Bella Ciao

Muitos não saberão que a famosa canção da resistência partigiana teve origem num canto de trabalho das mondine – trabalhadoras rurais maioritariamente provenientes do Veneto e da Emilia Romagna que desenvolviam actividade sazonal nas plantações de arroz da Padania. Nas suas última estrofes cantavam assim:

Lavoro infame, per pochi soldi, o bella ciao bella ciao
Bella ciao ciao ciao, lavoro infame per pochi soldi
E la tua vita a consumar!

Ma verrà il giorno che tutte quante o bella ciao, bella ciao
Bella ciao ciao ciao, ma verrà il giorno che tutte quante
Lavoreremo in libertà!

Lembrei-me disto ao ver esta imagem (retirada daqui ao José Manuel Raposo Gonçalves), de trabalhadoras rurais a tomar nas suas mãos as terras abandonadas das herdades do Picote, em Montemor-o-Novo, e da Defesa, em Évora (ao que parece a 2 de Fevereiro de 1975).

Quanto mais se repete que depois do 25 de Abril Portugal esteve em risco de ter uma nova ditadura é bom que olhemos para a imagem destas mulheres a fazer a Reforma Agrária. Eram elas – e tantos outros e outras – que avançam destemidamente para conquistar os meios de produção enfrentando quem as explorava.

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37 Responses to Bella Ciao

  1. Bento says:

    As mulheres sempre na primeira linha na Reforma Agraria

  2. Rocha says:

    A participação dos comunistas portugueses na reforma agrária é para mim um motivo de orgulho. Não há socialismo sem camponeses e operários a tomar nas suas mãos os meios de produção que lhes pertencem. Os produtores dos bens mais essenciais são os que mais conseguem transformar a realidade.

    Socialismo é isso mesmo: desconhecer o que é a fome, o que o analfabetismo, a que é ser sem abrigo e o que é não ter emprego.

  3. JgMenos says:

    ‘trabalhadoras rurais a tomar nas suas mãos as terras abandonadas’ … ‘enfrentando quem as explorava’.
    Das duas uma ou estavam abandonadas ou enfrentaram quem as explorava.
    De facto, o Alentejo foi abandonado no pós 25 (e antes disso o absentismo era a regra) e o pessoal não teve mais que tratar de garantir trabalho.
    Não se entusiasmem, que nem todos os proprietários são absentistas e estão amolecidos na moleza lisboeta!

    • De says:

      Perdão menos mas a Reforma Agrária não pode ficar refém das bocas de um peralvilho a fazer-se passar por.
      O pessoal neoliberal da sua classe pode andar a garantir outras coisas. Mas não tente mais uma vez verter a sua bílis à laia de juizo histórico.
      Dê cumprimentos ao jaime neves
      🙂

    • De says:

      Já agora Menos atendendo ao facto que precisa de ajuda para a descodificação dos textos tal é a sua peculiar ira e raiva contra quem vive sem ser dos juros::
      “Das duas uma ou estavam abandonadas ou enfrentaram quem as explorava.”
      Mas vossemecê não percebeu ainda que os sujeitos são diferentes? E em tempos diferentes?
      A manipulaçaozita disfarçada de ignorância para ver se passa incólume?

      • JgMenos says:

        Dizendo mais devagarinho:
        Das duas uma,
        ou as terras estavam abandonadas
        caso em que não podiam enfrentar quem as explorava, por ausentes
        ou enfrentaram quem as explorava
        pois não tendo abandonado as terras encontrar-se-iam aquando a ocupação.
        Fora esta dificílima questão sintática, ocorre que ,um filho de um latifundiário ( o pai pirou-se para Sevilha) que permaneceu a duras penas no Alentejo em todo o PREC, me disse muito claramente que as terras foram maioritariamente abandonadas pelo que o pessoal não teve outro remédio senão ocupa-las; naturalmente ouve os casos mais variados, como aquele de uma dinâmica revolucionária que telefonou à avó, muito entusiasmada, dizendo-lhe ‘Vencemos’ porque ela própria conduzira o pessoal a ocupar as terras da avó.
        A má notícia, para os espíritos mais radicais, é que foram mais as vozes que as nozes…

      • Tiago Mota Saraiva says:

        Então o facto da terra estar abandonada quer dizer que não tem proprietário? Quer dizer que o seu proprietário não tem interesse em manter a terra?

