Juntar forças na MARCHA ATÉ S. BENTO

CARTAZ-MARCHA-27-fevereiro
O Movimento de Professores Boicote&Cerco mais uma vez, sem qualquer sectarismo, ajudará a juntar forças em mais este protesto (dinamizado pela CGTP e o SPGL) contra este governo que nos rouba todos os dias. Esta quinta, 27 de Fevereiro, às 18h à frente do Ministério da Educação em Lisboa convidamos a todos (professores, funcionários, estudantes, pais e outros sectores profissionais) a se juntarem a nós. APARECE E VEM CONNOSCO ATÉ S.BENTO! A defesa da Escola Pública de qualidade para todos é e deve ser uma luta de toda a Sociedade!
Advertisements
Posted in 5dias | Leave a comment

(Prole)tarização

O anúncio, acintoso, da criação de uma “equipa multidisciplinar” para aumentar a natalidade por parte de um Governo que destruiu 1 milhão de postos de trabalho e cortou a massa salarial acima de 30%, onde a pobreza aumentou de 2 para 3 milhões num espaço de 4 anos, um governo que está a destruir a saúde e educação públicas, virá a ser constituído por leis anti aborto, um grupo de juízes conservadores, polícias e muitas revistas cor-de-rosa a explicar que o dia do nascimento de mais um filho de uma rainha que faz 50 viagens por ano com 4 amas atrás foi o mais feliz da vida dela?
Que as pessoas se recusem a ter filhos na actual situação é um sintoma de salubridade e decência. Os filhos não são um boneco que se compra para afagar o ego e, longe vão os tempos, felizmente, em que a segurança social era constituída por ter muitos filhos, que alguns acabariam por cuidar dos pais em velhos e muitos filhos, todos juntinhos, aos 10 de casa vez, 3 gerações, numa casa insalubre, para que todos os míseros salários juntinhos permitissem manter-se vivos. Há! velhos tempos, que ainda bem que passaram…
Não faltam nas nossas universidades equipas multidisciplinares que provaram – sem contraditório algum – que a dívida pública é uma renda fixa, que as PPPs deviam ser unilateralmente denunciadas, que a Banca devia ser nacionalizada, que os trabalhadores pagam 75% de todos os impostos, que é possível reduzir o horário de trabalho sem reduzir o salário e toda as pessoas trabalharem, que o Estado Social é auto sustentado. Não precisamos de equipas multidisciplinares, precisamos de políticas de ruptura com este modelo social destrutivo.

O desemprego, em gráfico, antes e depois da actuação da “equipa multidisciplinar que veio para o país para o tirar da crise”. Fonte: Eugénio Rosa.

desem

Posted in 5dias | 10 Comments

Congresso do PSD (II). Comentadores apparatchik, desagregação na base e o regresso de Relvas

Marcelo tem um “vipe” e vai ao congresso fazer um “número de circo“, Marques Mendes e Morais Sarmento juntam-se à festa. Os chefes de fila dos fariseus que pululam na comunicação social deixam cair a máscara da “independência” que muito gostam de apregoar, mostram as suas verdadeiras cores. Marcelo, Marques Mendes e Sarmento são apparatchiks do partido e no palco televisivo são dos mais importantes jagunços ao serviço  do governo.
1970776_643378039061829_858323171_n

Enquanto no topo é o “toca a reunir” a base dá sinais de desagregação. Já ontem tinha lembrado que Passos em 2014 foi eleito para a liderança do PSD com menos 2.000 votos que em 2012. Os resultados das eleições para os órgãos do partido confirmam essa tendência, neste congresso as listas de Passos obtêm o pior resultado de sempre

O regresso do símbolo máximo da baixa política portuguesa, Miguel Relvas, é sintomático. Sintomático do nível degradante da vida pública no Portugal do “novo normal”, sintomático da relação mafiosa Passos-Relvas e, ao contrário do que as aparências indicam, sintomático dos problemas que Passos tem em controlar o aparelho do partido. Se não existissem problemas sérios dentro do próprio partido Passos não teria necessidade de ir repescar essa figura negra e queimada da vida política para actuar como seu homem de mão lá dentro.

