Não existem «gastos sociais» do Estado, existem credores, nós, de serviços públicos

Existem pessoas que descontam através de múltiplas formas uma parte do seu salário para o Estado e ficam credores do Estado  que lhe presta um serviço em saúde, educação, lazer, transportes, reformas e pensões, etc. Ninguém vai ao Banco, deposita o ordenado, e depois levanta 100 euros e diz que o banco «gastou» com ele 100 euros. Nós quando levantamos dinheiro do banco levantamos o nosso salário, quando vamos ao médico levantamos parte do nosso salário, o Estado não gastou nada, devolveu-nos uma parte  (nem sequer a totalidade como provámos) dos serviços que já pagámos.

Dedico estas linhas aos trabalhadores da comunicação social, em especial. Gastos sociais do Estado seria o mesmo que dizer que um tipo vai à mercearia, paga 10 euros em compras de comida e depois no dia a seguir passa lá e o dono da mercearia comunica ao bairro que gastou 10 euros com aquele cliente. Pode-se insistir no erro, fica esse ónus, mas é um erro.

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6 Responses to Não existem «gastos sociais» do Estado, existem credores, nós, de serviços públicos

  1. mart says:

    E não só: Existem pessoas que descontam através de múltiplas formas uma parte do seu salário para os patrões e ficam credores dos patrões que se prestam a si próprios um serviço em massagens e saunas, marketing e publicidade, férias nas Maldivas e nas Copacabanas, automóveis de luxo, amantes e boas bebidas, etc. Enfim, só porque somos todos tão estúpidos é que precisamos e estamos dispostos a pagar para alguns que se acham tão inteligentes (seguindo Brecht). A maneira como nos ensinaram a aprender e o tipo de conhecimento através dela adquirida exclui outra maneira de pensar. O ensino, a aprendizagem e o conhecimento só funcionam dentro de determinados frames, ver George Lakoff. Por isso pedimos o que nos pertence quando devíamos exigir porque é nosso. É preciso ter cuidado, porque a pensar ainda corremos o risco de ser felizes.

    • RC says:

      Explica-me lá como é que isso se faz, para ser se ponho os funcionários da minha empresa a descontar “através de múltiplas formas uma parte dos seus salários” para mim e começar a frequentar serviços de “massagens e saunas”, a fazer “marketing e publicidade” (!?), a passar “férias nas Maldivas e nas Copacabanas”, a comprar “automóveis de luxo” e ter “amantes e boas bebidas”, etc.
      Se me explicares esse esquema direitinho eu agradeço.

  2. JgMenos says:

    Simples e muito bem explicado!
    Há todavia que notar que:
    – aquele, etc, que não é sinónimo de ad infinitum.
    – o merceeiro-Estado pode dizer a quem lhe entregou 10 euros que o gastou com um qualquer outro habitante do bairro, que nem um cêntimol he entregou .
    Conclusão: sendo simples, é só uma pequena parte de uma história em que a aritmética é tão intransigente quanto a da conta da mercearia.

  3. Rafael Ortega says:

    “Não existem «gastos sociais» do Estado, existem credores, nós, de serviços públicos”

    Essa conversa pode tornar-se perigosa para o seu lado.
    A acreditar no que escreveu um tipo que pague 100mil€ de impostos por ano e receba 50mil€ de serviços pode sentir-se expoliado (se é que não se sente já). Por outro lado o tipo que pagar mil€ de impostos e receber serviços no valor de 10mil€ fez um negócio excelente. Melhor que dívida pública!!!
    Quer legitimar um argumento de quem quer deixar de pagar o Estado Social?

    • raquelcardeiravarela says:

      Caro Rafael,
      O estudo contabiliza pagamentos totais e funções sociais totais. O exemplo que dei é para que se perceba o disparate de falar em «gastos» do Estado, como fosse uma entendade exterior ao trabalho que o alimenta!
      Cumprimentos

  4. Pingback: 1,4 milhões de desempregados portugueses, fixem estes nomes: Paulo Júlio e Tiago Ramalho | Sentidos Distintos

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