      • JgMenos says:

        Claro que não é assim! Havia era gente que nunca lhe tinha passado pela cabeça que teria de lutar pelo que era seu, e que não sabia como fazê-lo. E tomados de medo abandonaram a terra.
        Convém que não haja a ilusão que a reforma agrária tenha sido um feito por aí além, no sentido de confrontação como agora é de uso invocar.
        É evidente que agora nada se passaria como então; já não há, nem a surpreendente novidade das ideias, nem soldados ou armas bastantes para criarem tal desordem,

      • De says:

        Menos .Não diga asneiras.
        Havia gente havia.Haia gente fascista pura e dura entre os latifundiários, que fez tudo para que o fascismo regressasse.Aí em baixo pode certificar-se de algumas das modalidades que os latifundiários usavam e abusavam
        Eles tentaram tudo para que continuassem como senhores da terra e como senhores do país.Portanto deixe de invocar a ordem salazarenta com que tem sonhos húmidos
        E deixe de contar anedotas de salão protagonizada por uma velha gaiteira que despeitada pela ocupação da sua herdade pela arraia miúda,tratou de dar à sua neta o título de “comandante dos revoltosos”.A burguesia decadente não suporta que os explorados lhe olhem de frente.
        Reconhece-se?
        🙂

        Há algum desespero para se servir assim do anedotário nacional não?

      • De says:

        Sorry Menos mas a ignorância tem limites.
        Eu percebo que lhe apeteça fugir pelo fundo do canto.Mas o que não pode é fazer (mais) trafulhice.
        🙂
        Leia lá bem devagarinho e ponha os sujeitos nas frases. Percebeu ou quer mais explicações.
        Ah e por favor deixe-de desses maus hábitos de citar um testemunho alheio que lhe segredou qualquer coisa a propósito de não sei o quê, como testemunho de algo que vai parar sabe-se bem aonde.
        Faz lembrar um daqueles chefes do PSD que em plena campanha eleitoral comunicou ao país que iria ganhar as eleições porque uma velhinha lho tinha dito.
        A dinâmica da contra-revolução agrária permanece assim um pouco anquilosada no que diz respeito ao argumentário
        Menos vá lá telefonar com entusiasmo à sua avó e peça-lhe umas nozes emprestadas.
        Ainda lhe morde a Reforma Agrária?A si e aos seus dilectos banqueiros?

      • Carlos Carapeto says:

        Caro JgMenos.

        Para desfazer as duvidas de quem nos lê, o melhor que devia fazer era colocar aqui qual era a produção agricola antes da Reforma Agrária, como foi durante esse período e qual é actualmente e os custos que todos nós suportamos com as politicas erradas que têm sido seguidas depois disso?

        Então por o filho de um latifundiário lhe ter segredado uma peta, temos obrigatoriamente que aceitar isso como verdade?

        Já aqui escrevi muito sobre essa experiência maravilhosa, o grande progresso conseguido por os trabalhadores dos campos na produção de bens alimentares, o enorme salto conseguido em passar-mos de uma agricultura arcaica, atrasada, feita em parte por métodos tradicionais baseada ainda na tração animal.
        E no curto espaço de três anos avançou-se para uma agricultura moderna desenvolvida, mecanizada, usando novos métodos de produção, novas culturas, e isso traduziu-se no aumento exponencial de produção, com menores custos e um aumento significatifo de postos de trabalho.
        Foi durante esse período que em Portugal se verificou um fluxo migratório inverso ao que se vinha verificando há décadas. Sabe porquê? A reforma Agrária teve a grandiosidade de criar 50 000 novos postos de trabalho.
        Por esse facto mesmo é que as pessoas saíram das cidades para os campos.

        Sabe qual foi a produção de trigo em 1973? Tantas como 90 000 toneladas. E em 1979 atingiu-se a maravilhosa cifra de 260 000 toneladas.
        Arroz de 23 000 para cerca de 40 000 toneladas, os efetivos pecuários triplicaram, construiram-se centenas senão milhares de represas e pequenas barragens, isto para não falar do parque de máquinas, estruturas de apoio social, como cantinas, infantários e refeitorios.

        Sabe a que custos para o Estado (nós)? Zero! Entendeu? Repito 0.

