Quando os rios confluem

No passado fim-de-semana terá acontecido um importante encontro que reuniu dezenas de activistas a convite de muitos dos que organizaram a manifestação de 15 de Setembro do ano passado. Gente de diversos sectores profissionais, de diferentes idades, gerações e geografias, com e sem partido, sindicalistas e activistas de diferentes causas, juntaram-se para discutir e organizar formas de resistência e combate à política da troika.
É sabido que em Portugal a capacidade de vencer divergências em prol de uma frente unitária  tem sido um atributo praticamente exclusivo da direita – sobretudo sempre que está em cima da mesa a distribuição de lugares e partilha de poder. O carácter deste encontro e a vontade mostrada pelos seus participantes de gerar convergências em torno de objectivos comuns, provavelmente só encontrará paralelo na nossa história recente na acção política do Movimento de Unidade Democrática contra Salazar.
Deste encontro a única decisão tornada pública é a convocatória de manifestações para o dia 2 de Março, subscrita por cerca de cem cidadãos. Nas redes sociais, em poucas horas e ainda sem que tivesse sido publicada qualquer notícia sobre o assunto, a convocatória foi partilhada por milhares de pessoas e, só no primeiro dia, foram marcadas manifestações para mais de dez cidades de Portugal e duas fora do país (Boston e Londres).
O texto da convocatória é mais claro que o de 12 de Março e 15 de Setembro. Não será fácil à troika e ao governo passarem entre os pingos da chuva destas águas de Março.
Quando os rios confluem, o povo é quem mais ordena.

Declaração de interesses: sou um dos subscritores da convocatória.

Ontem no i

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4 Responses to Quando os rios confluem

  1. PB says:

    Estive ontem na manifestação de professores e o que deixo de seguida é apenas um desabafo, espero que compreendam a ironia. Desejo sinceramente que não seja verdade e não aconteça o que relato. Com os meus cumprimentos
    PB
    Entregamo-nos submissos nas vossas mãos, ó políticos
    Vós que fazei o que bem vos apetece
    Que decidem tudo por nós
    Não temos decisão
    Nada fazemos para mudar
    Só nos resta confiar em vós, ó políticos
    Não nos matem de repente
    Sim, deixem-nos morrer, mas devagarinho
    Já que nada decidimos
    Já que temos a espinha dorsal partida
    Já que estamos desunidos
    Neste momento em que alegremente nos encaminham para o matadouro
    E não reagimos
    Só nos resta confiar em vós, ó políticos
    Nas vossas palavras sábias sobre as virtudes dos mercados
    Sobre como o nosso futuro será brilhante e glorioso se nós entregarmos a vós
    Nos vossos desígnios grandiosos para o futuro da nação
    Matem-nos devagarinho, por favor
    Sabemos que estamos perdidos porque estamos desunidos
    Quando todos devíamos sair de casa
    e ir para a rua gritar com toda a força
    reagir
    lutar
    Nós, merecemos-vos, ó políticos
    Merecemos as vossas mentiras
    A vossa incompetência
    O vosso sorriso cínico na tv
    E toda a comunicação social que vos limpa a sujidade
    Que nos invade a casa a toda a hora
    Porque não desligarmos a porcaria que vos limpa
    E nos confunde a nós
    O povo está perdido
    O país ruma sem sentido
    Não há reação
    Só nos resta confiar em vós, ó políticos
    E esperar que algum de entre vós se condoa de nós
    Tenha uma alma caridosa
    De nós, a caminho do matadouro
    Vamos acreditar em vós, ó políticos
    Vamos torcer para que não sejam tão maus assim
    Já que não somos capazes de mais nada
    Logo à noite temos o futebol na tv
    A casa dos segredos
    A doce tentação
    O dança comigo
    A tua cara não me é estranha
    O oráculo da nação às oito horas na tvi
    Os porcos que morreram na auto –estrada
    Os milhares de professores que estiveram na manifestação
    Mas os muitos mais que não foram, que ficaram por casa
    A dizer que vai ficar tudo na mesma
    Que não vale a pena lutar
    O povo está perdido, vencido
    A espinha dorsal partida
    Viram-se reformados a lutar por nós
    Mas os que não são velhos, onde estão?
    Os universitários
    Em praxes emproadas e engalanados com insígnias
    Com orelhas de burras espetadas
    “Caloiro não pensa
    Caloiro nunca tem razão”
    Ainda nos resta o futebol
    E a televisão que nos acompanha na solidão cada vez maior da nação
    Estamos perdidos,
    Não lutamos, não reagimos
    O povo desunido
    Só nos resta confiar em vós, ó políticos
    Não nos matem, por favor
    Ou então matem-nos devagarinho
    Como vocês tão bem sabem fazer
    Quem dá conta emigra
    Emigra
    O desígnio talvez seja esvaziar a população
    E deixar os mercados ocupar livremente a nação
    Só ficam os velhos
    O povo mata-se a si próprio
    Sem esperança
    Que morra a nação
    No brilho glamoroso dos mercados
    E nos sorrisos lavados dos políticos que aparecem a toda a hora na televisão.

  2. Nazaré Oliveira says:

    Lá estarei, tal como na fantástica manif de 15 de Setembro!
    “No pasaran!”

    CONTEM COMIGO!
    Nazaré Oliveira

    (há muito vossa seguidora no meu blogue suricatina.blogspot.com)

  3. fb says:

    Para quando um post sobre a tirada racista de Armenio Carlos?

  4. Ramon Mercader says:

    Comparar esse encontro com o que foi, o que compreendeu, a importância, a coragem de quem participou, no MUD juvenil contra o fascismo…ou é de quem já não consegue inchar mais…ou é de ignorância da historia, ou nem sei. Nem sei se é pra rir ou pra chorar.
    Ridículo!

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