13 da Armada

Não sou grande frequentador de blogs. Mas aprecio a experiência de escrever e partilhar ideias aqui no 5dias. Uma das coisas que aprecio são os comentários. Muitos são contraditórios, alguns antagonistas ou irracionais. Mas considero-os sempre um desafio. E é gratificante para mim ver um post suscitar reacções e contra-comentários, onde por vezes surgem informações e argumentos muito interessantes.

Vem isto a propósito da votação para melhor blog de 2012. Tive uma natural curiosidade de ver consultar os restantes finalistas da segunda volta. Consultei pela primeira vez o 31 da Armada. (O seguinte comentário é mera observação, não campanha.) Independentemente da qualidade dos posts, fiquei decepcionado pela falta de oportunidade de se escreverem comentários.

Um dos recentes posts é intitulado «Centenário de Álvaro Cunhal: sugestões de leitura I». A sugestão de leitura é um livro chamado «Iron Curtain: The Crushing of Eastern Europe» (A cortina de ferro: o esmagamento da Europa de Leste), de Anne Applebaum. Ora eu não li o livro, mas a sinopse refere “a tirania” a que estes países foram sujeitos após a libertação do nazismo que “foi tão desumana como aquela que haviam escapado”. Não pretendo neste comentário criticar o que penso serem as teses do livro, mas antes este livro ter sido referido como leitura a propósito do Centenário de Álvaro Cunhal, o que me compele um comentário, que infelizmente não posso fazer no  31 da Armada.

O post carrega implicações não explicitas, até porque o post não tem grande conteúdo. Que quer João Vacas dizer com esta proposta de Primeira leitura a propósito das comemorações do centenário de Álvaro Cunhal? Um homem que advogando solidariedade internacionalista para com os países socialistas da Europa de Leste (e não só) sempre defendeu que não existem modelos de via socialista, mas pelo contrário defendeu um rumo em Portugal baseado nas condições concretas de Portugal, em função das condições objectivas e subjectivas do povo Português. Essa sugestão de leitura tem ecos de um anti-comunismo ignorante e de um enorme e ofensivo reducionismo da figura do Álvaro e da postura independente do PCP.

 

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12 Responses to 13 da Armada

  1. Bento says:

    Anticomunismo primário é a razão do post do 31 armada.

  2. xico says:

    Eu lembro de muitos Avantes que li no tempo de Cunhal. Todos defendiam o regime soviético. Esse “pecado” Cunhal tem: não só de não ter denunciado os males daquele regime (a que não estava obrigado) mas de ainda ter falado bem daquilo (o que também não era obrigado) e colaborado na expulsão de camaradas que não aceitaram as invasões soviéticas na Hungria e na Checoslováquia.

    • De says:

      Pois é.A memória é uma coisa terrível.
      Tão terrível que é selectiva.E tão selectiva como ideológica.
      Xico lembra-se do que se lembra..Ao contrário de um pequeno qualquer que escreve no 13 da armada,xico resolve puxar do seu rancor sobre a solidariedade do PC (e não de Álvaro Cunhal, sorry mas esse culto da personalidade manhoso não cola) com a URSS e lastima-se de não ter denunciado os males (SIC) daquele regime
      Pois Xico está equivocado.O que queria Xico era a pequena ou grande chicana de, perante dois mundos, se ter uma postura equidistante e asséptica..Como se a tomada no lugar na barricada não fosse um dever também ético e necessário.
      Provavelmente Xico quereria uma postura como a que ocorreu na recente agressão à Líbia em que uns tantos também se posicionaram no lugar dos cobardes cúmplices do imperialismo e aplaudiram com ambas as mãos o sucedido na Líbia,com os resultados que se viram.Uns tantos apelavam à ida das tropas “puras e luminosas”,que não existiam, para proteger os alvos escolhidos pela mão dos mercados..As tropas vieram de facto chamadas voluntária ou involuntariamente e foi (é ) o que se viu(vê)
      Pode Xico limpar as mãos à parede que as suas leituras transviadas da História não passam.
      Chorar pela solidariedade com a URSS faz lembrar as lágrimas dos ditos eurocomunistas com os resultados de todos conhecidos.O afã com que Xico arruma as questões tão complexas é típica de muita coisa que motiva hoje o próprio Xico a solidarizar-se com os agressores dos miúdos entre os 12 e os 15 anos ás mãos da PSP.A isso também não era obrigado.Mas fê-lo.