        Esse seu amigo não lhe disse isso?

        Para o esclarecer melhor ainda quanto à Reforma Agrária e às politicas agricolas que têm vindo a ser seguidas por os sucessivos governos depois disso.
        Tome nota; em 2011 Portugal produziu 185 000 toneladas de trigo altamente subsidiado (custos para todos nós) no ano de 1900, 180 234 toneladas, isto feito por camponeses descalços agarrados a arados de madeira, malhos, trilhos e gado para fazer a debulha.

        Portanto se não tivessem cometido o crime de destruir a Reforma Agrária de certeza que Portugal hoje não importava 80 % dos bens alimentares que consome.

        Será esta agricultura desenvolvida e competitiva que Cavaco Silva se referiu recentemente?

        Por isso mesmo aconselho-o a deixar-se de usar trocadilhos e frases feitas, saiba comportar-se com dignidade para tratar a questão com a seriedade que merece.

      • henrique pereira dos santos says:

        Carapeto, já algum dia se deu ao trabalho de fazer as mesmas contas para a campanha do trigo (a terceira, a de Salazar)? Verá o mesmo padrão: um aumento acentuado seguido de uma queda brusca que dura por muitos e muitos anos. É o que acontece quando se delapida o capital (nomeadamente o solo) a fazer da produção a curto prazo o único objectivo a atingir.
        henrique pereira dos santos

      • De says:

        É o que acontece a quem dá cabo da reforma agrária colocando-a ao serviço dos seus ignóbeis interesses.
        (Aí está uma boa desculpa para o abandono das terras por parte dos latifundiários parasitas.Tinham as terras de pousio.
        O goevrno PSD/BPN/ ainda não lhe solicitou os seus serviços?)

      • JgMenos says:

        Acho que a explicação do HPS diz o essencial.
        Seguramente não lhe é estranho o tema ’emulação socialista’; e estaremos de acordo em que ela se verificou como sempre acontece em momentos de grande comoção social e política.
        Mas em final é a economia que manda, e se a terra não as alimenta, as pessoas procuram outras soluções.

      • Bolota says:

        Carapeto,

        Será que o Menos sabe o que é trigo, debulha e malhos??? Acho que está a gastar cera com ruim defunto.
        Como diz o DE, ele sabe o que é o PSD/BPN o resto é paleio fiado.

      • De says:

        Com uma certa perplexidade vê-se Menos a saltar de pretexto em pretexto para transmitir o seu posicionamento ideológico .Infelizmente fá-lo da forma como o faz,mostrando a falta de respeito por quem trabalha e confirmando o respeito que ele tem pela rapina institucionalizada da banca e dos banqueiros.
        Custa tanta alarvidade tantos anos passados.
        Agora repousa nos argumentos de Henrique Santos.
        Mas não há o mínimo fio condutor naquilo que diz ou apenas se trata de falta de pudor? Ou o âmbito ainda é mais vasto?

    • Bolota says:

      Morcon,

      Vai lamber sabão.
      Nem dizes o que sabes e muita menos sabes o que dizes.
      Onde a reforma agraria produzia, estão agora grandes piscinas e as Antonias Leandro, aquela toda de preto, que na altura da morte de Catarina eram pobres, morreram pobres.

      Lamber sabão meu

      • JgMenos says:

        Menos Fica-te com os mitos heróicos que te aquecem a alma!
        Testemunhos prezo; devaneios me enfadam.

      • De says:

        Pena é que os “testemunhos” apresentados por Menos sejam devaneios bebidos nos salões dos latifundiários foragidos.
        E os pretensos devaneios de Menos sejam o produto do ódio de classe tão típica entre os da classe de Menos.Aprendido com os banqueiros que serve, sem ponta de enfado ou frigidez na alma.
        🙂

      • JgMenos says:

        Em compensação o Amorim (aquele que hoje é o mais rico) fartou-se de ganhar dinheiro a comprar cortiça aos heroicos reformadores agrícolas. A cortiça andava muito de noite naquele tempo.
        As grandes piscinas? Estarás a falar de Alqueva, Boolota?

      • de says:

        O Amorim fartou-se de ganhar dinheiro.Ele, a banca e os parasitas a quem as terras foram entregues posteriormente.
        De caras, sem necessiadade das insinuações assim para o torpe do personagem Menos .

