A lumpen-burguesia não cheira mal dos sovacos

A sério, não há nada que me foda mais do que aqueles que não trabalham e vivem à custa do Estado. Vejo-os agitar os rebentos com orgulho. É um rebanho de gente que se arrasta num idílico dolce fare niente patrocinado pelo nosso suor. Geralmente, dedicam-se a actividades marginais e são profissionais do crime. Apesar dos mais que conhecidos esquemas para nos subtrair dinheiro, as instituições nada fazem para acabar com esta vergonha moral que corrói os alicerces da nossa sociedade. É hora de dar fim a esta classe abjecta.

Imagine que dávamos lugar à justiça popular. Que entrávamos nas suas casas e que os expulsávamos deste país. Talvez não. Isso seria brutal. A razão e a cabeça fria deve guiar a nossa acção. Imagine, contudo, que os obrigávamos a trabalhar. Talvez fosse excessivo. Mas imagine que lhes dávamos a popular sentença: quem não trabalha, não come. Quão simples é a solução que se apresenta aos trabalhadores que não querem continuar a alimentar preguiçosos. Quem não trabalha, não come.

Por isso, chegou a tua hora. Tu que enches a boca todos os dias de insultos contra o lumpen deves encher-te de coragem e agir. Como guardiães do respeito por quem veste as cicatrizes e por quem se entrega à dor de levantar um país que se afunda, devemos saber que os espaços onde vive e delinqúi essa gente são um antro de podridão. Da Quinta da Marinha à Quinta da Beloura, do Restelo à Lapa. É aí – mas não só – que se concentra a lumpen-burguesia.

Já te disse que não há nada que me foda mais do que aqueles que não trabalham e vivem à custa do Estado? Então, posso falar-te dos que dizem querer menos Estado para os pobres e mais Estado para os ricos. Desses filhos da puta, reza a história que não são criminosos porque a lei os protege. E quando não os protege, fogem para Cabo Verde. Têm contas na Suíça e matam no Brasil. Se não é do PS, é do PSD. Se não é do PSD, é do CDS-PP. Se não é empresário, é banqueiro. Senão, é advogado do empresário e do banqueiro. Os filhos saltam de gabinete em gabinete e enchem as capas das revistas da moda.

Posso falar-te dos que roubaram o dinheiro do Estado para dar oxigénio aos bancos e perdoar a dívida dos ricos. Posso falar-te dos que usaram o dinheiro do Estado para financiar colégios privados. Posso falar-te dos que entregaram o dinheiro do Estado às construtoras para encher o país de betão. Posso falar-te dos que concessionaram auto-estradas aos privados durante décadas. Posso falar-te dos que distribuíram o dinheiro do Estado a clínicas e hospitais privados e seguros para tratarem de utentes do Serviço Nacional e outros subsistemas públicos de saúde.

Os mesmos que tratam de exigir aos trabalhadores portugueses que produzam mais por menos dinheiro, meteram-nos na União Europeia. Pintaram-na com garridas cores e apresentaram-na como se fosse a mais bonita feira popular da aldeia. Algo asseado e moderno. Um país novo sem palavras velhas: operariado, patronato, exploração e luta de classes. Fecharam as fábricas, afogaram as pescas, enterraram a agricultura e implodiram as minas. Um panteão de colaboradores, empregadores, empreendedorismo e paz social.

São os que lançam no desemprego e na emigração os que querem produzir. Desses carrascos que nos foderam o futuro – que agora é presente – não há constância de que cheirassem mal dos sovacos. Trabalhar nunca foi com eles. Sempre foi connosco. E é a nós que cabe virar mais uma página desta história. Sem medo de sermos o que somos e de caminhar ao lado dos que nos são: os que cheiram mal dos sovacos.

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15 Responses to A lumpen-burguesia não cheira mal dos sovacos

  1. De says:

    Um excelente comentário.
    Dar o nome aos bois.Sempre.Sem peias nem tibiezas

  2. Bento says:

    Excelente Bruno

    A luta continua

  3. Zé Povinho says:

    Subscrevo totalmente, e digo mais, esses tipos devem ser saneados à mínima oportunidade, ou seja, mais do que levar a cabo um processo de humilhação dessa feira das vaidades que é a elite portuguesa corrupta, é elimina-la assim que possível, sem floreados ou compassos de espera. Seria muito giro pôr o Ulrich a fazer de mendigo? Seria, mas na minha opinião é preferível uma liquidação humana imediata (injeção letal), que uma humilhação folclórica pouco eficiente e consequente, porque o exemplo tem de ser duradouro. Para isso basta argumentar um regime de emergência onde a justiça seja aplicada a quem pela sua responsabilidade cometeu ao longo da sua vida crimes contra a humanidade. Terroristas sociais não se combatem com penas de prisão, que a história contemporânea portuguesa tem provado serem meros formalismos jurídicos, onde os poucos traidores à pátria condenados cumprem as penas em apartamentos de luxo com pulseira eletrónica de colocação duvidosa. Sim, o estado de direito atual não é respeitado porque não se fez respeitar, por ser incapaz de dar exemplos de justiça, bem pelo contrário, é hoje o principal instrumento dos que querem perpetuar a sua situação de parasitas da população portuguesa.

