A extrema direita não reconstruirá a história de Abril

Não sendo adepto de ajustes de contas na hora da morte, é absolutamente delirante a campanha ideológica que está em curso na sequência da morte de Jaime Neves. Uns chamam-lhe um “militar de Abril” e outros apresentam-no como o militar que defendeu “Abril” em artigos para os quais não tenho vontade de fazer ligações – o Vítor Dias explica.
O que é claro é que todos os órgãos de comunicação social repetem a ideia que os comunistas procuraram instaurar uma ditadura em Portugal. É bom que se recorde que esta tese tem origem, única e exclusivamente, no discurso da extrema direita da época ou dos “Donos de Portugal” que, por uma vez na sua vida, viram os interesses ameaçados durante o PREC.
Cumpre-me neste momento recordar a morte de um cidadão que se encontrava no Centro Comercial da Amadora pelo disparo de uma granada de morteiro ou a morte por rajada de metralhadora do militante da UDP Joaquim Leal tendo, ambas as acções, tido como origem o interior do quartel do Regimento de Comandos da Amadora, há época, comandado por Jaime Neves (ler o debate parlamentar que originou).

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9 Responses to A extrema direita não reconstruirá a história de Abril

  1. Victor Cabral says:

    No funeral só vi militares e políticos ligados à extrema direita. Porquê?!
    O Povo, não compareceu, porque não foi informado … penso eu !

  2. De says:

    Jaime neves foi o homem de mão, boçal, primário e outras coisas mais, que serviu como fazem os cappos de várias origens.Ele de facto queria ir mais longe.Cada vez mais longe e tão longe quanto fosse possível ir no retorno a. Se possível com o grau de vingança adequado ao pretendido pelas suas hostes.
    Mas este comentário não é sobre essa “coisa” .É sobre outra forma de lixo,desta vez mediático. Atente-se na forma de agir dos media ditos de referência.Como sobre as mais variadas notícias se colocam do lado das forças troikistas, das leituras troikistas da realidade e servindo da forma mais despudorada o prato forte da difamação e do torpedeamento a tudo o que lhes cheire a alternativa.
    Os exemplos são muitos e alguns cada vez mais ridículos.Mas demonstrativos do posicionamento ideológico dos referidos media e do patamar da luta que travamos.Entretanto em vez de atentos a tal realidade, para também sobre ela agirmos com todas as forças, vemos pequenas guerras de alecrim e manjerona com tiros perfeitamente secundários e a dar toda a margem de manobra ao inimigo.
    A farsa mediática prossegue.Com a violência proporcional (mas quantas vezes camuflada) à violência com que tentam conduzir as suas políticas de classe.

  3. Mário Machaqueiro says:

    Lembro-me bem da morte no Centro Comercial que ficava em plena zona central da Amadora, muito perto do jardim junto à estação de comboios, um sítio por onde eu passava com frequência. O morteiro voou a partir do quartel dos comandos, a uma enorme distância do lugar de impacto, e atravessou a zona aberta do Centro Comercial indo cair na esplanada situada no pátio. Tenho a ideia, mas não a certeza, de que fez mais do que uma vítima mortal, deixando outras pessoas gravemente feridas e mutiladas. Na altura, a direcção dos comandos desculpou-se alegando ter sido um acidente. A população da Amadora, indignada, concentrou-se junto ao quartel, exigindo o óbvio: que aquele aquartelamento dirigido por lunáticos perigosos fosse deslocado para longe da zona habitacional. É claro que nada disso aconteceu e os comandos foram ficando por lá, prolongando a sua existência dispendiosa e inútil.

  4. closer says:

    Tiago

    Sem pôr em causa a justeza do teu post, apenas uma correcção: à data do seu assassinato na estação da CP de Amadora, Joaquim Leal era militante da OCMLP e não de nenhum grupo que estava na origem da UDP.

    De qualquer modo, agradeço a evocação de um amigo,

  5. um português says:

    pois a comunagem é que é tudo gente boa ! depois o resto é tudo fascistas malvados !

  6. JgMenos says:

    A maioria dos opinadores não sabe o que fazer com a Instituição Militar.
    Ora, uma revolta militar como foi o 25 de Abril, foi feita por gente que tinham a Instituição em alto apreço pois ela os formara e a ela dedicaram parte importante das sua vidas.
    Quando ouço falar de Abril de 1975 certa gente, tenho por certo que atrasam o seu calendário emocional aí situando factos muito posteriores.
    E ignoram o quão eram próximos os personagens de Abril, e o quanto se distanciaram no tempo que se seguiu.
    O Jaime Neves foi dos que menos mudou no tempo, e sempre sentiu a sua Revolução largamente atraiçoada.
    É pois mais militar de Abril do que muitos do subsequentes e patéticos revolucionários.
    Tão simples quanto isso!

    • De says:

      Menos.Vamos lá a ver se acerta.A sua opinião sobre a opinião da “maioria dos opinadores” é uma opinião louvável pelo facto de ser uma opinião,mas é uma opinião fátua.
      Nem você sabe qual a opinião da maioria dos ditos ,nem a coisa se rege pela opinião dos cujos.

      Quando ouve falar em Abril de 75?Oh Menos que raio de data foi escolher.Não tem aí um calendariozinho?Não sabe História?O seu calendário emocional verte e o resultado é este patético marco, ao qual vossemecê atraca factos tanto anteriores como posteriores.

      Jaime Neves é mais militar de Abril do que patati-patata?Oh Menos não insulte nem a História nem a inteligência.Os sentimentos pessoais que nutre pelo neves ficam-lhe justos sobretudo ao perfil que vai desenhando de vossemecê.
      Portanto vá,lavar a boca para não dizer asneiras deste calibre sobre a “revolução do jaime neves”.Revolução do canalhazito?Deve estar a brincar

      Alguns exemplos de testemunhos sobre o sujeito admirado pelo Menos:
      “O Jaime Neves era efectivamente um sacana e um f. da p. sem categoria nenhuma como militar. Era, inclusivamente, um cobarde, como demonstrou no próprio dia 25 de Abril.
      Eu (então aspirante), fiz o CIOE com ele, (Janeiro de 1962), ambos alunos, recém promovido a capitão. Passava o tempo a ameaçar os colegas, tipo: “Se você calha na minha companhia, leva uma porrada”. Era um saloio desagradável e nada competente. Nenhum dos colegas alunos o suportava.
      Os outros capitães que faziam o curso (Eanes, Vaz Serra e outros) não gostavam dele e passavam a vida a adverti-lo sobre a sua e brutalidade e incorrecção.
      Era um tipo cheio de complexos, certamente pela sua baixa estatura e por ter sido fraco aluno na academia militar.
      Luís Nogueira

      Falei em testemunhos.Ponho aqui um apenas.Os outros ficam para a próxima
      🙂

      Tão simples quanto isso?Isso queria vossemecê

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