      • JgMenos says:

        O negacionismo só oculta os factos aos olhos de quem prefere mitos à realidade.
        Fraca é a doutrina que requer tanta negação; tem que ir buscar forças à Fé que mobiiliza vontades sacrificando mentes.
        Mas fazer da mentira cânone doutrinário. é simplesmente desonesto!

      • De says:

        Basta JgMenos.
        As suas “críticas” à Reforma Agrária são sistematicamente denunciadas e postas a nu. Nem fés,nem negacionismos nem cânones doutrinários.

        Num acto que tem tanto de desespero como de ignóbil diz que se mente.
        “O Amorim fartou-se de ganhar dinheiro.Ele, a banca e os parasitas a quem as terras foram entregues posteriormente”
        O que o incomoda?O Amorim?Os parasitas que voltaram a ter a terra?Ou a banca?
        Ou as ditas”mentiras” estão acantonadas noutro sítio?
        Sobre a banca e os banqueiros já debatemos por aqui muita coisa.
        Por exemplo :”Ai aguenta, aguenta…até arrebentar”
        Publicado em Janeiro 30, 2013 por Rafael Fortes

        (O atirar para o lado ficou-se momentaneamente pelas grandes piscinas convertidas nesciamente pelo Menos no Alqueva.)

        A má fé e o ódio de classe expressos desta forma contra uma das coisas mais bonitas pós-25 de Abril é que não se tolerará.
        Por muitas piruetas que.

      • Bolota says:

        Morcon,

        Não, naõ estou a falar do Alqueva, mas do monte onde fui criado. Onde outrora havia fartura como se diz em Baleizão, hoje tem uma imponente piscina.
        Perguntei ao neto do individuo que detinha as terras antigamente, como se conseguiram erguer do nada visto a reforma agraria ter ababarbatado tudo…sabes qual foi a resposta???…Ao ve-lo tão atrapalhado pedi-lhe para não dizer nada já que eu sabia como conseguiram.

        Atina porra

      • JgMenos says:

        Pode ser que atine se me contares como se faz!
        Fico além disso curioso por saber o que provoca essa tua gentileza para com quem recupera de um tal abarbatamento.

      • Carlos Carapeto says:

        “JgMenos.
        Em compensação o Amorim (aquele que hoje é o mais rico) fartou-se de ganhar dinheiro a comprar cortiça aos heroicos reformadores agrícolas. A cortiça andava muito de noite naquele tempo.”

        Tem o descaramento de escrever esta alarvidade?
        Está a ultrapassar os limites da decência.
        Das duas uma; estou a dialogar com um ignorante imbecil que não tem conhecimento daquilo que diz, ou pior ainda é um trapalhão que se sustenta na mentira ignobil para fazer valer os seus pontos de vista politicos.

        Consegue provar o que escreveu?

        Ignora que a cortiça estava sob controle do Ministério da Agricultura.?
        De certeza que se soubesse não escrevia tamanha aldrabice.

        Talvez ao contrário daquilo que imagina não eram os trabalhadores das Cooperativas que estraiam a cortiça.
        Tal como ainda hoje acontece são as chamadas joldas, grupos, ranchos de tiradores de cortiça que vão de propriedade em propriedade fazer a estração, nesse tempo era precisamente igual.
        No entanto quem pagava, aos tiradores, a recolha (carreto) o empilhamento e a pesagem eram as Cooperativas.

        Até porque existia sempre alguém da parte do Ministério para controlar essas tarefas.
        Se esse “senhor” conseguiu fazer fortuna com negócios fraudolentos da cortiça, não foi com os trabalhadores das Cooperativas.

        Faltou-lhe dizer isto. Sabemos porquê, Vc não não lhe interessa dizer a verdade.

        Se soubesse destas coisas não vinha para aqui mentir como uma criancinha desesperada.

      • Carlos Carapeto says:

        Henrique Pereira Santos.

        Não confunda a campanha do trigo de Salazar com a Raforma Agrária.

        Não consegue distinguir uma situação da outra?

        Por outras palavras. Onde pretende chegar com o seu comentário?

        Talvez colocar Salazar ao mesmo nível dos assalariados rurais em 1975?

        Se é isso que pretende então temos muitas questões a debater, e imensas falácias a desmontar.