  4. filipasaojose says:

    Ai Bruno, que temos o mesmo grito entalado nas goelas! «Imagine que dávamos lugar à justiça popular. Que entrávamos nas suas casas e que os expulsávamos deste país. Talvez não. Isso seria brutal» … fico presa nisto, a alternativa, a tal de «A razão e a cabeça fria deve guiar a nossa acção», no coletivo, estou em todas; mas não chega! sinto-me a implodir, de impotência… como é que pode? eu (nós) posso! Infelizmente, sinto-me mais capaz de “empurrar” do que “puxar”… Mas sou boa a empurrar! Vou “espalhar” o teu texto…

  5. JgMenos says:

    «Sem medo de sermos o que somos e de caminhar ao lado dos que nos são: os que cheiram mal dos sovacos.»
    Grande no seu fedorento apelo!
    Extraordinariamente mobilizador!
    Já imagino os 600.000 funcionários públicos a ‘darem de asa’ emitindo um inequívoco sinal de mútuo reconhecimento. A adesão dos reformados e do pessoal do RSI é garantida.
    Todos os trabalhadores têm garantido o direito constitucional a um sovaco livre de desodorizantes.
    Nos desempregados há hesitações por causa de umas humilhantes entrevistas a que os obrigam periodicamente.
    Empestemos as ruas como primeiro passo para a tomada do poder.
    A burguesia vai emigrar quando a justiça popular decretar duras penas de inalação de sovaqueira.

    • De says:

      Menos
      Não dê mostras de tamanha boçalidade
      Se não percebeu, percebesse.

      Eis o seu patibular ódio de monta contra funcionários públicos ou contra reformados.
      Cada vez mais elucidativo..Agora até bufa perante os reformados.Enquanto tenta elogiar os pulhas dos banqueiros ( ” o “direito ao lucro” dirá por aí Menos acentuando o tom de falsete com a histeria adequada ao caso).Ou a tentar defender o sacana do jaime neves por essas paginas, entretanto desmascarado
      Agora vá, a correr por o desodorizante para camuflar o seu cheiro.

      • JgMenos says:

        DE, não insistas em pintar-me nessas cores tão negras que acabas deprimida sem necessidade.
        A imagem dos sovacos é uma ideia ridícula, passadista e deslocada na relação burguês/ proletário do presente.
        Façam a defesa da revolução de hoje, se sabem como fazê-la; esse recurso a imagens de um passado mítico é coisa que mais serve de tema humorístico do que de inspiração mobilizadora.

  6. Bento says:

    70 anos da heróica batalha de Stalingrad

  7. Pedro Duarte says:

    Caralhos me fodam, isso é que é escrever!

  8. JgMenos says:

    O que tens entalado na goela é impotência que te vem do que te falta – coragem.
    Empurras porque isso pressupõe que alguém vai na frente!
    E os que ambicionam a justiça popular são esses mesmos a quem a acção individual aterroriza e para quem a as massas aparecem como único meio de acção que traz de bónus a irresponsabilização.
    Lamentável!

    • De says:

      Lamentável
      Mas ainda bem que Menos está incomodado.
      Menos foi ler o que tinha colocado às 7 e 36.Às 10 e 39 resolve que o textozinho que ele colocou aí,a cheirar à sua pessoa, fica aquém do pretendido.A pretensa galhofa assemelha-se a idiotice pura.
      Menos revê a estratégia e posta algo com tons de impotência entalada na goela.E clama por coragem como bónus.
      🙂
      Lamentável?
      Ou patético?

    • De says:

      Um parêntesis curioso…é reparar no ódio ou medo ou pavor perante a luta de massas, enquanto tentam elogiar a acção individual(ista)
      Eles no fundo sabem de onde pode vir o perigo.Ainda têm pesadelos com a tomada da Bastilha ou com a conquista do Palácio de Inverno
      (até ainda tremem com as imagens do Largo do Carmo em 74)

  9. Pedro Duarte says:

    Não se preocupem, o meu comentário é um gajo paciente e não se importa de aguardar.

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