      • xico says:

        Não me solidarizei com agressores de miúdos. Fiz um comentário jocoso sobre uma situação concreta onde estarem miúdos de 12 anos seria manifestamente exagerado.
        Escrevo para lhe dizer que gostei da sua crítica ao meu comentário. Também eu me questiono muitas vezes sobre de que lado da barricada estar. Ter trazido a questão da Síria foi uma forma inteligente de me confrontar com as minhas incertezas, porque as tenho, ao contrário de outras que só têm certezas. E isto porque tendo a ficar do lado do governo da Síria. Mas não me verá a escrever loas ao ditador Sírio. Essa é a diferença. E muitos comunistas assim pensaram e pagaram caro. Se Cunhal devia ficar do lado de Estaline, nada o obrigava, no entanto, a louvá-lo. Também Joana d’Arc lutou ao lado de Gilles de Ray contra o invasor do seu país, mas não se confundem. São questões demasiado sérias para ficarmos nos nossos rancores ou amores pessoais. Fiquei com uma dúvida. Ter falado nos males do regime de Estaline é errado? Não tinha males aquele regime? Tudo o que Estaline fez justificava-se com a luta contra o capitalismo? Hitler também fez a luta contra o capitalismo. Justifica-o?

      • De says:

        Mais uma vez tretas.
        Por uma questão de respeito não pospego aqui o seu comentário “jocoso” sobre os tais miúdos tratados tão carinhosamente pelos mandadores da lei.
        (A grande chatice das questões concretas está aí.Tornam redundante e quase obsceno os comentários jocosos a respeito de.E assumem por vezes foros de cumplicidade com o direito do mais forte a.).
        Sobre a Síria não me ouviu a cantar loas a ninguém.Mas assumo que estou claramente ao lado do povo sírio contra a invasão e a tentativa de esmagamento dum regime laico e semi-independente às mãos dos mercenários dos mercados e dos seus homens de mão do fascismo islâmico.
        E pondo os pontos nos is, Assad tem um grande mérito.O de saber resistir aquilo que todos os podengos internacionais pensaram ser impossível.Não foge e enfrenta os criminosos de pé.Uma lição para muita canalhada que anda por aí.
        Quando à questão de Álvaro Cunhal e a posição sobre o PCUS ou sobre Estaline “são questões demasiado sérias para ficarmos nos nossos rancores ou amores pessoais”. A tentativa de deturpar os factos é demasiado óbvia ( e aqui falo numa perspectiva muito mais lata do que o diálogo com um ser chamado Xico). Os textos de estudo estão disponíveis e recuso-me a resumir a questão dos amores e desamores de alguém,muito menos de Álvaro Cunhal, em meia duzia de larachas.Ou se é sério quando se debate ou não.A História do século XX tende a ser revisitada pelos vencedores da guerra fria,mas é altura de voltar a recusar as leituras dos vencedores.Também aí se constrói a resistência.Também aqui se denunciam as pequenas jogadas politiqueiras dos “louvores” ou dos cultos de personalidade que de facto não o foram.
        Quanto aos males do dito estalinismo mais uma vez falha o alvo.Basta ler o que escrevi.Mas recuso-me a ir à boleia de erros, para generalizações absurdas, abusivas.e ainda por cima imorais.
        As suas ultimas frases pecam pelo desconhecimento do que foi o nazismo.Ou melhor pela deturpação do que foi o nazismo.Hitler fez a luta contra o capitalismo?Isso deve ser uma piada de mau gosto
        Voltaremos a este aspecto

      • De says:

        A maior parte das empresas estatais tiveram como origem as nacionalizações promovidas após as bancarrotas que se seguiram à chamada Grande Depressão.
        Na década de 1930, o transporte ferroviário alemão (Deutsche Reichsbahn) constituía a maior empresa pública do mundo. Foi privatizada em meados da década.(pelos nazis)
        No setor de aço e mineração, em 1932, o governo comprou a empresa de mineração Gelsenkirchen Mining Company que pertencia à multinacional norte-americana United SteelWorks pagando mais de 350% de ágio por ação. Assim que o Partido Nazista chegou ao poder, em 1933, o controle do governo, que detinha 52% das ações, foi reduzido para 25%. Fritz Thyssen, um dos dois grandes industriais que apoiaram o ascenso do nazismo, passou a controlar a empresa. Em 1936, o governo vendeu os 25% restantes para a United Steel Association.
        A Vereinigte Oberschlesische Hüttenwerke AG era uma potência da indústria do carvão e metalurgia controlada, em 45% pelo Seehandlung (o banco nacional da Prússia). O restante das ações eram controladas pelo Castellengo-Abwehr, propriedade da Ballestrem, que, em 1937, passou a controlar 100% das ações.
        Até a crise de 1929, 40% do mercado financeiro era controlado pelo setor público. A partir de 1931, a maioria dos bancos ficaram sob o controle estatal – 70% em 1934. O Commerz Bank foi reprivatizado em 1936-1937, o Deutsche bank em 1935-1937 e o Dresdner Bank em 1936-1937.
        No setor de construção naval, um grupo de capitalistas de Bremen compraram a maioria das ações da Deutsche Schiff-und Machinenbau AG Bremen “Deschimag” (Companhia de Engenharia e Construção Naval) em março de 1937.
        Em setembro de 1936, o transporte naval foi privatizado.
        Com o objetivo de promover a privatização das empresas municipais, o governo nazista impôs limitações e aumentou a tributação a partir de 1935.
        As privatizações do nazismo não aconteceram somente no setor industrial, mas também no setor de serviços. A Die Deutsche Arbeitsfront (Frente do Trabalho) foi uma organização nazista, não incorporada ao estado que controlou o fornecimento terceirizado de serviços para o governo.

