Greves nos sectores dos transportes

cartaz5

Nos próximos dias vão registar-se várias greves no sector dos transportes (CP, REFER, Rodoviária; ver em http://hagreve.com/
Antes de começarem a refilar com as dificuldades de transportes devido à greve, procurem entender os seus motivos, pois os trabalhadores do sector não lutam apenas pelo cumprimento do seu contrato colectivo de trabalho, lutam também em defesa de todos os contractos colectivos, em defesa do sector público dos transportes e de transportes com qualidade a preços sociais, e contra a postura do Estado, que se desresponsabiliza face aos serviços públicos mas oferece milhões às empresas privadas.
Vejam a imagem anexa para entenderem para onde vai o dinheiro dos bilhetes e passes: as recentes subidas são resposta das administrações que passam o custo de pagamento de juros para os passageiros.
Como foram incorridas estas dívidas? Por exemplo, as linhas e estações da Fertagus (empresa privada) foram construídas pela REFER (empresa pública) que contraíu uma dívida superior a 500 milhões de euros; e os seus novíssimos comboios foram pagos pela CP (empresa pública). A dívida “da Fertagus” está, assim, escondida nas contas da REFER e da CP, por dívida, ao operador privado. Ou seja, as empresas públicas, e por arrasto os seus utentes, estão a pagar indirectamente os lucros das empresas privadas. Acresce que a Fertagus recebeu cerca de 200 milhões de euros em ‘indemnizações compensatórias” previstas nos contratos de Parceria Público-Privado. A Metro Sul do Tejo (consórcio privado que gere o metro de superfície de Almada) recebeu em 2012 7,4 milhões de euros, como compensação “por procura insuficiente”, relativo ao primeiro trimestre. Isto é, a PPP prevê que face à falta de passageiros a MST seja compensada pelo Estado, ou dito de outra forma o Estado paga à MST para não transportar passageiros.
Assim o Estado apoia estas empresas privadas directamente e indirectamente, através das “prendas” das empresas públicas, que além de verem o investimento do Estado reduzido, “oferecem” material aos privados, incorrendo dívidas e tendo de pagar os juros agiotas. Não haviam as empresas privadas de ter uma gestão aparentemente tão mais eficaz que as empresas públicas.  (ver mais em http://www.fectrans.pt/index.php/informacao/comunicados/13-populacao/362-saiba-para-onde-vai-o-dinheiro-dos-utentes-da-cp)
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7 Responses to Greves nos sectores dos transportes

  1. jgmenos@gmail.com says:

    Nada de público-privadas!
    Privatização pura e simples e acabar com a sangria do orçamento com administrações ‘políticas’ e comissões de trabalhadores às ordens da CGTP!

    • De says:

      Não,não é reflexo condicionado.
      É o sentir do defensor das “honradas” famílias que dominavam a economia no antes do 25 de Abril e que continuam a dominar nos dias de hoje..E a”oportunidade de negocio” para um dos admiradores desta máfia sem escrúpulos tenta sacar mais um bocado para alargar o leque dos proventos das bestas.

      Até convoca as PPP. Mas as PPP não estão ligadas ao PS ao PSD ao PP? Não estão ligadas a processos de entrega aos grupos económicos de dinheiro público? Não estão ligadas umbilicalmente à direita e à forma de governar da direita para os grandes interesses económicos?
      E a “privatização” seria a cereja no topo do bolo para o apetite voraz da matilha.
      Esta outra razão para exigir que o governo se vá.
      Sorry Menos

    • anjinho says:

      Idiota,jgcadavezmenos com o cérebro

    • Carlos Carapeto says:

      Privatizar o quê ?

      Está a vender demagogia a pataco ou a oferecer ignorância ao metro ?

      Em que país as redes ferroviárias dão lucros ? Com excepção dos troços urbanos .
      Do seu ponto de vista privatizam-se as linhas de Cascais, Sintra, Azambuja e pouco mais, de resto encerra-se tudo porque dão prejuizo ?

      Não seja setário. Ignora que o sucesso da China se deve em parte ao Estado controlar mais de 70 % da economia ?

      E porque será que ninguém se atreve falar nas razões do milagre economico da Bielorrussia? Mesmo com a crise que afeta a Europa tem crescido sempre acima dos 8 % ao ano.

      Eram estas questões que eu desejava os JMenos terem a coragem de abordar e estofo para debater.

      • JgMenos says:

        O sucesso da China deve-se a isso mesmo: controlo do estado sobre a classe operária escravizando-a. Prefiro greves a essas bemfeitorias do Estado!
        Mas quando há liberdade e as empresas são do Estado, o regabofe é de regar!

      • andrelevy says:

        Para o sector dos transportes, assim como outros sectores económicos centrais, como a banca, a energia ou o saneamento, defendo que deve ser o Estado o gestor, garantindo que sejam serviços públicos. O esquema actual não é nem um capitalismo laissez faire, nem um controlo público, mas antes uma solução mais preversa e indicativa de capitalismo monopolista: o Estado como instrumento de transferência de capital público para os privados, oferecendo material e dinheiro de bandeja, sem pedir contrapartidas, ou se estas são pedidas (como o compromisso de não deslocalização) sendo prontamente esquecidas.

  2. De says:

    Não nos desviemos do essencial.
    “O governo rouba-o e ainda lhe mente”
    O dinheiro roubado é entregue desta forma despudorada à banca e às empresas privadas.
    As mentiras permitem alavancar as privatizações, com que o governo tenta arruinar o país e concentrar ainda mais o capital

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