        Ou será que não sabe o que é a monocultura intensiva?
        Acha que as Cooperativas alguma vez usaram esses métodos de produção?

  4. Bolota says:

    Tiago,

    Obrigado pela oportunidade de rever a minha Prima/Madinha Antonia Leandro, recentemente falecida. OBRIGADO

  5. André Carapinha says:

    Os meus aplausos por este post.

  6. De says:

    O que dana de forma maior o personagem Menos:
    “Nos meses que se seguiram ao 25 de Abril, os assalariados agrícolas, organizados nos seus sindicatos recém-criados, foram confrontados com uma situação particularmente difícil que os obrigou a desenvolver importantes lutas contra os grandes agrários, que recusavam dar-lhes trabalho e procediam a uma generalizada acção de sabotagem económica que viria a assumir as mais graves expressões: os gados eram abandonados ou eram levadas clandestinamente para Espanha; a azeitona não era apanhada e olivais eram incendiados; as culturas eram abandonadas; as máquinas eram retiradas das explorações; hortas e outras culturas eram destruídas – ao mesmo tempo, muitos desses agrários pediam dinheiro aos bancos para trabalhos agrícolas e gastavam-no em proveito próprio.
    Com tudo isto, o desemprego aumentava e, tal como no passado fascista, a fome e a miséria instalavam-se nas casas dos trabalhadores. Assim, «a Reforma Agrária surge natural como a própria vida, aparece como necessidade objectiva de resolver o problema do desemprego e da produção, como solução indispensável e única».

    E nasceu no dia em que os trabalhadores, pela primeira vez na História do nosso País, tomaram a decisão histórica de ocupar as terras do latifúndio (de início apenas terras incultas e abandonadas) e de imediato as começaram a cultivar, num processo em que milhares de homens e mulheres, tomando nas próprias mãos os seus destinos, passaram a trabalhar mais de um milhão de hectares de terra, concretizando um inovador programa de transformação económica e de justiça social que iria resolver os problemas da produção e do emprego nos campos do Sul e incorporando na sua actividade uma perspectiva de desenvolvimento – enfim, organizando e dirigindo a produção agrícola; transformando radicalmente as estruturas agrárias; diversificando o processo de produção e, com isso tudo, pondo fim ao desemprego e conquistando melhorias radicais nas condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e das populações da região.”
    .
    Tratou-se, ainda, de uma acção que – num tempo em que a reacção tudo fazia para o regresso ao passado fascista – deu um contributo determinante para a defesa e consolidação da democracia conquistada em Abril.
    O êxito da Reforma Agrária manifestou-se, essencialmente, no aumento da área cultivada, no aumento da produção e na realização de trabalhos numa perspectiva de desenvolvimento. As UCP’s/Cooperativas tomaram medidas que conduziram a uma notável melhoria das condições de vida dos trabalhadores; estabeleceram salários fixos, diminuíram a diferença entre os salários dos homens e das mulheres, criaram creches, jardins de infância, centros de dia, postos médicos. E tudo isso foi possível porque nas unidades agrícolas da zona da Reforma Agrária, deixou de haver exploradores e explorados.
    Sempre atacados violentamente pelas forças reaccionárias, incluindo as que se encontravam no próprio aparelho estatal, que agiam no desprezo e na infracção da legislação que entretanto fora promulgada, os trabalhadores da Reforma Agrária deram provas de uma capacidade de luta e de uma criatividade singulares. Por outro lado, contaram sempre com uma imensa vaga de solidariedade nacional – por parte de operários industriais, jovens trabalhadores e estudantes, mulheres, intelectuais – e internacional, em particular dos países socialistas. Este foi um dos raros períodos da história do último meio século no Alentejo em que a região não conheceu o flagelo do desemprego, não perdeu população e viu muitos dos seus filhos regressar à terra”
    António Gervásio

    Há mais

    • JgMenos says:

      Depois que em menino li “Eurico, o Presbítero” dou por concluída a minha dose de romances históricos!!

      • De says:

        Menos?
        Romances históricos?
        Oh Menos francamente.Então vossemecê posta em sua defesa o filho do seu amigo latifundiário e o da avô da neta que.
        E perante o testemunho de alguém que cita dados e não desmentidos ,você mete o rabinho entra as pernas desta forma?
        Não é vossemecê que dá notícias de manifestações por antecipação?
        Oh Menos a tentativa de manipulação tem limites.A dose diária vai até onde?