      • De says:

        Na Alemanha Nazista, os capitalistas obtiveram enormes taxas de lucro, principalmente, explorando mão de obra semiescrava. E não foram somente as multinacionais alemãs, mas também as estrangeiras. A IBM, por exemplo, automatizou os mecanismos que controlaram a logística da informação do genocídio promovido nos campos de concentração.
        O aumento do controle geral da economia e da regulamentação teve como principais motivadores a contensão da crise capitalista e o esforço de guerra.
        Durante o ascenso do Partido Nazista e até a entrada dos EUA na Guerra, o apoio da burguesia (não somente a alemã, mas também a burguesia mundial!) a Hitler e Mussolini foi crescendo, conforme foram conseguindo conter o avanço da revolução e esmagar as organizações operárias. Somente após a derrota militar da Alemanha Nazista e da Itália Fascista passaram a ser catalogados, na propaganda oficial burguesa, como monstros. Em quase todos os países do mundo capitalista, principalmente nos países desenvolvidos, proliferaram fortes partidos nazistas. Nos próprios EUA, o Partido Nazista colocou em xeque o governo de Roosevelt; grandes industriais, como Henri Ford, eram nazistas de carteirinha.

      • De says:

        O apoio à iniciativa privada:
        “O alfaiate do nazismo
        Chamava-se Hugo. Era alemão. Rondava os 40 anos quando fundou uma pequena loja de moda, em Metzingen, onde foi dado à luz.
        Seis anos depois abriu falência. Desesperado, resolveu dar a volta à crise: ingressou no Partido Nazi – e a sua vida rapidamente mudou. Corria o ano de 1931.
        Tornou-se fornecedor exclusivo dos uniformes negros das SS (Schutzstaffel), da Juventude Hitleriana e de outras organizações criminosas (sempre muito preocupadas com o porte e o corte). Naturalmente ganhou muitos milhões de marcos entre 1934 e 1945, e para dar conta das encomendas, a solução foi recorrer a mão-de-obra – baratíssima – dos prisioneiros de guerra.
        Após a derrota do III Reich, foi processado mas sofreu uma pena pecuniária: teve de indemnizar as famílias dos escravizados que, entretanto, haviam falecido de exaustão ou sido mortos.
        O nome completo do empresário de sucesso era Hugo Boss. E os negócios prosseguiram até hoje com a mesma etiqueta na ourela.
        Boss é Boss.
        Será que Merkel usa perfume Boss?
        Será que o grupo HB investe em fundos de resgate de submetidos ao IV Reich, onde o trabalho escravo começa a refazer caminho? Costumam estar em todas as linhas de investimento.
        http://resistir.info/alemanha/hugo_boss.html

  3. De says:

    O André no seu post diz e cito-o:” Um homem que advogando solidariedade internacionalista para com os países socialistas da Europa de Leste (e não só) sempre defendeu que não existem modelos de via socialista, mas pelo contrário defendeu um rumo em Portugal baseado nas condições concretas de Portugal, em função das condições objectivas e subjectivas do povo Português.”
    Na mouche.Por isso estas palavras são incómodas. Sem que haja isenção de críticas ou de erros, nem os casos trazidos como o da Checolosváquiia ou da Hungria conseguem esconder-lhes a justeza.E também aqui há muito a debater, hoje ainda, sobre o que se passou e em que condições se passou.

    Porque os juízos e as avaliações da História vão muito para além dos juizinhos e avaliaçõezinhas feitas, na justa medida em que se convocam para justificar o que hoje alguns se tornaram.

  4. samuelquedas says:

    Não é de admirar. Uma notória característica desse blog, sobretudo dos autores que se furtam ao incómodo de serem contestados em comentários… é a cobardia.

  5. Winston Smith says:

    Este “13 da Armada” não tem nada de interessante, para alguém que não seja um anti-comunista ferrenho. E não é preciso ser comunista para condenar o anti-comunismo doentio “made in USA”. É pena não se fazer referencia a livros sobre as atrocidades do fascismo, sempre que morre um desses animais fascistas/capitalistas!
    O “13 da Mamada” é apenas um blogzeco de segunda dum parvinho que tem sonhos molhados com o Mussolini…

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