concorrer à Assembleia da República. E é estranho que os outros partidos de esquerda – BE e PCP – tenham mantido o silêncio perante esta tropelia. Como se arriscariam sempre a perder alguns votos para o MAS, convém-lhes ficar calados. Mas isso nada augura de bom viessem esses partidos a poder formar um dia governo. Seria esse o respeito que manifestariam face a quem não pensasse como eles? Não há dúvida que a democracia está muito longe de estar enraizada entre nós, mesmo entre aqueles que se dizem de esquerda.

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