      • Bolota says:

        Menos,

        Assoa-te a este guardanapo…

        CONCLUSÕES

        Três anos num processo de reforma agrária é período demasiado curto
        para tirar conclusões sobre a eficácia desta estratégia na promoção do
        desenvolvimento rural.
        Todavia, alguns resultados importantes se conseguiram, mesmo que com
        alguns erros, e esses resultados permitem-nos afirmar que o balanço é
        positivo.
        A abolição do sistema de latifúndio criou as condições necessárias para
        que se acelere o desenvolvimento das zonas rurais. Mas o desenvolvimento
        rural só se verificará se for apoiado pelas instituições políticas.
        A primeira prioridade deverá agora ser a de completar a consolidação
        e expropriação de terras previstas na lei. Nessas terras expropriadas deverão
        ser reinstalados pequenos produtores, não nas unidades colectivas exploradoras
        que eles rejeitam, mas dotando-os de parcelas individuais que lhes
        permitam aumentar as suas pequenas propriedades e desenvolver a utilização
        da mão-de-obra familiar.
        Consumada a consolidação da reforma agrária com a efectiva participação
        das massas rurais, a extensão rural e o planeamento e política agrícolas
        devem ser coerentes com esta nova estrutura agrícola, para assim promoverem
        um desenvolvimento rural dinâmico.
        Contudo, referimos como último ponto que a paragem que ultimamente
        sofreu o processo de reforma agrária travou aquilo que, ainda que com
        erros, consideramos um início de desenvolvimento rural no Alentejo.

        http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1223988882X4iOS7hv6Eo23ZS2.pdf

      • JgMenos says:

        Vai em frente Bolota!
        Tudo que não sejam arraiais comunitários tem a minha bênção!

  7. De says:

    Mais uma vez as “bocas feitas comentários a ver se pega” obrigam-me a esmiuçar a questão da “economia é que manda” e a “terra não alimenta as pessoas”.
    A tentativa de branqueamento da política criminosa contra a Reforma Agrária não pode passar impune.Nem a tentativa de justificação da emigração e do desemprego.(De nada servem as ameaças de birra, tomando como referência o grande Herculano)

    “1.ª Conferência dos Trabalhadores Agrícolas, em Évora. Aí, os mais de trinta mil trabalhadores presentes assumem de forma colectiva que «a resposta aos problemas do emprego e da produção é a reforma Agrária, que liquidará os latifúndios e dará a terra a quem a trabalha». A partir daí, mais de 1 milhão e 100 mil hectares de terra foram ocupadas. Milhares de hectares abandonados ou incultos foram desbravados, com o consequente aumento da área cultivada. A área cultivada de trigo passou de 407 mil para 517 mil ha, a de aveia aumentou 12%, a de cevada 34%. Aumentou a produtividade, em 20% no caso do trigo, 40% no caso da aveia e 39% na cevada. Alargou-se a produção de azeite, de arroz, de tomate e de outras culturas. Cresceu o efectivo pecuário com um significativo incremento do número de cabeças de gado. Adquiriram-se equipamentos e fizeram-se investimentos e melhoramentos nas infraestruturas. Alargou-se o emprego, com mais de 50 mil postos de trabalho criados, melhorando significativamente as condições de vida dos trabalhadores e das populações. A Reforma Agrária respondeu aos desafios colocados à agricultura, mas respondeu também ao desenvolvimento daquela região. Abriram-se caminhos, construíram-se habitações, criaram-se creches e jardins de infância, centros de dia e outros equipamentos.A Reforma Agrária deu, além do mais, depois de muitos séculos, a dignidade àquele povo. Fez de operários agrícolas dirigentes do seu presente e construtores do seu futuro. Deu às mulheres o espaço e os direitos que lhes eram devidos.Como em nenhum outro momento da nossa história colectiva, falaram os explorados e acabaram com a exploração….