Entretanto o desemprego aumentou em Janeiro, é o “novo normal”.

Posted in 5dias | Tagged , , , , | 5 Comments

Congresso do PSD, sinais de desgaste no “novo normal”

1948059_408092959328138_1894168261_n

Passos é vaiado à entrada para mais um congresso do PSD. Sobe ao palco para dizer que “Portugal está melhor que em 2011“… Um dia antes o líder da bancada do PSD dizia que “a vida das pessoas não está melhor, mas o país está muito melhor“… De facto, para o grande capital nacional e estrangeiro as coisas estão bem melhor, a começar pela corte de Catrogas e outros que tais que saqueiam o bem público para propósitos privados.

Para o comum dos mortais habitantes deste país, “o novo normal” não é mais do que a solidificação de um novo contracto social de barbárie que implicou a expulsão de centenas de milhar de pessoas do país, a condenação à miséria de milhões e significa uma redução abrupta de salários, prestações sociais e serviços públicos.

Por isso, apesar do controle que exerce sobre o aparelho de estado, a base social do PSD dá sinais de grande desgaste. Há uma purga em curso, de que Capucho é apenas o rosto mais visível. Passos em 2014 foi reeleito para a liderança do PSD com menos 2.000 votos que em 2012. Mesmo entre os mais fiéis o apoio ao governo recua.

A manutenção destes sociopatas no poder apenas causará mais estragos à sociedade e população Portuguesa. Quanto mais cedo forem corridos, melhor.

Posted in 5dias | 5 Comments

Vigília na Lusófona pelo princípio do fim das praxes académicas

Amanhã, Sábado na Lusófona (Porto e Lisboa) às 18:00.

Evento no fb, também está na página do Movimento Estudantil Anti Praxe Académica.

1229804_10153775206220296_731342677_n

Este assunto já tem sido discutido neste blog em vários posts (aquiaqui ou aqui). Abaixo deixo uma série de links para textos onde se analisam vários aspectos desta questão. Termino com uma lista de incidentes conhecidos.

Praxe, polémica e violência, uma história com séculos
(…) com o apoio da direcção social-democrata da Associação Académica de Coimbra, organiza-se uma “Queima das Fitas disfarçada”; em 1980, regressam a Queima das Fitas, a capa e a batina… e as praxes.

A abjecção das praxes
Aliás, a evidente ausência do movimento associativo estudantil da conflitualidade dos dias de hoje e a fácil proliferação das “jotas” nessas estruturas, tanto mais eficaz quanto diminui a participação dos estudantes em qualquer actividade que não seja lúdica (…), acompanham a generalização da submissão à praxe.

Memórias incómodas e rasura do tempo: Movimentos estudantis e praxe académica no declínio do Estado Novo
Na abertura do ano lectivo de 1970/71, consolidando o corte com a “retrógrada e tradicional perspectiva de integração praxística” (“Semana da Recepção aos Novos Alunos”, DG, 12-11-70), a DG promove uma iniciativa na qual, em vez da “inferiorização despersonalizante”, se aposta numa série de “colóquios e debates sobre os problemas actuais do estudante e da sociedade portuguesa” (ibidem). Nesse mesmo ano, o próprio Conselho de Veteranos trata de abolir o “rapanço”, como é então noticiado na revista Capa e Batina (CB, 1970, 35).

Praxes: igual à máfia?
Cada “universidade privada”, fosse de que forma fosse, acabava por se tornar um negócio, a favor de obscuras direcções que não dependiam de nenhuma autoridade idónea. Mas, no meio disto, precisavam de prestígio.
Para o “prestígio” escolheram usualmente três caminhos: grandes cerimónias, imitadas de universidades medievais; trajos de professores de grande pompa e circunstância; e uma total liberdade para as “praxes”. Numa altura em que pelo Ocidente inteiro se abandonavam as “praxes” pela sua brutalidade e pela sua absoluta falta de sentido no mundo contemporâneo, Portugal adoptou com entusiasmo essa aberração.
(…) O sr. ministro da Educação, depois de tantas trapalhadas, devia agora tratar da sua enegrecida reputação com um gesto limpo: fechar a Lusófona e punir os responsáveis que deixaram crescer a barbaridade das “praxes”.

