Polícia dos Costumes?

Ao contrário do meu amigo Renato Teixeira, considero que ainda bem que uns putos se mascararam à KKK no Carnaval e a polícia ao lado nada fez porque fascista era o Estado mandar na indumentaria de Carnaval de cada um. Aliás, se o tivesse feito, caberia a todos os democratas ir lá no dia seguinte e vestir-se de KKK porque um Estado não pode usar a repressão sobre 3 ou 4 putos que se mascaram no Carnaval! Porque conheço o Renato, um homem livre, não é nele que pensei, mas dei por mim a semana passada a ver Amacord, e a pensar que os Fellinis de hoje estão oprimidos pelas arrobas, as quotas para homo, hetero, mulheres, a linguagem depurada e por isso nunca mais o cinema teve a grandeza de antes. Com a polícia de costumes que aí anda, travestida de feministas progressistas, ecologistas e defensores dos direitos humanos, não existia esta cena mítica «voglio una dona» mas apenas presidentes a pedir desculpas em frente às televisões do mundo inteiro por terem feito sexo oral mas deixando claro que não engoliram!  O disparate de Arménio Carlos, que merecia umas piadas, vindas de quem não esconde que todos já tropeçámos nos nossos próprios disparates, foi transformado num combate político limite;  uma tipa que prendeu o nariz a um miúdo na escola para o fazer engolir o iogurte é descrita no facebook como um monstro que exerce violência sobre crianças; o GNR que deu o pontapé no porco está a ser investigado. Assim vamos todos, com roupas decentes, a caminho do puritanismo norte-americano, curiosamente a raiz cultural do KKK.

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8 Responses to Polícia dos Costumes?

  1. O repúdio ao disparate do Arménio Carlos, que mereceu bem mais que umas piadas; a censura a uma tipa que prendeu o nariz a um miúdo na escola para o fazer engolir o iogurte e o GNR – que eu sequer ouvi falar; o pontapé – estúpido e desnecessário – dado por um polícia a um porco que não constituía nenhuma ameaça – só porque sim; são inquietações que nos dão bons indicadores de humanidade, neste tempo tão desprovido dela.

    Para que não se escondam os disparates nos quais vamos tropeçando e porque eles são de facto parte das razões pelas quais e faz o combate político, não encontro nenhuma razão para ficar do lado do comentário racista, da autoridade sem sentido ou da violência gratuita.

    Eu não irei mascarado de KKK a lugar nenhum, também porque debaixo desse lençol não se salva nenhum direito democrático. Um fascista é um fascista, e “a humanidade só ficará livre depois dele ser enforcado nas tripas do último burocrata”. Sabes, estou certo, onde li esta frase pela primeira vez que tropecei nela.

    Há boas regras de convivência democrática. Uma delas é ficarmos progressivamente livres dos que entendem que podem roubar a liberdade dos outros. Por isso não pode ser dada nenhuma tolerância a Zicos – que tiram a vida à lei do dente, ou a qualquer declinação do KKK, que chocam, com maior ou menor grau de inocência, o ovo da serpente.

    Sim, um professor devia mandar – repito – mandar – um estudante sair de um cortejo com a mascara do KKK, os seus pais chamados à colação e se tudo falhar deixar que a polícia cumprisse com essa saudável conquista de Abril a que se chama proibição de todas as formas de fascismo. Nada, porém aconteceu, e eu sei que tu não concluis, por isso, que é grande o fôlego democrático do actual estado do regime burguês.

    Abraço.

    • raquelcardeiravarela says:

      É Carnaval Renato, Carnaval.

      • Sambista says:

        Ayatollah Khomeini, 1979

        “Allah did not create man so that he could have fun. The aim of creation was for mankind to be put to the test through hardship and prayer. An Islamic regime must be serious in every field. There are no jokes in Islam. There is no humor in Islam. There is no fun in Islam. There can be no fun and joy in whatever is serious.”

        Ayatollah Renato Teixeira, 2013 ?

        “A communist regime must be serious in every field. There are no jokes in Communism. There is no humor in Communism. There is no fun in Communism. There can be no fun and joy in whatever is (deadly) serious.”

  2. JgMenos says:

    Tão claro e tão necessário!

  3. mart says:

    Com que quer que nos ocupemos quando a realidade é tão difícil de suportar? Os mecanismos de funcionamento interno da nossa consciência fazem-nos a vida negra. Que inveja do polícia que pontapeia o porco! Não seria isso que gostaríamos de fazer com o patrão nosso de cada dia que nos esbulha? E o “escurinho” do Arménio Carlos não será metáfora para todos os “escurinhos” que por aí andam a vender-se baratos e que a nossa fina película do politicamente correcto não deixa que mostremos o nosso racismo latente? Caramba, se o fascismo anda por aí à solta e é aceite porque esconder uma das suas dimensões, o racismo, recalcando o “escurinho” em nós? Ah, pois, o KKK e as brincadeiras de crianças! Na sua boca e nos seus actos a verdade. Porque não deverão elas mostrar a nossa vontade, por enquanto ainda refreada, de perseguir? É lindo ver as crianças pondo a desfilar os nossos demónios! Ai dos imbecis que pensem que somos democratas de pura cepa.

  4. EMS says:

    Pronto, pronto, não se fala mais nisso. Os putos mascarados de KKK leram o post do Renato e mostram-se arrependidos.

    • sem nome says:

      Pergunto-me se até agora já passou pela cabeça de alguém que essas… enfim, “crianças” mascaradas de KKK poderiam estar a agir propositadamente com a época do ano em que estamos?
      Chamar a atenção não significa directamente atiçar uma revolução. O Carnaval (falando pela António Arroio) não tem esse fim; e se há quem necessite desesperadamente de retirar a máscara da indignação popular, para isso também temos mais 364 dias. Tenho grande curiosidade em saber se de facto, alguém filmou/fotografou ou leu nalguma notícia se os supostos alunos andaram a empalar gente desde as Olaias até ao Miradouro de Alcântara.
      Enfim, citando a Associação de Estudantes da escola, é muito mais triste a realidade de que entre 900 alunos, houve excessiva atenção em 3 ou 4 meramente pela vestimenta que envergavam. Curioso que ninguém reparou nos que iam vestidos de membros da Máfia, de assassinos independentes, de Hitler ou de outras personalidades políticas pouco escrupulosas.
      Só posso mesmo concluir é que quem nisto vir alguma ofensa, é porque literalmente, a carapuça lhe serviu… ou uma exagerada neurose.

  5. Mister Frog says:

    O moralismo parece continuar a ser o pecado original de alguma esquerda que, mesmo com tiques autoritários (“mandar-repito-mandar”) acredito realmente democrática.
    Vá lá Renato, sinceramente, um pequeno esforço de concentração para “ver” o contexto específico daquilo.
    É Carnaval, para além do bem e do mal…

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