    A Reforma Agrária foi alvo de uma acção criminosa movida pelos sucessivos governos.Usando sistematicamente o boicote directo – por exemplo não atribuindo os apoios e empréstimos devidos; desrespeitando a lei e agindo na mais completa ilegalidade, contra a própria Constituição, contra as decisões dos tribunais e os mais de 500 acórdãos que davam razão às UCP’s; fazendo depois leis ilegítimas para enquadrar os seus actos; usando a violência como recurso recorrente –, PS, PSD e CDS puseram em marcha o plano de destruição da Reforma Agrária, não se detendo mesmo perante a morte.A 27 de Setembro de 1979, era Maria de Lurdes Pintassilgo Primeira-Ministra, os trabalhadores da Cooperativa do Escoural, com a solidariedade de muitos outros, entre os quais António Maria Casquinha e José Geraldo Caravela, opunham-se ao roubo do gado, por parte do agrário que retomava as terras e que contava com a protecção da GNR.Aqueles dois trabalhadores rurais foram mortos pela GNR, à queima roupa, numa espécie de sinistra revisitação da história.PS, PSD e CDS, roubaram, destruíram, desestabilizaram, agindo com objectivos determinados, designadamente «reconstituir a propriedade latifundiária, bloquear o desenvolvimento, estimular a emigração, agravar o despovoamento e a desertificação, e assim, alterar a estrutura social da região e a relação de forças social e política existentes» (9).

    Como atrás se referenciou, a terra é um bem limitado, essencial à produção em quantidade e qualidade de alimentos, para dar resposta às necessidades humanas, sendo essa a sua principal função social. Ou seja, da sua utilização depende a vida da humanidade. É, aliás, por isso que temos afirmado que a agricultura tem de sair da Organização Mundial do Comércio, espaço onde tem sido debatida e acertada a estratégia capitalista para a agricultura mundial.A errada utilização dos solos, um pouco por todo o planeta, com a sua sobre-exploração pelo grande agro-negócio, em muitos casos com o esgotamento da sua capacidade produtiva; as significativas alterações climatéricas que tornam cada vez mais incertas as produções; o crescimento de múltiplos consórcios agro-industriais que detêm milhões de hectares de terra, gigantescas produções e até a patente de muitas das sementes geneticamente modificadas e que poderão pôr em causa o equilíbrio de produção no mundo, colocam novamente na ordem do dia a questão da posse e do uso da terra.Posse e uso, não para ter, mostrar e gerar rendimentos, como foi e continua a ser entendida pelos agrários do nosso país e pelos capitalistas agrários em geral, mas para, desenvolvendo a produção agrícola, colocar ao serviço da humanidade.Para se entender melhor, recorremos à expressão de um trabalhador agrícola de Montemor-o-Novo. «Os trabalhadores ribatejanos e alentejanos nunca pensaram na terra para si, nunca foram gananciosos por ter um bocadinho de terra…, a terra é do nosso país». Para responder às exigências de fazer crescer a produção nacional, de defender a soberania alimentar de Portugal, de dar o direito ao nosso povo de produzir o que melhor servir os seus interesses, de alargar o emprego e o desenvolvimento, de afastar a pobreza, o uso e posse desse bem especial, esse bem único que é a terra, deve estar na mão do colectivo, ao serviço do bem comum e disponível para quem a queira trabalhar. Uma reivindicação com futuro

    É neste quadro que continuamos a afirmar que a reivindicação da Reforma Agrária é uma reivindicação do nosso tempo e com futuro. Todas as condições objectivas se mantêm. A terra aí está. A terra não desapareceu, nem foi substituída, como não podia ser, por nenhum outro meio de produção.O latifúndio subsiste. Apenas 2,4% das explorações alentejanas (cerca de 870 com mais de 500 ha) possuem 39% da terra disponível (apenas 250 000 ha saíram deste bloco), muita da qual dedicada apenas à cultura do subsídio, sem produzir um grama sequer de alimentos.A exploração de milhares de operários agrícolas continua a ser uma realidade. Como não podia deixar de ser, a introdução da mecanização intensiva das explorações reduziu de forma muito significativa o peso desta camada. Mas contamos hoje ainda com cerca de 22 400 assalariados agrícolas (11). A que temos que somar alguns milhares de trabalhados imigrantes, a viver, quantas vezes situações degradantes. Para além disso, nos cinco distritos da zona da Reforma Agrária havia, em Janeiro deste ano, 6459 desempregados registados dos sectores da agricultura, pecuária e florestas.A injusta distribuição da riqueza é gritante. O Alentejo, apesar das suas potencialidades, é hoje uma das zonas mais deprimidas do país. O desemprego alastra e situa-se em valores acima da média nacional. Um estudo do Banco de Portugal sobre a pobreza no país, no período 2005/2006, conclui que, das regiões continentais, o Alentejo tem a maior percentagem de pobres, nada menos que 26% da população.