A cultura de direita em Portugal.
E, em simultâneo, criam-se colégios com «marcas de distinção» nos domínios da onomástica e da heráldica. Se virmos, por exemplo, a página na Internet do Real Colégio de Portugal (39), que foi criado em 1999 mas descreve com minúcia os pergaminhos antigos da quinta onde está sediado (Quinta do Conde do Paço, no Lumiar), teremos um bom exemplo de «invenção da tradição».

A génese das praxes “modernas”
Na primeira metade dos anos 90 o ano lectivo começava, invariavelmente, com grandes manifestações de estudantes universitários – e não só -, uma das quais “inspirou” o célebre epíteto “geração rasca” ao jornalista Vicente Jorge Silva, em 1994. Nesta altura já havia universidades privadas mas as praxes, se as havia, eram insignificantes. Aquelas manifestações, para além da contestação legítima, tinham um cariz identitário e de quase ritual iniciático da vida universitária. A generalização das praxes foi uma forma de “desviar” essa energia contestatária.

A Praxe Integra? (carta ao director, página 7 do jornal “A Cabra”)

Cinco mitos em torno das praxes

Há abusos nas praxes? As praxes são o abuso.

Tradição de praxes académicas manchada por abusos, violência e morte

Casos (apenas alguns e apenas aqueles de vieram para a “praça pública”…)

Continue reading

Posted in 5dias | Tagged , , | 4 Comments

Estivadores: o sindicalismo num debate sem tabus

Os Estivadores são uma espécie de história ao contrário dos trabalhadores organizados no Portugal contemporâneo. Esta semana foi anunciado um acordo em que, no fim da greve, os estivadores ganharam mais do que quando ela começou. Um sindicato serve para isto, não serve para gerir a miséria, como temos visto tantos exemplos. Exemplos lamentáveis como «conseguimos que só 1400 fossem despedidos» (na Banca); «lutamos pelo subsídio de desemprego para funcionários públicos em vez de lutar contra os despedimentos» (na Função Pública); «conseguimos que só os com menos de 5 anos de trabalho façam prova» (nos Professores). Há algum tempo que anunciam: «obtivemos a certeza de que só nos cortam um braço, caros senhores, porque a proposta era cortarem os dois!».

O Sindicato dos Estivadores saiu com os dois braços e uma camisola nova: 47 trabalhadores despedidos foram reintegrados, alguns em melhores condições do que estavam antes (eram precários há 6 anos e passam a contrato sem termo) e abre-se espaço à formação qualificada de 20 novos trabalhadores.

Os estivadores estiveram 2 anos em greve, não por si directamente, mas pelos outros. Exigiam para si nada. Mas para os outros o mínimo do aceitável — quem quer que trabalhasse no Porto de Lisboa tinha que trabalhar com os mesmos direitos dos que já lá estavam. Perceberam a tempo que precariedade dos mais novos seria uma pressão a curto prazo sobre eles próprios. Os patrões e a tutela disseram-lhes para não se preocuparem que os direitos deles não seriam postos em causa e eles responderam «os direitos ou são de todos ou não trabalhamos». Conheço, sem qualquer exagero, centenas de greves no século XX, em Portugal e no mundo, cujo caderno reivindicativo exigia os mesmos direitos para todos os que trabalham, reintegração de trabalhadores despedidos, recusa de diferenciação salarial sem estar ancorada na formação e mesmo, em situações revolucionárias, imposição de tectos salariais, salário igual para trabalho igual (trabalho feminino, em particular). Os estivadores não são excepcionais. Excepcional e suicidário foi o padrão de sindicalismo que se viveu em Portugal nas últimas décadas e que sistematicamente negociou a conservação de direitos para os que estavam e aceitou a precarização dos que vinham.

