Grandolando

Convocado a partir de uma base social extraordinária que junta mais de cem activistas de diferentes áreas e sectores unidos como há decadas não se via, o “Que Se Lixe a Troika” enfrentou uma muralha de silêncios. Contudo, a “Grândola Vila Morena” cantada ao Parlamento, desencadeou um processo absolutamente inesperado replicando-se por todo o país, em muitos momentos. Da Grândola e da iniciativa do Que Se Lixe a Troika, o povo construiu um novo verbo: Grandolar.
Grandolar é um firme sinal de revolta popular de quem se sente indignado. Em poucos dias, este verbo transformou-se no maior pesadelo dos governantes, derrubando a muralha do silenciamento do protesto.
Com a troika ainda a marimbar-se para os protestos – quando se preocuparem ordenarão ao governo que lance a tropa de choque contra o povo tal como fizeram noutros países sob “intervenção” – o governo ficou sozinho a gerir a crise. A estratégia tem dois eixos centrais, identificar pessoas dentro do movimento – comunistas, bloquistas, gays, estrábicos, manetas, etc… – e criar um clima de terror – durante esta semana, não é difícil de adivinhar, sairão inúmeras notícias sobre os actos de terrorismo que estarão a ser planeados por zarolhos violentos e lá virá à baila o braço armado da mafiaria alertar para os perigos da manifestação.
Quanto à primeira linha estratégica, é indesmentível, encontrarão de tudo. E o que eles ainda não perceberam, é que as pessoas estão tão indignadas, que querem ver todos na rua. Comunistas, bloquistas, socialistas, social democratas, todos os militantes do PSD que têm feito frente aos ministros deste governo pelo país fora. Ao contrário do que teria sucedido em 2011, na altura do 12 de Março, a maioria fica muito contente que a CGTP declare o seu apoio à manifestação. É para todos muito claro que o 2 de Março não é uma manifestação de nenhum partido ou sindicato e nem sequer será uma manifestação do Que Se Lixe a Troika ou de cada um que organiza e convoca. Esta será uma manifestação em que o povo reinvidica o direito de decidir. É uma manifestção de todos para fazer cair o governo e fazer frente à troika.
Quanto à segunda linha estratégia é clássica e repetitiva. Ser-nos-á afirmada e reafirmada por quem não devemos respeitar. Veremos se a estratégia do medo vinga.

Por nós, para nós, por todos e para o Zeca ontem, no Largo do Carmo, cantou-se a Grândola mais sentida e cada vez mais alto:

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One Response to Grandolando

  1. Nuno Cardoso da Silva says:

    Oxalá a manifestação de 2 de Março centre toda a sua atenção no objectivo mais imediato, que é a demissão deste governo. Todos sabemos que isso só por si não resolve nada, e que o próximo governo será tão mau como este se for construido à volta do PS. Só com uma mudança sistémica podemos resolver os problemas estruturais e conjunturais do país, mas o primeiro passo tem de ser o derrube deste governo. Até para que os próximos governos saibam que também eles podem ser derrubados por um povo indignado. “First things first”, e a primeira coisa é mandar Passos Coelho, Relvas, Gaspar e todos os outros, para casa.

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