    A «Reforma Agrária é uma exigência do tempo presente» para defender a produção nacional e a soberania alimentar do nosso povo; para garantir a posse nacional daqueles campos, protegendo-os da gula dos que, adquirindo as melhores terras dos perímetros de rega, e designadamente do Alqueva, as exploram de forma intensiva até à exaustão e, qual beduíno, levantarão a tenda assim que o nível de exploração os não satisfizer, deixando para o país os problemas ambientais e sociais daí decorrentes; para garantir a criação de emprego e o desenvolvimento.A exigência de uma nova Reforma Agrária não é uma afirmação de nostalgia saudosista.Ela parte da avaliação concreta desse processo único, dessa heróica jornada, dessa obra colectiva que, em menos de um ano, mudou a face do sul do país, com a ocupação e o cultivo de mais de um milhão de hectares de terras, que aumentou a área cultivada com o desbravamento de gigantescas extensões de terras abandonadas e incultas, que incrementou a produção e incorporou na sua actividade uma perspectiva de desenvolvimento.Ela é uma afirmação de defesa do regime democrático

    João Frazão

    • Carlos Carapeto says:

      De:

      Está tudo dito. Clarissimo.

      É lamentável que esta questão não seja mais vezes debatida, não apareça com mais frequencia para discussão, é um assunto que está muito longe do fim.

      A Reforma Agrária foi uma das maiores conquistas da revolução de Abril, foi um acontecimento que arrastava atrás de si todos os outros setores da sociedade Portuguesa, unia no mesmo ponto inteletuais, militares, classe média, operários e camponeses, trouxe até nós especialistas de todas as partes do mundo, tentado conhecer o desenrolar desse processo politico e social.
      Eu participei por diversas vezes em jornadas de trabalho voluntário (além de ter prestado assistencia gratuita na minha área profissional) , onde se juntavam centenas de pessoas, militares, inteletuais, professores, engenheiros, operários, trabalhadores indiferenciados, camponeses, muitos estrangeiros, era empolgante ver serem todos tratados da mesma forma e com o mesmo respeito, não existiam distinções.

      Às refeições comiam todos em grupo sem qualquer tipo de preconceito ou diferenciação de qualquer ordem, dormiam espalhados por o campo conforme podiam e desejavam.

      À noite formavam grupos para debater e discutir todo o tipo de questões, era uma escola em que todos ensinavam e aprendiam.

      Esta dinamica de convivio são e de confiança mutua entre as pessoas onde se caldeiam todos os estratos da sociedade para discutir sem complexos as mais variadas questões que dizem respeito a todos , produz sempre um “perigoso” progresso social, portanto é inaceitável para a burguesia.

      Por esse facto a Reforma Agrária estava condenada porque ousou avançar no sentido que a classe dominante não desejava, isso assustou-os, portanto tinha que ser destruida.

      Primeiro: criaram as condições que fosse minada a partir de dentro por todo o tipo de sabotadores e oportunistas para que fosse desacreditada, infiltrando elementos seus nas Cooperativas.
      Depois retiraram terras às UCPs para criarem as chamadas “Cooperativas” socialistas ( formadas por gente do PS/PSD onde não havia vontade nem conhecimentos, num sopro foram todas à falência)
      Depois foi através da repressão brutal, retalhando-as até as tornar inviáveis, com o pretexto de dar terras aos seareiros, mais tarde acabaram estes por ser brutalmente reprimidos para entregar as parcelas aos latifundiários.

      E por fim foi afastando compulsivamente as direções democraticamente eleitas por os trabalhadores substituindo-as por elementos nomeados por o governo como sucedeu na UCP 1º de Maio.
      Nessa abarbataram-se com 180 000 contos (900 000 €) que estavam na Caixa Agricola de Avis.

      São crimes que jamais podem prescrever. Se não paga quem os cometeu, hão-de pagar quem os vier a substituir.

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