“Queremos mais pessoas a trabalhar connosco, mas queremos que tenham os mesmos direitos”. Este lema da greve é o código genético de qualquer movimento sindical decente – não é preciso ser revolucionário ou radical, basta perceber que um sindicato ou é para ganhar direitos para quem trabalha ou não serve para nada. Este é um exemplo, aliás, de reformismo sindical. Os Estivadores não colocaram directamente em causa o poder político, nem estão associados a uma estratégia revolucionária de derrube do Estado. Não questionaram o modo de acumulação capitalista, nem pediram a nacionalização dos portos. Fizeram o mínimo para si e os seus, e esse mínimo, hoje, paradoxalmente, surge como revolucionário, tal é o padrão baixo de onde partimos ao fim de 4 décadas de pacto social, moldados pela incapacidade de lutas sociais que ganhem direitos laborais mínimos de civilização, num país onde 3 milhões de pessoas não vive sem ajudas sociais e mais de meio milhão de pessoas ganha o salário mínimo e não consegue sequer alimentar-se e chegar ao fim do mês.

A pressão que sofreram estes dois anos foi duríssima: mentiras despudoradas de pessoas com responsabilidades públicas; e Bruno Bobone, representante da ACL (Associação Comercial de Lisboa), chegou mesmo a dizer que os estivadores “tinham que desaparecer”. Os Estivadores responderam com uma greve que se resumiu a isto: trabalhamos, mas assim que entrar nesta porta um trabalhador precário paramos. De tal forma que, numa greve de vários meses, só pararam um dia!

O sindicato dos Estivadores tem algumas particularidades: tem 100% de sindicalização; mas isso não chega. De que serve ter 100% de sindicalização se tudo for negociado entre elites burocratizadas? Reúne-se, por vezes semanalmente, em plenário. Não houve qualquer negociação ou ideia que não passasse por um plenário geral de trabalhadores. Isso significa que os dirigentes e a base estão no mesmo barco e são responsabilizados colectivamente pelos erros e acertos. Significa que os desvios burocráticas são travados. Também os estivadores de Barcelona reúnem todas as semanas, estejam ou não em greve. Isso cria democracia, é a base da confiança. Os dirigentes são homens de ferro que resistiram a pressões objectivas e morais sérias. Esta luta foi, como se sabe, apoiada por uma greve europeia de duas horas, a única greve de solidariedade na Europa desde a crise de 2008. E não é porque eles têm um sindicato internacional, porque existem outros e maiores, é porque este sindicato internacional luta e os outros não!

Finalmente, esta greve não foi feita para marcar calendários eleitorais, nem como válvula de escape do descontentamento dos trabalhadores. O Sindicato dos Estivadores é independente da UGT e da CGTP e isso manteve-o longe da estratégia de rebaixar as lutas ao fortalecimento dos partidos da oposição, à ideia de uma saída eleitoral para as questões laborais. Ao fim de 40 anos de democracia-representativa, é por demais óbvio que os direitos laborais nunca foram aí conquistados mas aí, sim, perdidos. O tema é tabu, mas não podemos deixar de abordá-lo — o sindicalismo em Portugal não é, maioritariamente, sequer um sindicalismo reformista clássico, muito virado para lutas corporativas e de sector, ele é uma correia de transmissão da estratégia eleitoral dos partidos políticos e essa estratégia eleitoral, que oferece a quimera de que é nas eleições de 4 em 4 anos e não nos locais de trabalho que se muda a vida, tem sido uma estratégia suicidária. A outra, esta, foi vencedora. Sem glorificação agigantada, esta vitória tem de ser celebrada.

Publicado originalmente aqui

Posted in 5dias | 8 Comments

O milagre da economia… chinesa.

Untitled

É ver a reportagem do Inferno, no Canal Q, para descobrir o milagre.

Posted in 5dias | Leave a comment